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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
O tÃtulo acima não é de anúncio de nenhum folhetim da Rede Globo, novela ou seriado, mas foi inspirado na arte, através da qual o Brasil conquista espaço no universo do entretenimento. ´
Os fatos que marcaram o inÃcio da semana, no Sport Club do Recife, foram tão bizarros que ficamos na dúvida se o que estávamos testemunhando era real, ou se tratava de uma cópia da arte cênica. As lambanças cometidas pela atual gestão do clube leonino promoveram um espetáculo grotesco, que os italianos chamariam de ópera bufa. Uma comédia tipo pastelão como dizem os brasileiros.
Há um bom tempo os rubro=negros tecem crÃticas a gestão do presidente executivo, Arnaldo Barros. O clube que apresentava um equilÃbrio financeiro elogiável, anos atrás, passou a exibir um balanço deficitário. O caos administrativo segue pelo futebol deixando o torcedor leonino com aquela sensação de "meu mundo caiu".
Com uma "turma de choque" no Conselho Deliberativo, o presidente do executivo conseguiu aprovar o balanço, apesar da contestação de alguns ex=presidentes. A formatação do Conselho, onde a maioria dos conselheiros é indicada pelo presidente do executivo, possibilita articulações de defesa no sentido de blindar o gestor maior.
Por se tratar de um clube onde o futebol é o "carro chefe", os fatos que ocorrem no campo reverberam mais que os erros administrativos que podem comprometer gestões futuras. Por tal razão, a coletiva de imprensa convocada pelo ex=técnico, Nelsinho Baptista, para dizer que estava deixando o Sport, ecoou mais que o debate ocorrido na reunião do Conselho.
A atitude do treinador expôs toda a fragilidade e incompetência dos que respondem pelo comando do futebol leonino. De forma açodada, e revelando completo desconhecimento dos bastidores de um clube de futebol, o diretor, Leonardo Lopes, concedeu entrevista a Rádio Clube, deixando claro que a demissão do treinador estava em curso. Isso ocorreu antes do jogo onde o Leão empatou em 1x1 com o Botafogo do Rio. Ao tomar conhecimento do fato, Nelsinho resolveu entregar o cargo. Marcou uma coletiva no CT do clube e, na toca do leão, não poupou crÃticas a diretoria, revelando o que se pode chamar de "tremenda bagunça", o que explica a queda de rendimento que se observa no Sport desde o ano passado.
Nelsinho Baptista não se preocupou com a força das palavras, pelo contrario, ciente dela, revelou fatos que servem como entrave para o crescimento do Sport no cenário nacional. O comportamento do ex=treinador se assemelha ao do atacante André, que ao deixar o clube da Ilha do Retiro não poupou os dirigentes. Para aumentar o cordão dos crÃticos podemos citar os treinadores, Vanderlei Luxemburgo e Osvaldo de Oliveira.
Resumo da ópera: clube profissional dirigido por amadores vira comédia.
CLAUDEMIR GOMES
O Sport recebe o Botafogo as 20h desta segunda=feira, na Ilha do Retiro, para fechar a segunda rodada do Brasileiro da Série A. Mais que um jogo para os leoninos que, dentro das quatro linhas, vão buscar três pontos para deixar a zona de rebaixamento, este confronto servirá para aquecer, ainda mais, os bastidores do clube, ou acalmar o clima na esperada reunião do Conselho Deliberativo que está programada para amanhã.
O trabalho de campo, comandado pelo treinador, Nelsinho Baptista, não vai bem, fato que, para muitos sócios e conselheiros, é decorrente da má gestão do presidente do executivo, Arnaldo Barros. A administração desastrosa reflete em todos os setores do clube. A reunião extraordinária do Conselho, programada para esta terça=feira, tem como pauta única, a análise do balanço da temporada 2017. Os números divulgados assustaram os leões, e levaram ex=presidentes a tomarem uma posição: vão exigir do presidente executivo, um planejamento financeiro, até o final de sua gestão, dentro do atual cenário.
Se a saúde financeira do clube não está boa, o futebol, que é considerado o "coração", bate descompassadamente, razão pela qual levou o Sport a fracassar logo na primeira fase da Copa do Brasil e a ficar de fora da decisão do tÃtulo do Pernambucano, competição onde era cotado para chegar a final.
Evidente que uma vitória hoje a noite, sobre o Botafogo, não levará o presidente, Arnaldo Barros, a equação de todos os problemas existentes, na Ilha do Retiro contudo, vai deixar o clima menos pesado na inquisição preparada pelo Conselho.
Atento aos episódios dos bastidores, o técnico Nelsinho Baptista sabe que o seu trabalho sofre interferência do que acontece fora do campo, e uma vitória sobre o Botafogo não apenas levará o torcedor a esquecer o vexame passado em Belo Horizonte, semana passada, quando o Sport foi humilhado pelo América/MG, na rodada de estréia, tendo que amargar uma derrota por 3x0, mas também poderá lhe dar a tranquilidade necessária para seguir com um trabalho que, até o momento, tem sido negativo.
O confronto com o alvinegro carioca não se trata de uma decisão, dentro das quatro linhas, para o Sport, mas pode vir a ser determinante para muitas decisões dentro do clube.
Para aumentar a expectativa do torcedor leonino, o Sport irá a campo com o terceiro goleiro: MaÃlson.
CLAUDEMIR GOMES
O mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, está sempre ressaltando a importância dos números, assegurando que eles dão um norte a tudo. Com base nos números, suas análises sobre as campanhas e o futuro dos clubes nas competições em que estão envolvidos, são de uma precisão impressionante. Evidente que a margem de erro também é proveniente do imponderável, que faz parte do futebol.
Com base neste princÃpio, ao observarmos o desempenho do Náutico nas competições que já disputou na temporada (Campeonato Pernambucano, Copa do Nordeste e Copa do Brasil), e mais o Brasileiro da Série C, cuja participação do alvirrubro recifense começou com a disputa de um clássico com o Santa Cruz, podemos assegurar que, a estrada para o acesso do Clube dos Aflitos à Série B, será asfaltada através do mando de campo.
O Náutico foi o clube que mais disputou jogos nos primeiros quatro meses do ano. Como mandante, o time comandado por Roberto Fernandes não perdeu nenhuma partida. A Arena Pernambuco foi o palco de 15 apresentações dos alvirrubros que contabilizaram 12 vitórias e 3 empates, obtendo um extraordinário aproveitamento de 86%.
A Série C, embora abrigue 20 clubes, a exemplo do que acontece com as Séries A e B, tem uma forma de disputa diferente. Na terceira divisão nacional, os clubes são divididos em dois grupos, onde se busca uma regionalização. Eles se enfrentam entre si e se classificam para a próxima fase os quatro que obtiverem melhor pontuação. A partir da segunda fase a disputa passa a ser no estilo mata, mata, havendo um cruzamento entre os clubes dos Grupos A e B. Não se pode assegurar que, apenas com os bons resultados como mandante um clube possa atingir a meta da classificação. Quem quiser ascender para a Série B terá que ir buscar um plus como visitante.
Depois de estrear em casa, o Náutico sai para fazer dois jogos como visitante na Série C. Neste sábado enfrenta o Botafogo em João Pessoa, e depois vai ao Acre enfrentar o Atlético. Na primeira rodada da Série C aconteceram 6 vitórias de clubes mandantes, todas pelo placar de 1x0; 3 empates e apenas uma vitória de um clube visitante, também pelo placar de 1x0.
Por se tratar da terceira divisão nacional, a qualidade técnica é um detalhe. Os clubes procuram se superar através da determinação. A receita não é outra senão a da transpiração. E o mando de campo será o escudo a ser utilizado por todos os 20 clubes participantes. Neste expediente, o Náutico parte na frente.
JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com
Tudo o que foi publicado no caderno de Esportes do Jornal do Commercio sobre a situação do Sport, o nosso blog já tinha analisado e mostrado que os números apontavam para uma grave crise, que, só poderá ser contornada no médio prazo através de algumas mudanças no processo da gestão do clube.
Fazemos uma pequena ressalva com relação a queda das receitas de R$ 24.125.140,00, que na verdade aconteceu por conta das luvas da renovação do contrato com a TV que foram pagas no ano anterior, e as alavancaram nesse perÃodo.
Sem essas o clube voltou ao seu patamar real.
A atual administração escondeu a realidade. Faltou a transparência.
Se tivesse publicado os balancetes mensais, certamente iria aparecer alguém para chamar a atenção para os problemas financeiros. O seu modelo era para cobrir um santo, e ao mesmo tempo descobrir outros, e os recursos sumiram.
O binômio receitas x despesas não foi respeitado. As tentativas de melhoras no futebol levaram o clube ao fundo do poço, por conta de contratações e salários vultosos.
Uma folha salarial que chegou aos R$ 4 milhões mensais, seria obvio que iria abalar as finanças. Em 13 meses (13º), isso representou R$ 52 milhões, ou seja metade das receitas do clube só em salários dos profissionais.
Tornou=se em uma bola de neve.
No meio disso algumas contratações esquisitas.
O alto Passivo Circulante proibiu empréstimos, e resvalou no atraso salariais, como na quitação dos parcelamentos acertados com os cofres federais.
A bola rolava muito mal nos gramados, e pior ainda nos gabinetes dos diretores. Os impostos deixaram de ser pagos, inclusive com a apropriação indébita de alguns que foram recolhidos das fontes e que deveriam ser depositados nas contas governamentais.
O ano findou e só quem sabia da situação era o presidente Arnaldo Barros e seus diretores mais próximos.
Hoje a nação rubro=negra está em polvorosa, mas nada de positivo é feito para resolver a situação.
São palavras e mais palavras perdidas ao vento. Há anos que sempre repetimos uma frase: "O Sport é uma mina de ouro, se bem administrado". Por conta disso poderá dar a volta por cima, mas para que isso possa acontecer o modelo de gestão atual tem que ser rasgado, um projeto de recuperação implantado, e o afastamento do presidente que é o mais importante para o processo. Com a atual direção a vaca irá para o brejo.
Para uma mudança de cenário é necessário cabeças pensantes, que possam dar o norte em que o clube deverá caminhar.
De uma coisa temos a certeza: se continuar como está, o rubro=negro irá bater no inferno. Mudando o rumo chegará no final do ano no purgatório, com um balanço um pouco melhor.
Finanças, administração e marketing para a captação de recursos são as bases fundamentais para uma boa gestão, e no Sport esses setores são ineficientes.
CLAUDEMIR GOMES
A "Dança dos Técnicos" em um campeonato longo, como o Brasileiro, sempre chama a atenção. Os motivos da ciranda, que atinge Ãndices altÃssimos de dispensa, são os mais variados, mas os resultados dos jogos justificam a maioria das demissões, razão pela qual a torcida do Sport ficou sem entender a permanência de Nelsinho Baptista no comando do time leonino.
Por outro lado, mesmo se tendo consciência de que ele era um profissional que dividia as opiniões dos torcedores, a saÃda do técnico, Júnior Rocha, do Santa Cruz, após o clássico deste domingo, onde o Tricolor empatou em 1x1 com o Náutico, surpreendeu a torcida coral. Rocha foi seduzido por uma proposta do CRB, que disputa a Série B nacional, e se transferiu para o futebol alagoano. Na sua passagem pelo Arruda, Júnior Rocha contabilizou 5 vitórias, 11 empates e 3 derrotas.
O treinador é apenas uma peça da engrenagem. Peça importante, diga=se de passagem. Mas não se pode atribuir unicamente a ele o sucesso, ou o fracasso, de uma equipe, ou ainda lhe penalizar pelo insucesso de um projeto. O equilÃbrio entre a administração e o trabalho de campo é imprescindÃvel para que a passagem de um profissional pelo comando do futebol de um clube seja exitosa.
Emerson Leão iniciou sua carreira como treinador no Sport. Comandou o time leonino na vitoriosa campanha do Brasileiro de 1987. Em 2000 foi voltou ao comando técnico do clube da Ilha do Retiro. A brilhante campanha que o Sport descreveu na Copa João Havelange o credenciou para ser o treinador da Seleção Brasileira, que se preparava para a Copa de 2002. Passados nove anos, Leão foi trazido de volta à Ilha do Retiro pelo presidente, SÃlvio Guimarães, que não analisou, o momento do treinador que estava com sua carreira em declÃnio. Resultado: sua última passagem pelo Sport não deu certo, pois, além de outras coisas, não havia uma boa sintonia do treinador com os dirigentes de plantão.
Nelsinho Baptista levou o Sport a conquista da Copa do Brasil em 2008. Nove anos depois é recrutado novamente para trabalhar na Ilha do Retiro. A diretoria do Sport incorre no mesmo erro que os dirigentes cometeram quando contrataram Leão pela terceira vez, sem analisar o momento do profissional. Nelsinho passou quase uma década no futebol japonês, e desde que aportou de volta no Recife, não conseguiu entrar em sintonia com o momento do futebol brasileiro, fato que tem reprovado o seu trabalho no comando do time leonino na atual temporada.
Júnior Rocha foi uma aposta dos dirigentes do Santa Cruz, como tantas outras que já aconteceram, com sucesso, no Arruda. Apesar de trabalhos desenvolvidos em outros clubes lhes credenciar, o Tricolor do Arruda era o maior desafio de sua carreira. O clube com maior tradição, e de maior camisa. Por se tratar de uma aposta, nada se pode cobrar, até porque, sob o seu comando o Santa Cruz apenas permaneceu no estágio em que ele encontrou.
A "Dança dos Técnicos" é mais um desses mistérios difÃceis de serem desvendados, que o futebol nos apresenta com muita frequência. Nela, sai quem deveria ficar, e fica quem deveria sair.