Histórico
Artigos
O mal que ataca o futebol brasileiro
postado em 09 de fevereiro de 2017

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejjpazevedo.com


Voltamos ao mesmo tema de algumas postagens com relação ao futebol brasileiro, na tentativa de acordar o torcedor da anestesia que lhe foi dada por uma mídia que trata do varejo e não cuida do atacado.

Começamos com uma pergunta: Em qual estado o futebol vai bem no Brasil?

Essa pergunta deveria ser respondida pelos clubes que sustentam esse modelo medieval há décadas e que hoje sentem na pele as dificuldades do segmento.

Lemos e ouvimos muitas palavras vazias sobre a situação desse esporte em nosso país, mas poucas vezes a raiz dos problemas foi mostrada, e está relacionada ao sistema dominante que somados dura mais de quatro séculos, ou seja, o total de anos que é dirigido pelos mesmos personagens e grupos.

Já postamos artigos sobre o sistema feudal do comando do futebol em nosso país, que é sem duvida determinante para a sua decadência, e o reflexo maior vem do Circo, cujo grupo politico o domina há 28 anos, e com exemplos poucos dignificantes.

Ricardo Teixeira renunciou por conta das denúncias de recebimento de propinas, Jose Maria Marin, o seu sucessor continua preso nos Estados Unidos, e Marco Polo Del Nero, o último ungido, sem coragem para sair de nosso território. Se borra quando assiste filmes em que os personagens aparecem com o casaco do FBI.

Como um esporte pode evoluir quando tem um comando como esse, que tem muito mais a ver com a policia, do que com o futebol? Um time que jamais irá proceder mudanças, desde que não tem credibilidade para tal.

As federações estaduais abrigam presidentes com mais de quarenta anos no poder, enquanto os seus estados definham no futebol. Qual a razão que os clubes sustentam esse sistema, mesmo sabendo que estão caminhando para os quintos do inferno? São raízes apodrecidas.

Não existe nada mais salutar do que o processo de renovação, quando novas ideias surgem, o debate torna-se diferente, mas tal fato é impossível de acontecer no futebol brasileiro, desde que a perenização acontece apenas para os cartolas, enquanto a maioria quase absoluta dos clubes hiberna por seis meses no ano.

O apego ao poder dessa gente é tão grande, e a certeza de que esse é bom e carrega consigo muitas benesses pessoais, que faz um dirigente permanecer no cargo há 42 anos, como Zeca Xaud, que dirige o futebol de Roraima. Basta analisarmos o esporte desse estado, que na verdade só existe no nome e no voto para o Circo.

O futebol brasileiro é como a política, de pai, para filho, e por conta disso ambos apodreceram no seu conteúdo, desde que proíbem a renovação, e permanecem atuando de forma casuística com interesses próprios e não os da sociedade.

O torcedor brasileiro em sua maioria é alienado. Vai ao aeroporto festejar a chegada de um jogador, mas não procura entender o que representa um cargo de presidente de uma federação, com as benesses que lhes são concedidas.

Um escritório bem montado, com secretária, telefonista, entre outras coisas. Telefone celular pago pela entidade, carro com motorista para todos os fins, com gasolina e manutenção também pagos pela viúva, almoços em restaurantes de alto nível e viagens com acompanhante (s).

Quanto isso custaria para um cidadão comum para manter esse padrão? Milhares de reais, que são gastos para nada, enquanto o futebol definha, e os cartolas se divertem, e mesmo que a vaca tussa não largam o poder.

Estamos chegando a conclusão que nem a Lava-Jato, nem o FBI irão acabar com esse sistema, e somente a sociedade poderia dar um não, mas está preocupada e com razão com a crise econômica e moral que tomou conta do país e deixa esse segmento de lado.

Estamos fazendo o nosso dever, debatendo com os nossos visitantes que não são poucos, mas não temos duvidas que o sistema atual é a raiz daninha do nosso futebol. O difícil é arranca-la.

leia mais ...

Futebol Brasileiro
CBF com poder de bloquear cota de TV
postado em 09 de fevereiro de 2017

Blog do RODRIGO MATTOS


A CBF poderá bloquear as cotas de televisão e prêmios da Copa do Brasil de clubes que descumprirem o regulamento de licenciamento da entidade. O documento foi publicado nesta quinta-feira pela confederação e será válido a partir de 2018.

O licenciamento de clubes já é uma realidade há anos na Europa e na Ásia. Suas regras incluem obrigações esportivas, de infraestrutura, administrativas e de finanças. A CBF e a Conmebol preparam o sistema para ser implantado no próximo ano para clubes da Libertadores e da Série A do Brasileiro.

Como punição para o descumprimento, estão previstas penas que começam com uma advertência até a negação da licença do clube. Neste caso, o time não poderia disputar o Brasileiro da Série A, o que seria a pena mais grave.

Como punições intermediárias, estão a proibição de contratar jogadores ou de registrar novos contratos. E há a possibilidade de ''''retenções de quaisquer cotas, premiações ou créditos detidos pelo clube requerente ou clube licenciado junto à CBF''''.

A confederação que controla as cotas de televisão e as premiações da Copa do Brasil. Ou seja, a entidade poderá bloquear essas cotas da Globo como pena ao clube. Os valores dos prêmios terão aumento significativo com novo contrato em 2018: o campeão ganhará R$ 50 milhões pelo título.

Quem decide a punição é uma comissão indicada e mantida pela CBF. Inicialmente, haverá um aviso ao clube sobre o descumprimento da regra para que seja sanado. Em seguida, a comissão pode aplicar a punição. Há a possibilidade de recurso a um tribunal de segunda instância em caso de discordância da primeira decisão.

E quais são as obrigações que os clubes têm que cumprir para evitar esse tipo de punição? Entre as principais regras descritas no documento estão obrigações de times da divisão de base, manter um estádio próprio ou alugado, centro de treinamento dentro das regras da CBF, técnico com cursos oficiais da CBF ou Conmebol, diretores profissionais, e apresentar balanços dentro de critérios da confederação.

Em sua resolução, a confederação informou que a aplicação de cada critério será aplicado gradualmente pela entidade. O cronograma ainda será determinado pela entidade.

leia mais ...

Copa do Brasil
Primeiro e último round
postado em 08 de fevereiro de 2017

CLAUDEMIR GOMES

 

A Copa do Brasil chega a sua 29ª edição com uma novidade na forma de disputa: nas duas primeiras fases os clubes se confrontam apenas uma vez. A partir da terceira fase é que os jogos passam a ser de ida e volta. Sendo assim, o confronto do CSA com o Sport, hoje a noite, no estádio Rei Pelé, em Maceió, será o primeiro round para um dos times, e o primeiro e último para o outro. O número de participantes = 91 = levando em conta os 11 clubes que entram na disputa a partir das oitavas=de=final, parece exagerado, mas a partir da segunda fase cai pela metade, ou seja, 40 times só farão uma partida. Um modelo que é utilizado em várias competições da Europa.

Um clube que disputa a Copa do Brasil desde a primeira fase, e chega ao título, terá enfrentado sete adversários. As novidades impostas pelo regulamento foram para atender as necessidades da Libertadores da América, maior competição de clubes do continente. As competições vão surgindo, criam novas alternativas de faturamento para a televisão, vão inchando e o ano acaba sendo curto. Para se afirmar dentro deste cenário de improvisações os clubes precisam ter um elenco forte e de qualidade. O Sport, primeiro clube pernambucano a estrear na Copa do Brasil, fará hoje, diante do CSA, a sexta partida no curto espaço de 18 dias, ou seja, a cada 3 dias o time leonino vai a campo. Os jogos disputados foram válidos pela Copa Ariano Suassuna; Campeonato Pernambucano; Copa do Nordeste e agora, Copa do Brasil.

O excesso de jogos obriga os treinadores a priorizarem as competições. Tal fato tem sido recorrente neste início de temporada em vários Estados. O Sport enfrentou o Salgueiro, em jogo válido pelo Pernambucano, com um time alternativo, o mesmo irá acontecer com o Náutico, que hoje mede força com o clube sertanejo na Arena Pernambuco. A priorização, por parte dos clubes, por determinados torneios, leva o torcedor a preterir as competições que foram relegadas a um segundo plano. Na prática não existe demanda para tantos jogos. Basta olhar o registro de público nos jogos realizados pelo Brasil afora para se constatar tal realidade.

Em épocas passadas, num confronto entre Sport e CSA, independentemente de onde viesse a acontecer, a única coisa que não podia prever era o placar do jogo, porque a vitória do clube pernambucano era tida como certa. A julgar pelo futebol apresentado nos cinco jogos disputados até o momento, o time comandado por Daniel Paulista não chega a ter um percentual de crédito tão expressivo para construir uma vitória, embora, teoricamente, a qualidade do elenco do Sport seja de uma superioridade técnica indiscutível, numa comparação direta com o adversário. Por se tratar de um jogo decisivo, o Leão irá a campo com a força máxima, sinal de que, a Copa do Brasil, para os rubro=negros tem que ter, começo, meio e fim. Transformar o jogo de estréia em primeiro e último round está fora de cogitação para os amantes do clube da Ilha do Retiro, embora tal possibilidade exista.      

leia mais ...

Artigos
Falta de ousadia
postado em 07 de fevereiro de 2017

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejjpazevedo.com


Por conta de uma citação sobre o técnico Fernando Diniz, do Audax, na postagem de ontem, recebemos um email com uma pergunta simples: Se esse treinasse um clube grande com a responsabilidade de ganhar, teria a ousadia de deixar o seu time jogar livremente?

Sem duvida uma pergunta pertinente, e para a qual cabe uma resposta com uma análise sobre o tema.

Na realidade os treinadores brasileiros, sejam jovens ou mais antigos, apresentam um grande defeito, e isso está atrasando o futebol. Os seus comportamentos à frente das equipes mostram a falta de coragem de ousar na formatação tática, preferindo o pragmatismo de resultados que vem sendo adotado na grande maioria dos clubes do país.

Com certa razão todos defendem os seus empregos, que não permite mudanças, para que não possam correr o risco com tal procedimento. Quem enfrenta desafios não tem medo de errar, pois faz parte do sistema, e nessa nova geração de técnicos, ninguém parece disposto a correr qualquer risco.

Certamente que Diniz por dirigir um clube sem torcida não enfrenta pressões por sua ousadia, mas quem pode afirmar que contando com peças de melhor qualidade não possa fazê-lo em um time de grande porte onde as opções são bem maiores?

Voltamos no tempo e encontramos João Saldanha, Telê Santana e Claudio Coutinho, já falecidos. Pep Guardiola na ativa e Cilinho aposentado, que sempre tiveram a coragem de se situarem à frente dos seus tempos, com procedimentos de mudanças no comportamento tático do futebol.

Todos ousaram e tornaram-se vitoriosos. Telê até hoje é uma referência no esporte brasileiro, João Saldanha um revolucionário com suas mudanças táticas, assim como Claudio Coutinho, que para nós está no patamar mais alto entre os técnicos de nosso futebol.

Cilinho conhecemos o seu trabalho de perto. Era um estrategista, preparava as suas armadilhas nos treinos, e durante os jogos essas se concretizavam. Os ¨menudos¨ de 1987 do São Paulo até hoje são lembrados.

Pep Guardiola é o maior representante do inconformismo tático. Mudou o formato do futebol europeu quando dirigia o Barcelona, quando trocava de tática em pleno jogo, com alterações nas posições dos atletas, e incentivando a troca de passes. Temos a certeza de que fará o mesmo com o Manchester City, que poderá se transformar em um dos maiores times do mundo.

No atual futebol brasileiro não existe ousadia. Hoje os times entram em campo para não perder, e se possível ganhar.

Fomos acostumados com um futebol ousado, que além da vitória visava o espetáculo, e quando uma equipe ficava com vantagem numérica, o treinador fazia a substituição certa para explorar as dificuldades dos adversários. Eram ousados, hoje são medrosos, colocam um zagueiro para garantir o resultado, mesmo com mais jogadores.

Atualmente temos mais volantes em campo do que atacantes, que é uma forma de proteção contra as derrotas, e sempre na espera de uma única bola. Não produzem nas formações bons armadores, dando a preferência aos brucutus de plantão.

O jornalismo esportivo brasileiro tornou-se juvenil, os mais antigos que pensavam foram substituídos, dando lugar aos novos que tem no google suas orientações.

Se discute muito os problemas do futebol brasileiro, mas os detalhes maiores são esquecidos, e um desses é o da morte da ousadia, que nos levam a jogos pobres e sem a menor emoção.

A ousadia com responsabilidade poderá trazer de volta o bom futebol de antigamente, com os clubes desejando as vitórias, mas sem relegar a qualidade e a beleza do espetáculo.

Os torcedores certamente voltariam aos estádios.

Para nós, Fernando Diniz teria espaço em um clube de maior porte do Brasil, e perguntamos a razão de não se tentar. Será que falta-lhe um bom empresário?

leia mais ...

Futebol Pernambucano
Pobreza técnica afugenta torcedor
postado em 05 de fevereiro de 2017

CLAUDEMIR GOMES

 

Náutico e Santa Cruz não conseguiram, no curto espaço de sete dias, levar dez mil torcedores aos estádios nos dois clássicos que disputaram, válidos pelo Pernambucano e pela Copa do Nordeste. Os dois times podem se confrontar seis vezes, nas duas competições, caso se cruzem na semifinal ou na final do Estadual. O Jornal do Commercio, na edição de sábado, publicou matéria com o presidente da FPF, Evandro Carvalho, que tenta liderar uma cruzada cujo objetivo é levar a CBF a rever o seu calendário. Bom notícia. Embora não saibamos se o esforço será exitoso, ou se a luta será inglória. Pelo menos o cartola pernambucano caiu na real, saiu da inércia, e encampa um movimento no sentido para tirar o futebol estadual e regional do fundo do poço.

O mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, publica, hoje no seu blog, estudo feito pelo Instituto Paraná de Pesquisas que revela a "geografia do futebol brasileiro". Constatamos que a região Nordeste é uma das mais sacrificadas, visto que, 21,5% dos entrevistados, todos com mais de 16 anos, não torcem por nenhum clube. Flamengo e Corinthians são os líderes na preferência dos torcedores em todas as regiões. No Nordeste, o Bahia aparece na terceira posição com 7%. Entre os pernambucanos o Sport é o melhor colocado, aparecendo na oitava posição com 3,7%, ficando atrás do Ceará que tem 4%. O Santa Cruz está na décima=primeira posição com 2%.

Antes de mostrar o clássico pernambucano = Santa Cruz 1x0 Náutico = a televisão exibiu o jogo do Barcelona com o Atlético de Bilbao, confronto marcado pela vitória do time catalão por 3x0. Em seguida apresentou o clássico português entre Porto e Sporting. Antes, na grade de outros canais, foram oferecidos jogos dos campeonatos inglês, alemão... Enfim, existe uma concorrência desleal do ponto de vista técnico que contribui, de forma direta, para o êxodo dos torcedores do estádio. Tricolores e alvirrubros, a exemplo do que ocorreu há sete dias, quando do primeiro confronto entre ambos, fizeram uma partida de uma pobreza técnica absurda. Não foi fácil assistir a transmissão do clássico local após ver Neymar, Messi e companhia em mais uma boa apresentação do Barça. A concorrência passou a ser, também, com o melhor do futebol internacional.

O empobrecimento do futebol local e regional é decorrente de vários fatores, dentre eles a falta de qualidade nas equipes. A concorrência exige qualidade e competitividade. A rivalidade alimenta apenas a competitividade entre dois clubes, que de forma isolada não seduz o torcedor que tem ofertas bem mais atrativas na televisão. A diversidade criada no calendário brasileiro não respeitou o item qualidade que dá sustentação a qualquer competição. A reparação dos equívocos na agenda dos jogos é apenas um dos assuntos que devem ser vistos e discutidos pelas entidades, CBF e Federações. Naturalmente que, os mais afetados são os clubes, mas eles se contentam com qualquer preço, desde que venha em forma de adiantamento.

leia mais ...