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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
Os matemáticos de plantão estão se descabelando com o andamento da Série B. O equilÃbrio verificado nas 12 primeiras rodadas torna inviável a antecipação de prognósticos, dificulta estudos sobre probabilidades e abre possibilidades para criação de cenários que pareciam pouco provável. O fato reforça a tese defendida por vários treinadores de que esta é a competição "mais difÃcil", por conta da presença constante do improvável.
A vitória (3x0) do Santa Cruz sobre o Brasil de Pelotas lhe rendeu um salto de cinco casas na tabela de classificação. Efeito contrário, na mesma proporção, pode acontecer na rodada desta terça=feira, caso o Tricolor do Arruda amargue uma derrota para a Luverdense, e tenha contra si uma combinação de resultados. Com o sobe e desce de uma ciranda maluca, a regularidade passou a ser a imprescindÃvel para os clubes alcançarem suas metas. Evidente que, a realidade a que nos referimos é a de um terço dos jogos, ou seja, é o cenário criado após a disputa de doze partidas. Entretanto, a tendência é de que não tenhamos nenhuma mudança radical, embora tenhamos que respeitar a iminência do improvável.
Se por um lado o Santa Cruz precisa de uma vitoria para se aproximar mais do grupo de acesso, o Náutico, que na 12ª rodada contabilizou sua primeira vitoria, precisa dar sustentação ao crescimento com uma sequência de novos triunfos. O alvirrubro pernambucano é um caso atÃpico entre os 20 clubes participantes da Série B. Foi a única equipe que deixou criar uma distância considerável entre os outros competidores. O foco, no momento, é a diminuição de tal passivo, único caminho que lhe levará a se livrar do rebaixamento.
Os efeitos da contabilidade de vitórias, são distintos para Santa Cruz e Náutico. Se para os tricolores ele aparece, de imediato, na tabela de classificação, para os alvirrubros a impressão inicial é a de que nada está acontecendo. Mas neste caso especÃfico é preciso observar o quanto a distância para a saÃda do Z4 esta sendo encurtada.
CLAUDEMIR GOMES
A mudança de hábito é uma coisa constante e permanente na sociedade. Algumas são frutos de uma decisão pessoal, de cada cidadão, na busca de uma melhor qualidade de vida. Outras, são impostas por decisões alheias a nossa vontade, fato que as tornam até dolorosas, mas acontecem. O maior exemplo é a definição dos dias, e horários dos jogos no futebol brasileiro. Evidente que não reivindicamos que fosse mantido um hábito que era regra há 50 anos: almoço em famÃlia aos domingos, na casa dos pais, pontualmente as 12h, porque a tarde era reservada para o futebol. As mudanças de hábito estão atreladas à s revoluções e evoluções que deram um novo norte a história da humanidade. A dinâmica de vida dos cidadãos mudou de forma radical após as revoluções industrial e tecnológica. O mundo mudou, e as mudanças de hábito acontecem mais por imposição do mercado de consumo, do que por decisão individual do cidadão.
Ontem (05/07/17), antes do programa de debate = Bate Bola = que vai ao ar, de segunda a sexta=feira, das 13h à s 14h, na Rádio Clube (720AM), conversava com o jornalista, José Gustavo, âncora do programa, e ele revelou que se surpreendeu ao estranhar o fato de, numa quarta=feira não ter nenhum clube pernambucano em ação. Ao longo do tempo, os domingos e as quartas=feiras eram dias reservados para o futebol. Parecia até agenda oficial. De repente o futebol passa a ocupar o top 5 dos maiores negócios do mundo. A busca por mais espaço era imperativa para atender a demanda de investidores de um produto tão cobiçado. E todos os dias passaram a ser dia de futebol: segunda, terça, quarta, quinta, sexta, sábado e domingo. Quanto ao horário, pode ser pela manhã, a tarde, ou a noite. Afinal, o ano segue com 12 meses, 52 semanas, 365 dias e 8760 horas. Isto é imutável. A saÃda não poderia ser outra senão mudar os hábitos do torcedor. Uma proposta viável quando se tem como aliada a maior empresa de comunicação do paÃs. A tarefa se torna mais fácil por sabermos que o percentual de alienados na população brasileira é bastante significativo.
No próximo domingo, o torcedor que mora no Recife não terá nenhuma opção para ir ao estádio de futebol. Como diria a saudosa Elis Regina, "nem matinê no cinema OlÃmpia". Sinais dos tempos. Afinal, quem teve oferta de jogos na terça, na quinta, na sexta=feira, e terá na próxima segunda=feira, não precisa de futebol no domingo. Este o sentimento dos homens de negócios que estão transformando as regiões Norte e Nordeste em reserva de mercado para os clubes do Sul e Sudeste. O êxodo dos torcedores dos estádios é o resultado de uma mudança de hábito. Ao receber em casa, um produto de melhor qualidade a um custo zero, o torcedor vai aos poucos se afeiçoando a novas camisas e novas bandeiras.
O mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, defende a tese de que, a médio prazo, Flamengo e Corinthians, as maiores grifes do futebol brasileiro, donos das maiores torcidas, por conta dos recursos que recebem, bem mais expressivos que os repassados aos outros grandes clubes, se tornarão forças desproporcionais como acontece com Barcelona e Real Madrid no futebol espanhol. Este será o marco de um trabalho bem elaborado e que vem sendo desenvolvido e ajustado com o propósito de mudar os hábitos do torcedor brasileiro.
Automatizar um hábito parece simples como a prática do futebol, mas exige grandes atitudes.
JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com
O jornal Folha de São Paulo em seu caderno esportivo publicou uma entrevista com Mário Celso Petraglia, ex=presidente do Atlético/PR, e atual presidente do seu Conselho Deliberativo, em que foi analisado o futebol brasileiro em todos os seus setores, e com uma dura afirmação de que esse esporte está um "lixo".
De imediato nos lembramos dos nossos artigos sobre esse tema, quando há muito tempo temos considerado que o esporte da chuteira está no aterro sanitário.
Por conta disso, numa participação que tivemos em um programa esportivo, fomos ameaçados de morte por dizer a verdade. Algo que foi além do grotesco.
Petraglia tem razão, desde que é de uma geração que teve a alegria de acompanhar os melhores momentos do futebol brasileiro, bem diferente do atual, que na verdade está nivelado por baixo, com jogos da pior qualidade, e raros atletas que podem ser destacados.
Na entrevista o cartola levantou um tema que sempre defendemos, o da criação de uma Liga, afirmando que o problema é que não existe união entre os dirigentes do futebol brasileiro, que só levam para as reuniões seu próprio interesse e a rivalidade.
Aproveitando a entrevista voltamos a um assunto que sem dúvida é importante para o futebol do Brasil, o da implantação da Primeira e Segunda Ligas Nacionais. Continuamos marchando na contramão da história, mesmo contando com os exemplos da Europa e dos Estados Unidos.
O único empecilho seria o seu comando, desde que a cartolagem com raras exceções, é um produto da pior safra dos últimos anos, mas o risco tem que ser assumido, e urge, para o nosso futebol a mudança de um sistema podre, corrompido e sem direção.
Se continuarmos com o tipo de gestão emanada pelo Circo Brasileiro do Futebol (CBF), acompanhada pelas Federações estaduais não vislumbramos salvação, a não ser a de continuarmos com a decadência desse esporte, que está bem acentuada nos estádios ociosos e seus gramados.
Não é possÃvel que em todos os paÃses mais evoluÃdos do mundo, o sistema de Ligas deu certo, e no Brasil não poderia acontecer. Não entendemos que ainda existam pessoas que não perceberam da importância desse modelo para o crescimento do esporte no paÃs.
Como um sistema como o nosso pode ser defendido? Nem Freud poderia nos explicar.
Chegamos numa encruzilhada, e no melhor momento de definição, sobretudo por termos um órgão maior do nosso futebol que não tem a estrutura organizacional e moral para cuidar desse esporte.
Que o Circo continue a viver, com a sua seleção, e as divisões menores, como suas obrigações.
Uma Liga dirigida por profissionais, sem a politicagem atual, e com um Conselho Gestor com representantes dos clubes, seria o inÃcio de uma revolução tão desejada, que não suporta mais esse ciclo sob o domÃnio da Rede Globo, e necessita respirar um novo ar.
O futebol brasileiro foi para o lixo, e não precisamos de muitas provas para tal comprovação, desde que o momento atual caracteriza a falta de planejamento, a anarquia do segmento que tem demanda, em um paÃs com um PIB que apesar da cambada que estava no poder, e dessa que o assumiu, ainda é um dos maiores do mundo.
Com uma Liga iremos ingressar no mundo civilizado do futebol.
CLAUDEMIR GOMES
Enfim o Náutico estreou no Brasileiro da Série B! Claro que existe a pitada de ironia em tal citação. Mas o fato de o time alvirrubro ter conquistado sua primeira vitória na competição na décima=segunda rodada, me leva a tal sentimento. Digamos que é a forma de manter a esperança de que o Clube dos Aflitos se manterá na Segunda Divisão, pois o futebol apresentado na vitória por 1x0, sobre o também capenga ABC, não repassa nenhuma confiança. Vamos aguardar para ver se o resultado funcionará como um chute na "inhaca". Afinal, o torcedor alvirrubro estava há 85 dias sufocado com o grito preso na garganta. Enfim soltou: VEEENNNNCEU!
Quando o árbitro deu o jogo por encerrado foi possÃvel ver alguns jogadores ajoelhados, abraçados, agradecendo aos céus. Era como se o milagre processado tivesse vindo lá de cima. "A fé não costuma faiá", como bem diz o poeta Gilberto Gil. Mas andar com fé, simplesmente, não vai resolver todos os problemas que observamos dentro das quatro linhas. Sei que por conta desta vitória tem muitos torcedores fazendo conta. Calma! O desafio da sobrevivência continua o mesmo. A quebra do jejum foi importante, mas não assegura nada. O técnico Beto Campos ainda vai ter muito trabalho para ajustar o time que, daqui pra frente precisa ter um aproveitamento de 50% na competição. Resumindo: a regularidade é o desafio dos alvirrubros. Positiva, evidentemente, pois de forma negativa o time vinha sendo regular até demais.
Os próximos jogos do Timbu serão na Arena Pernambuco, com o Juventude, que briga pela liderança do campeonato com o Guarani, e com o Santa Cruz, confronto que cheiro de comida caseira, que deverá ser servida com muita pimenta por conta das metas a serem atingidas pelas duas equipes. Bom! A primeira vitória aconteceu e com ela diminui a pressão que estava fazendo com que os jogadores, dentro de campo, tropeçassem nas próprias pernas.
JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com
No Brasil até a guerra é avacalhada.
O maior esporte do brasileiro é o de avacalhar o que é de bom, e abraçar o que não presta. Isso em todos os segmentos, e mais ainda no futebol onde se adora tudo relacionado a esculhambação.
Depois de 52 dias de hiato finalmente tivemos a decisão de um estadual que um dia após não se discutiu quem foi o dono do tÃtulo, e sim o que fizeram com o Salgueiro que poderia ter sido o primeiro time do Interior a se sagrar campeão, não fosse a interferência do árbitro de vÃdeo amigo que substitui o apito amigo.
A participação da tecnologia no futebol é necessária e positiva, desde que tenha a devida condição de resolver lances duvidosos com relação as penalidades e gols.
Assistimos jogos do Campeonato Holandês e vimos como funciona o sistema em um paÃs desenvolvido e sobretudo sério.
Os responsáveis por esse são especialistas, que ficam em uma cabine confortável, e quando decidem a validade ou não de um lance, o vÃdeo é apresentado de imediato.
Na Copa das Confederações que está sendo realizada, o árbitro de vÃdeo tem funcionado de forma exemplar, sem reclamações. Tudo de forma transparente.
No futebol brasileiro a aplicação da tecnologia é feita de forma amadora, sem condições e com uma gravidade com as imagens de uma televisão aberta, quando deveria ser através de equipamentos próprios ou terceirizados.
O bom senso, se existe isso em nossos cartolas, é de que experiências não deveriam ser feitas em partidas oficiais, muito menos em uma decisão em um estádio que não estava preparado para tal, inclusive na iluminação.
Deu no que deu, e tiraram o tÃtulo de um clube que pelo que fez seria justo e sem controvérsias.
A anulação do gol do time do nosso Sertão Central sob a alegação de que a bola saiu foi a avacalhação do apito de vÃdeo, desde que as imagens que correm pelo paÃs afora mostram de forma bem clara que tal fato não aconteceu, e o árbitro quando marcou o gol o fez de forma legÃtima.
Não sabemos como o responsável pelo sistema conseguiu chegar a conclusão de que a bola tinha saÃdo. Foi sem dúvida a único e solitário entre milhões de brasileiros que assistiram no dia ontem as imagens nos cais de televisão e no Youtube, quando mostraram o seu erro.
Tivemos a oportunidade de conversar com um amigo que estava presente ao jogo, rubro=negro, e esse afirmou que Wilton ereira de Souza foi enganado pelo árbitro de vÃdeo amigo, e que a bola não tinha saÃdo da linha que demarca o campo de jogo.
Por outro lado o comentarista de arbitragem da Globo, Wilson Souza, confirmou a validade do gol, e deixou bem claro o erro do apitador, que em algumas vezes também é amigo.
Através de um vÃdeo fizemos uma ampliação para um telão, e a conclusão foi que o Salgueiro foi prejudicado pelo erro da arbitragem em seu conjunto, os de dentro de campo e o da cabine. Uma lambança generalizada.
E agora?
Agora a vaca foi para o brejo, o Sport foi campeão e o Salgueiro sem as condições legais de mudar o resultado, tudo por conta de um árbitro de vÃdeo amigo, e do apito amigo que estava na cabine e que tomou essa decisão.
Uma pergunta para encerrar o assunto: qual a razão da Federação não divulgar o vÃdeo responsável pelo prejuÃzo causado ao futebol de Pernambuco?
Lamentável.