Histórico
Futebol Pernambucano
Violência deixa cidade em pânico
postado em 12 de setembro de 2016

CLAUDEMIR GOMES



A "Lei do Cangaço" voltou a imperar em Pernambuco. Como estamos em pleno Século XXI, a nova ordem é plantar o terror no maior entretenimento do povo: o futebol. É uma espécie de "Estado Islâmico Tupiniquim". A diferença é que o verdadeiro EI faz terrorismo matando a grosso. O que mancha de sangue o futebol brasileiro mata a granel. Neste final de semana, enquanto Sport e Santa Cruz se preparavam para disputar uma edição histórica do Clássico das Multidões, um grupo de "cangaceiros", ou "terroristas", como queiram, promoveu um linchamento em uma das ruas do bairro do Cordeiro, no Recife. As imagens viralizaram nas redes sociais, fato que nos deixa com o sentimento de que a violência está banalizada.

No século passado, os bandos de cangaceiros levaram a melhor em vários combates com a polícia, a época tratada como "volantes". O ponto final do movimento foi cruel, violento, sanguinário. Naturalmente que, nos dias de hoje é inconcebível qualquer tipo de extermínio, genocídio. Mas existe um clamor na sociedade para que Polícia Militar e as outras instituições envolvidas com a segurança pública, encontrem uma forma efetiva de neutralizar as torcidas organizadas que deixam a cidade sitiada, e em pânico, em dias de jogos. Não é de hoje que o futebol pernambucano se tornou refém da violência.

A Colômbia conseguiu neutralizar as Forças Armadas Revolucionárias Colombianas - FARC. Os europeus conseguiram conter as ações dos hooligans que transformavam estádios de futebol em campos de guerra. Apesar de várias ações terem sido anunciadas pelas autoridades civis e militares, a sensação é de que não causaram o efeito desejado em relação as torcidas organizadas em Pernambuco. Os clubes foram coniventes, contribuíram para que o "monstro" crescesse e proliferasse. Hoje, a sociedade sente os efeitos deste paternalismo, e paga um preço alto.

Enquanto não houver medidas extremas tipo - jogos para uma só torcida; acesso ao estádio só para sócios - seguiremos assistindo espetáculos de terror: linchamento; jovem paraplégico por conta de tiro; torcedor morto por ter sido atingido por uma privada lançada das arquibancadas...

Diante deste cenário sangrento do futebol pernambucano, é bastante previsível uma retaliação ao espancamento do qual foi vítima o presidente da Organizada Inferno Coral. Alguém duvida?

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Brasileiro Série B
O erro estratégico do Náutico
postado em 12 de setembro de 2016

CLAUDEMIR GOMES



A edição 2016 da Série B tem sido marcada pelo equilíbrio de forças, o que exige um planejamento estratégico dos clubes. É sabido que o returno é decisivo para os clubes que definiram como meta o acesso à Série A. Tal conceito revela a fragilidade do Náutico que, após o empate com o Bahia na vigésima-quarta rodada, caiu para a décima-primeira posição na tabela de classificação, fato que colocou sete clubes a sua frente na briga pela última vaga de acesso. A queda vertiginosa do clube alvirrubro acontece num momento em que as definições acontecem. Nas cinco rodadas do returno o time dos Aflitos contabilizou três derrotas, um empate e uma vitória. Não venceu nenhuma partida como mandante, sequência que lhe levou a figurar, pela primeira vez, na parte de baixo da tabela de classificação.

O equilíbrio da disputa nos mostra o Náutico a seis pontos do G4 (faixa de acesso à Série A), e a cinco pontos do Z4 (zona de queda para Série C). A atual posição dos alvirrubros na tabela de classificação deixa o clube com 11,2% de chance de acesso. A probabilidade de descer para a Série C é mínima dada a fragilidade dos times, com Sampaio Corrêa, Joinville e Tupi já estando teoricamente rebaixados.

O que fazer? Acredito ser esta a pergunta do torcedor alvirrubro que se recusa a deitar as armas quando estamos a quatorze rodadas do final do campeonato. Poucos treinadores conhecem a Série B como Givanildo Oliveira. A prioridade no momento é ultrapassar o ponto de corte, ou seja, levar o time aos 45 pontos o mais rápido possível, para isso precisa de uma sequência de quatro vitórias e um empate. Isto feito, o que vier é lucro. O cenário atual ressalta as dificuldades de buscar metas ousadas quando se depende da combinação de resultados.

O erro estratégico cometido pelos alvirrubros não foi outro senão o enfraquecimento no momento em que vários clubes deram sinais de reação, fato que estabeleceu um maior equilíbrio na disputa. Agora, além da essencial transpiração é preciso ter um pouco de qualidade para fazer a diferença.

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Brasileiro Série A
Clássico dos Afogados
postado em 09 de setembro de 2016

CLAUDEMIR GOMES

 

A derrota para o Corinthians - 3x0 - deixou o Sport com a mesma pontuação do Figueirense (27 pontos), clube que, no momento, abre a zona de rebaixamento no Brasileiro da Série A. O que leva o rubro-negro pernambucano a se posicionar uma casa acima na tabela de classificação são os critérios de desempate: o Leão tem uma vitória a mais e o seu saldo de gols é menos negativo que o do time catarinense. Com todos os faróis de alerta ligados na Ilha do Retiro, o Clássico das Multidões que será disputado domingo, passa a ter um caráter de decisivo para os leoninos, como se fosse uma final de campeonato, como bem classificou o goleiro Magrão.

Por ironia, a disputa do Troféu Givanildo Oliveira, criado pela Federação Pernambucana de Futebol, para marcar o centenário de um dos clássicos mais tradicionais do futebol brasileiro, serve para emoldurar e apimentar esta queda de braço entre os "afogados" que lutam contra o fantasma do rebaixamento. O fato de ter sete pontos a mais que o arquirrival dá ao Sport uma vantagem nesta fuga da degola, mas não lhe assegura sucesso no oitavo confronto entre os dois clubes na temporada 2016, que acontece neste domingo, na Ilha do Retiro. Nos clássicos já disputados foram registradas 2 vitórias do Sport; 2 do Santa Cruz e 3 empates.

Com o ponto de corte chegando aos 46 pontos, o Sport precisa somar 19 pontos nas 15 partidas que irá disputar até o final do campeonato, para se ver livre do rebaixamento. O desafio do Santa Cruz é maior: o campeão pernambucano só permanecerá na Série A em 2017 se contabilizar 26 pontos até o final desta edição. Diante do pragmatismo dos números só resta uma saída para rubro-negros e tricolores no clássico do final de semana: a vitória. A imperiosa necessidade de vencer obriga os dois times a serem intensos, o que vai assegurar ao clássico um nível de competitividade altíssimo. Em relação a qualidade técnica do espetáculo, a posição dos dois clubes na tabela de classificação diz tudo.

Como diria o mestre dos traços, Humberto Araújo, "este é o tamanho do nosso futebol".

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Artigos
O troféu SAMU
postado em 09 de setembro de 2016
JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO (blogdejjpazevedo.com)

O povo brasileiro está se acostumando com as coisas ruins. Ninguém grita fora ladrões, pelo contrário os festejam. No futebol o torcedor não liga para a mediocridade geral que tomou conta do esporte em todos os setores. O jornalismo Pokemon vibra com uma seleção que eles chamam de brasileira, que na verdade é do Circo do Futebol Brasileiro, uma entidade que exala mau cheiro. E aí segue a vida.
Por acaso alguém observou que o nosso futebol tornou-se uma sucursal do Samu por conta do número de contusões, que são produtos de um calendário irracional formulado por apedeutas com um excesso de jogos, atrelados a longas viagens?
Não tem um único jogo sem que um profissional não saia lesionado. A maior parte é de ordem muscular. Até os goleiros são afetados. Fizemos um levantamento para o blog, e constatamos que até o dia de ontem eram 77 jogadores nos diversos departamentos médicos, o que representa 7 times completos. Realmente é assustador.
Qual o veículo de mídia que divulgou ou analisou tais números? Estão mais preocupados com a dança de Neymar e com os uniformes grotescos dos clubes. É a realidade que convivemos, que faz parte da era da imbecilidade.
O Circo e as federações estaduais são instituições atrasadas, e esse atraso se deve a pessoas, que agem como sem elas, o esporte não existiria. A insistência dos jurássicos estaduais, que ocupam várias datas do calendário, demonstra realmente o modelo superado que é adotado. Quando se fala na proteção aos clubes menores, e que esses campeonatos pelo menos servem para movimenta-los, esquecem que a grande maioria torna-se sazonal com apenas três meses de atividades.
Não se debate a ampliação do número de participantes nas competições, inclusive com uma nova Série, com um modelo regionalizado e bem distribuído durante toda a temporada. Pelo contrário, são Estaduais, Ligas Regionais, Copa do Brasil, Libertadores, Sul-Americana e Brasileiro. Os atletas se preparam para o sacrifício, atendendo a um calendário ponográfico, podendo realizar até 75 a 80 partidas em um ano, para atender os interesses de terceiros e não dos esportes, enquanto os europeus jogam no máximo entre 60 e 65 por conta do seu calendário bem elaborado.
Os clubes formatam elencos gigantescos para que possam atender a maratona de jogos, inflando as folhas salariais, e onerando os seus cofres. Mas apesar de viverem sob esse guarda-chuva perverso ficam calados, desde que são dependentes da televisão e dos órgãos que administram esse esporte.
No final do ano serão premiados com o Troféu Samu, que é entregue aquele que conseguiu ter menos gente no Departamento Médico.
Grotesco.
São coisas de um futebol dirigido "muito bem" por Del Nero e seguidores

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Artigos
"O apogeu da merda"
postado em 08 de setembro de 2016
JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO (blogdejjpazevedo.com)


Tínhamos uma visão equivocada do apresentador Fausto Silva, o Faustão, talvez pelo conteúdo vulgarizado do seu programa, mas, depois de assistirmos a sua entrevista no "Programa do Jô", verificamos um outro lado, o do cidadão bem informado, com cultura e pensamentos corretos e avançados.
O que nos chamou mais atenção foi um texto sobre o futebol brasileiro, algo que sempre escrevemos sobre o tema, que é abandonado pelo jornalismo Pokemon, onde o ufanismo prevalece por conta dos interesses.
"Já falava o meu amigo Flavio Costa que o futebol brasileiro só evoluía dentro das quatro linhas. Fora de campo, não. Hoje em dia você vê a situação do Brasil. Embora tenha ganho a medalha de ouro, a situação é cada vez mais catastrófica. Por que? A ascensão social e econômica e social no Brasil ou é através do futebol, da música sertaneja e do Big Brother Brasil. Então é um país que não investe na educação. Conclusão: É O APOGEU DA MERDA", afirmou.
Trata-se de uma realidade que constatamos muitas vezes em nosso cotidiano, quando os pais desembolsam recursos que irão lhes fazer falta para que os seus filhos participem de uma escolinha de futebol. O sonho que hoje se coloca na cabeça do jovem, é de que o futebol irá leva-lo a riqueza, e daí poder dar maiores condições a todos os do seu convívio. Na sociologia trata-se de um fato social.
A realidade é bem outra, muito distinta, desde que no universo dos atletas profissionais 90% desses tem salários de um a três mínimos, o que caracteriza as distorções existentes no setor. Uma minoria é levada a clubes maiores e com faixas salariais mais altas.          
Aí é que entra o poder público, no seu projeto esportivo, que na maioria dos estados é inexistente, quando através de um planejamento, levar os alunos de suas escolas a praticarem esportes, tornando-se na realidade o celeiro alimentador de todas as modalidades esportivas.  
A educação brasileira é falida, nada acrescenta ao jovem, e muitas vezes só existe para que o aluno tenha sua refeição diária através da merenda escolar. Existe uma necessidade de mudança do foco, com a inclusão dos esportes, inclusive o futebol, colocando-os como parte de sua grade de educação e lazer, e daí com pessoas especializadas orienta-los devidamente, da importância da atividade esportiva, que aliada a educação poderá visualizar um melhor caminho para esses, inclusive com uma perspectiva profissional e de melhoria de vida.    
O esporte não pode ser tratado como salvação familiar, e sim como um rumo a ser tomado para dar mais vida, saúde, formação humana e social, e que poderá ser concretizado na formação de talentos esportivos. A base esportiva é a escola. A educação física e desportiva é um elemento específico da cultura geral adquirida na escola, e é sem dúvidas um dos três mais importantes princípios para sairmos desse "APOGEU DA MERDA", citado brilhantemente por Fausto Silva.
Um novo Brasil será aquele em que a base esportiva seja a escola, com condições de produzir uma geração de homens e atletas, sem que os pais tenham que dispender um valor tão grande para que o seu filho tenha o sonho de ser um jogador de futebol.                                                                                                                         

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