Histórico
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Vida ao Vivo
postado em 08 de junho de 2025

CLAUDEMIR GOMES

 

Qual o dia do descanso: sábado ou domingo?

Confesso que não sei dizer com precisão. Essa pergunta vem sendo posta nas mesas desde a Idade Média, e nunca se chegou a um consenso. Bom! Desde que me entendo de gente que o domingo é um dia propício ao ócio, a reflexão, e para o qual deixamos um monte de coisas que consideramos especiais.

Hoje (08/06/2025), por exemplo, procurei me inteirar sobre o projeto Vida ao Vivo, do amigo, Américo Pereira. Mergulhei no tempo. Como se fosse possível, sai debulhando o passado, lembrando de fatos que ressaltam a grandeza desse ser humano com o qual tenho o privilégio de conviver por mais de quatro décadas. Não vivemos encangados, mas temos uma certeza mútua de que no laço que nos une está cravado: "Amigos de fé, irmãos, camaradas".

Sempre digo que Américo é sinônimo de gentileza. De certo que tem seus defeitos, mas são quase imperceptíveis. A fidalguia faz parte de sua formação. Optou por ser uma pessoa do bem, embora soubesse, desde cedo, que a vida lhe apresentaria propostas desafiadoras em todas as vertentes.

O amor vence sempre! Creio que este tenha sido o lema de vida definido por Américo Pereira. E assim ele fez questão de vivenciar, e mostrar ao mundo, o seu amor incondicional por Anunciada - a mulher amada desde a juventude - pelos filhos - Americo Filho, Erica e Eduardo (Dudu) - e pelos netos. Se doou de corpo e alma ao seu Náutico; cuida dos amigos como poucos e se tornou uma referência como empresário que sempre esteve em sintonia com o sucesso.

Certa vez, sem que nem pra que, ele olhou para mim e falou: "Você é amigo da Família Pereira". Na volta pra casa, retornando de uma pelada em Enseada dos Corais, o saudoso Jorge Chacrinha ressaltou: "Ouvi o que o Américo disse pra você. Guarde com muito carinho". Assim foi feito.

"O mundo é um livro e quem não viaja lê somente uma página". Este é um dos célebres pensamentos de Santo Agostinho. Pois bem! A vida proporcionou a Américo a oportunidade de ler quase todas as páginas desse mundo. Por onde andou fez anotações. Lições da vida que estava sendo vivida. Dores e sabores.

Sintetizar as emoções vivenciadas por toda uma vida, e transformar numa música capaz de semear pelos quatro cantos do mundo sentimento tão nobre, é o desafio do projeto Vida ao Vivo. Américo convidou o maestro Eduardo Laje, que tem uma vida ao lado do Rei Roberto Carlos. A música foi gravada em quatro idiomas: Português, Espanhol, Inglês e Francês. Os vídeos foram gravados no Instituto Brennand. Vi todos os quatros.

Certa vez, num dos aniversários de Anunciada, Américo me liga convidando para um jantar que ele havia preparado para surpreender a mulher amada. O encontro foi num dos restaurantes do Mar Hotel. Na hora marcada estávamos lá, eu, minha mulher Áurea Regina e todos os outros convidados. Pouco tempo depois chega Anunciada com os três filhos. Surpresa!!!!!

Sem esconder sua emoção ela saiu cumprimentando a todos, mas o melhor ainda estava por vir. De repente um vozeirão enche todo o restaurante com um "CONCEIÇÃO EU ME LEMBRO MUITO BEM...". O grande Cauby Peixoto, uma das maiores vozes da música brasileira de todos os tempos, adentra no recinto para surpresa geral. Os olhos de Anunciada brilhavam. O sorriso de Américo traduzia toda a sua felicidade.

O que tenho pra falar sobre Américo?

Ele é Vida ao Vivo. Recheada de amor.  


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Seleção Brasileira
É HOJE
postado em 05 de junho de 2025

CLAUDEMIR GOMES

 

É hoje.

O título do samba enredo da União da Ilha em 1984 - Escola de Samba da Ilha do Governador, Rio de Janeiro - traduz, com fidelidade, o momento do futebol brasileiro com a chegada do técnico Carlo Ancelotti, que atravessou o Atlântico, ancorou seu barco na Baia de Guanabara, e em meio a uma alegria contagiante renovou sonhos e esperanças de novas conquistas no País do Futebol.

Desde que aportou na sua nova casa as palavras de Ancelotti reverberam mais do que as do presidente Lula. Afinal, ele foi recebido, é visto e tratado como o novo Messias que veio salvar o futebol brasileiro pondo fim a um jejum de 24 anos. Isso mesmo: no próximo ano, quando será disputada uma nova edição da Copa do Mundo de Seleções, terão passados 24 anos da conquista do Penta.

O espaço de tempo que separou o tri do tetra foi o mesmo: 24 anos. O torcedor supersticioso já colocou isso na conta de Ancelotti. A ansiedade por ver o trem brasileiro novamente nos trilhos é tamanha que, os bochichos nas portas das Bets, onde as apostas correm soltas, são todos sobre uma goleada do Brasil sobre o Equador, hoje a noite, em Guaiaquil, na estreia do novo treinador da seleção pentacampeã do mundo.

E todos, mesmo antes de a bola rolar, estão cantarolando o velho samba da União da Ilha:

"É hoje o dia da alegria

E a tristeza

Nem pode pensar em chegar...".

Em 1975 cheguei ao Diário de Pernambuco para integrar a equipe de esportes comandada pelo mestre Adonias de Moura. São cinco décadas acompanhando os passos da Seleção Brasileira. Confesso que, nesse tempo - 50 anos - nunca vi tanta louvação a um técnico. Nem mesmo ao mestre Telê Santana, e os vitoriosos Carlos Alberto Parreira e Luiz Felipe Scolari. Talvez por serem frutos da terra, gente da gente. Carlo Ancelotti é um fato novo, numa nova conjuntura, num novo tempo.

O que não muda é o besteirol nas coletivas de imprensa. Naturalmente que são feitas perguntas inteligentes; colocações pertinentes, mas o batalhão dos idiotas está cada dia maior.

Ainda não vimos o trabalho do Ancelotti, e os jogos de hoje, e da próxima semana não serão suficientes para se chegar a nenhuma conclusão. No momento, o que mais observo de positivo é o fato de a Seleção Brasileira voltar a ter um técnico que os jogadores olhem de baixo da cima. Ultimamente, nosso sentimento era o de que os jogadores olhavam o comandante de cima pra baixo, como se fossem superiores. Isso tem muito a ver com os bastidores, interferência de empresários, etc. 

Carlos Ancelotti chegou com a leveza do ser que já é íntimo do sucesso. Carrega consigo a malandragem que assimilou dos brasileiros desde a época em que era jogador. Enfim, a Seleção Brasileira passou a ter no seu técnico o grande cartão de apresentação.

Nada disso, no entanto, é garantia de sucesso, mas são sinais de que a margem de erro pode ser minimizada.

Ancelotti disse, em recente coletiva, que gosta de cantar. Como bem ressaltou em sua crônica o mestre, Lenivaldo Aragão, "as primeiras aulas de português foram boas".

Agora, é deixar o homem trabalhar e esperar para vê-lo cantar:

"Diga espelho meu

Se há na avenida

Alguém mais feliz que eu...".


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Sport
O Despertar da Primavera
postado em 30 de maio de 2025

CLAUDEMIR GOMES

 

O Sport volta a campo neste domingo para enfrentar o Mirassol, em jogo válido pela décima-primeira rodada do Brasileiro da Série A. Entretanto, o assunto dominante entre os rubro-negros, nos últimos dias, tem sido o "Despertar da Primavera", provocado por uma "bomba" publicada pelo jornalista, Ricardo Antunes, em seu blog, que fez estremecer os alicerces da Ilha do Retiro.

O "Despertar da Primavera" foi a última grande ofensiva alemã na Segunda Guerra Mundial. A ação aconteceu na Hungria, em março de 1945. Ricardo Antunes realiza um trabalho elogiável de jornalismo investigativo no nosso Estado. Digo sempre que ele é o nosso Dom Quixote do Século XXI, enfrentando o poder e os poderosos sem medo de ser feliz.

No início da semana recebi um dossiê sobre o presidente do Sport, Yuri Romão. Nitroglicerina pura. Uma autêntica "bomba", como costuma dizer o paladino Ricardo Antunes. De imediato repassei para dois ex-gestores do clube da Ilha do Retiro. As respostas que obtive:

I %u2013 "Isso cheira a falcatrua".

II %u2013 "Lamentável! Se essas empresas realmente existirem o Yuri deve muitas explicações".

Mais ensurdecedor que o "Despertar da Primavera" é o "silêncio dos justos" na Ilha do Retiro. O presidente do Conselho Deliberativo, junto com seus pares, lavou as mãos. O esforço do presidente Yuri Romão em justificar o injustificável esbarrava nas imagens de uma casinha pequenina na Rua Santo Antônio, número 10, na discreta cidade de Chã Grande (20.546 habitantes).

De imediato me veio a lembrança de uma frase bastante usual, antigamente em cidades do Interior do Estado: "Desculpa de amarelo é comer barro".

Simples assim.

No "Despertar da Primavera" de 1945 as forças soviéticas reagiram rapidamente e expulsaram os alemães. Nos dias de hoje, o "Despertar da Primavera" do Sport será atenuado com uma boa vitória do time comandado pelo até então desacreditado Antônio Oliveira, diante do time do Interior Bandeirante.

Numa comparação direta entre as campanhas do Mirassol e do Sport, se chega à conclusão lógica de que é pouco provável uma vitória do time pernambucano neste domingo. Se analisarmos as formações com as quais o Sport disputou as últimas partidas, observaremos que, a maioria dos atletas são remanescentes da Série B. Enfim, os dirigentes leoninos erraram de forma grotesca na montagem do grupo para disputar o Brasileiro da Série  A.

"Futebol é uma caixinha de surpresas", ecoa o otimismo dos mais velhos.

Espero que não seja uma bomba como o "Despertar da Primavera", provocado por Ricardo Antunes.


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Artigos
Tempo de Le Bubu e Xaud
postado em 20 de maio de 2025

CLAUDEMIR GOMES

 

Após uns dias recluso, distante do mundo digital, retorno assustado. A geografia do futebol brasileiro está mudando radicalmente com a iminente chegada do jovem Samir Xaud à presidência da Confederação Brasileira de Futebol. Junto com ele serão eleitos, e tomarão posse, oito vice-presidentes. Desse pelotão de ilustres, quatro são mandatários de federações do Norte e do Nordeste: Amazonas, Pará, Rio Grande do Norte e Paraíba.

Bom! Em tempo de Bebê Reborn vale tudo.

Quando vejo esses disparates lembro, de imediato, da profecia do mestre Nelson Rodrigues: "Os idiotas vão tomar conta do mundo. Não por serem mais sabidos, ou inteligentes, mas porque são muitos".

A diarista que nos dar apoio há mais de cinco anos já avisou: "No final do ano quero um Bebê Reborn de presente. Com ele eu furo a fila do metrô e ninguém vai reclamar".

Com o apoio de 25 federações e 8 clubes, o médico infectologista não deixou espaço para a inscrição de nenhum outro candidato para concorrer as eleições da CBF. Será eleito por aclação. Tal como seu antecessor, dias atrás. Mas o exército de judas lhe apunhalou pelas costas. O cara pálida, Ednaldo Rodrigues, não teve nem tempo de gritar: "Ainda estou aqui!".

Antes de ficar apregado na poltrona, perguntei para minha mulher se o mundo era um grande fake news. Ela me mandou tomar um banho de sol. Até tentei, mas tem chovido demais no Recife.

O esforço tem sido grande para compreender a rota do progresso do futebol de Roraima, que está produzindo um novo Messias para salvar o futebol brasileiro. Ao seu lado, como fiel escudeira, a primeira mulher a ocupar uma vice-presidência na CBF: a paraibana de Campina Grande, Michelle Ramalho.

Viva o inedidismo.

Sem perguntar para onde minha filha ia, entrei no carro dela, e bem apoiado no banco do carona, fui conhecer o novo colégio da minha neta. Numa pequena caminhada pelos corredores da entidade de ensino, referência na nova ordem, foi possível ouvir o produtivo e preocupante diálogo entre duas dondocas:

"Não consegui comprar o Le Bubu!". Exclamou a moça se esforçando, através de gestos, para mostrar que na sua bolsa de grife estava faltando um adereço.

Ao chegar de volta em casa, corri para consultar o google. Ele me mostrou que Le Bubu não era outra coisa senão um boneco, desses feiosos produzidos pela indústria oriental.

Confesso que fique decepcionado. Bubu era o apelido carinhoso do mestre, Adonias de Moura, no Diário de Pernambuco. Era assim que ele era tratado por Antônio Camelo, Zenaide Barbosa, João Alberto, Gladstone Vieira Belo, Lúcio Costa, Raimundo Carrero, Joezil Barros... Os amigos, Lenivaldo Aragão, Amaury Veloso, Márcio Maia, Ildefonso e nossa querida, Lêda Rivas não me deixam mentir.

De repente me surge o dilema: o que é mais feio, Le Bubu como penduricalho nas  bolsas das madames, ou Samir Xaud na presidência da CBF?

Quem me deu a resposta foi o craque Ronaldo Fenômeno: "A safadeza vai continuar!".

De repente, os "bichos" que surgem nas queimadas, no Amazonas, vão nos revelar grandes gestores para o futebol brasileiro.   


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Seleção Brasileira
O vermelho da vergonha
postado em 29 de abril de 2025

CLAUDEMIR GOMES

 

"Qual a cor do cavalo branco de São Jorge?"

A resposta está embutida na pergunta, mas a indagação sempre foi feita para observar se a pessoa tinha raciocínio rápido; se estava focada na sabatina... Apesar da clareza do óbvio, havia sempre alguém que escurregava na brincadeira de criança.

No Brasil brasileiro, terra do futebol, samba e pandeiro, nínguém, do Oiapoque  ao Chuí, mas ninguém mesmo, é capaz de errar as cores dos uniformes da Seleção  Brasileira: amarelo e azul.

Pois bem! Algum marqueteiro dormiu com a bunda pra lua, acordou com o fiofó virado e bradou para um bando de idiotas: "Vamos trocar a cor do segundo uniforme da Seleção Brasileira. Sai o azul e entra o vermelho!".

Seus pares, um bando de idiotas, num coro uníssono aplaudiu.

Apesar do sol escaldante, o som dos trovões foi assustador. Fenômeno sobrenatural. Descobriu-se que o estrondos foram oriundos dos supapos dados por Pelé, Garrincha, Nilton Santos, Vavá..., e outros deuses do futebol em seus respectivos túmulos. Ao testemunhar aquele protesto que quebrou o silêncio do além, o mestre Nelson Rodrigues lembrou sua profecia: "Os idiotas ainda vão tomar conta do mundo. Eles são muitos".

Se cá estivesse entre nós, o mestre Adonias de Moura seria taxativo na sua coluna - Dentro e Fora das Quatro Linhas:  "Isto é a avacalhação da guerra".

Confesso que, ao tomar conhecimento do deboche, que chega a praça escudado no mote do "futebol é negócio", fiquei roxo de raiva. Consultei amigos, pesquisei em jornais, sites, blogs... nenhum formador de opinião abraçou tal idiotice.

Lembrei que, ao ler o bom artigo do amigo, Alfredo Bertini, na Folha de  Pernambuco, ele ressaltava o histórico alerta: "No creo em brujas, pero que las hay, las hay".

Numa rápida conversa cá com meus botões, deduzi que isso só podia ser catimbó. De imediato liguei para Bernardino Magalhães, meu guro para assuntos de umbanda. Do alto do seu conhecimento o Berna  explicou:

"A seleção continua com o amarelo de Oxum. Está trocando o azul de Ogun pelo vermelho de Xangô. Ogun é um orixá guerreiro, representa força, coragem e justiça, marcas da conquista do primeiro título que o Brasil conquistou com a camisa azul. A troca não deixa de ser um insulto", comentou o místico sertanejo.

O disparate é tão grande que, o festival de memes superou todos os outros que aconteceram até então. É a força do futebol.

Bom! Xangô é o orixá da justiça. Certamente ele não vai deixar que se cometa esse crime com a Seleção Brasileira.


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