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Hora de Mudanças
postado em 17 de dezembro de 2024

CLAUDEMIR GOMES

 

A torcida rubro-negra tinha certeza da vitória de Yuri Romão nas eleições presidenciais do Sport. Só não sabia o placar: 1770 votos contra 317 votos dados ao opositor Rafael Arruda. O percentual de 82,6% dos votos válidos, é o aval que o presidente buscava para encarar o seu terceiro mandato consecutivo a frente do executivo de um dos maiores clubes do Nordeste.

No futebol existe uma máxima que nasceu nos vestiários vitoriosos: "Em time que está ganhando não se mexe". Entretanto, desde que o esporte mais popular do planeta se tornou um dos negócios mais rentáveis do mundo, apareceu um contraponto: "Se for para melhorar, evoluir, as mexidas são bem vindas".

Os números da eleição são imperativos como aprovação ao trabalho desenvolvido pelo presidente ao longo dos últimos quatro anos. E ninguém melhor que ele para ter o entendimento de que, o Sport precisa dar um salto qualitativo maior para seguir no pelotão dos grandes clubes brasileiros. A julgar pelo número de sócios aptos a votar - 13.535 - fica evidenciada a necessidade de desenvolver um trabalho para triplicar ou quadruplicar tal marca.

A palavra de ordem nos grandes clubes de Pernambuco é profissionalização. Não tem como negar que passamos anos luz discutindo o sexo dos anjos vendo a banda passar. Resultado: montados em carroças, nossos clubes sofrem horrores para acompanhar os passos dos que já estão a postos em carros elétricos.

E todos passaram a falar em SAF sem ter um conhecimento profundo sobre os tipos de gestões que deram certos em alguns países da Europa, e em outros não. Tudo é mantido em segredo, guardado a sete chaves protegido pelo argumento de "Acordo de Confidencialidade".

Sabemos que o mundo é movido por mudanças. Elas acontecem permanentemente em todos os setores. No futebol não poderia ser diferente. Entendemos que é um grande desafio entrar em sintonia com o novo tempo, principalmente quando é notória e cultural a reação, contrária ao novo, existente no seio de cada agremiação.

O fator emoção sempre alimenta aquela turma que é a favor do contra. Mas vale lembrar que, em se tratando de profissionalismo, a vitória da emoção é o fracasso do bom senso, ou a derrota da lucidez.

Yuri Romão passou quatro anos azeitando a máquina leonina. Agora, com o Sport na Série A, vitrine de grande visibilidade para o clube, projeta o pulo do gato, ou melhor, o salto do leão: ampliação e modernização do Estádio Adelmar da Costa Carvalho e implantação da SAF.

Os primeiros passos da profissionalização no futebol pernambucano foram dados na década de 70, no século passado, quando o Sport importou, do Rio de Janeiro, o supervisor Edgar Campos, profissional de alto gabarito que fez escola no Recife.

A "febre" do clube empresa não passou de uma boataria no nosso Estado, não afetou o trio de ferro do Recife: Sport, Náutico e Santa Cruz.

Que venha a SAF!

 

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Artigos
Privatização do Geraldão
postado em 13 de dezembro de 2024

CLAUDEMIR GOMES

 

Sábado passado - 07/12/2024 - li no Blog Dantas Barreto, que a Prefeitura do Recife estaria abrindo processo licitatório para a privatização do Ginásio de Esportes Geraldo Magalhães (Geraldão). Confesso que, de imediato incorporei a notícia ao poema - O dia da criação - de Vinícius de Moraes:

"Porque hoje é sábado...".

Não me considero saudosista, pelo contrário, sigo o pensamento do grande filósofo Heráclito de Éfeso: "Nada é permanente exceto a mudança". Mas para quem assistiu a pomposa inauguração do ginásio multiuso, no final de 1970, com a Taça Jules Rimet, recém conquistada para sempre pelos craques do futebol brasileiro servindo de atração, embarca numa viagem de grandes lembranças.

O equipamento foi, durante muitos anos, o destino dos grandes espetáculos esportivos, culturais e religiosos realizados na Capital Pernambucano. Colocou o Nordeste na rota das grandes produções nacionais e internacionais. O que de melhor havia pelo mundo afora era trazido para se apresentar no Geraldão. Em recente livro, o jornalista Beto Lago conta, e ilustra com um espetacular acervo fotográfico, a história do ginásio que já fez o Recife pulsar.

Mas as mudanças são constantes. Com mais de meio século de existência, o Geraldão começou a sofrer concorrências: sinais dos tempos. Equipamentos como o Centro de Convenções de Pernambuco; Classic Hall... Aliado ao surgimento de novas alternativas para promoção de grandes espetáculos, temos de considerar as mudanças de hábitos e comportamentos.

Reformas foram feitas no sentido de colocar o "gigante" em sintonia com o novo tempo. O equipamento ficou fechado por mais de sete anos, numa prova inconteste das dificuldades encontrada pela Prefeitura do Recife de administrá-lo.

Exceto como cabide de emprego, o Ginásio de Esportes Geraldo Magalhães perdeu o seu encanto. O alto custo de manutenção de um equipamento que atualmente abriga raros espetáculos colocou em xeque as últimas gestões.

O repasse para a iniciativa privada, com previsão de investimentos na ordem de R$ 228 milhões, num período de 35 anos é a saída encontrada pela Prefeitura do Recife, que de forma honesta e transparente, reconhece sua incapacidade de gerir equipamento tão específico.

Dentro da sugestão de repasse, a Prefeitura do Recife ficaria com direito ao uso das quadras externas e piscinas, dando sequência ao trabalho das escolinhas existentes, assim como, ao uso da quadra interna por uma quantidade de dias a cada ano. Mas isso são detalhes a serem discutidos.

A privatização do Geraldão vem sendo anunciada desde o ano passado. A primeira proposta - março de 2023 - dava conta de um contrato de 20 anos de duração com previsão de R$ 175 milhões de investimentos. Em abril de 2024 foi publicada a notícia onde o contrato teria uma duração de 35 anos com investimentos na ordem de R$ 312 milhões. Por último, em matéria vinculada no Diário Oficial, o contrato terá uma duração de 35 anos com investimentos na ordem de R$ 228 milhões.

O Geradão cumpriu bem sua missão. Com um passado memorável, reconhecemos que é inviável o equipamento seguir sendo administrado pela iniciativa pública.

É torcer para que o palco de tantas manifestações multirreligiosas encontre o caminho da salvação.

Mudanças são necessárias e inevitáveis! Isto é fato.

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Brasileiro Série A
O brilho da Estrela Solitária
postado em 08 de dezembro de 2024

CLAUDEMIR GOMES

 

Botafogo campeão!

Estava escrito na estrela solitária. Os números da campanha do alvinegro carioca atestam o que todos haviam previsto: 38 jogos; 23 vitórias; 10 empates; 5 derrotas e um saldo de 30 gols. O novo campeão brasileiro teve um aproveitamento de 69%. Portanto, nada a contestar.

Vai vencer o melhor! Profetizou o mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, durante um bate papo que tivemos pela manhã. Lhe falei sobre uma "teoria da conspiração" que rolava nas redes sociais dando conta de que o São Paulo faria corpo mole para evitar o título do arquirrival Palmeiras. Azevedo descartou tal possibilidade, mas após analisar os fatos me enviou uma mensagem dizendo:

"O São Paulo vai jogar normalmente, entretanto, ao mandar a campo um time misto deixou a porta aberta", enfatizou para em seguida enaltecer a campanha superlativa do Botafogo.

Numa competição de pontos corridos, com trinta e oito rodadas, o campeão vir a ser conhecido somente na última partida é pouco provável, fato que enaltece a conquista do título que a torcida aguardava por 29 anos. Para tornar o enredo mais dramático, o gol da vitória aconteceu no minuto final. Gregore foi o herói improvável, ele que foi protagonista de uma lambança histórica, na decisão do título da Libertadores, o que lhe custou uma expulsão no primeiro minuto da partida.

E o herói será sempre lembrado como "o homem do primeiro e do último minuto". O que dá pra rir, dá pra chorar, principalmente no futebol onde nenhuma verdade chega a ser absoluta. Coisa de um movimento constante, onde tudo muda o tempo todo.

Mas este título do Botafogo parecia real desde o início. Os deuses do futebol resolveram abençoar o futebol arte. O time que durante todo o campeonato mostrou a verdadeira essência do futebol brasileiro. Essência essa que fora derramada, em outras épocas, por um batalhão de craques tão bem representado por Luiz Henrique, que recebeu o prêmio de melhor jogador da competição.

Na prática, o título foi assegurado na 36ª rodada, com a vitória - 3x1 - sobre o Palmeiras, na casa do adversário. Vitória com assinatura de campeão. O que estava por vir era apenas manutenção de uma supremacia que consolidaria a conquista. Foi isso que testemunhamos nas vitórias sobre o Internacional (1x0) e sobre o São Paulo (2x1).

A três partidas do final do campeonato, Botafogo e Palmeiras estavam com a mesma soma de pontos. O time carioca contabilizou 3 vitórias e somou 9 pontos no cumprimento da sua agenda de jogos. Por outro lado, o Palmeiras somou apenas 3 pontos, produto de uma vitória obtida em 3 partidas. Contra números não existem argumentos.

O choro do técnico Artur Jorge se confundiu com o do torcedor na arquibancada do Estádio Nilton Santos. No centro do campo, os jogadores se abraçavam embalados por gritos roucos que traduziam as inúmeras histórias de superação que emolduram a conquista do novo campeão brasileiro. E todos os fantasmas foram exorcizados.

"Vencer é o céu!".

De braços abertos o Cristo Redentor contempla o BRILHO DA ESTRELA SOLITÁRIA.

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Sport
Yuri Romão em julgamento
postado em 03 de dezembro de 2024

CLAUDEMIR GOMES

 

Não existe nada mais utópico do que união em clube de futebol. Isto é fato. O viés da emoção leva o homem a confundir valores e cometer os pecados da inveja, e da cobiça. Vale tudo para se chamar o clube de MEU. Até a insensatez. Eis a razão pela qual todo sucesso é comemorado com a frase: "Este clube unido jamais será vencido". Frase universal que se perde como pluma ao vento.

As eleições do Sport batem a porta. Na próxima sexta-feira - 06/12/2024 - termina o prazo para as inscrições e anúncio oficial das chapas que irão concorrer ao pleito. Acredita-se que a disputa será emoldurada por três candidatos, mas o boato na praça sugere um nome de consenso. Como se trata de boato, a cautela é sempre importante para evitar escorregões nas fake News.

O grande protagonista desta eleição no Clube Rubro-negro da Ilha do Retiro é o presidente Yuri Romão. Há poucos dias foi festejado como herói por ter recolocado o clube na elite do futebol brasileiro: "Palmas para Yuri!". Tão logo o som da sirene deixou de ecoar anunciando o feito que mudou o rumo da história do Sport, o presidente externou seu desejo de seguir no cargo, fato que lhe leva a enfrentar uma segunda reeleição, que na maioria dos entendedores, fere os estatutos do clube. Sendo assim: "Joguem bosta no Yuri!".

Como todo presidente de clube de massa, Yuri é forte como vencedor, mas se torna frágil e vulnerável quando pensa em se perpetuar no cargo e chamar o clube de "MEU".

Até a década de 80, do século passado, o presidente do Sport era indicado por um grupo de conselheiros apelidados de "Cardeais". Coube ao ex-presidente Homero Lacerda por um ponto final nessa ditadura. Com o apoio da torcida ele se insurgiu contra o modelo em voga na época e venceu a eleição.

Os tempos mudaram, e assim como o mundo, os clubes de futebol também giram com as mudanças. O ex-presidente leonino, Severino Otávio - Branquinho - sempre questionou o rótulo de "liderança" que se costumava colocar em todos que ocupavam a presidência executiva do clube rubro-negro. "A liderança pertence ao presidente em exercício que faz uma administração exitosa", ressalta Branquinho.

Yuri Romão amorteceu uma dívida milionária que herdou no Sport; recuperou o patrimônio; recolocou o clube na Série A do Brasileiro; tem um projeto de reforma e ampliação do Estádio Adelmar da Costa Carvalho definido e está com propostas em estudo, para implantação de uma SAF. Enfim, seu olhar como gestor e executivo é imperativo e merece crédito.

Unanimidade onde está envolvida uma louca paixão por um clube de futebol é surreal.

O Yuri é de causar inveja!

"Vamos tirá-lo da presidência!" Grita um conselheiro movido pela cobiça e inveja, com a postura dos velhos senadores romanos.

"A Yuri o que é de Yuri!" Rebate o líder do presidente no Conselho.

E completa:

"Lembrem-se! Não basta aplaudir o presidente, tem que votar no presidente".

Vamos a eleição. Até o dia 16 tudo pode acontecer na Ilha do Retiro. Afinal, o rubro-negro adora uma confusão, principalmente quando o assunto é eleição.

   

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Sport
PASSARÁS!
postado em 25 de novembro de 2024

CLAUDEMIR GOMES

 

"O Sport tem um por cento de chance de acesso e noventa e nove por cento de esperança".

Desconheço o autor da frase que ouvi durante um almoço com os rubro-negros, Severino Otário (ex-presidente do Sport); Ricardo Brito e Humberto Araújo, na última quinta-feira. A advertência aos incrédulos soava como uma convocação àqueles que nunca perderam a esperança. Afinal, "sonho que se sonha junto se torna realidade". E a força do pensamento coletivo foi a chancela do passarás numa combinação de resultados que poderia resultar no tudo, ou no nada.

A caminho da Ilha do Retiro, o sertanejo Bernardino Magalhães, fiel as suas crenças, sentencia com a confiança que lhe fora repassada pelo "jogo" aberto na mesa da casa da "Madrinha": "O Sport classifica!". Mais um sinal de que a força do pensamento seria o grande instrumento do "passarás".

Sobreviver a combinação de resultados é um dos maiores desafios do futebol. Afinal, o sucesso não depende apenas do jogo jogado dentro das quatro linhas. Uma série de fatores conspira a favor, ou contra. E nos bastidores, onde nada se ver, tudo pode acontecer. Só não pode fazer churrasco com bois e cabritos que são sacrificados para assegurar o passarás. Em tempos de Bets o misticismo segue vivo nos corredores por onde desfilam os "gladiadores".

Quatro torcidas esperançosas; quatro clubes com chances de acesso, mas apenas um com noventa e nove por cento de esperança: o Sport. Motivo: era o único dos esquadrões que iria a campo escudado no talento do jogador mais virtuoso da competição: Lucas Lima. E o time da Ilha do Retiro não mediu esforços para bancar sua presença em campo. Afinal, no "Jogo da Esperança", quem tem um ponto de desequilíbrio tem o máximo.

Isso mesmo! Lucas Lima quando entrou em campo foi saudado como os romanos saudavam Maximus, o maior dos gladiadores. E ele capitou a mensagem. Jogou o máximo do seu futebol. Fez acontecer e colocou seu nome na história de um dos maiores clubes do Nordeste brasileiro. Marcou dois gols, e só não anotou um "hat-trick" porque, equivocadamente, abriu mão de bater um pênalti que ficou sob a responsabilidade de Barletta, e o goleiro do Santos, Gabriel Brazão, defendeu.

Mas com o placar de 2x1 a favor, o passarás se concretizava para o Sport. O encantamento tomou conta da torcida rubro-negra que fez um carnaval particular na sede do clube, seguindo a liturgia das grandes conquistas. O Carnaval da Esperança fez surgir na chaminé da Ilha do Retiro uma fumaça branca, prenuncio de dias melhores.

Sabemos que, em clube de futebol a paz, total e irrestrita, nunca reinará por conta do componente emoção, mas uma conquista acalma os ânimos. Antes de assegurar sua passagem para a elite do futebol brasileiro, o Sport caminha sobre uma linha tênue que separava o céu do inferno. Se sobe: palmas para o presidente Yuri Romão. Se não conseguisse o acesso: joguem bosta no Yuri!

O presidente dormiu o sono dos justos.

O sol brilha intensamente na manhã recifense onde um barulho ensurdecedor toma conta da cidade com a indagação:

"O SPORT SUBIU FOI?"

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