Histórico
Copa do Brasil
Extermínio nordestino
postado em 18 de fevereiro de 2017

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejjpazevedo.com


A Copa do Brasil fechou a sua primeira etapa, com a realização dos últimos cinco jogos restantes, e entre esses o do Salgueiro que foi eliminado no final pelo Sinop, juntando-se aos demais Nordestinos que foram exterminados pelo modelo fascista dessa competição.

Dos 24 clubes de nossa região que começaram a competição, 16 desses foram metralhados no campo de extermínio instalado na Barra da Tijuca. Sobraram oito resistentes que estarão na segunda fase da competição que já começa na próxima semana.

Dos clubes de nosso estado que iniciaram a Copa, restou apenas o Sport, enquanto Náutico e Salgueiro despediram-se de forma melancólica. 

Sobraram além do rubro-negro, dois de Alagoas, Murici e Asa, dois da Bahia, Vitória e Bahia, um do Maranhão, Sampaio Correia, um do Piauí, Altos, e um do Rio Grande do Norte, ABC.

Os que foram eliminados, alguns empatando os seus jogos, não tiveram a chance de uma segunda partida, e foram encaminhados para o paredão.

Na verdade o futebol de nossa Região, morreu, foi enterrado, ninguém tomou conhecimento, nem as nossas mídias.

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Campeonato Pernambucano
"Eu quero entrar na folia meu bem"
postado em 17 de fevereiro de 2017

CLAUDEMIR GOMES


"Eu quero entrar na folia meu bem. Você sabe lá o que é isso?". Este é um trecho do Hino de Batutas de São José, tradicional agremiação carnavalesca do Recife, e que traduz, com fidelidade, o sentimento que toma conta da Capital do Frevo na semana pré carnavalesca. A coisa parece que tem feitiço, porque neste sábado que antecede as festas de Momo, teremos desfile de blocos nos quatro cantos da cidade. A ordem é: "Deixa o frevo rolar, eu só quero saber se você vai ficar...".

Os gestores da federação Pernambucana de Futebol, na contramão dos foliões, não atenderam ao apelo expresso no Hino de Batutas, e marcou, para a tarde deste sábado, a primeira edição do Clássico das Multidões, o confronto entre Santa Cruz e Sport, os dois clubes donos das maiores torcidas do Estado. Só há uma explicação para tal insensatez: ou estão ruim da cabeça ou doente dos pés. Futebol e carnaval são dois dos maiores movimentos populares da cultura brasileira, mexem com a alma do povo, mas a folia tem um espaço que precisa ser respeitado, principalmente num Estado onde nasceu um dos ritmos mais quentes, que é o frevo, e tem uma diversidade que leva a gregos e troianos a vivenciarem a festa da forma mais intensa possível.

O desafio desta edição do Clássico das Multidões, num sábado onde todos querem mesmo é fazer o passo, em perder o compasso, é levar um público de 10 mil torcedores ao estádio do Arruda. Não estou sendo pessimista. Apenas raciocino dentro de uma lógica que é apresentada pelos números. No clássico de abertura do Pernambucano o público pagante foi inferior a 3 mil torcedores. Em 51 partidas realizadas, até o momento, não se chegou a marca dos 30 mil torcedores pagantes nos estádios. A competição já foi rotulada como o "campeonato dos estádios vazios". Programar o Clássico das Multidões para concorrer com dezenas de prévias é uma falta de bom senso imperdoável.

O saudoso Capiba, um dos maiores compositores da história do frevo pernambucano, era amante do Santa Cruz. Certamente não marcaria presença num clássico enquanto o resto da cidade estava se esbaldando, fazendo o passo. Foi este o recado que ele repassou em A PISADA É ESSA.

"Quando a vida é boa

Não precisa ter pressa...

Eu quero ver queimar carvão

Eu quero ver carvão queimar...

A pisada é essa

Pra que vida melhor."

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Náutico
Com a corda no pescoço
postado em 15 de fevereiro de 2017

CLAUDEMIR GOMES

 

Na centenária história do Náutico não existe registros de confrontos com o Guarani de Juazeiro/CE. Portanto, o jogo de hoje a noite, válido pela primeira fase da Copa do Brasil, é inédito para os dois times. Em condições normais de temperatura e pressão creditaria um favoritismo ao alvirrubro pernambucano, em que pese a partida ser realizada na casa do adversário, no Estádio Mauro Sampaio, o Romeirão. Contudo, como o Timbu vem de uma sequência de três derrotas, a pressão em cima de Dado Cavalcanti e seus comandados pode levar o fiel da balança a pender para o lado do time cearense.

O novo regulamento da competição determina que, nesta primeira fase, o empate classifica o time visitante. Menos mal. Se jogar com tranquilidade e inteligência a vantagem é substancial. O difícil é buscar o equilíbrio emocional em momento de turbulência. A situação do Náutico não difere da de muitos clubes brasileiros neste início de temporada. Não é fácil promover uma remontagem de elenco com dinheiro curto. As equipes que conseguem fazer resultados, ou seja, construir vitórias, saltam a "fogueira" sem se chamuscar, mesmo sem exibir um bom futebol. É a força do resultado. Vitórias e derrotas são determinantes para efetivação, consolidação ou anulação de trabalhos.

A insatisfação com a sequência de resultados negativos tem levado o torcedor alvirrubro a fazer uma comparação entre as trajetórias do Santa Cruz e do Náutico neste início de temporada. Enquanto no Arruda tudo conspira a favor de um acerto, fato que leva o grupo a acreditar na proposta do novo treinador, e obtém como resposta a autoconfiança e uma autoestima elevada, nos Aflitos, os resultados negativos deixam a impressão de que está tudo errado. Quando as análises são feitas em cima de vitórias e derrotas as comparações se tornam injustas porque não se avalia o desempenho, tampouco se analisa a qualidade do material humano que o técnico dispõe para trabalhar.

Dado Cavalcanti está com a cabeça a prêmio. Isto é fato. Chega a ser frustrante para aqueles que o viam como "salvador da pátria". A confiança e o otimismo da torcida alvirrubra em relação ao treinador que veio ocupar a vaga deixada por Givanildo Oliveira, tem como fundamento o trabalho realizado por ele em outros clubes. Por outro lado, para ele, a oportunidade de sucesso a frente de um clube pernambucano, se traduzia numa chance real de turbinar a sua carreira. Deixar o Náutico por imposição de uma sequência de derrotas pode representar o fechamento do mercado local para o técnico. A saída é buscar a reação a partir de hoje, no difícil confronto com o Guarani do Juazeiro.  

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Futebol Brasileiro
Sem Lei e sem ordem
postado em 14 de fevereiro de 2017

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO


No ano de 2010 a media de público do Brasileiro da Série A foi de 15 mil pagantes. Em 2016 essa foi de 15,2 mil, ou seja uma estagnação após seis anos, sendo que nesse último o futebol tinha as arenas construídas para a Copa do Mundo.

Pelas estatísticas do IBGE, o futebol e cinema são as preferências nacionais entre as diversões fora de casa. O segundo cresceu com as novas salas e um único filme consegue levar um número maior de espectadores do que uma competição nacional anual, o primeiro continua emperrado.

Por outro lado, todas as pesquisas realizadas mostram que a maior causa que afasta o torcedor dos campos de jogos é a violência, que representa a ressonância de um estado sem lei e sem ordem.

A impunidade reinante é um exemplo nefasto para a sociedade brasileira. Uma operação de limpeza ética e moral, como a Lava Jato está sendo torpedeada pelos corruptos envolvidos. Tal modelo reflete nas ruas.

O país não tem comando, não tem um Congresso respeitável, não tem um executivo com força e o somatório disso obviamente produz as mazelas dos tempos atuais.

Não existe uma melhor forma de lazer do que o futebol, seja ele profissional, como até de peladas, mas esse sofre com os seus péssimos dirigentes, e sobretudo por conta de marginais com camisas de torcedores que proliferam no país.

O vandalismo que o Brasil assistiu no Ãºltimo domingo no entorno do estádio Nilton Santos, terminou com um morto, 08 feridos, e entre esses um em estado grave, representou a falência do estado nacional. 

Aliás uma morte anunciada há tempo. O Rio de Janeiro é o estado mais bonito do país, seu povo sempre foi feliz, mas nos últimos anos passou por um processo de rápida degradação graças a politica, com um governador na cadeia por corrupção.

O estado vive um momento de manifestações de mulheres de policiais impedindo a saída das viaturas dos batalhões e todos sabiam, inclusive os que fazem a Federação local, que não haveria um contingente satisfatório para o policiamento externo, fato esse comprovado com uma ata da entidade assinada pelos envolvidos, reduzindo a presença dos policiais nas ruas vizinhas ao estádio Nilton Santos. 

Já tinham sido vendidos de forma antecipada 22 mil ingressos, uma quantidade bem razoável.

Para que se tenha uma idéia, às 17h30, um pouco antes da partida, o policiamento era reduzido, sem a capacidade de conter as confusões desenhadas, e que minutos após começaram, sendo transmitidas para todo o país e o mundo.

As organizadas chegaram sem a escolta como acontece em jogos maiores, e em determinado momento foi iniciada a guerra, com um confronto entre essas, e logo após com a participação dos policiais.

Centenas de pessoas armadas de barras de ferro, lixeiras, até das catracas do estádio, e o sangue começou a correr. Um bombeiro resgatou um dos participantes que iria ser queimado pelo rival.

A diretoria do Botafogo que era o time mandante do jogo, verificando o problema do policiamento, a o grande número de ingressos vendidos, solicitou da Federação local o cancelamento do jogo antes dos acontecimentos, mas a entidade negou. Deu no que deu.

A situação da Policia do Rio de Janeiro com as diversas manifestações nas portas dos quartéis era conhecida por todos. Além disso, o domingo teve a segurança das praias, e dos blocos carnavalescos, com multidões nas ruas, e não era um local propicio para uma competição com um bom numero de espectadores.

Se o futebol carioca tivesse bons dirigentes, certamente o jogo seria adiado, mas o que pesou não foi a segurança do torcedor, e sim a falta de datas por conta do maldito calendário.

Obvio que insistir em um evento sem garantia é crime, e foi isso que aconteceu no Rio de Janeiro, contribuindo mais para as ociosidades dos estádios.

Na realidade o Brasil necessita de homens que possam trazê-lo para dias bem melhores do que os atuais. Com o que temos certamente não conseguiremos vencer a luta contra a violência, e sobretudo contra a corrupção.

Foi mais uma derrota por 7x1.

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História
Seleção de Jaleco - Salomão
postado em 13 de fevereiro de 2017
Por LUCÍDIO JOSÉ DE OLIVEIRA, MDM


Transparência e simplicidade: são palavras, são símbolos. Palavras que marcaram os caminhos do jovem Salomão. Transparência tanto no futebol como nas coisas da vida. O futebol, sua grande paixão, jogado com clareza no meio campo. A jogada sempre limpa, fácil de entender, o lance cristalino sem nenhum adorno. Firula zero. Na vida, o sonho bem claro e desde cedo definido como projeto supremo de vida. O sonho de ser médico. Assim era Salomão Alves Couto, nascido a 3 de outubro de 1942 em Pocinho, pequena cidade do Cariri paraibano na região metropolitana de Esperança. Tinha 18 anos de idade quando saiu da casa dos pais com destino a Campina Grande em busca do sonho. Fora dos estudos, o divertimento era o futebol, jogar futebol. O caminho a seguir era procurar uma bola nos campos de pelada.

O que não faltava era campo de pelada nos arredores da cidade de Campina Grande. Foi quando Salomão descobriu um deles, onde jogava o Central, time de bairro (ou não terá sido o contrário? O pessoal do Central campinense que primeiro descobriu Salomão?), depois passando a bater bola com a turma do Everton de São José, também dos subúrbios da Capital da Borborema.  Era o ano de 1960.

Não demorou e Salomão tomava conta do futebol do meio campo nos gramados suburbanos da maior cidade  paraibana do interior. "Tratava a bola com fino trato", segundo depoimento de Jobedis Magno de Brito Neves, do Museu Virtual do Esporte de Campina Grande. Sempre de cabeça erguida, não errava passe e organizava a sua equipe. "Era o que dava padrão de jogo ao time, sentido ao jogo, aquele que quando a bola passava em seus pés, saia com certeza uma bela jogada." O jogo só existia a partir do toque mágico de Salomão no meio campo. Além disso, além da habilidade nata com a bola no pé, era preciso nos passes e chutava forte. Sabia fazer gols. Fazia muitos gols. Muitos deles de fora da área.

Não demorou também e o Campinense - dividindo com o Treze o domínio do vasto império do futebol da Borborema - conquistou Salomão para fazer parte do seu elenco. Naquele ano mesmo, contrato assinado e registrado na federação como profissional do rubro-negro paraibano, Salomão conquistou o seu primeiro título: Campeão Paraibano de 1960. Era o médio-volante, dotado de vocações ofensivas, de um time que tinha o goleiro Cazuza, o volante Preta e os atacantes Zezinho e Ibiapino, nomes conhecidos do futebol do nordeste. No Campinense, Salomão foi ainda bicampeão. Bicampeão paraibano de 60-61.

Na época, estava em curso no Náutico, ali bem perto no estado vizinho, o grande projeto do início dos anos 60 que privilegiava o jogador da região tendo como objetivo formar uma equipe forte mesclando jogadores da base com jovens revelações do futebol dos estados vizinho. De Alagoas, foram contratados o goleiro Lula e o zagueiro Gernan; do Ceará, o volante Evandro; na Paraíba foram buscar a dupla Salomão-Rinaldo. Salomão do Campinense; Rinaldo do time rival, o Treze.

Salomão chegou ao Náutico um pouco antes de ter início o Pernambucano de 1962. O comando técnico do time estava entregue ao argentino Alfredo González, também recém-chegado aos Aflitos, com quem Salomão iria se dá muito bem. Sua primeira partida com a camisa do Náutico não demorou. Tudo acontecia de repente com Salomão... Foi em um amistoso antes de começar o campeonato, contra o Paulistano de sua Campina Grande, lá mesmo em terras paraibanas. Vitória fácil do Náutico, 4x0 no placar. Festa para Salomão. Dom Alfredo González ficava conhecendo com quem ia contar para o campeonato. Salomão ia se acostumando com o convívio ao lado de quem ia jogar de agora em diante. Conhecendo o jeito de bater na bola de Gílson Costa, dos irmãos Nado e Bita, de Eric e de Tião. A estréia oficial se deu logo depois, a 27 de maio. No campo do Central, em Caruaru, jogo do turno contra os donos da casa. Vitória alvirrubra por 2x0, dois gols do carioca Gilbert, meia-avançado pela direita, também estreante.

O novo volante do time já era o dono da meia cancha do time do Náutico quando, em agosto, três meses depois de sua estréia, chegava aos Aflitos para jogar ao seu lado ninguém menos que Rinaldo, outro cracaço de bola com quem até há pouco dividia, em clima de rivalidade, a preferência dos torcedores de Campina Grande. Rinaldo era o meia-esquerda do time rival, do Treze. No Náutico formariam uma dupla que marcou época. Seriam campeões juntos em 1963, início da jornada do Hexa. Um ao lado do outro no meio do campo até quando tiveram que se separar, ainda que continuassem no mesmo grupo, em face da chegada de Ivan Brondi, vindo do Palmeiras. Alfredo González foi quem preferiu desse jeito. O novo companheiro de Salomão no setor seria Ivan; Rinaldo era deslocado para a ponta-esquerda.

O nível do futebol de Salomão só fez crescer desde que chegou ao Náutico, rodada após rodada, jogo a jogo. Ao lado de Rinaldo, depois tendo Ivan ao seu lado. Em meados de 1964 tinha chegado ao topo. O Nàutico era líder invicto do Campeonato, 17 partidas sem derrota, nenhum empate sequer. Mais três vitórias pela Taça Brasil, duas contra o Paysandu de Belém e o da partida de ida contra o Ceará, nos Aflitos. O time do Náutico era "Os Intocáveis". Salomão dividia com Bita, Nado, Ivan, Lula e Lala as honras de estrelas de maior grandeza dentro constelação. Foi quando aconteceram em setembro os fatídicos jogos contra o Ceará no Presidente Vargas, em Fortaleza. Jogos históricos que custaram a perda da invencibilidade timbu, a desclassificação da Taça Brasil e a contusão que quase lhe tira a vida.  O jogo que afastou Salomão por uns tempo dos gramados aconteceu no dia 29 de setembro. O Ceará, que já tinha vencido o primeiro confronto de Fortaleza por 1x0, venceu agora de goleada, 4x0, em jogo tumultuado e dramático. Salomão sofreu a rotura de um dos rins, somente diagnosticada depois do jogo. Vítima de uma hemorragia interna, teve que ser operado, o que só viria acontecer seis dias depois, no Recife. Ficou sem jogar por uns tempos. Voltaria ao time somente em jogos amistosos no ano seguinte.

Em meados do novo ano, no mês de maio, seu passe foi cedido ao Santos. Na Vila Belmiro, iria jogar o lado dos maiores craques brasileiros da atualidade. No Santos de Pelé, Carlos Alberto Torres, Orlando, Mauro, Mengálvio, Toninho, Pepe, Zito, Dorval e Gilmar. Depois de dois anos no Santos, Salomão se transferiu para o Vasco da Gama. No time carioca iria viver uma nova experiência em um outro grande centro, o Rio de Janeiro. Teria a oportunidade de jogar também ao lado de craques renomados, jogadores a nível de seleção, como o goleiro Valdir, Brito, Fontana, Oldair, o uruguaio Danilo Menezes e seu ex-companheiro Nado.

Depois de mais um ano fora do Recife, Salomão resolvei voltar. Falou mais alta seu desejo de terminar o curso de medicina. Em outubro de 67, estava novamente vestindo a camisa do Náutico, jogando em gramados pernambucanos. No primeiro dia do mês, na Ilha do Retiro contra o Santa Cruz, passados quinze dias no Pedro Víctor, em Caruaru, contra o Central, uma semana depois diante do América cearense pela Taça Brasil, nos Aflitos. Estava novamente em casa. Os Aflitos era, desde que deixara o lar paterno no começo da década, a sua segunda casa, agora a sua verdadeira casa.

Salomão jogaria ainda até o fim do ano e do contrato. Mais de uma dezena de jogos, totalizando 17 partidas nesse retorno, jogos pela Taça Brasil e jogos pelo Pernambucano na jornada do Penta. No Náutico, jogaria até o fim do ano e do contrato. Mais de uma dezena de jogos num total de 17 partidas - um amistoso em Garanhuns nessa nova estréia, contra o Sete de Setembro (0x3), intercalando a seguir nove jogos pela Taça Brasil e sete pelo Pernambucano na jornada do Penta. Marcaria três gols todos ele de suma importância, contra o América do Ceará 1x0 nos Aflitos, contra o Atlético Mineiro na Ilha (Náutico 3x0), contra o Cruzeiro, outra vez na Ilha, Náutico 3x0. E de quebra, contribuiria para a conquista invicta do pentacampeonato, o que aconteceu nos Aflitos, no jogo contra o Central, no domingo 10 de dezembro.

Passadas as festa do fim do ano, Salomão anunciou o que todos esperavam: não ia mais jogar futebol profissional. Havia conseguido o que queria: retornar a faculdade através da reabertura da matrícula, trancada dede 1965. Retornou para fazer o 2º ano de medicina, Em 1972, no dia 8 de Dezembro, como era traição naqueles idos, recebia das mãos do reitor Professor José Marcionilo Lins, um alvirrubro de fé, tão apaixonado quanto ele, o diploma de doutor em Medicina em solenidade realizada no auditório da Universidade, no Engenho do Meio.

O jogo de ida contra o Palmeiras na Ilha do Retiro, na disputa do título da Taça Brasil, valendo o título de Campeão Brasileiro e disputado em dezembro, fica como o jogo da despedida de Salomão. Nos Aflitos, tinha jogado sua ultima partida dias antes, no dia da conquista do título estadual, contra o Central. Nada mais emblemático - ser campeão diante de sua torcida na hora de se despedir da casa que o tinha acolhido como um filho quando aqui chegou.


E em que pese não ser de todo desprezível a passagem por dois dos mais destacados clube brasileiros, o Santos de Pelé, e o Vasco dos anos 60, é nos Aflitos onde Salomão viveu seus melhores momentos. Por isso mesmo a torcida timbu nunca lhe negou o aplauso. Nas mais diversas publicações daquele tempo %u2212 em jornais, revistas esportivas e livros - ficaram registrados os melhores elogios a Salomão. Dele se disse que "fazia um par-de-deux com a bola". "Não a chutava até porque não se chuta uma dama". Do meio do campo do Náutico, "deslizava a bola para os companheiros. Lançamentos suaves como bolhas de sabão..." As palavras entre aspas são do publicitário Norton Ferreira inseridas em "Todos Juntos, Vamos/Memória do Tri", de Alex Medeiros. E mais disse dele, o conhecido profissional da comunicação: "Era o nosso Ana Botafogo. E tinha nome de rei".

Por tudo isso, mesmo não estando entres aqueles que mais vezes vestiram a camisa do Náutico (108 vezes em sua primeira passagem pelo clube, dezessete da segunda vez, totalizando 125 partidas disputadas pelo clube), Salomão integra o time dos sonhos do Náutico de todos os tempos, formado de numa enquete realizada pelo Jornal do Commercio em 2001, por ocasião das comemorações pela passagem do centenário do clube. A enquete contou com a participação de jornalistas, escritores e torcedores ilustres. Foi este o resultado: Lula; Gena, Mauro Calixto, Fraga e Marinho Chagas; Salomão, Ivan e Vasconcelos; Nado, Bita e Lala.

Salomão especializou-se em neurologia. Cinco anos depois de formado, viajou para a Europa com o objetivo de se aprimorar na especialidade. Antes, estivera durante um ano, o de 1976, no Hospital São Paulo da Escola Paulista de Medicina. No Velho Mundo, ficou dois anos (1977-78), na França, como médico-estagiário do Hospital Cochin do Boulevard Port Royal, em Paris.

Casado, com dois filhos, Salomão Sales do Couto, 41 anos de médico, dedica-se à neurologia clínica no Recife com consultório instalado na rua conselheiro Portela, vizinho ao estádio dos Aflitos. Estádio querido  onde brilhou por cerca de quatro anos em seu gramado como profissional de futebol. Na outra atividade em que dividiu sua paixão e viveu seu sonho.

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