Histórico
Brasileiro Série A
Adeus as ilusões
postado em 08 de setembro de 2016

CLAUDEMIR GOMES


O fantasma do rebaixamento se agiganta a cada rodada do returno da Série A diante do Santa Cruz. Embora seja comum entre os cronistas esportivos, principalmente os que fazem rádio no Recife, vender ilusões, fato que, ma maioria das vezes distorce a realidade dos fatos ou, no mínimo, desconsidera o pragmatismo dos números, o atual cenário na Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro nos mostra dois clubes com suas quedas consolidadas para a Segunda Divisão em 2017: América Mineiro e Santa Cruz. O empate - 2x2 - com a Chapecoense no meio da semana, na Arena Pernambuco, soou como um adeus as ilusões para os tricolores.

Com 20 pontos contabilizados em 23 partidas, o Santa Cruz precisa somar 25 pontos nos quinze jogos que ainda irá disputar, uma vez que, o ponto de corte está estimado em 45 pontos. O desafio é grande, mas torna-se insuperável diante da fragilidade apresentada pelo campeão pernambucano ao longo da competição onde tem um aproveitamento de 29%. O site, Chance de Gol, que faz uma projeção da campanha de cada clube envolvido na competição, assim como mostra as probabilidades, após a disputada de 23ª rodada, cravou o time tricolor com 90% de chance de rebaixamento. Foram apenas 5 vitórias em 23 rodadas. Para se livrar do rebaixamento o Santinha precisa de 8 vitórias e um empate, ou 7 vitórias e 4 empates.

Como diz o mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, "o futebol tem sua lógica", e os números apontam o norte do final da campanha do Santa Cruz. É certo que, quem aposta no pragmatismo dos números não pode se deixar impressionar com acontecimentos que levam a analisar os fatos pela ótica do misticismo. Os 12 mil torcedores que pagaram ingresso para assistir ao confronto do Santinha com a Chapecoense deve ter deixado o estádio com a impressão de que os deuses do futebol estão conspirando contra o time comandado por Doriva.

Bom! Prefiro seguir defendendo a tese que faltou planejamento para o clube enfrentar a principal série, onde desfilam os melhores clubes, do futebol brasileiro. Mesmo com algumas pessoas alertando os atuais dirigentes, para que eles não incorressem nos erros cometidos em 2006, o pecado mortal foi repetido: encarar a Série A com um time cujo perfil é de Série B. O resultado não poderia ser outro. Afinal, "futebol não aguenta desaforo", como bem falam os mais experientes.

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Futebol Brasileiro
Estruturas fissuradas
postado em 06 de setembro de 2016
JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejjpazevedo.com

No dia de ontem assistimos partes de alguns programas esportivos. Não conseguimos contempla-los na sua totalidade por conta do esvaziamento dos seus conteúdos. O mundo desse jornalismo é totalmente diferente de uma realidade em que vivemos.
O trabalho do jornalismo esportivo no Brasil faz parte da sua estrutura geral que está totalmente fissurada, e bem perto de romper. Não são discutidos os temas mais importantes, a razão de nossa decadência, pelo contrário o esporte na maioria dos casos é tratado de forma alienada e humorística.
O jornalismo perdeu a sua essência , quando a procura pela noticia foi deixada de lado, dando lugar a uma reprodução fixa de fontes, sem a busca pelo furo, que dá o lugar a audiência. O seu ponto principal é a apuração e isso não mais existe. O jornalista não sai mais da redação, e tem a internet como a sua maior fonte.
O futebol é um dos esportes brasileiros que vem definhando há muito tempo, e os seus segmentos deixam passar despercebido o fato. Um único jogo da seleção já transformou o treinador Tite como um novo Guardiola. Aqueles antes apaixonados por Scolari, já o adotaram. 
Nos apequenamos nos diversos setores relacionados aos esportes e em especial o futebol. Todos nós que o estudamos com afinco sabemos que os nossos problemas estão relacionados aos conceitos de gestão, que hoje na maioria das entidades estão ultrapassados. Ninguém observa, e preferem promover fatos isolados do que uma análise do contexto geral.
Não há, nem haverá melhora nesse esporte se não acontecer uma renovação em sua gestão. A modernização é necessária, para que possa atender a uma nova demanda totalmente insatisfeita na busca de novos produtos. Vivemos das glórias do passado e deixamos de lado o essencial que é o desejo do futuro.
O mais importante para os esportes em geral é o investimento nos recursos humanos, captando profissionais qualificados, para que as fissuras sejam costuradas, e novos caminhos pavimentados.
Uma entidade com boa gestão, com pessoas que pensem tem tudo para dar certo, em um país onde os esportes fazem parte de sua população. O jornalismo  serve como formador de opinião, alimenta o debate, mas infelizmente o está alimentando de forma equivocada, sem discutir que o nosso maior problema é na realidade a ausência de gestores competentes e sobretudo sérios.
Hoje Neymar dançando na concentração da seleção é noticia, enquanto os estádios estão vazios e o fato passa ao largo. Ou mudamos, ou iremos morrer de inanição. O futebol não pode fazer parte de programas humorísticos, e sim de debates sérios e produtivos.
É preciso renovar o modus operandi, inclusive no setor jornalístico. Humor é bom, mas em programas do gênero, não aqueles dedicados aos esportes.

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Náutico
Muito além das quatro linhas
postado em 05 de setembro de 2016

CLAUDEMIR GOMES


A passagem do técnico Alexandre Gallo pelo Náutico não correspondeu as expectativas dos alvirrubros. Após o clube contabilizar três derrotas em quatro jogos disputados no returno da Série B, resultados que, teoricamente inviabilizaram o projeto de acesso à Primeira Divisão Nacional, o treinador foi demitido e, para ocupar o lugar deixado por ele, a diretoria do clube recrutou Givanildo Oliveira, que tem no seu currículo quatro acessos à Série A. A simples troca do comandante técnico é coisa corriqueira nos clubes, mas os problemas do Náutico vão além do factual que ocorre dentro das quatro linhas.

"Hexa é luxo!". A frase virou um mantra para os alvirrubros, que se estabeleceram no passado e não prepararam o clube para entrar em sintonia com o futuro. O resultado foi uma deteriorização ao longo dos 48 anos que separam a conquista de um título emblemático, de um presente desolador, sem perspectiva. A preocupação, única e exclusiva com a conquista de títulos no futebol fez com que o Náutico ficasse pequeno como clube. Ao longo de quatro décadas, os dirigentes sequer conseguiram enxergar o vizinho Country Club, hoje a maior referência de clube socioesportivo no Estado.

Na década de 80 o clube se desfez de um patrimônio valioso, o Caça e Pesca, um equipamento localizado em Barra de Jangada, Jaboatão dos Guararapes. A garagem de remo, edificada na rua da Aurora, onde o metro quadrado é um dos mais valiosos na cidade do Recife, é um equipamento que poderia ter um outro fim, mas que fica sendo sub utilizado com um esporte decadente em Pernambuco. Da mesma forma, a incapacidade dos dirigentes não permitiu que o clube se expandisse no seu habitat. A expansão imobiliária criou um cinturão ao redor do seu patrimônio físico nos Aflitos, fato que inviabilizou o crescimento naquela área. A pequena reforma feita no estádio Eládio de Barros Carvalho foi fruto da persistência e do sonho de um alvirrubro: Raphael Gazzaneo. Não foi projeto de diretoria, ou de uma comissão patrimonial.

Ao longo de quatro décadas o Náutico promoveu um desfile de presidentes cuja incompetência foi desastrosa para a agremiação alvirrubra. A análise não se refere aos cidadãos, e sim, aos gestores. Antônio C. Barros, Josemir Correa, Fred Oliveira, Márcio Borba, Berillo Júnior, Glauber Vasconcelos, são alguns exemplos de administradores que em nada contribuíram para o crescimento do clube. O perfil dos atuais mandatários, Marcos Freitas e Ivan Brondi, homens de conduta ilibada, não se adéqua às necessidades do momento, fato que ressalta a forma de como o Náutico vem sendo rifado a cada processo eleitoral, por conta da falta de um planejamento que impulsione o seu crescimento.

Não podemos eximir Alexandre Gallo de culpa em relação a oscilante campanha do time na Série B, mas o "diabo não é tão feio quanto se pinta". Por falta de dirigentes capacitados ele passou a definir determinadas coisas que não são da atribuição do treinador. O problema do Náutico não se restringe ao comando técnico, vai muito além do futebol. Infelizmente o hexa funcionou como uma venda nos olhos dos alvirrubros impedindo-os de verem o clube como um todo, e não apenas como um time de futebol.

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Artigos
Os caminhos do Sport
postado em 03 de setembro de 2016
JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejjpazevedo.com


Ao lermos a entrevista de João Martorelli, presidente do Sport, ficamos na dúvida se esse habita o nosso planeta ou está em outro mundo, deixando bem claro que não conhece nada do clube mesmo dirigindo-o por quase quatro anos.
O rubro-negro da Ilha do Retiro é um dos poucos do Nordeste que tem potencialidade para o crescimento, mas as últimas gestões o trucidaram tanto na área esportiva como a patrimonial.
O Sport de hoje é um produto de uma gestão totalmente pessoal de Gustavo Dubeux, que tornou-se o seu dono, afastou alguns personagens do clube que poderiam dar a colaboração mais efetiva, deixando um legado que não pode ser comemorado.
O atual presidente é um herdeiro do desastre, deu continuidade a má gestão, e no início ainda continuava com a obsessão pela arena, que teria sido o fim do clube, desde que hoje só teríamos um buraco em todo o seu patrimônio.
Afirmar que o futebol do Sport ainda pensa no G4, que Oswaldo de Oliveira prestigia a base, entre outras coisas, é a certeza de que o Sport vem sendo dirigido pelo telefone, ou pela internet. G4 só em sonho de uma noite de verão, e aproveitamento da base temos um exemplo bem claro, Everton Felipe, que pouco tem sido aproveitado nos últimos jogos, e era o último dos moicanos.
Quem passa pela sede do clube verifica o abandono. As paredes que eram lavadas todos os anos estão sujas por conta da poluição. A parte que era pintada está escura. Vidros quebrados no salão social, um abandono total, que mostra de forma clara a situação a que esse foi relegado.
O Sport é totalmente terceirizado. Nada lhe pertence e sim aos que o arrendaram. As famílias há muito que não o frequentam, e isso é grave para a formação de uma nova geração para que possa dirigi-lo no futuro.
O mais grave de tudo é a apatia dos rubros-negros que presenciam os problemas do seu clube e não reagem. Se calam, e quem cala consente, embora os torcedores já começaram a abandona-lo deixando os estádios vazios.
Os caminhos do Sport serão tortuosos, embora seja uma entidade viável falta-lhe gestores para que possam conduzi-lo por uma estrada sem buracos ou curvas perigosas, e trazê-lo de volta aos seus grandes dias.
Na realidade hoje o clube é um LEÃO ADORMECIDO na busca de um comando que possa acorda-lo, desde que o atual não conquistou nada.
LAMENTÁVEL

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Copa Sul-Americana
Classificação do Santa divide opiniões
postado em 01 de setembro de 2016

CLAUDEMIR GOMES


Vencer um clássico é sempre motivo de regozijo para o torcedor, principalmente se este for apimentado por uma rivalidade centenária como é o Clássico das Multidões. Eis a razão pela qual a torcida do Santa Cruz amanheceu feliz. A vitória - 1x0 - foi a segunda do clube do Arruda sobre o Sport, nos sete confrontos que os dois clubes tiveram na temporada 2016. Detalhe: a primeira vitória assegurou ao time coral o título pernambucano. A segunda, nesta quarta-feira, classificou Grafite e companhia para as oitavas de final da Copa Sul-Americana.

Além do fato de vencer o arquiinimigo, o torcedor do Santa Cruz brinda a classificação como uma conquista inédita, afinal, a edição 2016 da Copa Sul-Americana tem como uma das novidades o batismo do Tricolor numa competição internacional oficial. A exposição em um novo mercado cria a possibilidade de conquista de novos investidores. Mas para que tal experiência venha ser exitosa é imprescindível que o clube descreva uma boa campanha, o que parece pouco provável ante as dificuldades que o time atravessa no momento.

A vitória sobre o Sport ecoou apenas no cenário doméstico. A fase nacional da competição continental nada acrescenta em termos de visibilidade. Costumo dizer que os clássicos pernambucanos na Sul-Americana são chocolates domésticos vendidos com uma outra embalagem. A internacionalização, ou seja, os confrontos entre clubes de diferentes países começa a partir das oitavas de final. O grande desafio do campeão pernambucano começa agora, fato que nos leva a pergunta: o Santa Cruz está preparado para o desafio?

A julgar pela campanha que vem descrevendo na Série A, podemos afirmar que não. Mas o futebol reserva surpresas, e é justamente no imponderável que os dirigentes tricolores apostam.

Pela ótica dos otimistas, a classificação para a próxima fase da Sul-Americana pode, inclusive, alavancar o clube na Série A, competição na qual está estagnado na desconfortável posição de vice-lanterna, na iminência do rebaixamento para a Segunda Divisão nacional. A análise dos pragmáticos é inversamente proporcional. Num momento em que o Santa Cruz precisa concentrar todos os seus esforços na luta para se livrar do rebaixamento, vai ter que encarar viagens desgastante para outros países. Como não dispõe de um grupo qualificado, as chances de obter sucesso na Copa Sul-Americana são mínimas. Além disso, o cansaço provocado pelas viagens pode vir a ser determinante para o insucesso na tentativa de descrever uma campanha de manutenção na Série A.

Como no futebol não existe uma verdade absoluta, embora os números apontem uma lógica, resta ao tricolor torcer para que a vitória sobre o Sport, que lhe permitiu avançar na competição continental, não venha a ser uma "vitória de Pirro".

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