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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
A missão era considerada impossÃvel: reverter uma vantagem de quatro gols construÃda pelo PSG no primeiro jogo. Por esta razão, a goleada de 6x1 que o Barcelona aplicou no Paris Saint=Germain, entra para a galeria dos épicos do futebol. Momento de glória para o clube catalão, e de vergonha para a agremiação francesa que, por duas vezes, teve a classificação nas mãos, mas pagou caro por uma covardia imperdoável. "Obra do imponderável", diria o mestre, Nelson Rodrigues, mas Juninho Pernambucano, que por quase uma década reinou no futebol francês, usou a frase perfeita para explicar o inesquecÃvel feito do Barça: "Força mental".
O futebol é o esporte mais apaixonante do planeta porque tem sempre uma surpresa reservada para aqueles que acreditam que já viram de tudo dentro das quatro linhas. E está sempre a contrariar os senhores da verdade. Evidente que, numa partida onde aconteceram vários lances polêmicos, muitos vão querer desmerecer a vitória do Barcelona, que deve ser atribuÃda, acima de qualquer coisa, a atitude do grupo. Mesmo sem Messi brilhar como em jogos passados, o time da Catalunha, ao longo dos 90 minutos viveu momentos intensos de agonia e êxtase. A construção de uma vitória por 4x0, que antes de a bola rolar parecia improvável, se tornou viável quando o time espanhol colocou uma vantagem de três gols. O gol solitário do PSG, num esboço de reação, tornou o cenário sombrio, mais uma vez, para Messi e companhia.
Mas o Barcelona tinha aquilo que Juninho Pernambucano destacou: a Força Mental. E contou com o talento de Neymar que funcionou como ponto de desequilÃbrio. O atacante brasileiro fez a diferença: sofreu um pênalti que foi convertido em gol por Messi; marcou um golaço de falta reascendendo as esperanças e criando novas possibilidades de reação; converteu em gol um pênalti sofrido por Soares e deu um passe magistral para o gol da vitória épica no último minuto do jogo.
Não sei o que passa na cabeça do zagueiro Thiago Silva, que já tem seu currÃculo manchado pela fatÃdica goleada de 7x1 aplicada pela Alemanha na Seleção Brasileira. O inacreditável 6x1 que o Barça impôs ao PSG, é outro pesadelo que deverá lhe atormentar por um bom tempo.
Um épico para se rever varias vezes, e nunca esquecer que o "jogo só termina quando acaba".
ADALBERTO LEISTER FILHO - Máquina do Esporte
A notÃcia esportiva mais comentada na segunda-feira não foi a vitória
do Corinthians no clássico com o Santos. Nem o Fla-Flu de seis gols e
decidido nos pênaltis. Nem sequer os dois tentos ilegais feitos pelo São
Paulo. Nas minhas redes sociais, Tite e Wellington monopolizaram as
atenções.
Vamos aos fatos: o treinador da seleção foi à Arena Corinthians para ver o clássico paulista. Na chegada, o telão do estádio exibiu a imagem de Tite, efusivamente aplaudido pelos torcedores. Ele ficou emocionado. No momento em que Jô fez o gol da vitória, o técnico foi flagrado comemorando.
Corta para o dia seguinte, na saÃda do estádio do Morumbi. O volante Wellington é alertado por um dos membros da TV oficial do clube de que sua mochila está aberta. %u201CAinda bem que é no São Paulo, imagina no Corinthians%u201D, brincou o jogador, que talvez nem tenha percebido que participava de uma transmissão ao vivo.
Corto para quando iniciava minha carreira no jornalismo. Certo dia fui com a equipe do Lance! cobrir o jogo de um grande clube de São Paulo. Um dos repórteres não resistiu quando viu seu clube fazer o primeiro gol e ergueu um braço para festejar. Foi advertido de que aquele não era comportamento aceitável na tribuna de imprensa. TÃnhamos pouco mais de 20 anos. Aprendemos a lição.
Tite e Wellington, da mesma maneira, sabem que suas atitudes podem despertar ódio num ambiente tão passional como o futebol. Mas, diante da emoção despertada no treinador e da inocência do volante, são derrapadas aceitáveis.
Por que, então, a repercussão dos atos foi muito maior do que deveria? Busca da polêmica fácil? Matérias caça-cliques? O pretenso deslize da dupla diz muito mais sobre o jornalismo atual do que sobre futebol.
ROBERTO VIEIRA
Osvaldo Brandão estava no seu penúltimo capÃtulo de glória.
Campeão invicto do Paulista de 1972.
O ano do Sesquicentenário da Independência.
Waldomiro Silva era uma lenda tricolor.
O homem que resgatou a equipe nos anos 50.
E conquistou o Torneio Pernambuco Bahia quando ninguém mais sonhava possÃvel.
Brandão chegou em Recife.
E tascou a faixa no Ãcone coral.
Momento inesquecÃvel na história de nosso futebol.
CLAUDEMIR GOMES
CaÃram os dois últimos invictos do Campeonato Pernambucano: Sport e Salgueiro! Eis o ponto mais relevante da sexta rodada do hexagonal que apontará os semifinalistas da competição. O fato criou um novo cenário e abriu um leque de possibilidades para a classificação final desta fase, que definirá os confrontos que apontarão os dois clubes que brigarão pelo tÃtulo. Mesmo perdendo (1x0) para o Santa Cruz, no Estádio Cornélio de Barros, o Salgueiro segue isolado na liderança com 13 pontos, enquanto o Náutico, com a vitória (2x1) sobre o Sport, saltou da quarta para a segunda posição com 11 pontos ganhos. Santa Cruz e Sport estão com o mesmo número de pontos ganhos: 9.
No futebol de resultados a invencibilidade funciona como um rótulo que mascara o conteúdo. No sábado, em conversa com o mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, lhe revelava meu sentimento em relação ao jogo do Santa Cruz com o Salgueiro, no Sertão. Apesar de um retrospecto altamente favorável ao Carcará, comentei sobre um possÃvel relaxamento do lÃder, fato que poderia proporcionar uma vitória ao Tricolor do Arruda. Não tenho vocação para ser vidente, mas o fato ocorreu. O Salgueiro só acordou quando levou o gol. Aliás, o técnico Evandro Guimarães aproveitou a parada técnica que ocorreu no primeiro tempo, fez uma correção no posicionamento da equipe e o time da casa passou a ter o jogo na mão. O que lhe faltou foi competência na última bola. Por outro lado, o Santa Cruz foi de uma eficiência elogiável ao adotar um posicionamento defensivo durante todo o segundo tempo.
A vitória do Tricolor vai além dos três pontos conquistados. O grupo superou o fato novo ocorrido no meio da semana que foi a quebra de uma invencibilidade de nove jogos. A derrota foi para o próprio Salgueiro, no Arruda, e levou a torcida coral a pensar que o mundo havia desmoronado. Um time que parecia voar em céu de brigadeiro, de repente, entra numa turbulência assustadora. Coisa de futebol de resultado. Vencer o Salgueiro no Sertão devolveu a calmaria ao técnico VinÃcius Eutrópio, que agora direciona sua atenção para a Copa do Nordeste, onde o Santa Cruz tem um clássico, próximo domingo, com o Náutico.
O jogo deixou evidente que o lÃder Salgueiro tem suas limitações. A idade começa a pesar para o esforçado Marcos Tamandaré, uma das referências do grupo. Ontem, o Santa Cruz explorou bem a porteira aberta que o lateral deixava sempre que subia. Uma porteira onde passava um boi e passava uma boiada.