Histórico
Seleção Brasileira
Chutando palavras
postado em 25 de maro de 2025

CLAUDEMIR GOMES

 

O que faz o mundo girar são as mudanças. Isto é fato. Nós somos mutantes. Até a Branca de Neve deixou de ser branca. Na nova versão do clássico da literatura infantil, a Walt Disney Studios, para entrar em sintonia com a nova ordem, trocou a pigmentação da musa dos sete anões e de nós todos. Entretanto, há coisas que resistem a ação do tempo e se tornam imutáveis, ou imexíveis, como a rivalidade existente ente o futebol brasileiro e o futebol argentino.  

Nesta terça-feira teremos mais uma edição do clássico - Brasil x Argentina - válido pelas Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo de 2026. Na véspera deste que é um dos maiores confrontos do futebol mundial, independentemente dos protagonistas que estejam vestindo as camisas das duas seleções no momento, o assunto dominante foi a língua ferina do atacante brasileiro Rafinha, que ao ser entrevistado pelo ex-jogador, e atual senador, Romário usou expressões como "Fodam-se eles", "Porrada neles".

Coisa da rivalidade.

Virou moda no futebol brasileiro, ex-jogadores serem transformados em comentaristas, comunicadores, ancoras de programas esportivos. É como se fosse uma regra imposta pela "guerra" em busca da audiência: se foi craque com a bola nos pés, também será craque com o microfone nas mãos.

Como jogador Romário foi fantástico dentro das quatro linhas, mas nunca demonstrou habilidade no trato com as palavras. Suas declarações bombásticas deixavam dirigentes em polvorosa, irritavam ou intimidavam adversários.

Pois bem! O baixinho Romário, ciente de que a Seleção Brasileira não vive um bom momento, e nem tem jogadores casca grossa no atual grupo, lançou mão de sua malícia para instigar Rafinha no jogo com as palavras. O atacante do Barcelona escorregou na "casca de banana" e liberou a língua ferina. Os insultos ecoaram na terra do tango. Dizem que até Maradona estremeceu no seu túmulo.

Ninguém sabe o que vai acontecer no "baile" de hoje à noite no Monumental de Núñez.

Durante vinte e tantos anos como jornalista esportivo do Diário de Pernambuco, tive a oportunidade de cobrir diversas edições do clássico Brasil x Argentina. Em todos os cenários a rivalidade falava mais alto. Testemunhar, a poucos metros, a troca de solavancos entre Ricardo Rocha e Caniggia, na Copa América do Chile, em 1991, quando as duas seleções estavam perfiladas para entrar em campo, foi a melhor tradução que vi da rivalidade que emoldura este clássico.

A Disney mudou o estereótipo dos personagens do Clássico Branca de Neve. As mudanças dividem opiniões, como era esperado.

No futebol brasileiro, enquanto não mudarem o DNA dos dirigentes da CBF, vamos ter que nos contentar com Romário sendo referência de comunicação, e Rafinha chutando o chão com as palavras.

Vamos ao jogo!


leia mais ...

Campeonato Pernambucano
Todos já esperavam
postado em 17 de maro de 2025

CLAUDEMIR GOMES

 

O Sport amassou o Santa Cruz no segundo clássico válido pelas semifinais do Pernambucano, sábado, no Arruda. O placar (1x0) não traduz o domínio, nem a  forma como o time leonino conduziu a partida. A distância técnica que separa os dois grupos nos dava a certeza da vitória do clube rubro-negro, assim como levou o torcedor tricolor ao entendimento dos fatos.

Na outra semifinal o Retrô também fez valer sua melhor qualidade técnica e a experiência de um time que, pela terceira vez chega a condição de finalista, nas últimas quatro edições do Estadual. Não sei se desta feita a bola irá entrar, pois já bateu na trave duas vezes. O time de Camaragibe foi vice-campeão em 2022 e 2023. Seu protagonismo impõe respeito, basta analisar a escalada de crescimento que o levou a últrapassar os limites domésticos.

Assisti ao Clássico das Multidões na companhia dos amigos, Ricardo Brito e Severino Otávio (Branquinho). As divergências dos dois a respeito das preferências por alguns jogadores, me deixaram  com o sentimento de que o Sport precisaria, no atual estágio, onde o técnico Pepa começa a definir seus titulares, de um teste maior, que sirva de parametro para uma avalição visando o Brasileiro da Série A, cujas disputas se iniciam no final do mês.

Bom! Nesta quarta-feira o Sport vai a Salvador medir forças com  o Vitória, outro nordestino que vai disputar a Série A. Um bom teste para ambas as equipes. Confesso que estou curioso para ver em qual rotação os dois times irão atuar. Digo isso porque tenho visto os clássicos decisivos entre clubes do Sudeste e a dinâmica é bem diferente da que observamos, neste início de temporada, no futebol nordestino.

Vitória, Bahia, Fortaleza e Ceará, como também o Sport, são os nordestino da Série A em 2025. Cearenses e baianos têm a vantagem de jogarem entre si nos respectivos estaduais. O rubro-negro pernambucano não teve nenhum parametro no Pernambucano. Sua superioridade técnica na disputa caseira é tamanha que, mesmo girando na baixa alcançava seus objetivos. A dinâmica que o Sport irá desfilar no Brasileiro segue sendo um ponto de interrogação.

 A cobrança de uma maior dinâmica tem formado um coro uníssono na torcida leonina. A carência de um ritmo forte leva o sertanejo, Bernardino Magalhães, a sapecar comentários no pé do ouvido de meio mundo de gente.

A vitória do Sport sobre o Santa Cruz (1x0), no final de semana, era tão previsível que, nem a torcida rubro-negra se esbaldou em comemorações, nem a torcida tricolor se decepcionou com o resultado.

Enfim, todos esperavam. Sequer houve festival de memes nas redes sociais.

Coisas do futebol!

Rivalidade só aquece quando existe equilíbrio. Simples assim!


leia mais ...

Campeonato Pernambucano
Dinâmica x Técnica
postado em 14 de maro de 2025

CLAUDEMIR GOMES

 

Os Estaduais estão chegando ao fim, o que possibilita algumas análises sobre os clubes que se preparam para as disputas do Brasileiro, cujo início está previsto para o final do mês. Por ser o Sport o único representante pernambucano na Série A, o rubro-negro pernambucano atrai para si as atenções dos "analistas". Vale salientar que, em tempo de rede social, a turma do achismo se multiplica numa velocidade assustadora.

Sinais dos tempos! Todo mundo acha, todo mundo faz live, podcast, mas poucos enxergam a realidade dos fatos. Aliás, o amigo Adherval Barros, numa de suas últimas postagens, disse, ao seu jeito, uma porção de verdades. Adherval, se preciso for, cospe fogo, e isso queima muita gente, razão pela qual já foi apelidado de "coveiro do futebol pernambucano". Não se chega as flores sem passar pelos espinhos! Mas poucos aceitam isso.

O pelotão dos cronistas mais experientes, me incluo nessa seleção, analisa os fatos por óticas diferentes. Sinto-me confortável quando a opinião dos "velhos" companheiros coincidem com a minha. Isso nos deixa com a certeza de que não somos estranhos no ninho.

Com a internacionalização do futebol temos a oportunidade de assistir a jogos de inúmeras competições estrangeiras. Campeonatos de vários países em diferentes continentes. Entretanto, esta semana me concentrei no futebol  brasileiro. Vi vários clássicos. Duas coisas têm feito a diferença: a qualidade técnica, que sempre foi ponto de desequilíbrio, e a dinâmica do jogo, que é uma questão coletiva.

O posicionamento tático é basicamente o mesmo. Não podemos esquecer que o mundo vive interligado. Marcação em duas linhas de quatro jogdores; quando a marcação é baixa a segunda linha tende a ganhar mais uma peça... Uma marcação feita por uma equipe que pratica um futebol de alta performance é bem  diferente da exibida por um time de baixa qualidade técnica.

Algumas coisas parecem imutáveis no futebol. Desde sempre, em  jogos parelhos e decisivos,  a marcação é priorizada pelos treinadores. O que vai desequilibrar é a qualidade técnica dos jogadores. De forma equivocada, algumas pessoas afirmam que "fulano é muito habilidoso, mas não marca ninguém". Ora, se sua habilidade for suficiente para atrair a marcação de dois adversários, ele já está minando e limitando a ação do adversário.

Sport e Santa Cruz vão para o segundo clássico, neste sábado, válido pelas semifinais do Pernambucano. A superioridade técnica do conjunto rubro-negro é indiscutível. Os tricolores vão tentar se impor pela dinâmica. Anos atrás não se falava em autoajuda. Os treinadores usavam frases de efeito. Uma bastante usual era: "Quem tem vontade carrega meia vitória!"

Traduzindo: O time que for a campo com garra, determinação e muita entrega está mais  próximo do sucesso. Foi justamente isso que aconteceu no Clássico das Multidões, na fase de classificação, quando o Santa Cruz venceu o Sport. Naquela partida, o conjunto leonino estava girando na baixa, por outro lado, o time tricolor girou na alta o tempo todo.

No primeiro confronto das semifinais o Sport se apresentou com outra dinâmica e sua qualidade técnica desequilibrou. Tem quem afirme que: "2x0 é placar de otário". Nunca consegui assimilar tal princípio. Pergunto: quem é o otário, quem construiu a vantgem, ou quem está em desvantagem? Posso está equivocado, mas acredito que todo treinador gostaria de ir para uma decisão com a vantagem de dois gols. Fico com a sabedoria de Givanildo Oliveira: "Toda vantagem numa decisão é substancial".

De uma coisa tenho certeza: a torcida tricolor vai comparecer em peso ao  Arruda. Todos os ingressos postos a venda serão adquiridos. O Santa Cruz vai usar a energia que é gerada nas arquibancadas para aumentar sua rotação. O Sport, mais uma vez, vai usar sua melhor qualidade técnica para chegar as finais.

A ansiedade e o nevorsismo serão iguais aos dos clássicos de antigamente. Pertencem ao DNA do futebol.  


leia mais ...

Campeonato Pernambucano
FINAL ANTECIPADA
postado em 07 de maro de 2025

CLAUDEMIR GOMES

 

Em qualquer lugar do planeta bola, os clássicos sempre foram o suprassumo das competições. Isto é fato. E explica o frisson que se observa no futebol carioca com a iminência de se ter uma final do Estadual entre Flamengo e Fluminense. O mesmo acontece em São Paulo onde, depois de muitos anos, as semifinais do Paulista reúne as quatro maiores bandeiras do futebol bandeirante: Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos.

Nesse contexto, Sport e Santa Cruz, que a partir deste sábado começam a medir forças numa das semifinais do Pernambucano, serão protagonistas do que podemos chamar de final antecipada. Isso porque, por mais que se respeite as "imposições" do futebol, o vencedor deste duelo fatalmente será o campeão de 2025. O Retrô, vice-campeão em 2022 e 2023, faz a outra semifinal com o surpreendente Maguary.

O feriado da Carta Magna - comemoração da Revolução Pernambucana de 1817 - na quinta-feira, serviu para o pernambucano baixar o som do frevo possibilitando a volta do ti,ti,ti do futebol. Afinal, a "decisão" do Estadual volta a ser protagonizada pelos donos das duas maiores torcidas da nossa "república".

Quem será o campeão?

A pergunta que não quer calar nos quatro cantos do Estado. De um lado, os rubro-negros se escudam na condição do Sport, único clube do Estado a figurar no Brasileiro da Série A. Do outro, os tricolores apostam no momento do  Santa Cruz, que na fase de classificação amargou apenas uma derrota para o Náutico, a qual se deve creditar um erro crasso da arbitragem.

Há oito anos que Sport e Santa Cruz não se cruzam numa final de campeonato. A última vez foi em 2016, quando o Tricolor do Arruda conquistou seu último título estadual. O Sport busca a sua 45ª conquista do Pernambucano. Os leoninos que foram campeões logo na sua primeira participação na competição, em 1916.

O Santa Cruz disputa o Estadual desde a sua primeira edição, em 1915, quando foi vice-campeão. O Tricolor do Arruda esperou dezessete anos para conquistar o seu primeiro título de campeão pernambucano. Este ano, o Time do Povo busca a sua 30ª conquista.

Apesar dos números lhes serem favoráveis, corre na boca do povo que, "o Sport treme quando tem que medir forças com o Santa Cruz". Para rebater as provocações, os leoninos dizem que "começou a quaresma, tempo de jejuar", em alusão aos oitos anos que o time do Arruda não levanta nenhuma taça.

Afora os 17 anos que os tricolores aguardaram para conquistarem o primeiro título estadual, na sua história constam o registro de mais três grandes hiatos: 1947/1957; 1959/1969; 1995/2005.

A maior "seca" de títulos vivenciada pelos leoninos foi a de 1962/1975, quando o time da Ilha do Retiro passou doze anos sem ser campeão.

Os registros históricos servem apenas para alimentar a rivalidade existente entre as duas maiores tribos do futebol pernambucano. Em mais de cem anos de história tudo mudou. O mundo deixou de ser analógico. Estamos em plena era digital, onde a velocidade dos fatos triplicou. Barreiras foram quebradas, distâncias encurtadas. Uma das poucas coisas que seguem imutáveis é a paixão do torcedor pelo seu clube de futebol.

Um patrimônio imaterial que enriquece a cada conquista, a cada título.


leia mais ...

Sport
No ritmo do Fado
postado em 28 de fevereiro de 2025

CLAUDEMIR GOMES

 

O amigo, Fábio Gondim, me enviou uma mensagem dizendo que estava no aguardo de um artigo sobre o atual momento do Sport.

Fábio é rubro-negro raiz. E carrega consigo as boas recordações da época em que o Sport anunciou a contratação de Luciano Velozo, em pleno carnaval, como o Craque Ressaca. Luciano que era conhecido como A Maravilha do Arruda. E o Craque Ressaca foi só alegria para a grande torcida leonina, assim como todo o Supertime da Ilha que tinha Dario, Assis Paraíba, Tobias, Tovar, Djalma Linhares...

Passados 50 anos, isso mesmo, meio século, o presidente Jarbas Guimarães segue festejado como um dos melhores comandantes da história do Clube da Ilha do Retiro. Afinal, sua ousadia pôs um ponto final a um jejum de doze anos sem que o Sport conquistasse um título do Pernambucano.

"Sport 75! Vinte vezes campeão".

Essa página feliz da história do Sport começava com um presidente ousado, arrojado e destemido que sabia montar as peças no tabuleiro. E com um treinador super conhecedor da matéria de nome, Davi Ferreira, ou simplesmente, Duque.

Val! O taxista que tem sempre uma piada pronta para gozar com os rubro-negros, me disse que, "com a Peppa o Sport não vai a lugar algum".

No que eu retruquei: "O Pepa". Sorrindo ele apimentou: "É que o time dele está mais para desenho animado, sendo assim é a Peppa".

A Peppa é um personagem infantil criado pelos cartunistas britânicos, Neville Astley e Mark Baker.

Acho que o problema do Sport está no idioma. O português de Portugal difere do português do Brasil. Eis a razão pela qual a equipe leonina está sendo chamada de negação, ou seja, não tem nada: dinâmica, ritmo, garra, padrão de jogo. A impressão que temos é que venderam gato por lebre ao presidente.

Alguns analistas asseguram que a questão é o ritmo musical: O Sport, por tradição, sempre jogou no ritmo do frevo. O time do Pepa joga ao ritmo do fado. Um fado que não chega a ser o da Amália Rodrigues, que encantou o mundo inteiro. É um fado enfadado.

Quando o time do Sport retornou do Mato Grosso, onde foi desclassificado da Copa do Brasil pelo modesto Operário, o presidente Yuri Romão cochichou no ouvido de Pepa: "Não se preocupe. Vença o Decisão no domingo que no resto do carnaval a torcida vai cantar - É dos carecadas que elas gostam mais".

Pepa não foi na conversa do presidente, e recorreu ao Ponto de Interrogação do saudoso Gonzaguinha: "É preciso ter consciência do que eu represento nesse exato momento".

Em 1975, para comemorar o anúncio do Craque Ressaca, para o Supertime da Ilha, Fábio Gondim passou na Itaity de Carol Fernandes, pegou o jovem Anacleto e foram encontrar Antiógenes Tavares para tomar umas doses de whisky no Bar de Zezinho. Depois, como não tinha Lei Sêca, se danou pra Nazaré da Mata onde brincou o carnaval no Condor.

Não se travestiu de Peppa, pois na época não existia. Preferiu vestir sua camisa listrada nas cores vermelha e preta. Onde passava a turma gritava: "sossega leão, sossega leão!".

Há 50 anos o frevo não abria alas para o futebol nem a pau.


leia mais ...