Histórico
Brasileiro Série A
Uma questão de qualidade
postado em 18 de setembro de 2017

CLAUDEMIR GOMES

 

Ultimamente, o que mais me tem chamado a atenção nos jogos são as controversas análises feitas pelos treinadores, e alguns profissionais da mídia esportiva. Esquecem que, nos dias de hoje as mídias se completam, ou seja, as pessoas recebem mais informações, fato que permite a formação de opiniões e criação de conceitos. Portanto, não adianta o narrador e o repórter da rádio vestir a camisa do clube e culpar a arbitragem pelo insucesso de determinada equipe. O torcedor ver o que acontece, e mais das vezes enxerga melhor.

Ontem, acompanhamos a derrota do Sport (2x0) para o Flamengo, num jogo de uma pobreza técnica impressionante. Os motivos da derrota: um erro primário do experiente goleiro Magrão, e mais uma falha coletiva da defesa leonina, que vem se especializando em sofrer gols de cabeça. As jogadas aéreas têm deixado os comandados de Luxemburgo em pavorosa. Eis uma das principais causas do insucesso do Leão.

O Sport perder para o Flamengo, no Rio de Janeiro, não é coisa de outro mundo. Aliás, dos três resultados possíveis, diria que era o mais previsível. Principalmente no momento atual, no qual o rubro=negro pernambucano se encontra em queda livre no Brasileiro da Série A. O time leonino foi a campo sem os dois jogadores mais criativos: Diego Souza (suspenso) e Everton Felipe (lesionado). Para completar, todo o plano de jogo definido pelo treinador, Vanderlei Luxemburgo, foi abortado por conta de uma indisposição intestinal que tirou o lateral Sander da partida. A alternativa que restou ao Sport foi a da superação. Vale salientar que transpiração não faltou aos pernambucanos, que foram prejudicados pela expulsão de Patrick, ao exagerar na reclamação após ser advertido com o cartão amarelo.

É certo que o padrão técnico do futebol brasileiro caiu assustadoramente, contudo, a qualidade ainda é o fator determinante de sucesso na Série A. Os elencos de Sport e Flamengo, juntos, representam uma folha de mais de R$ 12 milhões de salários. O futebol que apresentaram na Ilha do Urubu, não faz jus aos altos salários, mas isso é praxe no futebol verde e amarelo dos dias de hoje. Quem assistiu, ao vivo, ou pela televisão, o confronto de ontem entre os dois rubro=negros, o carioca e o pernambucano, que desde 1987, é emoldurado por uma rivalidade que aflorou por conta de vários embates jurídicos na disputa do título daquele ano, se frustrou com a pobreza técnica do espetáculo.

Numa comparação direta de valores, embora na prática isso não tenha sido tão evidente, o Flamengo possui um grupo mais qualificado que o Sport, fato que lhe permitiu uma margem menor de erros. A maioria dos profissionais do Flamengo seriam titulares no Sport. Por outro lado, 20% dos jogadores leoninos iriam brigar por uma vaga no time da Gávea. Esta é a realidade dos fatos. Sintetizando, numa linguagem de arquibancada, ontem, venceu o menos ruim em campo. E a arbitragem não tem nada a ver com isso.      

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Artigos
Os anéis olímpicos estão podres
postado em 16 de setembro de 2017

Por JOSÉ CRUZ

 

Depois de faturarem muitos milhões com os megaeventos esportivos, a Globo e dezenas de jornais chegam tarde, desgraçadamente tarde, à verdadeira cobertura dos Jogos de 2016. Foram todos omissos por interesses financeiros de ocasião.

A ESPN se salvou por algum tempo, enquanto José Trajano, Roberto Salim, Marcelo Gomes, Juca Kfoury, Lúcio de Castro, principalmente alertavam para a farsa olímpica. Pouco antes da Copa de 2014, jornalista que não se alinhava ao COB, dançava. Trajano dançou.

As denúncias = agora comprovadamente reais = e críticas que ele fazia não interessava a emissora. Eu também perdi valioso espaço no UOL Esporte, onde publicava sobre a farra com o dinheiro público por conta dos Jogos da farsa.

Mas, para muitos jornalistas era mais cômodo e emocionante carregar a tocha e se ajoelhar diante do poder olímpico do que se alinhar à indignação de estarmos financiando um esporte amparado por amplo cinismo e farta corrupção.

Os trambiques olímpicos são conhecidos desde 1992, quando os jornalistas ingleses Andrew Jennings e Vyv Simson lançaram "Os Senhores do Anéis", primeiro livro sobre os bastidores dos Jogos e as práticas corruptas dos cartolas.

Eles contavam que o esporte fora violentado pela cobiça, drogas, hipocrisia, desvio de verbas públicas e enriquecimento ilícitos, tudo muito bem abençoado e recompensado pelo poderes da República, os políticos, principalmente, como se viu por aqui, recentemente.

E nessa realidade revelada há um quarto de século que tem Nuzman, enfim investigado. Mas as investigações não podem se limitar à compra de votos. Um dos maiores escândalos dos Jogos do Rio 2016 é a construção do campo de golfe em área de proteção ambiental e em terreno em disputa judicial.

Essa decisão envolve decisão do ex=prefeito Eduardo Paes. Naquele campo de grama baixa e bem cuidada a bola rolou à vontade. Bola de golfe, bem entendido.

Com o tempo, o esporte se tornou negócios e braço da corrupção. Apelo não falta: o alto rendimento provoca emoções que ajudam a esconder a prática dos malandros e o roubo dos espertos.

Os anéis olímpicos estão podres. E num Brasil falido, qual foi a vantagem receber a farsa olímpica?

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Campeonato Pernambucano
Segundona é o princípio do fim
postado em 14 de setembro de 2017

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com

 

A Segunda Divisão do Futebol Pernambucano será iniciada no próximo dia 17 (domingo), que definirá apenas um clube que irá disputar a Divisão maior em 2018.

Trata=se de um modelo altamente destruidor, não pelo rebaixamento, mas pelo formato, quando começa no final da temporada, e o clube classificado não terá tempo para se preparar para uma jornada mais dura e desequilibrada.

Se tiver um estádio necessitando de reformas, essas não poderão ser feitas, e surgirão algumas gambiarras.

Um campeonato como esse, com dificuldades para os disputantes, teria que começar a ser discutido durante o mês de abril, para que as vistorias dos estádios pudessem ser realizadas, as análises sobre os clubes discutidas, e o seu início em julho, com jogos aos domingos, reduzindo as despesas dos clubes.

Tudo feito de forma invertida, as vistorias procedidas de forma açodada, e a maioria desses campos não seria aprovada por conta das estruturas superadas. Futebol é coisa séria e para quem entende do riscado, a entidade local trata a Segunda Divisão como um patinho feio, e com a obrigação de realizar um campeonato.

Os filiados passam um período de nove meses na espera de uma competição, a terão, mas sem dúvida será preparatória para os seus enterros.

Isso é o futebol de Pernambuco.

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Sport
Futuro leonino será decidido em oito dias
postado em 13 de setembro de 2017

CLAUDEMIR GOMES

 

Dentre muitas frases que se atribui a sabedoria popular, uma é repetida com muita frequência: "Na vida tudo tem seu preço". Seguindo esta linha de raciocínio, podemos dizer que o futebol também cobra a sua conta. E ao que tudo indica foi apresentada ao Sport a fatura pelos tantos erros cometidos na aquisição de jogadores. O resultado de tal cobrança é a "sinuca de bico" em que se encontra o time comandado pelo técnico Vanderlei Luxemburgo, que envolvido numa sequência negativa, seis jogos sem contabilizar uma vitória, tenta se recriar no curto espaço de oito dias, quando disputará três partidas.

O Sport volta a campo hoje a noite para enfrentar a Ponte Preta, primeiro jogo do confronto entre os dois clubes válido pelas oitavas de final da Copa Sul=Americana. Domingo os leoninos enfrentam o Flamengo, no Rio, pela 24ª rodada do Brasileiro da Série A, e na próxima semana faz o jogo de volta com a Ponte Preta em Campinas/SP. Com uma crise em curso nos bastidores da Ilha do Retiro, esses três jogos serão decisivos para viabilizar os planos traçados para a temporada 2017 que tinham na competição continental, e no Brasileiro, as prioridades.

Com um grupo limitado, e uma margem de erros expressiva na contratação de profissionais que nada agregaram ao elenco, o Sport esbarra nas suas limitações, e é obrigado a mudar o foco da disputa. Superar a Ponte Preta e avançar na Sul=Americana, mais que um ganho financeiro, o Leão encontrará a calma necessária para o técnico Vanderlei Luxemburgo dá sequência ao trabalho. Contabilizar um resultado positivo domingo, no Rio, diante do arquiinimigo Flamengo, manterá acesa a esperança de fechar o Brasileiro no Top 10 da Série A.

Ao renovar o contrato do técnico Vanderlei Luxemburgo até dezembro de 2018 os dirigentes do Sport deixaram claro que buscam uma mudança de paradigma. Mudar pensamento e comportamento em clube de futebol demanda tempo e requer tolerância por parte dos torcedores, uma vez que erros acontecerão. Se Luxemburgo é o profissional certo para tal tarefa, só o tempo dirá. Mas de uma coisa se tem certeza: se o Sport sobreviver aos desafios que terá nesses oito dias, a estrada para o futuro estará asfaltada.

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Sport
Um time sem alma
postado em 11 de setembro de 2017

 CLAUDEMIR GOMES

 

"Sem alma não se bate nem lateral". A frase é do genial Nelson Rodrigues, um dos maiores cronistas e dramaturgos, deste Brasil brasileiro que, com sua sagacidade, nos apresentou a vida como ela é, dando aulas aos grandes professores que o futebol fabrica a cada instante.

Ontem, na Ilha do Retiro, a coletiva do professor Vanderlei Luxemburgo, técnico do Sport, foi aguardada com mais expectativa do que propriamente o jogo do rubro=negro pernambucano com o Avaí, onde a derrota (1x0) aumentou a sequência de partidas sem vitórias do time leonino. Agora, são seis jogos com quatro derrotas e dois empates. A única surpresa ficou por conta da declaração do treinador que assumiu a culpa da derrota e disse que o time se esforçou, que houve uma mudança de atitude dos jogadores. Diferentemente da jogo com o Grêmio, quando o Sport foi goleado (5x0), os atletas se doaram.

Vanderlei tem muita habilidade no manuseio das palavras. Ao assumir a culpa da derrota evitou o crescimento da tensão existente nos bastidores da Ilha do Retiro, ao mesmo tempo em que lançou um mote para os analistas, que passaram a se deter nas palavras do treinador e esqueceram de analisar, de forma mais precisa, o desempenho do time capitaneado pelo desequilibrado Diego Souza, que não soube se desvencilhar da marcação imposta pelo adversário, e destilou irritação ao não aceitar a tarja de capitão, e por pouco não agrediu um repórter da Rede Globo quando se dirigia para o vestiário no final da partida.

É verdade que o Sport não foi tomado pela letargia doentia que foi marca registrada de suas apresentações anteriores, mas o grupo ainda está muito distante de incorporar a mística da camisa rubro=negra. Garra, superação, persistência, são características imprescindíveis a qualquer formação do Sport. É isso que faz com que o torcedor leonino sinta que o time tem alma.

O Avaí é o clube com o melhor aproveitamento no returno da Série A. Tal evolução de um grupo mediano, se deve a identificação com a proposta de jogo, a filosofia implantada pelo técnico Claudinei Oliveira. Um conjunto bem treinador, harmonioso, consciente do seu potencial e das limitações. O Leão Azul jogou como a maioria dos times da Série A jogam quando visitantes: se agrupou bem no seu campo de jogo, atraiu o adversário e passou a buscar uma bola. Conseguiu. Mais uma vez o Sport sofreu um gol em jogada aérea.

O gol do Avaí aconteceu aos 27 minutos do primeiro tempo. A partir daí o Sport não conseguiu se encontrar em campo. O professor Luxemburgo teve tempo suficiente para corrigir o posicionamento da sua equipe, ou dar uma injeção de ânimo. O mais grotesco de tudo foi a entrada do apoiador, Bruno Xavier, jogador que veio para teste, sem nenhuma qualidade para vestir a camisa de um clube que disputa a Série A, mas que segundo o treinador, "nos treinos tem se mostrado eficiente com uma única jogada". O professor ou é bom de piada, ou subestima a inteligência dos outros. Vale observar que, todos os pratas da casa que foram dispensados por Luxemburgo têm mais qualidades do que a "aposta" que veio do futebol do Interior paulista.

 O técnico leonino ressaltou que 70% da derrota para o Avaí tem que ser atribuído aos seus equívocos. Eu acrescentaria mais 20% por conta da leitura que fez do jogo e dos erros cometidos nas substituições.

Ah! O Sport pode até ter mudado de atitude, mas continua um time sem alma.  

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