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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
O último ato do drama - Brasileiro Série B 2024 - acontece no próximo domingo com quatro torcidas - Sport, Novorizontino, Ceará e Mirassol - vivenciando fortes emoções, fato que as deixam sob risco de um ataque de nervos. O Santos, já classificado para disputar a Série A em 2025, com a chancela de campeão, irá a campo enfrentar o rubro-negro pernambucano num jogo que para ele representa o epÃlogo de uma jornada exitosa.
O turbilhão de emoções previsto para o próximo domingo tem levado muita gente a cometer equÃvocos em suas análises sobre esta edição da Série B. Emoção e competitividade se tem em todos os nÃveis: das peladas de várzea aos clássicos de Copa do Mundo. O diferencial entre as competições é o nÃvel técnico. Eis a razão pela qual primeiro é primeiro, e segundo é segundo, em qualquer lugar do mundo. O Brasileiro 2024 foi marcado por um nÃvel técnico baixÃssimo. A maioria dos jogos foi de doer na vista.
Foi doloroso testemunhar a aflição da torcida do Sport antes do jogo com a Ponte Preta, confronto que findou com a goleada dos leoninos por 4x0. Quem tem conhecimento da desidratação dos clubes de Campinas/SP - Ponte Preta e Guarani - sabia que a "travessia" do Sport sobre uma ponte em ruÃnas não seria uma tarefa assustadora. Vale lembrar que, nos anos 80 do século passado, os dois clubes de Campinas estavam sempre nas agendas dos treinadores quando iam convocar jogadores para a Seleção Brasileira. Hoje, são caricatos em comparação ao passado glorioso.
Sport, Novorizontino, Ceará e Mirassol jogam por um único resultado: a vitória. Não existirá confronto direto entre os quatro times que pleiteiam uma das três vagas a serem preenchidas. Um detalhe que pode facilitar a missão de cada um. Se todos vencerem seus respectivos jogos, o Sport sobra por conta do critério de desempate: número de vitórias. O Ceará tem uma a mais.
O drama dos rubro-negros pernambucanos é justamente este: Sport e Ceará podem encerrar suas participações na competição com o mesmo número de pontos, mas quem sobe é o Vovô cearense. Já tem narrador com a frase pronta para o fechamento da jornada:
"O Sport não subiu por conta de um cabelinho de sapo!". Seria cômico, caso não fosse tão trágico para o clube apontado como um dos favoritos ao acesso, numa edição, cujo nÃvel técnico foi dos mais baixos da história da Série B.
Vou pegar uma carona na antológica frase do rubro-negro Costinha e afirmar que: "Classificar é o céu". Sendo assim, os clubes que assegurarem o acesso não precisam justificar os motivos das comemorações. O que sobrar fatalmente se deterá aos últimos atos da "ópera".
Numa peça de 38 atos as análises devem ser sobre o conjunto da obra.
CLAUDEMIR GOMES
O tÃtulo acima - Ao mestre com carinho - é de um filme lançado em 1967, com a assinatura do diretor, James Clavell, tendo como protagonista o extraordinário Sidney Poitier. Mais que um simples tÃtulo de filme, sempre interpretei a "chamada" como uma advertência ao que sempre deveria acontecer: oferecermos carinho e gentileza aos nossos mestres como forma de gratidão.
Hoje, dia 10 de novembro, estamos comemorando o aniversário do jornalista Lenivaldo Aragão, que faço questão de lhe tratar carinhosamente de mestre Leni. Reconheço que as vezes ele fica encabulado, e para disfarçar, brinca repetindo uma frase que carrega pronta: "Minha parte dos elogios quero em dinheiro".
Costumo dizer que fui um privilegiado. Quando cheguei para me incorporar a equipe de esportes do Diário de Pernambuco, em 1975, o editor era o jornalista Adonias de Moura, um dos maiores cronistas esportivos do PaÃs. No seu time, só craques: Lenivaldo Aragão, Silvio Oliveira, Júlio José, Valdi Coutinho, Amaury Veloso e Robson Sampaio.
Adonias se comportava como se fosse o paizão de todos eles. Ninguém se atrevia a dizer nada sobre os "meninos de Adonias". O velho Bubu nos dava essa segurança. Mas eu cheguei justamente para ocupar a vaga daquele que escalei como meu grande mestre: Lenivaldo Aragão. Leni estava se transferindo para a revista Placar.
A mudança de endereço em nada alterou a empatia existente entre nós. Digamos que impossibilitou uns encontros na Portuguesa, no Piquenique, no Dom Pedro ou no Savoy, mesmo assim tomamos bons tragos pela vida afora. Quando ele começava a cantarolar os frevos de Capiba, Nelson Ferreira, Antônio Maria, o Hino do Cisne Branco, e tantos outros, sabÃamos que a alegria do mestre estava em alta.
Tive o prazer de participar de uma homenagem que o comandante do Navio Escola Cisne Branco fez pra ele, uma recepção informal, mas de um significado tamanho para quem, na juventude, sonhou em ser marinheiro e conhecer o mundo através dos mares. Um momento de emoção para Lenivaldo durante uma das edições da Refeno, em Fernando de Noronha.
O mestre Leni, sem dizer nada, apenas como referência, me ensinou a pôr vários pontos nos Is. Me deu a oportunidade de escreve para a Revista Placar, me chamou para ser sócio e lançar o semanário Tablóide; me convidou para escrever na revista Campeão...
Gratidão sempre mestre Leni!
Todas as louvações que forem feitas a você são justas e merecidas. Ãs um ponto fora da curva. Nossa lenda, nossa enciclopédia, sabes mais que o google. Isso eu garanto.
Eita! Se os elogios forem transformados em dinheiro valerão uma grana. Risos!
Abraço fraterno neste dia tão especial para os seus amigos.
De uma coisa você pode ter certeza: você será sempre minha referência maior como cronista esportivo.
Um brinde ao maestro do Cisne Branco!
CLAUDEMIR GOMES
No fechamento da última rodada do Brasileiro da Série B, o narrador da Rádio Clube, Bartolomeu Fernando, bradou: "Agora vamos ver quem tem garrafa pra vender". Sua analogia fazia referência a briga pelo acesso, que a três jogos do final do campeonato ficou restrita a cinco clubes: Santos, Novohorizontino, Mirassol, Sport e Ceará.
Obviamente as três equipes paulistas levam vantagem por somarem maior número de pontos. A última vaga, teoricamente, será a resultante do vencedor da "briga" entre os nordestinos Sport e Ceará.
ImpossÃvel mensurar o aumento do número de promessas feitas a Nossa Senhora da Conceição e ao Padre CÃcero Romão. Mas o Papa Francisco, na sua mais recente homilia, mandou um recado: "Deixem os santos em paz. Eles estrão fora dessa briga".
E no cenário onde existe mais medos do que esperanças, surgem as "verdades" de cada um, que nem sempre condiz com a verdade dos fatos.
O torcedor do Sport anda vendo chifre em cabeça de cavalo e arrancando cabelo em ovo de galinha.
"Esse narrador da Globo é do Ceará e fica secando o Sport o tempo todo", diz exaltado o amigo leonino em mensagem do whatsapp. Em seguida recebo nova mensagem de um outro torcedor rubro-negro: "Não gosto desse goleiro: ele falha em bolas fáceis e é um chamariz de gol". Antes de a partida com o Operário ser concluÃda, o telefone toca. Do outro lado, com indisfarçável irritação, mas com voz firme e pausada, o desabafo de mais um torcedor do Sport: "O time é fraco. O presidente faz uma boa gestão, entretanto, os diretores do futebol são inocentes".
O clima da noite ficou pesado. Ã como se estivesse vendo MaÃsa Matarazzo cantar: "Meu mundo caiu".
De Palmares, recebo a ligação de Bebel Miranda, que acabara de ver o jogo em companhia dos "Leões da Mata", e não segurava sua aflição: "Tio! Será que vai?".
O taxista Val, tricolor confesso, passa o tempo todo secando o Leão, abriu um sorriso, deu um trago no seu inseparável cigarro, e sentenciou: "O Sport não sobe!".
"Deixa quieto!", rebateu o mestre Humberto Araújo, como se quisesse avisar que o sofrimento faz parte da liturgia de todas as conquistas do Sport. Araújo, assim como todo torcedor do Sport, está aflito. Sempre que isso acontece, opta por ver o jogo no seu bar - O PURGATÃRIO - degustando uma Pitú Golden com alguma fruta da época.
Dentre os times que brigam pelo acesso, o Sport foi o único que não venceu na última rodada. Aliás, o rubro-negro é o único que acumulou duas derrotas nas últimas apresentações. Todos os outros candidatos a dar um salto para a Série A contabilizaram vitórias.
A tribo vermelha e preta está em polvorosa. Vale um trago na cannabis.
"Quem tem garrafa pra vender?"
Para com isso cidadão!
Chegou a hora da onça beber água.
CLAUDEMIR GOMES
O Planeta Bola viveu nesta segunda-feira a expectativa do anúncio dos vencedores da Bola de Ouro de 2024, maior, mais expressivo e mais cobiçado prêmio do futebol internacional. O brasileiro VinÃcius Jr. era o favorito para conquistar o troféu, que foi entregue ao espanhol Rodri, jogador do Manchester City e da Seleção da Espanha.
As qualidades do vencedor são inquestionáveis, assim como, está fora de discussão a melhor temporada do brasileiro. Não vi nenhuma explicação plausÃvel que justificasse a não indicação de Vini Jr. como o melhor do mundo, no momento. Sabemos que ele, e qualquer outro jogador, jamais será unanimidade, mas negar este prêmio ao atacante do Real Madrid chega a ser uma agressão.
O clima da cerimônia no Théâtre du Châtelet, em Paris, traduziu bem a não aceitação da equivocada premiação, que foi marcada pela total e irrestrita ausência de representantes do Real Madrid, mesmo com o clube espanhol, e alguns dos seus profissionais, tendo sido agraciados com outras premiações.
Em diálogo Ãntimo e pessoal, cá com meus botões, pus para fora um monte de interrogações:
Será que ainda estamos no século passado, quando o futebol foi trazido para o Brasil e os negros não podiam jogar?
Será que Nelson da Conceição, Leônidas, Pelé... não jogaram o suficiente para soltar todas as correntes de preconceitos?
Será que, por ser negro, Vini Jr. não pode dançar, não pode expor a alegria reservada aos bailarinos da bola?
Será que a Lei do Silêncio que imperava na senzala foi adotada no futebol mundial?
Desculpem! A injustiça que fizeram com o Vini Jr. me deixou confuso.
Vou ouvir o Chico Buarque: "Pai, afaste de mim este cálice".
CLAUDEMIR GOMES
"Nada substitui o talento!".
A frase antológica do mestre Paulo Jardel nunca esteve tão em voga quanto nessa semana, quando fomos brindados com jogos que entraram para a história de duas das mais destacadas competições interclubes de futebol do planeta: Champions League e Libertadores da América. Detalhe: nos quatro jogos de maior visibilidade, placares surpreendentes e o talento do jogador brasileiro funcionando como ponto de desequilÃbrio.
Ficou provado, mais uma vez, que o Brasil segue sendo o maior produtor de insumo do futebol mundial. Nos nossos campos, embora os jardineiros (leia-se gestores) sejam de péssima qualidade, são colhidos os frutos que fazem a diferença em qualquer banquete servido pelo futebol.
Na tarde da terça-feira as atenções de todos se voltaram para a disputa da terceira rodada da atual edição da Champions League. O destaque ficava por conta do confronto do Real Madri com o Borussia Dortmund. A partida foi disputada no Santiago Bernabéu, casa do time madrileno, fato que aumentava o favoritismo dos anfitriões. Mas os alemães começaram surpreendendo ao construir um placar de 2x0 no primeiro tempo.
Entretanto, o Real Madri tem, na sua constelação, um craque que não desiste dos seus objetivos: Vini Jr. O brasileiro que se consolidou, com uma atuação soberba nos 45 minutos finais da partida, como o grande favorito para receber o prêmio de Melhor do Mundo da FIFA, em eleição a ser realizada na próxima segunda-feira, só não fez chover no estádio espanhol, capitaneando a vitória e virada história de 5x2, sendo o autor de dois gols. Um momento digno do novo rei do futebol.
Horas depois do show de Vini Jr. na Champions, do lado de cá do Atlântico, na Minas Gerais, o irreverente Deyverson, com sua cabeleira nevada, comandou a vitória do Atlético Mineiro (3x0) sobre o River Plate da Argentina, em jogo válido pelas semifinais da Libertadores.
A farra da quarta-feira começou com a queda de braço entre Barcelona e Bayern de Munique. Jogando em casa, o time catalão contou com a leveza e velocidade do atacante brasileiro, Rafinha, autor de três gols na história goleada de 4x1 sobre a respeitável equipe alemã.
As arruaças promovidas por uma facção da torcida do uruguaio Peñarol, nas ruas do Rio de Janeiro, transformaram o jogo com o Botafogo, no Estádio OlÃmpico Nilton Santos, válido pelas semifinais da Libertadores, num confronto de risco. Nos primeiros 20 minutos da partida, ficou difÃcil diferenciar o jogo de futebol com os embates de MMA, tal a disposição e provocação dos visitantes.
O Botafogo demorou a encontrar uma saÃda, e o caminho para uma goleada histórica (5x0) construÃda no segundo tempo, veio do talento do atacante Luiz Henrique.
O futebol não tem mistério. O coletivo tem que ser a prioridade, pois somente assim o conjunto se fortalece, mas o que faz a diferença é o talento individual. Aos maestros compete o desafio de encontrar a forma de melhor explorar os talentos que têm em mãos.
Simples assim.