Histórico
Sport
Dependência Bivariana
postado em 13 de setembro de 2018

CLAUDEMIR GOMES

 

Dentre os ex=presidentes do Sport, Homero Lacerda é o que tem mais empatia com o torcedor leonino. Por tal razão, as palavras, quando proferidas por ele, ganham força, reverberam e ecoam de forma estrondosa na Ilha do Retiro. Ontem, ele surpreendeu a tribo leonina ao declarar, em alguns programas de rádio, que existe um movimento, no qual estão envolvidos vários ex=presidentes do clube, no sentido de tentar convencer o empresário, Luciano Bivar, a se candidatar, mais uma vez, a presidente executivo do Sport.

Os argumentos apresentados por Lacerda são pertinentes e inquestionáveis, mas geram muitos questionamentos, principalmente, porque Milton Bivar, que apesar de ser irmão, é desafeto de Luciano, já anunciou que é candidato, e segundo seus pares, "não abre para ninguém". Milton colocou sua tropa na rua escudado no título da Copa do Brasil, conquistado há dez anos.

Teríamos então o embate BIVAR x BIVAR nas eleições do Sport?

A julgar pelo pleito dos oposicionistas, tal possibilidade foi criada, embora a intenção seja de que, Luciano Bivar seja apresentado como candidato único, para suceder Arnaldo Barros na executiva do clube leonino.

É pouco provável que os dois irmãos venham a bater chapa. Quase impossível. O bom senso sugere que tal confronto seja evitado. Mas, em se tratando de eleições clubista, onde surgem incendiários de todos os lados, tal possibilidade não pode ser descartada. Afinal, em política, e em futebol, o improvável sobe ao palanque e surpreende os de raciocínio lógico.

Luciano Bivar, que está envolvido numa campanha para deputado federal, e é um dos escudeiros do candidato a Presidente da República, Jair Bolsonaro, já deixou claro que somente fala sobre eleições do Sport a partir do dia 8 de outubro. Até lá os bastidores da Ilha do Retiro vão fervilhar, mas sem a presença daquele que, para muitos, é o candidato ideal para tirar o Sport do buraco negro em que se encontra.

A primeira vez que Luciano Bivar assumiu a presidência do Sport foi em 1988, quando sucedeu Homero Lacerda após a conquista do título brasileiro de 1987. Nesses 30 anos ele se consolidou como a liderança mais forte do clube. Em três décadas assumiu a presidência executiva do clube várias vezes, tendo livrado o Leão de situações vexatórias. Seu apoio foi decisivo em todas as eleições realizadas neste período. Na história do clube aparece como o homem que mais assumiu a presidência executiva do Sport, e o que mais renunciou também.

O indiscutível poder econômico e político de Luciano Bivar criou a dependência bivariana na Ilha do Retiro. A incapacidade de se preparar novas gerações para um processo natural de sucessão deixou o clube refém do empresário.

O movimento, "volta Bivar", que está sendo capitaneado pelo ex=presidente, Jarbas Guimarães, e que ganha força a partir do momento que Homero Lacerda se apresenta como defensor número um, revela a incapacidade dos leoninos de gerir o clube sem a tutela do grande líder.

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Artigos
Obrigado Carpina!
postado em 11 de setembro de 2018

CLAUDEMIR GOMES

 

Há quase duas décadas o 11 de setembro passou a ser sinônimo de um dos maiores atentados terroristas da história da humanidade, que culminou com a destruição das duas torres do World Trade Center, em Nova Iorque, nos Estados Unidos. Uma tragédia que parece não ter fim por conta dos desmembramentos.

Particularmente, o 11 de setembro é sinônimo de festa. Minha cidade natal, Carpina, comemora no dia de hoje, 90 anos de sua emancipação política. A data sempre foi muito festejada. As comemorações tinham como ponto alto o desfile cívico das escolas da cidade e de outros municípios. Desfilar na festa de Carpina era um prêmio para as bandas marciais.

Nos últimos dias, tenho visto muitas postagens nas redes sociais que remota uma Carpina de décadas passadas. Inevitável não recordar do Santa Cruz de Carpina, que viveu seu apogeu nas décadas de 60 e 70 do Século XX.

Os primeiros jogos que acompanhei do Tricolor do Planalto foram num campo aberto, conhecido como "Campo do enchimento de João Vermelho". Bastante conhecido na cidade, o meu pai, Jaime Gomes, sempre conseguia um lugar em cima de uma carroceria de caminhão, que funcionava como um camarote. Depois, os jogos passaram a acontecer no Campo do Curtume. A partir daí o Santa Cruz começou a ganhar musculatura.

E veio o campo da pista, que ficava por trás da maternidade.

Tudo me chamava muito a atenção

Os campos eram abertos, e as arrecadações eram provenientes de doações espontâneas. Quatro pessoas pegavam o pavilhão do clube e circulavam entre os torcedores que estavam sempre dispostos a ajudar. Os mais abastados chegavam a ser generosos. Mas tudo dependia da forma como o time estava jogando. Como o Santa Cruz construiu uma sequência invicta de mais de 50 jogos, todos na cidade passaram a ser solidários com sua causa.

A doação do terreno pela família Freire, a construção do Estádio Oswaldo Freire, com campo gramado, cabine de rádio... A evolução era notória.

A época tive o privilégio de conviver com os meus primeiros ídolos. Posso assegurar que isso não tem preço.

Aos domingos, Humberto, Mário e Luís Doidinho, titulares absolutos do Santa Cruz de Carpina, almoçavam e iam para minha casa onde, assistíamos aos tapes dos jogos dos campeonatos Carioca e Paulista. Depois, íamos juntos para a sede do clube, no centro da cidade e, de lá todos já saiam vestidos para o estádio.

Foi com os meus primeiros ídolos que aprendi a fazer as primeiras leituras de jogo. Eles "cantavam" o que acontecia dentro das quatro linhas. Quando entravam e campo tentavam reproduzir o que achavam mais bonito no futebol arte e romântico praticado nos anos dourados do futebol bi e tricampeão mundial.

Depois, surgiram as revelações que vieram defender o juvenil do Náutico: Lula (goleiro), Zé Leite (volante), Edvaldo (Lateral Esquerdo), Jairo (goleiro) e Wilson (Ponta Esquerda).  E eles me oportunizaram a conviver com outros ídolos: Bita, Ivan, Fraga, Lula Monstrinho. Aquela convivência me aproximava ainda mais do futebol.

A concentração dos juvenis era sob o setor de cadeiras do Estádio dos Aflitos. Chegava cedo, tomava café com o grupo treinado pelo seu Cido e ainda assistia aos jogos sem pagar ingresso, no setor privilegiado: as cadeiras.

Com tamanho alicerce, o futebol já estava consolidado em mim.

Obrigado Carpina!  

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Futebol Brasileiro
Uma safra que não saiu do silo
postado em 07 de setembro de 2018

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO

 

A renovação é algo fundamental em todos os setores que fazem uma sociedade.

Até as células de um corpo humano passam por transformações.

O futebol brasileiro promoveu, por conta de problemas financeiros, uma mudança radical no perfil dos treinadores, dando espaço para os mais novos, que seria salutar se esses tivessem um preparo adequado para tal.

Na realidade foi uma safra decantada por todos como o futuro do esporte da chuteira no país, onde achavam que os mais experientes estavam com os dias contados.

Existe algo que não foi observado de que líderes são feitos com esforço, estudo e trabalho diário, e não com um passe de mágica.

Em qualquer profissão se exige uma formação adequada, através de cursos, de contatos com profissionais experientes, e sobretudo de estágios em clubes de ponta.

Um diploma de técnico de um curso do Circo é apenas um pedaço de papel, desde que em nível mundial não é levado em consideração. Ser ex=jogador de futebol também não é a garantia de que esse será um bom técnico.

Quando a renovação começou, que deu certo no seu início em alguns clubes, só ouvíamos, e líamos, os mais diversos elogios e projeções para um novo futebol brasileiro. Finalmente a casa caiu por falta de um bom alicerce.

As novidades de então não deram certo, e aos poucos foram sendo substituídos por aqueles com mais experiência de vida.

Fizemos uma relação de 16 profissionais que tinham esse perfil, e somente um está tendo sucesso, Odair Helmann, do Internacional, desde que os demais ou já dançaram, ou continuam pendurados em um fio tênue perto de quebrar.

Idade não é documento, e sim a capacidade.

Existem profissionais jovens e competentes em todas as profissões, mas com as bases sólidas de formação através de cursos dos mais diversos, de experiências em lugares mais adiantados.

Na noite da quarta=feira mais um desses jovens caiu na dança das cadeiras, Osmar Loss, do Corinthians, outro está perto de ser degolado, Maurício Barbieri, do Flamengo. Ambos assumiram um compromisso mais longo do que as suas pernas poderiam alcançar.

Os jovens fazem parte do futuro da nação, mas as suas capacitações são fundamentais para que os objetivos sejam alcançados.

Não se pode ser um bom técnico de futebol tendo como experiência apenas as categorias de base dos clubes, ou de auxiliares no setor profissional, isso vai mais além, inclusive estágios de pelo menos um ano em clubes europeus que tenham bons profissionais, ou mesmo na Argentina que tem uma escola da mais alta qualidade no futebol mundial.

Roger Machado, Marcos Paquetá, Eduardo Baptista, Zé Ricardo, Alberto Valentim, Jorginho, Thiago Larghi, Rogério Micale, Marcelo Chamusca, Guto Ferreira, Fernando Diniz, Jair Ventura, Osmar Loss e Claudinei Oliveira, alguns ainda no batente, outros fora do sistema, fazem parte de uma safra que poderia ser boa, mas ficou encalhada em um silo por conta do açodamento.

Enquanto isso os mais maduros brilham, como é o caso de Luiz Felipe Scolari, com o seu futebol pragmático ressuscitou o Palmeiras, ou seja, voltamos a repetir: IDADE NÃO É DOCUMENTO.

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Acontece
Torcedor gosta de privilégios
postado em 04 de setembro de 2018

CLAUDEMIR GOMES

 

O Cruzeiro acaba de lançar um novo programa de sócio: Sócio 5 Estrelas. O que o clube oferece a nova categoria não é outra coisa senão privilégios, principalmente na aquisição de ingressos, de forma antecipada. Vale lembrar que já existem várias categorias de sócios no clube mineiro. Portanto, a novidade se resume ao aprimoramento de um projeto que vem dando certo, e cujo objetivo não é atrair o torcedor para o estádio.

O mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, tem nos mostrado, através de vários artigos postados no seu blog, um considerável aumento da presença de público nos jogos do Campeonato Brasileiro. Atribuo dados tão positivos, ao trabalho que vem sendo desenvolvido pelos clubes, que cada vez mais, estão se colocando como prestadores de serviço.

Com a chegada da Internet aconteceram as mudanças de conceitos, de hábitos, de comportamento, que levaram a população a pensar e agir diferente. O desafio está em descobrir as exigências da nova ordem. Nos dias de hoje o indivíduo não se associa a um clube pelas vantagens sociais que a agremiação lhe oferece. O torcedor do clube de futebol quer saber apenas do futebol. E quanto mais canais forem criados para que ele se aproxime, interaja e vivencie as coisas do futebol, mais ele se entrega a sua paixão. É o sócio torcedor.

A era digital tem obrigado os clubes a serem cada vez mais criativos. O sócio marca sua presença física apenas nos jogos, mas ele acompanha toda a vida do seu clube do coração através das ferramentas digitais que são colocadas a sua disposição.

Os três grandes clubes do Recife, e do Estado, ainda engatinham neste sentido, até porque o departamento de comunicação nunca foi alvo de grandes investimentos em nenhum deles. Tudo funciona de forma muito incipiente, embora tenhamos, aqui no Recife, o Porto Digital, referência de tecnologia de ponta, através do qual se poderia desenvolver uma série de projetos.

Os torcedores de ontem, e os de hoje, têm uma coisa em comum: gostam de privilégios. Mesmo estando em sintonias diferentes.

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Santa Cruz
A favelização do Arruda
postado em 03 de setembro de 2018

CLAUDEMIR GOMES

 

Hoje a tarde estive no Arruda. O pouco movimento me possibilitou ver coisas que passam despercebidas em dias de jogos, quando nossa atenção fica concentrada na movimentação dos torcedores.

Uma breve incursão na parte interna do patrimônio, sede social e estádio, e uma volta por todo o quarteirão que abriga o complexo socioesportivo do clube tricolor, foram suficientes para mostrar a má  conservação e a degradação dos equipamentos que pedem socorro.

Dirigentes e empresários que tanto colaboram com o futebol não visitam o clube!

Esta a dedução lógica que se chega ao observar a forma como o patrimônio do Santa Cruz vem sendo cuidado. Lamentável.

Ao circular pela parte externa, observando o estádio por vários ângulos, Avenida Beberibe, pela Beira Canal, rua das Moças, enfim, por todos os lados é notória a favelização e o processo de deteriorização a que foi submetido um equipamento que, em décadas passadas era uma referência nacional. O Santa Cruz sempre se orgulhou de ter um dos maiores estádios particulares do futebol brasileiro.

Os remendos, os puxadinhos, são verdadeiras agressões ao projeto arquitetônico. A sujeira, a falta de limpeza, de bom gosto e de sensibilidade são traduzidas através de uma calçada de chão batido; de tapumes sem reboco; na falta de limpeza da caixa d'água que expõe plantas saindo do concreto. No parque aquático, um guarda=sol de acrílico que remota da sua inauguração, deixa claro o descaso com a conservação, o mesmo acontecendo com um muro que separa o equipamento de um mini campo.

A sujeira deixa o cenário ainda mais cinza.

De imediato me veio a pergunta: qual a prioridade, restaurar este grande patrimônio, cuja requalificação deve custar uma fábula, ou concluir o Centro de Treinamento?

As necessidades são reais.

O Santa Cruz é um clube formador e não pode seguir sem um Centro de Formação de Atletas. É de fundamental importância, para o seu futuro, entrar em sintonia com o presente. A nova ordem exige que clubes da dimensão do Tricolor do Arruda tenha um CT, sob pena de se tornar invisível no cenário.

O clube não tem recursos para requalificar o Estádio do Arruda, e nem o seu complexo social e administrativo. Não é preciso ser engenheiro, arquiteto ou mestre de obra para observar a precariedade em que se encontra o patrimônio.

 

Um convite aos tricolores: dêem uma passada pelo Arruda num dia comum, sem a movimentação dos torcedores, e o calor das disputas dos jogos. Com certeza conseguirão enxergar a gravidade dos fatos.

A tragédia do Museu Nacional na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, cujo incêndio foi uma espécie de morte anunciada, pode servir de grito de alerta.

O complexo socioesportivo do Santa Cruz começa a agonizar, mas ninguém escuta o seu grito por socorro.

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