Histórico
Copa da Rússia
Os Grandes Encontros
postado em 28 de junho de 2018

CLAUDEMIR GOMES

 

É comum se usar frase de efeito para explicar as coisas que acontecem no futebol. O interessante é que elas simplificam tudo. A Copa da Rússia chega, no próximo sábado, a fase dos grandes encontros. A competição passa a ser disputada pelo sistema de mata, mata, fato que tem levado muita gente a utilizar a frase: "Agora é uma outra competição!".

Quem tem um maior conhecimento da matéria, ou enxerga o futebol com mais maturidade, consegue captar os sinais, e tem ciência de que a disputa segue com mais qualidade porque as seleções foram filtradas. Isso mesmo. A fase de grupos não é outra coisa senão um grande filtro. Naturalmente que acontecem surpresas, como a desclassificação da Alemanha. Fato pouco provável antes de a bola rolar, mas que não chega a ser inédito, visto que, aconteceu com a França em 2002; a Itália em 2010 e a Espanha em 2014. O título credencia, mas não assegura o sucesso.

São muitos os fatores que interferem no desempenho das equipes. É preciso sempre ter na lembrança que se trata de uma competição de um esporte coletivo. Muitos times são ajustados durante a disputa, fato que contribui para uma elevação de nível técnico a partir das oitavas de finais.

A evolução da Seleção Brasileira contra a Croácia foi notória porque o seu principal jogador passou a jogar mais para o coletivo. O time se soltou, por conseguinte, algumas peças passaram a apresentar um melhor rendimento. O protagonismo do craque será ressaltado em qualquer circunstância. Ele funciona como um objeto de decoração para o coletivo. E faz a diferença. Mas o que leva as seleções adiante é a força do conjunto, razão pela qual, em todas as edições de Copa do Mundo surgem as surpresas.

A partir da próxima fase, mais que nunca, é preciso respeitar uma verdade que é sempre desprezada: "No futebol não existe verdade absoluta". A Alemanha que o diga. Os 7x1 de 2014 também não nos deixa esquecer.

A fase de grupos da Copa da Rússia foi marcada por bons jogos. Algumas seleções apresentaram um nível de dificuldade acima do esperado, mas, de forma geral, tivemos poucas surpresas no acesso dos times para às oitavas de final. O mais gratificante, até o momento, foi o excelente futebol apresentado pela Bélgica, que é apenas uma ratificação do que os diabos vermelhos têm protagonizado nos últimos anos. Não podemos mensurar a autonomia de voou de nenhum time, mas os belgas se credenciaram para serem efetivados como a grata surpresa deste Mundial.

Os grandes encontros são diferenciados por conta da evolução das seleções. Vamos a eles.    

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Futebol Brasileiro
O ontem, o hoje e o amanhã
postado em 25 de junho de 2018

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejjpazevedo.com

 

Mesmo com essa overdose de Copa do Mundo não podemos deixar de lado o futebol brasileiro, cujo recesso foi apenas para a Série A, com as demais divisões em pleno andamento.

Ao assistirmos o jogo entre Coritiba 1x1 Figueirense, nos deparamos com um clube que sempre esteve entre os mais importantes do Brasil jogando na Série B, sem conseguir chegar ao grupo de acesso. Arquibancadas do Couto Pereira com poucos torcedores, e para completar o drama as duas torcidas se envolveram em uma briga campal.

Esse é o retrato do futebol brasileiro de hoje, com raras exceções, com muitos clubes decadentes.

O mundo mudou, a sociedade recebe informações, e passou a discernir o que seria melhor para as suas atividades de lazer, e os dirigentes não entenderam essa mutação. Vivenciamos o clube antigo e o novo, e isso é importante para uma análise comparativa.

Na realidade o de ontem tinha um sentimento diferente da parte dos seus associados, como acontece ainda em grandes clubes brasileiros da região Sul/Sudeste.

Esses viviam o seu cotidiano, frequentavam-no, e com isso tinham um aprendizado para que no futuro pudessem participar do seu comando. Era uma escola formadora de dirigentes, que se preocupavam com um sujo nas paredes de seus clubes. O associado era bem recebido. Vários eventos eram realizados exclusivamente para esse. Havia um respeito. Muitos cresceram o seu patrimônio, e evoluíram nos esportes. O dinheiro tinha as suas cores. Não haviam patrocinadores, mas as gestões eram bem melhores, desde que trabalhavam com os pés no chão.

As famílias os frequentavam, mas foram aos poucos sendo afastadas pelos novos conceitos, ou seja, excluíram a voz dos associados e se apropriaram dos seus destinos, sem ouvir aqueles que fazem parte de sua vida.

Sem a formação de dirigentes, o processo mudou. Hoje o clube é fatiado por grupos que tomaram conta do poder, com dirigentes que nunca entraram na sua sede e que só conseguiram chegar pelo GPS. Falta-lhes o cheiro de suas cores.

Foi criado um abismo profundo entre os sócios e o clube, mesmo com o mundo da internet, onde hoje a transparência é uma pornografia proibida, sob pena de prisão perpétua a que ousar pronunciá-la.

No Brasil existem clubes que aproveitaram muito bem o seu passado, que vivem, sem dúvida, um bom presente, e tem um futuro com boas perspectivas, mas a maioria foi abandonada, sob o pretexto de que hoje existem outras formas de lazer.

O clube de hoje é amorfo. Suas sedes são elefantes brancos e deixam de acolher o seu corpo social, e por conta disso o presente já não tem qualidade, e o futuro se apresenta sem maiores perspectivas.

Aqueles que tem o futebol acompanharam as decadências durante os anos.

Temos poucos sobreviventes com boas condições financeiras.

O passado nos ensinou que a agremiação é como uma escola, e que funciona em outras atividades, e sempre formando bons dirigentes por conta de uma maior vivência.

Por falta dessa simbiose os clubes sócios esportivos transformaram-se em sobras do passado, hoje sendo Capitanias Hereditárias.

Quanto ao futuro, esse só a Deus pertence, mas o enxergamos para muitos clubes, inclusive aqueles do nosso Estado, sem saída para um momento melhor, com uma tendência de minguarem a cada ano que se passa, ou seja, não temos futuro.

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Copa da Rússia
O fim do futebol
postado em 21 de junho de 2018

CLAUDEMIR GOMES

 

"A Copa do Mundo está decretando o fim do futebol!"

A frase me foi enviada ontem a tarde, pelo mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, via WhatsApp, e sintetiza toda a sua indignação com a tônica do futebol que está sendo apresentado pela maioria das seleções na Copa da Rússia. Grande parte analistas utiliza termos como "eficiência defensiva; aplicação tática...", para justificar a consolidação de retrancas como um meio eficaz de conseguir bons resultados, e até "surpreender" adversários tecnicamente superiores que procuram exibir um futebol atraente e objetivo.

Após receber a mensagem do José Joaquim fiquei a pensar cá com meus botões: não vai ser fácil aturar o futebol dos clubes no próximo ciclo. É que a Copa do Mundo acontece a cada quatro anos, e no intervalo de uma edição para a outra, o que observamos é um esforço dos treinadores em copiar esquemas táticos considerados por eles como eficientes.

Naturalmente que o talento individual, a técnica apurada dos jogadores, fará sempre a diferença. O maior, e mais atual, exemplo é o Cristiano Ronaldo que vem carregando a seleção de Portugal nas costas.

Quando a comunicação não era tão evoluída, a Copa nos trazia mais novidades. Nos dias atuais, onde as distâncias não mais existem, e todas as cortinas foram abertas, os confrontos de gigantes com nanicos, mesmo em se tratando de seleções disputando um mundial, exibem a mesma essência: a ordem é formar um bloco dentro da área e ficar 90 minutos jogando por uma bola. E Davi fica 90 minutos buscando uma pedra para surpreender o gigante Golias que sente dificuldade de abater seu frágil adversário por falta de espaço para se movimentar.

Se as famosas duas linhas de quatro já proporcionavam retrancas consistentes, a grande novidade neste Mundial Russo é o agrupamento: uma linha de quatro, para o primeiro combate, e uma de seis para o segundo. Os dois volantes agora recuam pelos flancos para darem respaldo aos laterais. E assim, os novos "exércitos" fecham o cerco de forma tão eficiente quanto o exército russo fez, impedindo o avanço dos alemães na segunda guerra mundial.

Como a maioria dos analistas não tem o conhecimento que o mestre José Joaquim tem, tampouco teve a oportunidade que ele teve de ver grandes edições de Copa do Mundo, onde as seleções se sobressaiam com um futebol arte, e esquemas revolucionários buscando sempre espaços que lhes levassem à vitória, ao final de confrontos mequetrefes, somos obrigados a ouvir avaliações elogiando as marcações "eficientes".

É meu caro José Joaquim!

Se é duro ver retranca numa Copa do Mundo, imagine o que vamos ter doravante num futebol onde a carência de virtuosos, cada vez mais, se agiganta.

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Copa da Rússia
Estréia sem sal
postado em 18 de junho de 2018

CLAUDEMIR GOMES

 

Agora vai!

Foi com essa certeza que o torcedor brasileiro aguardou o jogo de estréia do Brasil com a Suíça, na Copa da Rússia. A boa campanha nas Eliminatórias, pós chegada de Tite ao comando técnico, e o desempenho nos amistosos que serviram de preparação para a competição provocaram tal sentimento. Eis a razão pela qual a frustração, pós empate de 1x1, foi tão grande. Só não foi maior que o esforço dos profissionais da Rede Globo em atribuir o "fracasso" apenas aos erros de arbitragem.

O árbitro mexicano erro ao não marcar o pênalti em cima do Grabriel Jesus. Isto é fato. Quanto ao gol aos suíços, prefiro atribuir a uma falha de posicionamento da defesa, uma vez que haviam seis jogadores brasileiros na área, contra apenas um do time adversário, e deixaram que ele subisse livre, leve, solto e fagueiro para marcar o gol. O toque nas costas de Miranda existiu, mas não foi suficiente para crucificar o apitador, uma vez que, lances igual àquele acontece com frequência e nada acontece.

A verdade é que o Brasil se nivelou a Suíça porque os jogadores que estavam cotados para serem protagonistas não corresponderam. Sem ninguém para sair do lugar comum, todos os times se tornam iguais.

Evidente que os jogadores do nível de Neymar, Messi, Cristiano Ronaldo... receberão uma marcação implacável. Isto é uma coisa tão previsível quanto os esquemas de retenção que estão sendo utilizados pelas seleções de pouca qualidade técnica.  Isso ficou bem claro no confronto da Argentina com a Islândia, onde os islandeses formaram um paredão dentro da área e caçaram Messi durante os 90 minutos, tal qual os suíços fizeram em cima de Neymar.

Os melhores jogos, até o momento, foram Espanha 3x3 Portugal e Alemanha 0x1 México porque foram embates de times que jogam e deixam o adversário jogar. Foram times que buscaram a vitória. As seleções que têm poucos recursos vão a campo com o propósito de não perderem. Os confrontos entre seleções pequenas são marcados pelo alto índice de competitividade. São forças que se equiparam, razão pela qual travam bons duelos.

A fase das estréias não nos trouxe grandes novidades até o momento.

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Copa da Rússia
E todos sabem tudo nas redes sociais
postado em 16 de junho de 2018

CLAUDEMIR GOMES

 

A cada edição de Copa do Mundo fico mais convicto de que nada liberta mais a imaginação do ser humano que o futebol. E agora, com as redes sociais a todo vapor, é que passamos a ter noção da diversidade de pensamentos e comportamentos através de opiniões que são expressas através de posts que são feitos sem o menor constrangimento, ou inibição, mostrando que o mundo é habitado por milhões e milhões de profundos conhecedores da matéria.

O sábado foi fechado com a disputa do oitavo jogo do Mundial da Rússia. A competição é composta por 64 partidas, sendo que 48 acontecem nesta fase de grupos. Pois bem! Esta pequena mostra parece ter sido suficiente para os "gênios" chegarem as suas conclusões. As análises são feitas por diferentes óticas. E todos têm explicação para tudo. Este é o efeito dos movimentos de rotação e translação que a bola faz durante 90 minutos, ora contrariando lógicas, ou referendando prognósticos que nos levam a crer que no futebol tudo é óbvio ululante, como diria Nelson Rodrigues.

A Copa do Mundo sempre foi tratada como um protótipo. O torneio, que começou em 1930, no Uruguai, com cara de uma competição sul-americana com alguns convidados europeus, tinha como proposta colocar em confronto, o que a época se chamava de escolas. O principal atrativo era a queda de braço entre as escolas européia e sul-americana. A cada edição, de quatro em quatro anos, surgiam novidades: novos esquemas de jogo, propostas táticas que eram copiadas pelos clubes durante todo um ciclo, até o próximo Mundial.

Quando a internet passou a ser de domínio público as distâncias foram encurtadas. Com as barreiras quebradas, todos passaram a ser alimentados com informações que antes dos anos 90 não se tinha acesso. A abertura de mercado, que promoveu o êxodo dos melhores jogadores dos outros continentes para a Europa, promoveu muitas quebras de paradigmas. Para simplificar todas as mudanças, uma frase se tornou bastante usual: "Não existe mais time bobo".

Desde a quinta-feira, quando a Rússia, que vinha de um jejum de vitórias que durava meses, aplicou uma sonora goleada (5x0) na Arábia Saudita, que verdadeiras "pérolas" enriquecem as redes sociais, onde Cristiano Ronaldo foi exaltado pela sua exuberante atuação no empate (3x3) de Portugal com a Espanha, no melhor jogo até o momento, mesmo porque reuniu as duas melhores seleções; e Messi foi execrado por não ter convertido em gol o pênalti que foi defendido pelo goleiro da retrancada Islândia.

Além da ansiedade que interfere no desempenho das equipes nos jogos de estréia em qualquer competição, desde que o futebol foi inventado, a nova ordem nos mostra que clubes e seleções adotam posturas que se tornaram padrões. A maioria das seleções vão a campo com a proposta de não perder, razão pela qual o futebol de retenção, com poucas exceções, imperou neste início de disputa na Rússia.

O talento fará sempre a diferença. Evidente que existem outros fatores que devem ser avaliados: a Argentina está com uma média de idade muito alta. O talento de Messi, como única alternativa de desequilibrar, pode não fazer efeito, como ocorreu diante da Islândia, uma seleção que não propõe jogo em nenhum momento da partida. Gol para os islandeses é obra do acaso.

A arte de Cristiano Ronaldo foi ressaltada no empate de Portugal com a Espanha, porque os dois times tinham propostas ofensivas. CR7 é um atacante letal, cirúrgico, e com uma precisão extraordinária. Três falhas individuais do adversário foram suficientes para ele mostrar porque, no momento, é o melhor do mundo.

Brasil e Alemanha estréiam neste domingo, mas tem muita gente falando que a seleção de Tite é imbatível. A conclusão foi por conta dos oito jogos que aconteceram até o momento.

Apesar de ser uma competição de tiro curto, a Copa do Mundo também proporciona mudanças de cenário. Enquanto isso não acontece, as redes sociais seguem bombando com as análises dos senhores sabe tudo.   

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