Histórico
Futebol Brasileiro
Sanatório Geral
postado em 08 de outubro de 2016

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO  blogdejjpazevedo.com


A maioria dos clubes brasileiros que disputam o Brasileirão já ultrapassou a casa dos 60 jogos, ou estão bem próximos dessa marca, na atual temporada.

Como exemplo o São Paulo que disputou a Libertadores, no seu jogo contra o Sport Recife completou exatamente 62 entradas nos gramados, o adversário chegou a 58. No final da competição irão atuar por 72 vezes e 68 respectivamente, ou seja 7,2 jogos, e 6,8 por mês.

Alguns clubes que disputaram a Primeira Liga irão alcançar 78 partidas em um ano. O problema maior não é o de jogar uma quantidade como essa, e sim as distâncias que percorrem nas competições como Brasileirão, Libertadores e Sul-Americana. São viagens longas, e cansativas. 

O reflexo está na quantidade de profissionais nos Departamentos Médicos. No dia de hoje são 72, seis times e meio. Por outro lado em quase todos os jogos atletas sofrem lesões musculares. Não é coincidência e sim a realidade insana em que vivemos.

Os dirigentes fingem que não enxergam os fatos, e ajudam a pintar o quadro com mais intensidade, e a decisão da ampliação da Libertadores e Sul-Americana é algo que poderia leva-los a um Sanatório, e saírem no bloco do Sanatório Geral.

O calendário atual é um suicídio, e prejudicial as agremiações.

A 29ª rodada do Brasileirão teve 19 desfalques causados não somente pela Seleção do Circo, como das demais Sul-Americanas. Se tivéssemos datas haveria uma paralisação da competição.

Não somos contra as mudanças, e sim pelo açodamento de implanta-las. Em uma entidade séria não se aplicaria um novo regulamento durante uma temporada vigente. Tais mudanças só poderiam começar em 2018, quando os participantes das competições estivessem preparados para tal.

De repente o Regulamento do Brasileirão que está na reta final teve que ser modificado para atender o que irá acontecer daqui há três meses, quando o G4 foi inflado para G6.

Um planejamento para montagem do elenco não é algo que se faz do dia para a noite, e todos já estavam preparados para o término dessas competições no final do primeiro semestre do próximo ano.

Muitos contratos terminam em julho de 2017, e terão que ser refeitos ainda no final dessa temporada, e com isso a obrigação de manter jogadores que poderiam não estar nos seus projetos.

Os ufanistas que comemoram com emoção a vitória da Seleção do Circo contra uma equipe mambembe e grotesca, não observaram esse lado oculto de uma medida que parece ser motivo de festa, e que na verdade preocupa.

No carnaval de 2017 o Bloco do Sanatório Geral estará nas ruas, tendo Marco Del Nero como porta-bandeira, e todos cantando o refrão da música ¨VAI PASSAR¨do compositor Chico Buarque:

Ai, que vida boa olerê,

Ai, que vida boa olará,

O estandarte do Sanatório Geral vai passar.

O futebol brasileiro necessita de uma varredura como a que aconteceu nas eleições municipais. Só assim irá evoluir.

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Campeonato Brasileiro
TV devolve a clubes publicidade estática
postado em 06 de outubro de 2016

ADALBERTO LEISTER FILHO E ERICH BETING - Máquina do Esporte


A disputa entre Globo e Esporte Interativo pelos direitos de transmissão do futebol vai devolver aos clubes uma propriedade comercial que por duas décadas foi explorada pela Globo.

A partir de 2019, quando passam a valer os contratos firmados com as duas emissoras, os clubes serão os responsáveis pela venda da publicidade estática que fica ao redor do gramado.

Atualmente, o contrato com a Globo concede à emissora o risco desse negócio, e os clubes recebem uma verba relativa às placas no contrato de TV.

Para 2019, porém, essa cláusula deixa de existir, o que vai forçar os clubes a voltarem a sentar juntos para discutir a comercialização de uma propriedade conjunta, algo que acabou em 2011, quando o Clube dos 13 foi implodido exatamente para discussão de novo contrato de televisão, que passou a ser negociado de forma individual pelos clubes.

Segundo a Máquina do Esporte apurou com fontes ligadas às negociações, a decisão de não vender as placas partiu da própria Globo. Geralmente, a emissora faz um pacote fechado para suas transmissões. O cotista da TV acaba comprando a placa de publicidade ao redor do campo. Este ano, a emissora teve mais dificuldade em fazer a venda casada, o que gerou até uma nova situação. A cerveja Proibida, concorrente da Brahma, que é a cotista da TV, foi quem comprou a placa estática nos gramados.

Esse modelo de negócio já é utilizado na Série B, em que a agência Sportpromotion faz a comercialização do torneio, num acordo com a CBF. No caso do Brasileirão da Série A, porém, a história pode ser diferente, já que os clubes costumam ser os donos das propriedades de comercialização da competição, e a CBF apenas dá o seu aval para a oficialização técnica do torneio.

Até agora, não há sinalização de que os clubes tenham feito qualquer movimento para começar a planjear essa venda. Como os direitos de arena são das duas equipes que disputam o jogo, obrigatoriamente a negociação terá de ser coletiva.

Ontem, o Internacional, que fechou com o Esporte Interativo um acordo para 2019 e 2020, anunciou acerto com a Globo para todas as mídias a partir do ano seguinte até 2024. O clube gaúcho é o 24º a fechar com a emissora. O negócio, porém, significa que pelo menos nos próximos oito anos não haverá como os clubes sentarem na mesma mesa para uma negociação dos contratos de TV. O mesmo não se pode dizer da publicidade estática.

Para 2019, porém, essa cláusula deixa de existir, o que vai forçar os clubes a voltarem a sentar juntos para discutir a comercialização de uma propriedade conjunta, algo que acabou em 2011, quando o Clube dos 13 foi implodido exatamente para discussão de novo contrato de televisão, que passou a ser negociado de forma individual pelos clubes.

Segundo a Máquina do Esporte apurou com fontes ligadas às negociações, a decisão de não vender as placas partiu da própria Globo. Geralmente, a emissora faz um pacote fechado para suas transmissões. O cotista da TV acaba comprando a placa de publicidade ao redor do campo. Este ano, a emissora teve mais dificuldade em fazer a venda casada, o que gerou até uma nova situação. A cerveja Proibida, concorrente da Brahma, que é a cotista da TV, foi quem comprou a placa estática nos gramados.

Esse modelo de negócio já é utilizado na Série B, em que a agência Sportpromotion faz a comercialização do torneio, num acordo com a CBF. No caso do Brasileirão da Série A, porém, a história pode ser diferente, já que os clubes costumam ser os donos das propriedades de comercialização da competição, e a CBF apenas dá o seu aval para a oficialização técnica do torneio.

Até agora, não há sinalização de que os clubes tenham feito qualquer movimento para começar a planjear essa venda. Como os direitos de arena são das duas equipes que disputam o jogo, obrigatoriamente a negociação terá de ser coletiva.

Ontem, o Internacional, que fechou com o Esporte Interativo um acordo para 2019 e 2020, anunciou acerto com a Globo para todas as mídias a partir do ano seguinte até 2024. O clube gaúcho é o 24º a fechar com a emissora. O negócio, porém, significa que pelo menos nos próximos oito anos não haverá como os clubes sentarem na mesma mesa para uma negociação dos contratos de TV. O mesmo não se pode dizer da publicidade estática.


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Náutico
O feijão com arroz
postado em 05 de outubro de 2016

O Náutico segue invicto pós chegada do técnico Givanildo Oliveira. Agora, são seis jogos sob o seu comando com dois empates e quatro vitórias, na melhor sequência do alvirrubro pernambucano no Brasileiro da Série B. O acerto não se deve a nenhuma mágica ou alquimia, e sim, a prática de uma receita simples, que sempre funciona, e é conhecida no futebol como "fazer o feijão com arroz".

Segunda-feira estava no estádio do Arruda para fazer a cobertura do jogo - Santa Cruz 2x3 Palmeiras - junto com os companheiros da Rádio Globo 720AM, Bartolomeu Fernando e Tiago Silva, quando recebi, na nossa cabine, a visita de Rodrigo Zovika, jovem que está terminando o curso de jornalismo, e tem se dedicado ao estudo do futebol. Interessado, e sempre buscando somar conhecimentos, Zovika passou a falar sobre a forma de trabalhar de alguns treinadores, e citou Givanildo destacando a insistência em mandar seus comandados repetirem jogadas, quantas vezes necessário for, até chegar ao ponto considerado ideal por ele.

Tive o privilégio de acompanhar, como repórter, os últimos anos da carreira de Givanildo como jogador de futebol, e testemunhar o seu batismo como técnico. Isto aconteceu em 1984, no Sport. Como atleta passou pelas mãos de grandes treinadores, no Santa Cruz, Sport, Corinthians e Seleção Brasileira. Conseguiu filtrar o que os mestres lhes repassaram de melhor. Com sabedoria e humildade, aprendeu que, quando se trabalha com jogadores medianos, não existe nada mais importante do que exigir deles que sejam eficientes na execução do básico. Trocando em miúdo, que façam o feijão com arroz com competência. Eis a razão pela qual ele se tornou o "rei do acesso" na Série B.

Enganam-se aqueles que dizem que Givanildo não evoluiu. Ele está em sintonia com a nova ordem. Isto é fato. Não tenho a menor dúvida. O problema é que ele tem o seu jeito de ser, e sempre esteve de bem com a vida mesmo parecendo carrancudo para alguns. A modernidade não altera alguns princípios do futebol, tampouco verdades que existem desde que o mundo é mundo. Primeiro é primeiro e segundo é segundo em qualquer lugar do mundo. Giva sabe, como poucos, lidar com esta verdade. A repetição de jogadas nos treinos leva a perfeição. Que nos digam grandes craques do passado.

Evidente que a qualidade é imprescindível para fazer a diferença. Não é por acaso que Marco Antônio chegou para dar o toque de classe no Náutico de Givanildo. O gol da vitória - 1x0 - sobre o Bragantino, foi uma prova de que nada substitui o talento. 

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Acontece
Falta de transparência
postado em 05 de outubro de 2016

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejjpazevedo.com


Um consultor que faz análises dos balanços e balancetes dos clubes brasileiros nos solicitou informações sobre as nossas agremiações, desde que não conseguiu achar nada na internet e nos seus sites.

Tal fato coincidiu com uma entrevista do presidente do Santa Cruz, Alírio Moraes, em que esse coloca todos os problemas do seu clube, que nunca tinha sido explicitado nos seus balancetes mensais pela falta de publicação.

Infelizmente os dirigentes de nosso futebol odeiam a palavra transparência, pouco informam sobre o que acontece em seus intramuros, daí as dificuldades que esse estava encontrando para conhecer a vida financeira dos clubes locais.

Trata-se de algo parecido com cabelo de freira em tempos antigos, que ninguém conseguia ver.

O futebol do Nordeste, em especial o de Pernambuco, aplica o sistema adotado nas antigas mercearias de bairros, que representavam na época os nossos atuais supermercados. Os consumidores compravam os produtos durante a semana e mandavam colocar na caderneta, quando no seu final compareciam para acertar as contas.

Era um momento bem diferente do que acontece hoje, quando a palavra valia muito, e a relação entre as partes era totalmente correta. O mundo mudou, para melhor em alguns determinados segmentos, mas hoje os espertos tomaram o lugar daqueles que tinham a palavra como fiadora de suas compras.

Nos retratamos ao passado para compararmos a grande maioria dos clubes de nosso futebol, que vivem na época da caderneta, onde anotam os seus movimentos, que ficam apenas para o consumo interno. Ninguém tem conhecimento.

Falta o profissionalismo, sobretudo organização. Tornaram-se clubes de bairros, cuja contabilidade é anotada numa folha de papel.

Falta a transparência. A internet nos propiciou uma democratização e conhecimento, mas os clubes ainda insistem em esconder as suas atividades financeiras, mesmo contando com um site para tal.

Em nosso estado nenhum divulga mensalmente os seus balanços financeiros. Quando o fazem é apenas numa sala fechada, com a presença de meia duzia de Conselheiros que recebem duas folhas de papel sem explicações.

Os sócios e torcedores gostariam de saber os gastos com contratações, as folhas salariais, os custos do futebol, a antecipação de receitas, os endividamentos, mas não são atendidos. São alguns pontos que demonstram a falta de transparência.

Vivemos numa era da mais alta tecnologia, e obvio que não concordamos com esse tempo da caderneta, quando só duas pessoas sabiam do que acontecia, o dono da mercearia e o cliente.

Se houvesse a devida informação, casos como esse do Santa Cruz seriam detectados, e como consequência uma cobrança mais efetiva daqueles que se preocupam com o clube.

A única informação aparece no final de abril de cada ano, com a publicação do Balanço Geral, em uma página de classificados, e em alguns casos no site do clube, sem explicações, sobretudo quando os problemas já aconteceram.

Isso que escrevemos foi o teor de nossa resposta ao amigo consultor, o que lamentamos.

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Libertadores
Conmebol esculhamba competição
postado em 03 de outubro de 2016

Blog do RODRIGO MATTOS


No meio da noite de domingo, a CBF anunciou que o Brasileiro agora distribuirá seis vagas para a Libertadores, elevando de cinco para sete os postos nacionais na competição. Ou seja, na reforma da Conmebol, o Nacional passará a classificar 30% de suas equipes ao principal torneio continental. Essa mudança causa uma distorção técnica no campeonato sul-americano em favor da obtenção de mais dinheiro e por interesses políticos.

A Conmebol confirmou a informação no meio da madrugada. Ironia: as mudanças que são para promover o torneio, e seus anúncios não foram feitos por canais oficiais.

Bem, a reforma da competição foi feita após uma consultoria que quer valoriza-la e propôs uma fórmula similar à da Liga dos Campeões. Aumentaram de 38 para 44 times em uma competição anual de fevereiro a dezembro. Mas a inclusão de sete brasileiros é só uma mudança fácil para obter mais apoio político e mais dinheiro em velhas práticas da cartolagem sul-americana.

Não há aproximação com os times do EUA, e possivelmente o México deixará o torneio. Em vez de expandir, a Conmebol simplesmente decide tirar o máximo do principal mercado, o brasileiro. A entidade diz ter usado critérios técnicos, esportivos e comerciais, incluindo o tamanho da população e mercado.

Havia clubes nacionais insatisfeitos com a Conmebol. Ameaçavam engrossar a liga sul-americana de times que questiona a confederação e pede por transparência dos contratos após três presidentes da entidade serem presos por receber propinas. O presidente da Conmebol, Alejandro Dominguez, que é amigo do ex-presidente detido Napout, se aproximou dos brasileiros e lhes deu o maior naco na reforma da Libertadores com duas vagas.

Mais do que isso, com sete brasileiros, é possível rediscutir todos os contratos com as emissoras de televisão do Brasil, além dos direitos de marketing. É o mercado na América do Sul que realmente tem dinheiro para pagar mais atualmente.

Haverá quem diga: a competição ficará bem mais forte. Será? O Brasil não se classifica para a final da Libertadores desde 2013. De nenhuma forma o desempenho técnico brasileiro recente justificaria um aumento de vagas. E ainda assim terão 16% dos participantes do torneio. Esse percentual pode subir ainda mais com até nove equipes se houver os campeões da Libertadores e da Sul-Americana. Neste caso, seria um quinto das agremiações.

Ora, a Liga dos Campeões tem alguns critérios técnicos da UEFA para classificação de seus times. Há rankings por países para dar a vaga de acordo com o desempenho dos anos anteriores. Isso, óbvio, foi ignorado. Ressalte-que a UEFA também inchou a liga na era Michel Platini por questões políticas.

Para piorar, as mudanças na Libertadores ocorrem a poucos meses do início da competição de 2017 com o Brasileiro em curso. Dentro do Nacional, a vaga na Libertadores passa a ser uma obrigação para grandes times já que sete deles se classificam dependendo do resultado da Copa do Brasil. Ou seja, a vaga perde qualquer aspecto de conquista e de indicador de bom desempenho como em ligas europeias.

Na prática, a Conmebol copia o modelo da Liga dos Campeões (com um mérito que é o torneio anual), mas introduz a sua velha política e interesses financeiros na reformar a Libertadores. E a gente acreditou que poderia melhorar.

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