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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
Apesar da tentação, e do esforço, não consegui ir a Ilha do Retiro, quarta-feira para assistir ao jogo do Sport com o Operário, no qual o rubro-negro pernambucano, por falta de foco, amargou uma derrota (2x1), que não foi bem digerida por sua torcida. Coisa do futebol!
Mas a noite foi marcada por um momento divino: a orquestração do já tradicional cazá, cazá, desta feita puxado pela torcedora Sandra Bertini. Estou próximo a levantar a bandeira do cinquentenário como cronista esportivo. Nesta longa estrada testemunhei momentos de grandes emoções de diversas tribos. Mas poucos foram tão profundos, e significativos, quanto aquele grito de amor, tendo a senhora Bertini como grande protagonista.
Na época de efervescência dos clubes sociais recifenses, vi o cazá, cazá ser entoado com arranjos dos maestros Nelson Ferreira, Duda, Fernando Borges e até do paulista, Ãrlon Chaves.
Testemunhei as homenagens feitas pela torcida rubro-negro ao Mestre de Apipucos, Gilberto Freyre, e ao grande Ariano Suassuna, gritando seus nomes junto com o cazá, cazá.
O rubro-negro Severino Victor foi um dos fundadores da orquestra Treme Terra. Ele fazia questão de ressaltar que foi o primeiro a levar o frevo para as arquibancadas dos estádios pernambucanos. Certa vez, Victor me revelou, na redação do Diário de Pernambuco, que era "indescritÃvel", a emoção que sentia, quando adentrava na Ilha do Retiro, a frente da Treme Terra, e a torcida leonina gritava o cazá, cazá.
Dona Sandra Bertini!
Fecho os olhos, exijo o máximo da memória, mas é impossÃvel lembrar todas as vozes, formas e lugares onde testemunhei rubro-negros entoando o grito do cazá, cazá. Todos, sem exceção, ao seu modo, ao seu jeito, procuravam, através da marca registrada a tribo leonina, expressar alegria e emoção.
Entretanto, confesso que, nenhum alcançou o estágio de sublimação como aquele momento, minutos antes de a bola rolar na Ilha do Retiro, quando fostes protagonista ao reger um coro de mais de vinte e seis mil torcedores, no mais inesquecÃvel e emocionante de todos os cazá, cazá, já entoados no estádio rubro-negro.
Não foi um grito de guerra!
Foi um brado que descortinou o mais puro amor. A paixão de uma mulher que já esteve na iminência de ser a primeira dama do clube. Um grito que quebrou paradigmas, enterrou preconceitos.
Não estava presente ao estádio. Vi as imagens daquele momento sublime, pela primeira vez, através do smartphone. Emocionante! Transferi o vÃdeo para o computador. Por fim, cheguei à conclusão de que, aquelas imagens eram coisas de cinema, e as transportei para a televisão.
Enganam-se os que pensam que não se pode orquestrar uma explosão de emoção coletiva. Sandra Bertini provou que é possÃvel sim. A maestrina utilizou o corpo e a alma para interagir com os 26.345 leoninos presentes no estádio. E todos atenderam o seu chamado. Assisti ao vÃdeo inúmeras vezes. A cada visão, uma nova descoberta.
Aquele silêncio sepulcral, em fração de segundos, num estádio com mais de vinte e seis mil torcedores, dava para ouvir o bater de asas dos pirilampos encandeados pelos novos refletores da Ilha do Retiro. E veio a explosão com a voz forte e imperativa da maestrina Sandra Bertini: "E para sempre será!".
Naquele momento todos entenderam porque o "Sport estremece a terra".
Sandra!
Você colocou efeitos especiais num presente dos céus: seu amor pelo Sport.
CLAUDEMIR GOMES
A décima rodada das Eliminatórias Sul-americanas para a Copa de 2026 foi marcada por uma enxurrada de gols: a rede balançou 17 vezes nos cinco jogos realizados. Mas é importante observar que, goleadas nem sempre traduzem a história real dos jogos com fidelidade. Isto é fato. Alguns resultados mascaram a realidade dos fatos.
A Seleção Brasileira, nas duas últimas apresentações, contra Chile e Peru, respectivamente, o lanterna e o vice lanterna das Eliminatórias Sul-americanas, contabilizou duas vitórias - 2x1 (Chile) e 4x0 (Peru) - resultados que levaram o time a dar um salto na tabela de classificação, e folgaram o nó da corda que estava apertando o pescoço do técnico Dorival Júnior.
Dorival Júnior no comando da Seleção Brasileira é um exemplo clássico da dualidade entre o ser e o parecer, onde fica ressaltada a importância da aparência nas relações humanas. O treinador, que em inÃcio de carreira teve uma passagem pelo Sport, tem qualidades que são inquestionáveis, mas sua aparência na área técnica durante os jogos é de um %u201Cbobão%u201D. Como bem disse o imperador romano, Júlio César: "A mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta".
As disputas das Eliminatórias Sul-americanas alcançaram o returno e o cenário começa a ser definido. No final teremos um quadro similar ao das disputas passadas. Brasil e Argentina são figuras carimbadas; a novidade da vez é a Colômbia; Equador e Uruguai também devem passar. Enfim, como foram abertas mais vagas, com o aumento do número de seleções, quem tem pouca qualidade técnica também embarca no último vagão.
A Copa do Mundo perdeu muito do seu encanto quando o viés comercial passou a ser a coisa mais importante para a FIFA. Os primeiros parceiros comerciais da entidade que promove a competição foram vistos no Mundial da Argentina, em 1978. De lá pra cá a coisa tomou uma proporção gigantesca, com um salto estratosférico pós Mundial dos Estados Unidos, em 1994, quando o Brasil conquistou o tetracampeonato.
Diria que a qualidade técnica da disputa caiu quase que proporcionalmente, mas em sentido contrário, ao crescimento comercial. Hoje, a Champions League nos oferta jogos com qualidade técnica superior às partidas da Copa do Mundo. Vale lembrar que, para tudo existe exceções. Mas no geral é assim.
Portanto, não nos enganemos com a goleada imposta pela Seleção Brasileira aos pernas-de-pau do Peru. O que aconteceu ontem, no Estádio Mané Garrincha parecia mais um clichê das inúmeras CPIs que são colocadas para votação no Congresso, e na Câmara, e tudo termina em pizza.
à mestre José Joaquim Pinto de Azevedo! A cantiga da perua é uma só. Por incrÃvel que pareça, nas arquibancadas, aquela elite estranha que só vai a jogos da Seleção porque ganha convites, ainda canta: "Pra frente Brasil, salve a Seleção".
à um show!
CLAUDEMIR GOMES
A Era da Comunicação, como é chamada a nova ordem, por si só explica uma enxurrada de besteirol que vemos nas redes sociais, rádios, televisão... A verdade é que tem muita gente se achando, sem ter condição de achar nada. Mas não adianta nadar contra a maré. O silêncio é o que existe de mais sábio a ser feito por um cidadão que tem um pouco de discernimento.
Os mestres do achismo atacam em todas as vertentes. O futebol, que segue sendo uma das maiores paixões do brasileiro, não poderia ficar de fora deste contexto em que os pitaqueiros são tratados como reis, e até fazem fortunas como influences.
Vez por outra, até os profissionais experientes "dançam na maionese". Recentemente, numa dessas mesas redondas da ESPN, com direito a presença de um ex-jogador tetracampeão, e jornalistas com várias coberturas de Copa do Mundo no currÃculo, o assunto dominante em mais de 15 minutos de programa foi as escorregadas dadas pelo jovem atacante Savinho durante uma coletiva de imprensa.
O rapaz de 20 anos, que começou sua carreira nas divisões de base do Atlético Mineiro, e atualmente está vinculado ao Manchester City, caiu em desgraça quando, do alto de sua sinceridade, revelou que não havia visto os últimos jogos da Seleção Brasileira. Vale lembrar que ele reside na Inglaterra onde a diferença de fuso horário para o Brasil é de 5 horas. Sendo assim, um jogo que aqui é disputado às 22 horas, lá já são 3 horas do dia seguinte.
Confesso que, em dado momento, pensei que estivesse vendo todos os "idiotas" que assustavam o mestre Nelson Rodrigues. Fiquei sem saber se o rapaz estava sendo entrevistado para um emprego na emissora de televisão, ou concorrendo a alguma cadeira da Academia Brasileira de Letas.
Ora! O que se deve exigir de um jogador que é convocado para defender a Seleção Brasileira de Futebol é que ele apresente um bom futebol, nada mais que isso. Tal como fez o Rivaldo no Mundial de 2002, quando foi um dos maiores protagonistas da conquista do penta. O craque pernambucano era terrÃvel na comunicação, mas superava a tudo, e a todos, com a bola nos pés.
Nunca vi nenhum professor de oratória, nenhum imortal da ABL ou nenhum grande comunicador ser convocado para jogar na Seleção Brasileira. O problema do time comandado por Dorival Júnior não é de linguÃstica. Tudo começa pela gestão da CBF que há muito tempo permite a farra dos empresários que empurram jogadores de qualidades discutÃveis nas convocações.
Não existe nada mais melindroso nesse PaÃs do que a convocação da Seleção Brasileira. Dizem que é pior até do que insultar o ministro do STF, Alexandre de Moraes. Entretanto, entra técnico, sai técnico, presidentes da CBF são trocados, mas o coloio dos empresários se mantém firme. à algo imprescindÃvel na liturgia da entidade.
Mas é mais fácil espinafrar um jogador por conta do seu português ruim.
A turma do achismo é tão amarga quanto um gol contra.
CLAUDEMIR GOMES
A história nos mostra que toda sociedade sempre foi reticente as mudanças. O NOVO segue assustando, embora seja essencial ao crescimento. O mundo não pára, segue em constante movimento, numa dinâmica cada vez maior. à impossÃvel entrar em sintonia com a nova era com o pensamento congelado no século passado.
O Sport Club do Recife vivencia nesta sexta-feira (04/10/2024), um dia histórico com a realização de uma Assembleia Geral de Sócios onde serão votadas propostas para mudanças nos Estatutos do clube. Uma matéria de suma importância para a vida da agremiação, mas que sabemos ter sido pouco analisada por quem vai decidir: o sócio.
O Estatuto atual do Sport foi aprovado no ano de 2017, numa Assembleia realizada a noite, e por aclamação. O presidente executivo do clube leonino na época era Arnaldo Barros. E na escuridão da noite, onde não existe transparência, foi gerado o que muitos rubro-negros chamam de "monstro". E este produto draconiano tem sido um dos maiores impasses para que o Sport consiga dar saltos qualitativos nos novos cenários do futebol brasileiro.
Os grandes clubes do futebol pernambucano são todos centenários. Foram fundados no inÃcio do Século XX com pensamento e filosofia de capitanias hereditárias. Apesar de todas as mudanças de costumes e hábitos impostas pelas revoluções industriais, muita gente segue chamando o clube de "meu", e quer que tudo seja feito, e aconteça, "ao meu jeito".
"O tempo passou na janela, mas Carolina não viu!", como diria o grande Chico Buarque.
O pior legado das capitanias hereditárias é a falta de transparência. Parece até a marca registrada de todas as diretorias. Sigilo e Confidencial. Eis as palavras de ordem de todos. E assim os leões vão falando em descansar na sombra da lenda de um sapotizeiro esperando o Zepelim passar.
Acorda senhor! Estamos na era dos drones.
Como jornalista transito pelo complexo socio esportivo do Sport desde a década de 70. Acredito que, naquele valioso espaço da Ilha do Retiro, é onde exista mais puxa saco por metro quadrado no Recife. Cada ex-presidente tem seu grupo. Uns maiores, outros quase insignificante, mas todos, sem exceção tem os seus puxa sacos. O fuxico rola solto. Nessa teia de aranha o NOVO não tem vez.
Certa vez inventaram uma Assembleia Geral de Sócios a noite e fora do clube. Até o Boris Casoy gritou de lá: "Isto é uma vergonha!".
A Assembleia desta sexta-feira é um parto pra lá de demorado. Era para ter sido realizada na gestão do presidente, Milton Bivar, mas os bastidores do clube estavam tão tumultuados que ela foi postergada.
Houve uma sugestão para que a Assembleia de hoje fosse adiada.
Apesar de alguns contrapontos, acredito que; agora vai.
O Sport precisa entrar em sintonia com o novo tempo!
CLAUDEMIR GOMES
Na contagem regressiva para as Eleições 2024, que acontece no próximo domingo (06/10/2024), o vereador Romerinho Jatobá reuniu 3 mil eleitores, no inÃcio da noite de sábado, no Clube da Fazenda, em Nova Descoberta, zona norte do Recife. O evento apoteótico contou com a presença do prefeito, João Campos, que voa em Céu de Brigadeiro rumo a reeleição.
Acompanho a trajetória polÃtica de Romerinho desde o nascedouro. No inÃcio de 2012, o então Governador do Estado, Eduardo Campos, reuniu seus pares para tratar das eleições municipais do Recife. Na composição dos nomes para concorrer a uma das vagas na Câmara de Vereadores, foi citado o nome de Romero Jatobá. Mas existiam dois Romero Jatobá: o pai e o filho. O grupo pensou logo no pai, que levava consigo a experiência de ter coordenado várias campanhas vitoriosas do ex-vereador, José Neves Filho. Mas Eduardo tinha os olhos e o pensamento voltados para o futuro. Logo definiu que o candidato seria aquele jovem que ele havia conhecido na Secretaria de Turismo.
A notÃcia da candidatura de Romerinho Jatobá surpreendeu a todos. Era uma aposta do governador Eduardo Campos dono de um feeling extraordinário e indiscutÃvel.
Nos seus primeiros contatos com a população, mesmo sem o traquejo das velhas raposas, Romerinho causava boa impressão pela sua sinceridade. E o povo abraçou sua história. O jovem candidato apadrinhado pelo governador Eduardo Campos obteve 5.403 votos. Ficou como suplente. Foi convidado pelo prefeito Geraldo Júlio para assumir a Secretaria de Habitação. Saiu-se bem no desafio, mas logo foi ocupar uma cadeira na Casa de José Mariano, que era o seu sonho.
Quando foi tomar posse, Romerinho ouviu do seu pai, Romero Jatobá, o seguinte conselho: "Faça diferente. Não seja um vereador de gabinete. Seja uma presença constante nas comunidades. à lá que você vai conhecer os problemas e as necessidades da população".
Conselho dado, conselho assimilado.
Nas eleições de 2016 Romerinho contabilizou 9.088 votos. Como 14º vereador mais votado, foi eleito para ocupar a primeira secretaria executiva da Câmara Municipal do Recife. Sua atuação nas comunidades era elogiável. Nas eleições de 2020 obteve como resposta a sua desenvoltura, 11.500 votos. Foi o quinto vereador mais votado no geral, e o primeiro do partido, o PSB, que fez nada menos que 12 vereadores na última eleição.
O já experiente vereador Romerinho Jatobá foi eleito presidente da Câmara Municipal do Recife. Entrou para a história como o mais novo presidente da Casa de José Mariano. A chegada do prefeito João Campos parecia coisa do destino. Era como se estivesse sendo concretizado um sonho do saudoso Eduardo Campos.
Os laços da amizade entre Romerinho e João Campos se estreitaram. A dupla deu tão certo quanto café com leite e goiabada com queijo. O pensamento único dos dois proporcionou a multiplicação e agilização de ações em diversas áreas do Recife.
Romerinho Jatobá e João Campos foram recebidos como pop star no Clube da Fazenda, em Nova Descoberta. Levaram a multidão ao delÃrio em suas falas. Não fizeram promessas, ressaltaram apenas as ações e os trabalhos feitos.
O que defini como apoteose da campanha de Romerinho tem uma explicação: Amor não é verbo. Amor é ação. Eis porque ele se agiganta a cada eleição.