Histórico
Brasileiro Série B
Um campeonato alucinado
postado em 19 de setembro de 2016

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejjpazevedo.com

Quem acompanha o futebol brasileiro jamais observou algo tão estranho como a Série B de 2016, quando os clubes fazem de tudo para não ocupar a vaga do acesso, e trabalham como uma carroça emperrada que não sai do lugar.

A 26ª rodada da competição foi concluída com alguns detalhes, que deixaram os analistas do futebol perplexos com a sua tabela de classificação. Cinco clubes com a mesma pontuação (39 pontos), e no G4 o acesso do Bahia, que com uma vitória saltou da 10ª posição para a 4º.

Quais os motivos para que esse fato raro pudesse acontecer? Vamos tentar responder essa pergunta.

Com exceção do Atlético-GO, o G4 do Turno foi totalmente modificado no returno, com Atlético-GO (1º), Bahia (2º), Avai (3º) e Criciuma em 4º. O Vasco da Gama continua na liderança, mas nas 7 rodadas da segunda fase encontra-se na 11ª colocação. Foi salvo pelas gorduras, e a queda de alguns clubes como o CRB, Ceará, Náutico e Londrina, que desceram na maluca roda gigante, sem sinais de recuperação. 

O Bahia, que pulou da 10ª colocação para a 4ª e Avai da 15ª para a 6ª, tomaram os seus lugares, e apresentam-se hoje com boas perspectivas de acesso, por conta de uma curva ascendente nos últimos 21 pontos disputados, quando tiveram um aproveitamento de 76%.

Um fato que está passando despercebido está relacionado a pontuação para o acesso. No momento e de acordo com os números do Bahia, um clube que chegar a 57 pontos poderá obter a vaga para a Série A de 2017, utilizando-se os critérios técnicos. Se os percentuais de aproveitamento dos melhores do returno permanecerem, a pontuação será de 60 pontos.

Achamos que os 59 pontos irão levar pelo menos um clube ao sucesso. Não temos dúvidas. Em 2007, o Vitória subiu com tal pontuação, e o fato poderá ser repetido nessa temporada.

A roda gigante ira continuar nas próximas 12 rodadas, quando as duas vagas abertas irão ser disputadas, e de tudo pode acontecer, desde que um tropeço do Brasil de Pelotas ou do Bahia, poderá levar o Avai, Londrina, ou o Ceará, caso um desses saia vitorioso em seu jogo, para o G4. Vasco e Atlético-GO estão bem próximos da Série A de 2017.

HAJA EMOÇÃO, E AO MESMO TEMPO MUITA REZA.

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Brasileiro Série A
A conta pelas derrotas
postado em 17 de setembro de 2016

CLAUDEMIR GOMES

 

O marketing e a propaganda seguem à risca um dos princípios que regem o mercado: para se vender bem um produto é preciso ressaltar suas qualidades. Isto é regra. Afinal, ninguém compra o que não presta. É mais ou menos nisso que se baseia a lei da oferta e da procura. Esta é apenas uma das vertentes que nos leva a uma análise sobre o êxodo dos torcedores dos estádios brasileiros. A qualidade do espetáculo no Brasileiro da Série A, que alguns insistem em chamar de "elite", na edição 2016 ultrapassou o que poderíamos chamar de sofrível. A maioria dos jogos é marcada por uma pobreza técnica que leva ao grotesco.

De acordo com os números atuais, faltando treze rodadas para o final da competição, chegamos a dedução lógica que, dos 20 clubes participantes 9 somarão, ao final de suas campanhas, mais de 15 derrotas, fato que leva os analistas a fazerem suas projeções de forma inversa, ou seja, com base no elevado número de derrotas. Naturalmente que isto se aplica apenas aos clubes que lutam para fugir do rebaixamento.

Ao final da 25 rodada, América/MG e Santa Cruz são os clubes com o maior número de derrotas: 16 e 14, respectivamente. O Internacional que tem uma folha no futebol orçada em torno dos R$ 9 milhões mensais, já acumula 12 derrotas, o mesmo acontecendo com o Cruzeiro, outro clube tradicional do futebol brasileiro. Sport e Atlético/PR contabilizaram 11 derrotas, cada um. O que leva o time paranaense a ter 6 pontos a mais que o rubro-negro pernambucano é o fato de ter somado 11 vitórias, 3 a mais que o Leão. Atlético/PR e Santos são os clubes que menos empataram: 3 vezes cada um.

A pobreza técnica da Série A também pode ser observada através do saldo de gols dos clubes. Cinquenta por cento das equipes que disputam o campeonato das elites tem um saldo negativo. As leis que regem o mercado são tão pragmáticas quanto os números, que dão o norte sobre o futuro dos clubes na competição. Ao longo dos anos a crônica esportiva adotou um comportamento que mascara a realidade dos fatos. Levados pelo ufanismo os comunicadores, de forma geral, repassam um otimismo exacerbado para os ouvintes, telespectadores e leitores. Esquecem que o torcedor, embora seja levado pela emoção, também sabe fazer leitura de jogo, e nos dias de hoje são alimentados por muitas informações. Diferentemente do que acontecia há algumas décadas, quando o cardápio de jogos da televisão era pobre, vender ilusão através dos microfones e dos jornais é assinar um atestado de desinformado. Que me perdoem os mestres da informação.   

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Futebol Brasileiro
Estagnação ou regressão?
postado em 17 de setembro de 2016
JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejjpazevedo.com


Sempre somos questionados com uma pergunta sobre a estagnação do futebol brasileiro, e a resposta que oferecemos é de que houve uma evolução financeira, com maiores recursos, e de forma estranha uma regressão no setor técnico, quando começamos a perder o protagonismo entre os maiores centros do mundo.
A regressão foi um produto da ausência de uma boa gestão, que deu o seu lugar a gestores temerários e incompetentes. Para que se tenha uma ideia exata sobre essa queda, na década de 60 o maior clássico do futebol mundial tinha a presença do Santos e Benfica de Portugal, e o duelo de Pelé e Eusébio. Todas as mídias da época davam o devido destaque.
Hoje os jogos que se comenta, e que tem um um acompanhamento, são os da Europa, e que contemplam famosos atletas brasileiros em seus clubes. O Brasil era cantado em prosa e verso como o futebol arte. Serviu de inspiração para o Velho Continente que aprendeu e superou-o no decorrer do tempo. Conquistou cinco Copas do Mundo e tinha jogadores idolatrados, e com um bom mercado. Hoje são raras as transferências para os grandes clubes, e a demanda maior está na emergente China.
De repente, tudo isso foi jogado pelas laterais dos campos, dando lugar ao novo futebol proveniente da Espanha, Alemanha e Inglaterra. As novas táticas de valorização da bola adotada pelos maiores clubes europeus, que vem das categorias menores até os profissionais não foram acompanhadas pelo futebol brasileiro, que mudou a sua cara para um jogo de bola na área e defensores brucutus.
No Brasil de hoje, poucos clubes praticam o toque de bola como padrão. Os chutões e a ligação direta prevalecem. O futebol brasileiro que sempre foi exemplo por conta de seus talentos, sua ginga e habilidade, deu lugar a marcação dura, faltas em excesso e um número exagerado de simulações. A parte física sobrepujou a técnica. Quem corre é o jogador não a bola, como deveria ser. Os atletas são preparados para provas de atletismo, e não fazer a bola correr nos gramados.
Todos se submetem ao sistema sem contestação, inclusive apoiando um calendário insano e imoral. Trabalhamos no futebol no curto prazo. O longo é um palavrão no dicionário dos cartolas. Na Europa o treinador é longevo, no Brasil é descartável, e tudo reiniciado com a contratação de outro.
A regressão é latente, não temos técnicos especiais, jogadores diferenciados, dirigentes com visão estratégica, uma imprensa esportiva analítica, e contamos com uma entidade apodrecida dirigida por um presidente que não sai do país com medo do FBI.
O futebol europeu evoluiu nos últimos anos, e o brasileiro regrediu, e hoje está sendo tratado numa estação de esgotos.

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Acontece
A controversa propaganda de Neymar
postado em 15 de setembro de 2016

Análise de DUDA LOPES - Máquina do Esporte


A Snickers certamente celebrou a campanha com Neymar nas redes sociais. O vídeo em que o jogador canta, divulgado em sua página do Facebook, fez um enorme sucesso. Rodou a rede e foi parar até em canais de televisão. No fim, a marca foi exposta a um público considerável. Mas será que toda a encenação constitui-se no melhor uso possível das redes sociais?

Uma resposta definitiva é difícil. Não há, nesse momento, como mensurar a reação dos seguidores de Neymar e como quantificar o quanto a Snickers vai vender no fim da linha, o que, claro, é o objetivo final.

Ainda assim, é fato que a estratégia quebra toda a espontaneidade que uma rede social propõe. Teoricamente, o Facebook, o Twitter ou o Snapchat formam um meio de comunicação em que uma celebridade, por mais controlada que seja sua imagem, mantém contato real com seus fãs. É o local de interação e alguma espontaneidade.

Isso não impede, claro, que as redes sociais sejam usadas de forma comercial. Mas, talvez, se a comunicação de uma marca for feita de maneira mais transparente a mensagem poderia chegar com menos resistência.

Além disso, Neymar criou uma barreira em sua rede social. Mídia e torcedores poderão ter dúvidas em mente, no futuro: é uma brincadeira do astro com seus seguidores ou é mais uma ação comercial? Para a mídia, a Snickers fez uma espécie de emboscada, que nunca é muito bem-vinda.

Pode ser preciosismo, mas a busca incessante por um viral já parece tática de outros tempos, quando bom conteúdo era mais raro.


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Futebol Pernambucano
Disque Denúncia
postado em 14 de setembro de 2016
JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejjpazevedo.com

O presidente da Federação Pernambucana de Futebol, depois de sugerir a pena de morte para os torcedores que brigarem nos estádios ou nas ruas, fato esse que serviu de chacota nos diversos programas esportivos brasileiros, convocou uma coletiva que contou com a presença de quatro ouvintes para falar sobre a violência no futebol de Pernambuco, e mais uma ideia "original", a de oferecer um prêmio para o "Disque Denúncia".
Na verdade ideias como essa mostram o desconhecimento do tema, que é muito mais profundo do que uma delação por dinheiro. Aliás no caso de domingo as imagens que circularam em nossa cidade foram ao vivo e a cores. Nós recebemos na mesma hora, e trata-se de um farto material para a Policia local, que faz um trabalho de enxuga gelo, já que os bandidos não são condenados.
Cansamos de escrever e falar sobre a violência no futebol, e tudo continua a acontecer, com a gravidade de um maior acirramento entre as partes. Conversamos com amigos torcedores que nos disseram que ficam com medo de irem ao estádios por conta da impunidade reinante. Todos os problemas que acontecem fora dos gramados estão relacionados às torcidas organizadas. Dentro desses praticamente não existe, graças ao trabalho articulado com todos os poderes realizado pelo Juizado do Torcedor. O palco agora está na rua, onde os encontros programados nas redes sociais se transformam em lutas campais.
Os clubes são culpados. Com exceção do Sport, que rompeu os seus laços com tais torcedores, uma das poucas coisas boas da atual gestão, os demais acobertam as suas organizadas, inclusive no lado financeiro. No momento da agressão de domingo, recebemos uma foto do agredido, que é presidente da Inferno Coral, festejando o lançamento dos novos uniformes com dirigentes do Santa Cruz. Criaram a cobra e essa está engolindo-os. Sabemos que no meio dessas torcidas, existem pessoas envolvidas com o crime organizado, além do acesso às drogas.
O combate deve ser feito através da asfixia financeira, e com a proibição de utilização de símbolos dos clubes em seus materiais. Com os cofres vazios, vem a inanição, desde que não terão mais recursos para a captação de seus "soldados".
Na verdade, a maioria é de jovens sem perspectiva que se unem a tribos que lhes dão identidade, valor e sentido que a sociedade lhes nega, sobretudo algo mais importante para o ser humano a educação. Torcedores organizados não somam nada no contexto, e servem para afugentar os que desejam frequentar os estádios e consumir os produtos de seus clubes. 
Quantos amigos nossos que usavam camisas dos seus times em dias de jogos relutam hoje em fazê-lo, por ficarem passíveis de uma agressão? Pena de morte ou Disque Denúncia não irá resolver o problema, e para tal basta atender o que determina o Estatuto do Torcedor, e entender que o problema é social, e que deve ser tratado como tal, com a participação de diversos segmentos, e em especial dos órgãos de segurança com o auxilio de seus setores de inteligência.
O torcedor precisa perder o medo de ir a um jogo, e para que isso aconteça existe a necessidade da participação de toda a sociedade.

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