Histórico
Futebol Pernambucano
O ex-Clássico dos Clássicos
postado em 05 de maro de 2017

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejjpazevedo.com


Vamos apelar um pouco para o saudosismo na época em que o futebol de Pernambuco poderia ter esse nome, e o clássico dos clássicos, entre Náutico e Sport lotava os estádios, e as ruas tremulavam com as bandeiras dos clubes.

Quando andávamos pela cidade no dia do jogo, o que víamos eram os torcedores com as camisas dos dois litigantes. Os confrontos não aconteciam e tudo era levado na esportiva.

Hoje quando o cidadão ousa desfilar nas ruas da cidade com a camisa ou bandeira do seu clube, se não for em seu veículo, corre o risco de ser surrado ou mesmo morto.

Essa festa não existe mais, o encontro tornou-se um ex-clássico dos clássicos, graças a banalidade do futebol nacional, com overdose de jogos e repetições desmesuradas.

Quando lemos em nossos jornais que no domingo teremos o clássico dos clássicos nos divertimos, por tratar-se de uma manchete humorística. São jornalistas que não viveram o bom tempo.

Até a década de 90 existia público no encontro desses dois clubes. No ano de 1991, nos lembramos muito bem, quando a Ilha do Retiro sem as duas ampliações, recebeu 45.967 torcedores para esse clássico que ainda era dos clássicos. Os portões foram fechados. 

Nessa Ã©poca dirigíamos a administração do clube, e dando o apoio para que tudo corresse bem. Na ocasião o presidente Wanderson Lacerda estava conosco, e com o fechamento dos portões fomos barrados em nossa própria casa. Terminamos no placar após subirmos centenas de degraus. Valeu a pena, pois assistimos um bom jogo.

Era o retrato de um futebol vivo, pulsante, e que hoje não mais existe. Além disso não aconteceu nenhum incidente. Não existiam as organizadas, e a sociedade era mais civilizada.

Em 1998, numa partida decisiva entre os dois times no estádio do Arruda, esse recebeu 80.203 torcedores. Na última quarta feira, no encontro entre os rubro-negros e alvirrubros o público real foi de 2.885 pagantes, que é sem duvidas o maior exemplo da decadência do futebol do estado de Pernambuco, que todos fingem que nada acontece, e em especial os que o dirigem.

Não precisa ser um gênio para saber que a partida realizada na última quarta-feira, que já foi um fiasco, sendo repetida no domingo seguinte é sinal de um público reduzido mais uma vez. Nem uma tabela sabem fazer.

Por outro lado a emissora que é dona do futebol brasileiro, como paga uma esmola aos clubes, se julga no direito de fazer o televisionamento direto. Quem vai sair de casa para um evento desmotivado, e que poderá assisti-lo na poltrona?

A entidade do futebol local não teve a percepção que estava demolindo o esporte que já foi das multidões, e hoje é dos estádios ociosos.

Um campeonato que não tem chamamento, correndo ao mesmo tempo com a Copa do Nordeste, os participantes sem mostrarem um bom futebol, o resultado final só poderia ser o que estamos presenciando, com apenas 44.493 torcedores, em 66 jogos, e uma média de 754 por jogo.

Contra os números não existem argumentos, desde que esses são a prova maior da falência do futebol local.

Não temos times, não temos jogadores, não temos dirigentes, não temos analistas, e só temos o SALGUEIRO, e o resto é para apenas nos lamentarmos.

Pobre futebol pernambucano.

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Campeonato Pernambucano
Os Iluminados
postado em 02 de maro de 2017

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejjpazevedo.com


Na noite de ontem assistimos uma Missa de Requiém pela alma do futebol de Pernambuco, que teve como local a Ilha do Retiro. O dia era condizente com o ritual, a quarta-feira de cinzas, que foi escolhido pelos iluminados para a realização do evento.

O contexto foi formado por uma mistura de fatos grotescos. O rubro-negro pernambucano optou por imitar o também rubro-negro paranaense, Atlético-PR, que jogou o maior encontro do futebol local contra o Coritiba com o seu time misto no dia de ontem, com um público reduzido, e a inovação da transmissão pela internet.

O Sport tem o direito de escolha, mas não pode ser seletivo com os adversários. Ou jogava com time misto contra todos, ou não poderia seleciona-los. Contra o Santa Cruz atuou com os titulares. Ser ou não ser.

Além de ser um dia após o encerramento do Carnaval, o jogo da Ilha do Retiro foi televisionado de forma aberta pela dona dos direitos de transmissão, que paga um dizimo pelo contrato, e com mais um agravante, o horário das 21h45 que é indecente.

O mais grotesco é que no próximo domingo o returno será iniciado, com o mesmo jogo, mudando apenas o mandante, e assim teremos Náutico x Sport. Só em Pernambuco imortal.

O resultado de 1x1 foi justo por conta da mediocridade dos dois clubes, com o craque milionário André passeando no campo, e ainda perdendo um pênalti.

Sobre o jogo não vamos comentar, desde que isso é papel para os nossos analistas, mas sobre a  missa devemos enaltecer a maneira piedosa dos torcedores dos clubes que rezaram unidos pela alma de um defunto chamado de futebol de Pernambuco.

No clássico dos milhões, apenas 2.885 pagantes, ou fiéis, estavam presentes.

Amém

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Futebol Pernambucano
"É de fazer chorar"
postado em 01 de maro de 2017

CLAUDEMIR GOMES

 

Sport e Náutico disputam, hoje a noite, na Ilha do Retiro, o "Clássico Ressaca", que a exemplo dos jogos disputados, até o momento, no Pernambucano, não deve ser prestigiado por um bom público. Afinal, na Terra do Frevo, onde ainda é possível ouvir os últimos acordes em vários pontos da cidade, graças aos incansáveis e irresponsáveis foliões, imaginar um estádio cheio em plena quarta=feira de cinzas é pura alucinação. Ademais, a televisão exibirá o "espetáculo", ao vivo e a cores, a partir das 21h45, quando a maioria dos amantes do futebol estará em pleno repouso para reiniciar a jornada de trabalho a partir da quinta=feira.

O futebol pernambucano vive numa ressaca permanente, fato que lhe levou a ficar pequeno. Os "iluminados" dão um "show", na confecção do regulamento e da tabela. O resultado de tanta lambança é este estado de coisas que estamos testemunhamos: clássico na quarta=feira de cinzas com um dos clubes mandando a campo um time alternativo (reserva). O Sport adotou uma coerência seletiva, ou seja, quando enfrenta adversários considerados tecnicamente inferiores, poupa os seus titulares. No clássico que disputou com o Santa Cruz os leoninos foram a campo com a força máxima. Neste confronto com o Náutico estão desdenhando do adversário.

Quem teve a curiosidade de consultar a programação do carnaval recifense observou que, o ponto final da folia não aconteceu na terça=feira, como mandava a tradição. O movimento popular cresceu, e nos dias de hoje os desfiles de blocos só terminam na quarta=feira que há muito deixou de ser ingrata para se incorporar aos dias de festa. A justificativa para a lambança de programar um clássico para  a quarta=feira de cinzas é a mesma que já foi utilizada para explicar outros equívocos: "falta de datas no calendário".

Em 1957 o compositor, Luiz Bandeira, fez um frevo antológico se referindo a quarta=feira de cinzas: "É de fazer chorar". Um título bastante atual quando transferido para o futebol pernambucano.

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Acontece
Sem alegria nas arquibancadas
postado em 23 de fevereiro de 2017

CLAUDEMIR GOMES

 

A boa vitória do Sport = 3x0 = sobre o limitado Sete de Setembro/MT, em jogo válido pela segunda fase da Copa do Brasil, foi testemunhada por 2.020 torcedores. Hoje a noite teremos um confronto entre Náutico e Campinense, pela Copa do Nordeste, na Arena Pernambuco. Qual a previsão de público para esta partida numa noite em que o frevo está rolando no Marco Zero do Recife e nas ladeiras de Olinda? Concorrer com o carnaval é uma insanidade. A concorrência também estará presente na ressaca. Para a quarta=feira de cinzas está programado o clássico entre Sport e Náutico, às 21h45, na Ilha do Retiro. O horário do jogo é um anúncio subliminar de que o mesmo será mostrado, ao vivo, pela tv aberta.

Quando foi anunciado o público presente nesta quarta=feira, na Ilha do Retiro, fui indagado por Bartolomeu Fernando, narrador da Rádio Globo, se eu estava surpreso com o pequeno número de pessoas presentes no estádio. De pronto respondi que não. As competições em curso = Pernambucano, Copa do Nordeste e Copa do Brasil = têm ofertado, em suas respectivas fases iniciais, jogos de uma pobreza técnica assustadora, para os quais não existe demanda. Os modelos das disputas e o excesso de jogos, em todos os níveis, apresentados pela televisão, são outros componentes que contribuem para o êxodo do torcedor dos estádios. Evidente que existem outros fatores que interferem, contribuem para o esvaziamento das praças de esportes, como violência urbana, crise financeira, etc. Mas me detenho apenas a duas coisas: a concorrência com o carnaval numa cidade como o Recife, e a qualidade do espetáculo.

Como repórter tive a oportunidade de cobrir algumas edições da Copa do Mundo, e no início ficava intrigado com o pequeno público registrado em algumas partidas. Quando tomei conhecimento do processo comercial da competição passei a entender o conceito do grande negócio que é o futebol. Mas o que se emprega numa competição de elite, necessariamente não dará certo em disputas onde inexistem grandes investidores. Com exceção dos que disputam o Brasileiro da Série A, os clubes nordestinos dependem, e muito, das receitas da bilheteria. A constatação dos estádios vazios em jogos do Estadual e da Copa do Nordeste abriu um leque de discussão entre os gestores dos clubes.

O slogan da extinta Rádio Clube dizia: "Sem Clube não há futebol". Apesar do dúbio sentido, a frase é por demais verdadeira. Assim como também é verdadeiro, que o futebol com estádio vazio é triste de se ver. Futebol é um movimento popular. Portanto, a participação do povo nas arquibancadas é imprescindível, em qualquer lugar do mundo.   

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Náutico
A "sorte" do novo treinador
postado em 21 de fevereiro de 2017

CLAUDEMIR GOMES


Milton Cruz aportou nos Aflitos e bons ventos sopraram a favor do Náutico no Arruda, onde o time alvirrubro interrompeu uma sequência negativa de quatro derrotas com uma vitória - 2x0 - sobre o Belo Jardim. Um bom presságio, e a mídia não deixou por menos, ao lincar o resultado do jogo aos bons fluídos que porventura foram trazidos pelo novo treinador. O futebol tem espaço para superstições, mas não podemos misturar as coisas. O Belo Jardim amargou mais uma derrota no Pernambucano por conta da incompetência dos seus atacantes que perdem gols incríveis. Não foram poucas as chances que criaram, mas ninguém acerta a última bola. E, dentro da máxima de que, "quem não faz, leva", o Náutico, que tinha Levi Gomes no comando, marcou dois gols para marcar a chegada de um novo tempo.

A contratação de Milton Cruz é uma aposta dos dirigentes do futebol alvirrubro, que contrariaram o presidente, Ivan Bronde, que não se mostrou satisfeito com o salário do novo treinador: R$ 100 mil. O meia, Marco Antônio, recebe R$ 90 mil por mês, e o presidente começou a se preocupar com a folha. Afinal, a chegada de um novo técnico representa investimentos em um assistente técnico e prováveis reforços. A ordem parece ser regra no futebol. Milton fará seu "vestibular" de treinador no futebol pernambucano. Embora tenha passado 19 anos no São Paulo, a maior parte do tempo como assistente técnico do profissional, somente agora ele será cobrado como técnico. Nos ombros dos interinos não recai nenhum tipo de cobrança.

Bom! Segundo alguns "analistas" ele tem sorte. É um bom começo.

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