Histórico
Acontece
Estádios vazios
postado em 19 de janeiro de 2018

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com

 

Nos primeiros jogos da Copa do Nordeste o destaque foi a ausência de torcedor nos estádios. Fato esse que ocorreu em 2016, e poderá ter a sua continuidade na atual temporada. Não ficamos surpresos com o fato desde que houve um açodamento para o início da competição, com os clubes ainda em formação, e seria bem óbvio que teríamos jogos de qualidade muito duvidosa, e em especial por ser uma competição com poucos participantes da divisão maior do futebol nacional.

Sem contarmos com os jogos de ontem, e com o público de Confiança e Santa Cruz, que até hoje não foi divulgado, a maior participação da torcida foi no jogo do Treze com o CRB, com 4.118 pagantes.

Enquanto isso o Globo/RN, mesmo jogando contra um clube da Série A Nacional, o Vitória/BA, recebeu apenas 728 testemunhas; o Salgueiro, que estreou em casa contra o Ceará, contou com o apoio de 2.199 torcedores, muitos desses do time cearense, e o Náutico, em seu jogo contra o Altos/PI, teve apenas 1.350 ingressos vendidos na Arena Pernambuco.

Nesse jogo foi divulgado um público acima de 2 mil torcedores, que não condiz com a realidade, desde que no movimento financeiro entregue à imprensa constam 663 cortesias, que não são pagantes.

O ufanismo comercial com a Copa do Nordeste é bem latente, mas na verdade a competição está mal formatada, tem a ausência de clubes com demanda, que levam torcedores aos estádios. A distribuição das partidas na tabela, os horários, são fatores que motivam a ausência dos consumidores nos estádios. Quem irá salvar essa edição da Copa serão os dois clubes da Bahia, Vitória e Bahia, e o Ceará que são bons de públicos.

Por outro lado, o Campeonato Pernambucano, como era de se esperar, começou com os seus estádios  vazios, o que demonstra, mais uma vez, que o torcedor não tem mais o sentimento de amor com relação aos estaduais, que se tornaram obsoletos e sonolentos. Sofreu o mesmo problema da competição regional ao começar com os times despreparados para a competição.

Em Arcoverde, com a presença do Sport, atual campeão estadual e único representante do Estado na Série A, os ingressos foram todos vendidos: 3000. É triste um estádio com essa capacidade no futebol profissional.

A cidade de Afogados da Ingazeira, através do seu time, o Afogados, não conseguiu incentivar a ida dos seus habitantes ao estádio, mesmo enfrentando um rival do Interior, o Central, e suas arquibancadas receberam apenas 1.200 testemunhas.

A cidade de Pesqueira que em épocas anteriores abraçava os jogos de futebol, em seus confrontos contra o Belo Jardim, só vendeu 487 ingressos, público bem menor do que os de muitas peladas. O nosso futebol parou no tempo e no espaço, e cometeu um suicídio coletivo ao não acompanhar a globalização.

A Copa do Nordeste é uma excelente fonte de demanda, mas como está sendo administrada irá morrer de inanição, fazendo companhia aos estaduais. Essa competição terá que ser o carro chefe do início de temporada da região, com duas divisões, e isso já estamos repetindo mais uma vez, e que poderá ajudar a melhorar a competitividade dos clubes.

O maior problema do nosso futebol tem um nome bem simples que se chama má gestão, cujo sistema vem de cima para baixo, começando pelo Circo e terminando nos clubes. Uma boa gestão tem que acompanhar as inovações oferecidas pelo mundo, as novas tendências, e o futebol não fica isento de tais fatos, desde que é um produto que tem que ser bem comercializado e bem gerenciado para a obtenção do sucesso.

Estaduais são coisas do passado, e a Copa Regional do presente e do futuro, e por conta disso terá que ser tratada com carinho pela cartolagem.

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Campeonato Pernambucano
Torcidada do Náutico dividida
postado em 18 de janeiro de 2018

CLAUDEMIR GOMES

 

Os insatisfeitos observam que o Náutico contabilizou seu terceiro empate em sequência. E se manifestaram com vaias ao final do jogo com o Altos/PI, ontem a noite, na Arena Pernambuco, que terminou com o placar em branco. Os otimistas rebatem alegando que o time alvirrubro segue invicto na temporada 2018, e aplaudiram os comandados de Roberto Fernandes. Reações distintas que servem para ressaltar o risco do futebol de resultados, que não leva os torcedores a análises de causas e efeitos.

Antes mesmo de o time dos Aflitos disputar a classificação para a Copa do Nordeste com o Itabaiana, falávamos em debate na Rádio Clube, do absurdo daquele torneio pré classificatório que colocava o clube numa decisão em momento inadequado = primeiros jogos do ano = com o conjunto sem nenhum condicionamento físico e técnico. Uma insanidade. Coisa de um futebol sem o mínimo planejamento.

Após conseguir a classificação para a fase de grupos, o técnico Roberto Fernandes fez questão de ressaltar que "tem que ser futebol de resultado". Ontem, após constatar que, a evolução diante de tanta pressão se torna mais difícil, procurou ajustar o seu discurso se posicionando contra as cobranças que surgiram na arquibancada.

A primeira coisa a massificar é a importância da torcida exercitar a tolerância e externar seu apoio ao grupo que está sendo montado. Ser transparente, mostrar as dificuldades e deixar bem claro que oscilações irão acontecer. Não importa até onde o Náutico chegue no Pernambucano, na Copa do Nordeste e na Copa do Brasil. Essas competições servirão para ajustar o elenco visando o desafio maior que é a Série C, onde o clube terá a obrigação de ser vencedor.

Esta pregação tem que ser diária para o torcedor se conscientizar de que não é da noite para o dia que se monta um grupo, com poucos recursos financeiros e o sucesso vem de imediato num esporte coletivo. O torcedor age pelo impulso da emoção, razão pela vem surgem as cobranças em cima de resultados, sem análise de metas.

 Enfim, é preciso dar uma atenção especial a comunicação. Uma campanha "educacional" é de fundamental importância para conquistar a fidelidade do torcedor em momento difícil e desafiante. Afinal, a qualidade do futebol é por demais sofrível.

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Futebol Brasileiro
Os Estaduais e o provérbio português
postado em 17 de janeiro de 2018

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com

 

Nas mesmas praças, nos mesmos jardins, os campeonatos estaduais estão iniciando, ou já iniciaram no país. Trata=se da repetição da decadência de um evento que despertava emoções nos tempos antigos que a globalização enterrou, e que só sobrevivem por conta da ausência de inteligência que fazem o futebol brasileiro.

Existe um velho ditado português que pode ser aplicado à essas competições: "A lua e o amor quando não crescem diminuem".

Realmente os estaduais foram reduzindo e a sua demanda encolhida, perderam o amor dos seus consumidores. Em Pernambuco, hoje a noite, o pontapé inicial será dado com três jogos e a rodada só termina na sexta=feira, ou seja, algo que mostra a falta de visão dos que fazem uma tabela, posto que, em menos de 48 horas alguns clubes estarão atuando pela segunda rodada.

O mais grotesco é que nessa abertura não haverá nenhum clube jogando na Capital, com o Sport, atual campeão, atuando em Arcoverde contra o Flamengo local.

Iremos continuar vivendo uma grande mentira que é absorvida pelos veículos de mídias, logicamente pelos seus interesses financeiros na venda de um produto em extinção, e que é bem modificado por uma maquiagem enganadora.

Reservar dezoito datas para uma competição falida, que leva do nada para o nada e cujo campeão é esquecido em dois meses, é uma perda de tempo, principalmente por que essas deveriam ser ocupadas por um torneio regional com duas divisões.

No encerramento desse evento, diversos clubes irão hibernar por sete meses, e o desmanche será total. Esses poderiam disputar uma divisão nacional durante toda a temporada que poderia lhe dar uma nova dimensão no contexto global do futebol.

Em alguns Estados a competição doméstica já foi iniciada, entre esses o Rio de Janeiro e o Ceará. ara que se tenha uma idéia exata da realidade, no seletivo carioca a média de público em 15 jogos foi de 514 testemunhas, enquanto na Terra de Iracema, sem jogos do Fortaleza e Ceará a média foi de 602 pagantes (6 partidas). Nada mais para caracterizar que alguma coisa deve estar errada, e necessita de uma mudança.

As competições nacionais assim como as continentais reduziram os estaduais, desde que o foco passou totalmente para essas, que são realizadas em paralelo.

Além disso, o acesso mais amplo para os jogos dos campeonatos europeus escancaram um choque de realidade, o pay=per=view, a pobreza técnica da quase total maioria dos clubes do Interior; estádios sem condições; a overdose de jogos saturando o torcedor com torneios sobrepostos, levaram os estaduais a falência.

Aliás, isso já estava escrito há muito tempo nas tábuas de Moisés.

A maioria desses jogos não tem interesse, e que, no final não servem de parâmetro para outras competições, pois os clubes acreditam que estão em boa situação e quando encaram adversários com um pouco mais de potencialidade se arrebentam.

Torna=se necessário o repensar desse esporte, com o cotejo entre os erros e os acertos, e no debate que seja resolvido o problema mais sério que é o da continuidade dessa competição que foi consumida pelo tempo.

Os nossos "Napoleões Retintos" do Bloco Sanatório Geral, ainda não tiveram a percepção que as datas da temporada brasileira é a mais extensa do mundo, e mal aproveitada na sua distribuição. As 18 datas consumidas pelos estaduais são jogadas fora, e poderiam ser mais bem aproveitadas.

Na realidade o futebol brasileiro necessita de pessoas sérias que pensaem nele como um excelente produto, e não como uma grade de televisão, e em segundo lugar, que seja analisado o modelo das ligas dos países europeus.

As disputas regionais existem e seguem dentro da normalidade, mas com divisões inferiores. Os clubes são perenes e não sazonais.

Na Inglaterra, elas começam a partir da sexta divisão, na Alemanha desde a quarta. No Brasil poderia ser criada uma nova Série, a E, que iria abrigar a regionalização de clubes que tivessem as condições necessárias.

São detalhes que deveriam ser bem estudados, não pelo bloco dos "Napoleões Retintos", e sim por aqueles que tem uma visão mais global do futebol, de que esse não existe apenas para grandes clubes e sim para todos.

O nosso calendário é uma aberração monstruosa, e que potencializa uma competição que faleceu há um bom tempo.

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Acontece
A novela das dez
postado em 16 de janeiro de 2018

CLAUDEMIR GOMES

 

O esforço da mídia esportiva no sentido de promover as competições e motivar o torcedor para que ele vá a campo, e prestigie os jogos, é louvável, mas esbarra na falta de bom senso dos organizadores, cujo objetivo único é atender as televisões que pagam barato por um produto que lhe dar um bom retorno. Dentro deste pensamento, estádio cheio passa a ser apenas um mero detalhe.

Hoje, terça=feira, começam as disputas da fase de grupo da Copa do Nordeste. Amanhã é a vez de a bola rolar no Pernambucano 2018. Até domingo teremos jogos todos os dias.  "A pisada é essa", diria o saudoso tricolor Capiba.

Existe demanda para isso? Indaga o torcedor perplexo com a "overdose de jogos", programada pelos iluminados promotores. A fraca presença de público nos estádios faz parte do contexto. Afinal, os números decrescem ano após ano.

Se criou a máxima de que "o torcedor brasileiro só gosta de decisão". Portanto, não precisa se preocupar com horário, com a qualidade do espetáculo, com as condições dos campos e dos estádios, com a falta de segurança urbana... O produto oferecido é para ser consumido em casa, pela telinha. É como se tudo o que fosse cuspido no colo do telespectador ele aceitasse de bom grado.

"De graça até ônibus errado!".

Mas será que o torcedor fica acordado até a meia noite para assistir a um jogo de terceira categoria, tendo que se levantar cedo, no dia seguinte, para ir trabalhar? Ninguém perguntou isso ao público consumidor. Afinal, estamos no país do Big Brother.  

Mas o futebol não é um entretenimento, como tantos outros, para se ver in loco? Isso é o que acontece em vários países europeus, onde se pratica o melhor futebol interclubes do planeta, mas aqui no Brasil a cartolagem está pouco se lixando pra isso.

O amigo, Ival Saldanha, tem feito umas postagens saudosistas no facebook, mostrando craques dos anos 60 e 70. Maravilhas que hoje não se encontram mais nos gramados do futebol brasileiro. Tudo mudou. "Tudo se apequenou", como diz o mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo.

E o futebol virou a Novela das Dez. O enredo é péssimo, mas a audiência é satisfatória nos capítulos finais. Sinais dos tempos.

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Acontece
No Reino do Absurdo
postado em 15 de janeiro de 2018

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com

 

O futebol brasileiro vive no reino do absurdo, onde de tudo acontece, e sem a mínima reação dos seus habitantes. ara os seus cartolas os grandes são grandes e merecem tudo, e os pequenos são pequenos e tratados com chibata.

É o reino comandado por um dirigente que o FBI não permite que saia do país, e por uma cartolagem que não pensa no todo, e cada um olha apenas para o seu umbigo. Na verdade o pensamento é o de sempre aumentar a sua fatia, e se distanciar dos demais.

Tudo isso com o apoio total de um monopólio que já perdura por mais de trinta anos da Rede Globo de Televisão. Quanto mais altas forem as cotas do Flamengo e do Corinthians, é óbvio que as chances de conquistas serão bem maiores. Ambos nessa temporada irão receber R$ 4,4 milhões por cada jogo, enquanto o Sport terá que se contentar com R$ 105 mil. São diferenças gritantes.

Por outro lado, o Campeonato Mineiro receberá da televisão R$ 37 milhões para a transmissão dos seus jogos. O absurdo está na sua divisão, quando Cruzeiro e Atlético terão uma participação de R$ 21,3 milhões para cada um, o América/MG, R$ 2,9 milhões, e os menores entre R$ 850 e 875 mil. Sem dúvida mais uma distribuição indecente. Deveria haver mais equilíbrio.

Um fato interessante está no tamanho do futebol de Pernambuco, que receberá da televisão R$ 4 milhões, 9 vezes menos do que o de Minas Gerais.

 Não somos nada no reino do absurdo.

No Brasil existe a síndrome do egoísmo, desde que trata o clube como um produto e não a competição. Há anos que mostramos aos nossos visitantes os modelos das Ligas norte=americanas como ideais para serem aplicados em nosso país, e em especial a NBA, a National Basketball Association, que tem no seu campeonato o produto, e não os times.

Qual a possibilidade que tem um clube menos no Brasil de conquistar o título do Brasileirão por conta das diferenças técnicas produzidas pela péssima distribuição das suas receitas, que é precedida de forma desproporcional e injusta?

A NBA adota um plano de divisão dos recursos para que a competitividade seja garantida. É um trabalho efetuado para o fortalecimento de todos os participantes, não apenas aqueles com maiores audiências, como acontece no Brasil.

Em geral todos os times formam elencos capazes de surpreender.

Além do sistema draft, existe um teto salarial para as equipes, e um complexo sistema de controle dos vencimentos oferecidos a cada jogador. A intenção é o evitar a supremacia dos mais ricos.

O abismo técnico entre os ricos e os pobres é bem reduzido, e o sucesso de cada temporada reflete muito bem que se trata de algo proveitoso, devidamente comprovado.

O sistema adotado no Brasil tem uma única intenção, inclusive à nível estadual, a de se perpetuar os grandes clubes, que hoje já não são mais grandes, e matar os menores de inanição.

Os recursos distribuídos de forma mais igualitária geram um equilíbrio nas competições, onde um time menor fica em condições de uma boa participação. A solução para viabilizar o futebol brasileiro, e tirá=lo do reino do absurdo, é o da criação de uma Liga que poderia ser uma das maiores do mundo pela potencialidade do país.

Enquanto isso não acontece, o nosso esporte da chuteira a cada dia se transforma em um verdadeiro lixo.

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