Histórico
Futebol Pernambucano
Os bastidores fervem
postado em 15 de novembro de 2017

CLAUDEMIR GOMES

 

Os bastidores fervem! Todos procuram culpados para os rebaixamentos do Náutico e do Santa Cruz para a Série C, Terceira Divisão Nacional, e a iminente queda do Sport para a Série B. A lavagem de roupa suja traz à tona sujeiras que escancaram os erros de gestão que explicam o porque dos clubes pernambucanos terem ficado a deriva nos campeonatos que disputaram. A dispensa do técnico, Marcelo Martelotte, nesta quarta=feira, por ele ter respaldado os jogadores do Santa Cruz, em suas reivindicações para o clube pagar os salários atrasados, é apenas mais um dos absurdos que temos observado. A demissão foi feita através do empresário do treinador, com os dirigentes se recusando a falar com o profissional.

O clima na Ilha do Retiro se tornou pesado após as declarações do presidente do Conselho Deliberativo, Homero Lacerda, que não poupou críticas aos dirigentes do futebol do Sport. Nas redes sociais, o ex=assessor de imprensa do clube leonino, Amaury Veloso, colocou sal no angu de caroço, ao revelar fatos da passagem do ex=treinador Vanderlei Luxemburgo como a "proibição de diretores no vestiário" e a lista de dez jogadores que o técnico havia entregue a Gustavo Dubeux para que fossem dispensados. Tal fato ocorreu após a goleada (5x0) sofrida pelo Sport para o Grêmio, na Arena Olímpico, em Porto Alegre. Na ocasião Dubeux teria dito que não poderia atender ao técnico porque os jogadores eram "patrimônios do clube". Quando de sua demissão, Luxemburgo mandou os repórteres saber do diretor o porque de sua dispensa. "A resposta está lá atrás", disse o treinador na sua última coletiva de imprensa na Ilha do Retiro.

O presidente, Arnaldo Barros, e todos os dirigentes do futebol do Sport, estão em São Paulo para assistirem ao jogo do Leão com o Palmeiras, nesta quinta=feira, no fechamento da 35ª rodada da Série A. A simples presença num jogo de futebol, num momento decisivo, não atesta competência.

A panela de pressão chiava nos Aflitos até que o atacante, William, pediu para deixar o Náutico porque não suportava mais a maneira como o treinador, Roberto Fernandes, tratava o grupo. O sinal ecoou alto. O técnico reagiu revelando uma série de situações vexatórias que ele foi obrigado a intervir: jogadores se apresentando embriagados; profissionais se recusando a treinar por conta do atraso no pagamento dos salários... O presidente eleito, que já trabalha junto com os atuais gestores, afirmou que as explicações para tais desmandos quem deveria dar eram os ex=dirigentes, Alexandre Homem de Melo e Emerson Barbosa. Coube a Barbosa explicar o inexplicável. De uma coisa se tem certeza: o futuro presidente assume o clube, em janeiro, no mesmo clima de discórdia que tem marcado as últimas gestões do Náutico.

O técnico, Marcelo Martelotte, acabou sendo demitido do Santa Cruz como o vilão de uma crise que não foi criada por ele. Aliás, o ex=comandante técnico se viu impotente diante de tantas promessas feitas pelos dirigentes, e nenhuma cumprida. Por ter defendido, e ficado do lado da tropa, o comandante foi classificado como traidor. Nenhum dirigente falou com Martelotte, mandou o recado de sua demissão pelo seu empresário.

O torcedor fanático acompanha as resenhas, consulta as redes sociais insistentemente, busca notícias nos jornais para saber qual o norte dos nossos clubes num cenário tão devastador.

Bom! Que bons ventos nos tragam 2018. Com vestiários calmos e iluminados, evidentemente. A tormenta vai passar. Assim nos ensina a dinâmica do futebol.

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Sport
O brado de Homero Lacerda
postado em 14 de novembro de 2017

CLAUDEMIR GOMES

 

A centenária história do Sport Club do Recife é pontuada por embates políticos que traduzem a luta de, rubro=negros contra os próprios rubro=negros, pelo poder na Ilha do Retiro. Mas isto não é privilégio do Leão pernambucano. Acontece em todos os clubes do futebol brasileiro. Mas o foco, no momento, é o Sport. Motivo: a iminente queda do clube para a Série B do Campeonato Brasileiro. Muitos não foram capaz de traduzir os sinais, e defendem a omissão como o gesto mais coerente no momento. Outros, como é o caso do presidente do Conselho Deliberativo, Homero Lacerda, resolveu colocar a boca no trombone, e como sempre acontece, seu brado ecoou causando o maior reboliço na toca do leão. Coisa da política clubística.

Homero Lacerda é considerado uma das maiores referências do Sport quando a matéria em pauta é o futebol. Inovador, ousado, sempre em sintonia com a nova ordem, tem uma visão futurista, qualidades que lhes deixam numa posição diferenciada em relação aos demais dirigentes. Sempre que esteve no comando do futebol levou o clube a campanhas exitosas. O brilho do dirigente que tem luz própria ofusca aqueles que, apesar do esforço e dedicação, não conseguem o mesmo protagonismo. As diferenças ascendem a fogueira das vaidades. E assim, Homero passou a ter seu nome preterido em detrimento ao de pessoas com pouco conhecimento da matéria futebol. Na última eleição, sua condução ao Conselho Deliberativo foi uma acomodação dentro de uma costura mal feita.

À época, Lacerda se colocou a disposição do presidente, Arnaldo Barros, para compor o Departamento de Futebol, mas teve seu nome rejeitado pelo grupo escolhido pelo presidente executivo. Os resultados ao longo da temporada atestam que a opção do presidente foi equivocada. No comando do Deliberativo, Homero Lacerda adotou um silêncio que não condiz com seu habitual comportamento, fato que deixou incomodado muitos conselheiros. As cobranças vieram à tona, e desde a semana passada que Lacerda é procurado pela mídia para se posicionar, na condição de presidente do Conselho Deliberativo, sobre o momento do futebol do Sport.

Após a derrota para o Atlético/GO, resultado que tornou a situação do clube da Ilha do Retiro dramática, no Brasileiro da Série A, Homero Lacerda passou a ser o preferido dos veículos de comunicação. O presidente do Conselho não economizou palavras, carregou nas tintas, e agitou a toca dos leões. Alguns felinos, que passam todo o tempo hibernando, assistindo ao circo pegar fogo, numa incontestável omissão, acordaram do sono doentio e passaram a criticar o comandante do Conselho Deliberativo porque ele teve a coragem de falar, de tornar público seu pensamento.

E o veio político foi ressaltado.

Agora, não se sabe o que é pior para o clube: um time que não demonstra vontade de vencer dentro das quatro linhas, ou incêndio que toma conta dos bastidores após o brado de Homero Lacerda.

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Brasileiro Série B
Ratificação da queda
postado em 12 de novembro de 2017

CLAUDEMIR GOMES


Após a 34ª rodada do Brasileiro da Série B, postamos um artigo com o título , CAÍRAM, no qual analisamos as performances dos dois representantes do futebol pernambucano, Náutico e Santa Cruz. A queda de ambos para a Série C, que foi sacramentada na rodada deste final de semana, era inevitável, mas ainda havia "matemáticos" fazendo conta para ver se encontrava alguma rota de fuga do desastre, embora as campanhas descritas por tricolores e alvirrubros nos mostrassem que não havia escapatória para os dois times.

No pódio não há espaço para os fracos. Isto é fato. E a regra não é restrita ao futebol. Ela é imperativa em qualquer esporte. Faz parte da cultura da vitória, da conquista, na qual está inserida apenas uma operação aritmética: a soma. O Santa Cruz foi o clube que menos somou vitórias em 35 jogos, por outro lado, o Náutico foi o time que mais contabilizou derrotas: 20. O pragmatismo dos números apontavam para o descenso de ambos. Há 11 partidas que os tricolores não saboreiam uma vitória. No returno só conseguiram tal feito uma única vez. Os alvirrubros encerraram o primeiro turno com 11 derrotas. Nenhum clube, desde que o campeonato passou a ser disputado pelo sistema de pontos corridos, conseguiu se livrar do rebaixamento com um total de 19 derrotas. Portanto, a tendência do Náutico, desde os jogos de ida, era de queda. Apesar do esforço em busca de uma reação no returno, o time deixou exposta toda sua fragilidade ao amargar duas derrotas nos últimos dois jogos. Detalhe: disputados em casa.

A esta altura dos acontecimentos, tricolores e alvirrubros estão querendo nominar a queda. Mas ela não pertence a fulano, nem a sicrano. Para cada erro existe um efeito. E muitos foram os fatores que contribuíram para mais uma das quedas mais dolorosas e previsíveis na história dos dois clubes na Série B. Grande parte dos erros foram comuns aos dois clubes. Outros equívocos tinham peculiaridades que não se aplicavam a ambos, eram individuais. Enfim, tricolores e alvirrubros precisam repensar suas gestões. Isto é tão real como a queda dos dois clubes para a Terceira Divisão Nacional, onde perdem dinheiro, visibilidade e status.

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Brasileiro Série B
A frieza dos números
postado em 09 de novembro de 2017

CLAUDEMIR GOMES

 

Os 24 mil torcedores que marcaram presença, ontem a noite, na Ilha do Retiro, para testemunhar a derrota do Sport (2x1) para o Botafogo, em partida válida pela 33ª rodada do Brasileiro da Série A, se frustraram com mais um resultado negativo do Leão na condição de mandante. Nos últimos 19 jogos, o equivalente a um turno, o rubro=negro pernambucano venceu apenas uma partida em casa (4x0 sobre o Atlético/GO), seu adversário do próximo domingo. Diante de tal dificuldade surge a pergunta: Será que é possível se livrar do rebaixamento?

O pragmatismo dos números não alimenta tanto otimismo. Afinal, nas últimas 19 partidas os leoninos somaram apenas 3 vitorias (uma como mandante e duas como visitante). Neste espaço houve o registro de 6 empates e 10 derrotas. Campanha de rebaixado. O melhor momento do Sport no campeonato foi da 9ª a 13ª rodada, quando contabilizou quatro vitórias e um empate, resultados que lhes levaram a dar um salto na tabela de classificação, chegando a figurar no grupo que será recompensado com uma vaga na edição 2018 da Libertadores da América.

O amigo, Humberto Araújo, um dos melhores cartunistas do País, leão de pedigree autêntico, defende a tese de que futebol não é ciência exata, e critica os que se detém aos números. Argumento de quem é apaixonado e enxerga o esporte bretão como fonte inesgotável de emoções. Mas os números dão o norte, e alimentam uma outra tese, que  é defendida pelo mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo que é a de que "futebol segue uma lógica". Sendo assim, vale lembrar que, após a boa sequência o time da Ilha do Retiro entrou em queda livre que o levou a zona de rebaixamento.

O Sport passou 9 partidas sem somar uma vitória. Interrompeu a sequência negativa num jogo em Salvador, onde superou o Vitória por 2x1, mas em seguida emplacou uma nova série sem triunfos. O Leão está há seis jogos sem vencer. Juntando as duas sequências teremos 16 partidas e apenas uma vitória.

A conta é simples: levando em consideração o ponto de corte na casa dos 45 pontos, os comandados de Daniel Paulista precisam somar 9 dos 15 pontos que irá disputar, ou seja, necessita de um aproveitamento de 60% nas cinco rodadas finais. O Leão teve um aproveitamento de 36,4% nos 33 jogos que disputou. A frieza dos números não traz bons sentimentos.

O por que disso tudo? O grupo não está qualificado para descrever uma boa campanha na Série A, fato que só os dirigentes não enxergaram.  

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Brasileiro Série B
CAÍRAM
postado em 08 de novembro de 2017

CLAUDEMIR GOMES

 

Um dos capítulos da liturgia da salvação da Série B, reza que um clube tem primeiro que fazer sua parte, e depois aguardar a combinação dos resultados. Pois bem! Náutico e Santa Cruz não fizeram o que lhes competia na 34ª rodada do Brasileiro da Série B e carimbaram seus passaportes para a Série C de 2018. Evidente que haverá quem me conteste observando que ainda existe um tênue fio de esperança. Bom! A emoção permite tal devaneio por parte do torcedor apaixonado, mas eu fico com o pragmatismo dos números que, no cenário atual nos mostra um ponto de corte firmado em 44 pontos, fato que leva o Náutico a ter menos de 1% de chance e o Santa Cruz menos de 2%.

Os tricolores estão há dez jogos sem contabilizar uma vitória. Em 15 partidas disputadas no returno o time do Arruda só conseguiu somar os três pontos em disputa numa única oportunidade. Campanha de rebaixado. Não estamos nos fixando apenas nos resultados, mas numa análise de desempenho. O pior é que, nas últimas apresentações dos comandados de Martelotte, a sensação que o torcedor ficou é a de que dava para ter chegado à vitória. Ontem, mais uma vez isso ficou evidente no confronto com o Vila Nova, time que aspirava o acesso, mas que por não ter sido eficiente no dever de casa, há cinco partidas que não vence como mandante, se viu obrigado a adiar o sonho para a próxima temporada.

A queda do Santa Cruz para a Série C não é decorrente apenas do pobre futebol apresentado ao longo da competição. É sim, a resultante de uma gestão equivocada que se tem continuidade poderia levar o clube de volta a Série D, como ocorreu num passado recente. Os erros observados nesta temporada deram sequência a um caos administrativo instaurado ano passado, e que culminou com a queda da Série A para a Série B. O que se observa dentro das quatro linhas é apenas o produto final de um trabalho minado pela incompetência.

O técnico do Náutico, Roberto Fernandes, afirmou, após a derrota para o Paysandu (3x1), ontem a noite, na Arena Pernambuco, que o seu time havia chegado ao limite, ou seja, não tem mais força para reagir. Foi honesto. E mais sincero que alguns profissionais da mídia que ao final da 19ª derrota alvirrubra ainda fazia contas, num esforço patético de vender ilusão ao torcedor alvirrubro. Apostar em frações irrisórias é o mesmo que ser testemunha do casamento do Saci Pererê com a Cumade Fulozinha.

Este ano o Náutico teve cinco técnicos no seu comando; contratou mais de 30 jogadores; mudou a diretoria de futebol três vezes e trocou de presidente administrativo três vezes. Com uma gestão tão destrambelhada, o insucesso era mais que previsto.

CAÍRAM! Eis a sentença para Náutico e Santa Cruz a quatro rodadas do final do campeonato.

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