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Maio 2012 ›› Blog do RODRIGO MATTOS
A CBF poderá bloquear as cotas de televisão e prêmios da Copa do
Brasil de clubes que descumprirem o regulamento de licenciamento da
entidade. O documento foi publicado nesta quinta-feira pela confederação
e será válido a partir de 2018.
O licenciamento de clubes já é uma realidade há anos na Europa e na Ãsia. Suas regras incluem obrigações esportivas, de infraestrutura, administrativas e de finanças. A CBF e a Conmebol preparam o sistema para ser implantado no próximo ano para clubes da Libertadores e da Série A do Brasileiro.
Como punição para o descumprimento, estão previstas penas que começam com uma advertência até a negação da licença do clube. Neste caso, o time não poderia disputar o Brasileiro da Série A, o que seria a pena mais grave.
Como punições intermediárias, estão a proibição de contratar jogadores ou de registrar novos contratos. E há a possibilidade de ''''retenções de quaisquer cotas, premiações ou créditos detidos pelo clube requerente ou clube licenciado junto à CBF''''.
A confederação que controla as cotas de televisão e as premiações da Copa do Brasil. Ou seja, a entidade poderá bloquear essas cotas da Globo como pena ao clube. Os valores dos prêmios terão aumento significativo com novo contrato em 2018: o campeão ganhará R$ 50 milhões pelo tÃtulo.
Quem decide a punição é uma comissão indicada e mantida pela CBF. Inicialmente, haverá um aviso ao clube sobre o descumprimento da regra para que seja sanado. Em seguida, a comissão pode aplicar a punição. Há a possibilidade de recurso a um tribunal de segunda instância em caso de discordância da primeira decisão.
E quais são as obrigações que os clubes têm que cumprir para evitar esse tipo de punição? Entre as principais regras descritas no documento estão obrigações de times da divisão de base, manter um estádio próprio ou alugado, centro de treinamento dentro das regras da CBF, técnico com cursos oficiais da CBF ou Conmebol, diretores profissionais, e apresentar balanços dentro de critérios da confederação.
Em sua resolução, a confederação informou que a aplicação de cada critério será aplicado gradualmente pela entidade. O cronograma ainda será determinado pela entidade.
CLAUDEMIR GOMES
A Copa do Brasil chega a sua 29ª edição com uma novidade na forma de disputa: nas duas primeiras fases os clubes se confrontam apenas uma vez. A partir da terceira fase é que os jogos passam a ser de ida e volta. Sendo assim, o confronto do CSA com o Sport, hoje a noite, no estádio Rei Pelé, em Maceió, será o primeiro round para um dos times, e o primeiro e último para o outro. O número de participantes = 91 = levando em conta os 11 clubes que entram na disputa a partir das oitavas=de=final, parece exagerado, mas a partir da segunda fase cai pela metade, ou seja, 40 times só farão uma partida. Um modelo que é utilizado em várias competições da Europa.
Um clube que disputa a Copa do Brasil desde a primeira fase, e chega ao tÃtulo, terá enfrentado sete adversários. As novidades impostas pelo regulamento foram para atender as necessidades da Libertadores da América, maior competição de clubes do continente. As competições vão surgindo, criam novas alternativas de faturamento para a televisão, vão inchando e o ano acaba sendo curto. Para se afirmar dentro deste cenário de improvisações os clubes precisam ter um elenco forte e de qualidade. O Sport, primeiro clube pernambucano a estrear na Copa do Brasil, fará hoje, diante do CSA, a sexta partida no curto espaço de 18 dias, ou seja, a cada 3 dias o time leonino vai a campo. Os jogos disputados foram válidos pela Copa Ariano Suassuna; Campeonato Pernambucano; Copa do Nordeste e agora, Copa do Brasil.
O excesso de jogos obriga os treinadores a priorizarem as competições. Tal fato tem sido recorrente neste inÃcio de temporada em vários Estados. O Sport enfrentou o Salgueiro, em jogo válido pelo Pernambucano, com um time alternativo, o mesmo irá acontecer com o Náutico, que hoje mede força com o clube sertanejo na Arena Pernambuco. A priorização, por parte dos clubes, por determinados torneios, leva o torcedor a preterir as competições que foram relegadas a um segundo plano. Na prática não existe demanda para tantos jogos. Basta olhar o registro de público nos jogos realizados pelo Brasil afora para se constatar tal realidade.
Em épocas passadas, num confronto entre Sport e CSA, independentemente de onde viesse a acontecer, a única coisa que não podia prever era o placar do jogo, porque a vitória do clube pernambucano era tida como certa. A julgar pelo futebol apresentado nos cinco jogos disputados até o momento, o time comandado por Daniel Paulista não chega a ter um percentual de crédito tão expressivo para construir uma vitória, embora, teoricamente, a qualidade do elenco do Sport seja de uma superioridade técnica indiscutÃvel, numa comparação direta com o adversário. Por se tratar de um jogo decisivo, o Leão irá a campo com a força máxima, sinal de que, a Copa do Brasil, para os rubro=negros tem que ter, começo, meio e fim. Transformar o jogo de estréia em primeiro e último round está fora de cogitação para os amantes do clube da Ilha do Retiro, embora tal possibilidade exista.
CLAUDEMIR GOMES
Náutico e Santa Cruz não conseguiram, no curto espaço de sete dias, levar dez mil torcedores aos estádios nos dois clássicos que disputaram, válidos pelo Pernambucano e pela Copa do Nordeste. Os dois times podem se confrontar seis vezes, nas duas competições, caso se cruzem na semifinal ou na final do Estadual. O Jornal do Commercio, na edição de sábado, publicou matéria com o presidente da FPF, Evandro Carvalho, que tenta liderar uma cruzada cujo objetivo é levar a CBF a rever o seu calendário. Bom notÃcia. Embora não saibamos se o esforço será exitoso, ou se a luta será inglória. Pelo menos o cartola pernambucano caiu na real, saiu da inércia, e encampa um movimento no sentido para tirar o futebol estadual e regional do fundo do poço.
O mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, publica, hoje no seu blog, estudo feito pelo Instituto Paraná de Pesquisas que revela a "geografia do futebol brasileiro". Constatamos que a região Nordeste é uma das mais sacrificadas, visto que, 21,5% dos entrevistados, todos com mais de 16 anos, não torcem por nenhum clube. Flamengo e Corinthians são os lÃderes na preferência dos torcedores em todas as regiões. No Nordeste, o Bahia aparece na terceira posição com 7%. Entre os pernambucanos o Sport é o melhor colocado, aparecendo na oitava posição com 3,7%, ficando atrás do Ceará que tem 4%. O Santa Cruz está na décima=primeira posição com 2%.
Antes de mostrar o clássico pernambucano = Santa Cruz 1x0 Náutico = a televisão exibiu o jogo do Barcelona com o Atlético de Bilbao, confronto marcado pela vitória do time catalão por 3x0. Em seguida apresentou o clássico português entre Porto e Sporting. Antes, na grade de outros canais, foram oferecidos jogos dos campeonatos inglês, alemão... Enfim, existe uma concorrência desleal do ponto de vista técnico que contribui, de forma direta, para o êxodo dos torcedores do estádio. Tricolores e alvirrubros, a exemplo do que ocorreu há sete dias, quando do primeiro confronto entre ambos, fizeram uma partida de uma pobreza técnica absurda. Não foi fácil assistir a transmissão do clássico local após ver Neymar, Messi e companhia em mais uma boa apresentação do Barça. A concorrência passou a ser, também, com o melhor do futebol internacional.
O empobrecimento do futebol local e regional é decorrente de vários fatores, dentre eles a falta de qualidade nas equipes. A concorrência exige qualidade e competitividade. A rivalidade alimenta apenas a competitividade entre dois clubes, que de forma isolada não seduz o torcedor que tem ofertas bem mais atrativas na televisão. A diversidade criada no calendário brasileiro não respeitou o item qualidade que dá sustentação a qualquer competição. A reparação dos equÃvocos na agenda dos jogos é apenas um dos assuntos que devem ser vistos e discutidos pelas entidades, CBF e Federações. Naturalmente que, os mais afetados são os clubes, mas eles se contentam com qualquer preço, desde que venha em forma de adiantamento.