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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
Bem vindo Presidente Bolsonaro!
A vitória nas urnas traduz a vontade do povo brasileiro que estava clamando por mudança. E os vitoriosos foram as ruas comemorar o fio de esperança. O Nordeste foi um ponto fora da curva, na sua campanha exitosa, fato que considero positivo porque não vai lhe deixar com o sentimento de que pode tudo, como ocorreu com o ex=presidente, e hoje presidiário, LuÃs Inácio Lula da Silva, que por duas vezes foi eleito com mais de 20 milhões de votos.
Ouvi atentamente seu primeiro pronunciamento como presidente eleito. Podemos dizer que o senhor foi aprovado na verbalização. Mas o buraco é mais embaixo. Todos nós sabemos. O discurso populista lhe aproximou do povo, contudo, a avidez por mudança de cenário é tão grande que inevitavelmente surgirão cobranças difÃceis de serem atendidas.
Tudo no Brasil é prioritário, embora tal realidade não tenha sido mostrada na campanha. A campanha do whatsapp, uma terra sem lei, que nos lembra tempos remotos quando o homem procurava fazer justiça com as próprias mãos. Mas o Capitão não é uma Fake News.
Como sempre acontece, o desporto é pouco citado nas promessas de campanha. Mas tudo indica que o novo presidente irá diminuir o número de ministérios. Caso venha extinguir o Ministério dos Esportes estará dando um passo muito grande para o acerto. Este ministério foi criado no Governo Collor e acabou se transformando num grande guarda chuva para proteger corruptos.
De compra de tapioca a desvios em eventos da grandeza de uma Copa do Mundo e de uma OlimpÃadas aconteceu de tudo neste nosso Brasil brasileiro.
O mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, sempre nos fala do extinto, CND = Conselho Nacional de Desportos, para o qual ele deu grande contribuição com projetos e sugestões. O desporto brasileiro precisa ser administrado por um novo CND. Necessariamente não precisa ter a mesma sigla senão vão dizer que estamos retornando ao tempo do militarismo. Mas, quem quiser saber o que era o Conselho Nacional de Desportos pode consultar o José Joaquim. Ele está acima de qualquer suspeita até porque nada lhe identifica com o governo militar, muito pelo contrario.
Não posso dizer que a bola está quicando para o senhor fazer o gol presidente. Este jogo vai exigir muita habilidade de sua parte. Estamos falando de um clássico nacional. Primeiro será necessário um freio de arrumação para fechar as torneiras para um bando de confederações corruptas. Os desmandos são vistos em quase todas as modalidades esportivas. Ah! Nosso futebol está uma vergonha. E tudo começa com a CBF: um ex=presidente preso nos Estados Unidos e outros dois impossibilitados de sair do Brasil sob pena de terem o mesmo destino. Não é por acaso que o mestre José Joaquim a chama de Circo do Futebol Brasileiro.
Cuidado presidente!
No grupo de deputados que
lhe dará apoio no Congresso Nacional, tem a turma da Bancada da Bola, que o
senhor deve conhecer bem. Foi colega deles como deputado. Uma tropa capaz de barrar qualquer CPI.
Sabemos que o senhor não é nenhum Pelé, nem Romário e tampouco Ronaldo Fenômeno. Mas o povo está nas ruas comemorando sua vitória como se comemora uma conquista de Copa do Mundo.
Bom! A responsabilidade do GOL DA MORALIDADE fica por sua conta presidente.
CLAUDEMIR GOMES
As torcidas funcionam como caixa de ressonância dos clubes de futebol. Quando elas calam eles simplesmente desaparecem. A partir desta tese de sobrevivência começamos a questionar o futuro de Santa Cruz e Náutico, cujas permanências na Série C acarretaram em perdas imensuráveis com a falta de visibilidade.
Santa Cruz e Náutico são patrimônios imateriais do desporto e da cultura pernambucana. Também são patrimônios materiais porque possuem bens e ocupam espaço fÃsico com imóveis em pedra e cal (sede social e estádio). Mas se tornaram invisÃveis. Os dois clubes irão amargar três meses na condição de sujeitos ocultos.
O universo do futebol ganhou uma dinâmica fantástica com a evolução da internet, da quebra de barreiras e encurtamento de distâncias. O cardápio do futebol é farto e de boa qualidade. E é ofertado diariamente pela televisão, em variados horários. As novas ferramentas de comunicação criaram novos hábitos nos torcedores. A era da digitalização impôs as novas gerações o sentimento do aqui e agora. Se um clube sai de cena, mesmo que temporariamente, ele simplesmente desaparece, se torna invisÃvel.
Os patrimônios fÃsicos de Náutico e Santa Cruz existem, estão sólidos nos Aflitos e no Arruda, respectivamente, mas ninguém fala nos dois clubes porque os corações de ambos deixaram de pulsar. O futebol é o coração das duas agremiações. Com eles parados, tudo o que acontece é subjetivo dentro da ótica da visibilidade.
Ligo o rádio e busco novidades nas resenhas esportivas, que sempre dedicaram espaços generosos aos clubes recifenses. Nenhuma novidade. Os jornais enchem suas páginas de "linguiça" despertando pouco interesse nos seus leitores. Afinal, o futebol está parado.
A perda da visibilidade acarreta na perda da ressonância que é provocada pela torcida. Isto é imperativo. Se os gestores tricolores e alvirrubros não assimilarem tal sinal, e partirem para uma reflexão efetiva, seguida de um planejamento para tirar os dois clubes desta vala de falências em que se encontram, fatalmente, Náutico e Santa Cruz se aprofundarão num estágio de insolvência.
Momentaneamente estão invisÃveis.
ROBERTO VIEIRIA
Ainda que eu driblasse na ginga dos homens.
Ainda que eu cabeceasse nas nuvens com os anjos.
Ainda que eu marcasse mil gols no Maracanã.
Sem o amor de Dondinho e Celeste eu nada seria.
Seria como Mané de pernas tortas.
Perdido nas fintas de si mesmo.
Seria como Heleno, rico e exilado.
Sozinho nas curvas de Barranquilla.
Pois.
Ainda que eu driblasse na ginga dos homens.
Ainda que eu cabeceasse nas nuvens com os anjos.
Ainda que eu marcasse mil gols no Maracanã.
Sem o amor de Dondinho e Celeste eu nada seria.
à solitário jogar pra tanta gente.
à um não contentar=se de contente.
à cuidar que se ganha e se perder.
Mas.
Ainda que eu driblasse a ginga dos homens.
Ainda que eu cabeceasse nas nuvens com os anjos.
Ainda que eu marcasse mil gols no Maracanã.
Sem o amor de Dondinho e Celeste eu nada seria.
E ainda que eu tivesse o dom da tabelinha.
Ainda que eu tivesse a ciência da paradinha.
Ainda que eu tivesse a fé que conquista a Jules Rimet.
Sem o amor de Dondinho e Celeste.
Eu nada seria...
JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com
A temporada de 2018 está na sua reta final faltando muito pouco para o seu encerramento. O futebol apresentado foi medÃocre e os gols sendo resolvidos por algo muito antigo: as bolas paradas.
As péssimas arbitragens e o trucidamento dos jovens treinadores são os maiores destaques da competição maior do futebol nacional.
Das caras novas que surgiram nos diversos bancos dos clubes o único sobrevivente é Jair Ventura, do Corinthians, embora tenha sito demitido do Santos. Com a atual situação do time alvinegro, fatalmente será a próxima vitima da famosa dança das cadeiras.
Surge uma pergunta: Qual a razão da não formação de treinadores a partir das categorias menores, pois se formam atletas, por que não conseguem com técnicos?
A escola de um jogador é a base. Começa no Sub=15, vai para o Sub=17 e chega ao Sub=20. São degraus que vão sendo alcançados. No final são profissionalizados de verdade.
Os futuros técnicos deveriam nos clubes obedecer a mesma escola. Começariam na base menor, chegariam aos juniores e um passo maior como assistente de um treinador, e posteriormente o acesso ao cargo maior.
Durante a escalada, o diploma de educação fÃsica seria conquistado, até de curso de mestrado ligados ao futebol, estágios em clubes maiores, inclusive no exterior. Antes de assumir um time de maior porte deveria passar por um menor.
Hoje um pretendente a ser técnico de futebol faz um curso qualquer, inclusive o ministrado pelo Circo do Futebol Brasileiro, que não tem a menor qualidade. Com canudo nas mãos se aventura em um time de ponta, onde a pressão é grande, fato que acaba provocando sua degola.
Rogério Ceni é um bom exemplo, optou pelo São Paulo, um clube exigente, de grande torcida, e foi um fiasco. Voltou a realidade quando assumiu o Fortaleza, e está muito próximo de levar o time cearense à Série A Nacional.
Nada na vida começa pelo andar de cima. Tem uma estrada longa a ser percorrida até chegar ao ponto ideal.
Se os clubes brasileiros tivessem projetos como esse, certamente estariam dando uma contribuição para mudanças no mercado de trabalho, e as mÃdias não estariam perdendo tempo com hipóteses sobre contratações e demissões de treinadores.
Aliás esse sistema criaria um sentimento clubÃstico que hoje deixou de existir, e a quebra do paradigma de que só os famosos poderão levar os clubes a grandes conquistas.
Por sua vez a formação de treinadores serviria para contribuir na redução dos custos do futebol, desde que os salários que são pagos aos chamados TOPs beiram a irracionalidade, e os valores menores também afetariam o marcado com a aplicação da lei da oferta e procura.
Trata=se de um processo lógico e racional, que deveria fazer parte do planejamento dos clubes, sobretudo na escolha de profissionais para as suas bases.
O futebol brasileiro se perdeu no rumo que foi tomado e necessita de novos procedimentos para encontrar o caminho certo, e a formação de treinadores é um que poderá dar uma grande contribuição ao processo.
CLAUDEMIR GOMES
O pragmatismo dos números parece não ser suficiente para diminuir as esperanças dos torcedores do Sport. Um grande contingente de amantes do clube leonino ainda acredita que o time da Ilha do Retiro consiga se livrar do rebaixamento para a Série B nacional. O fio de esperança é alimentado pelo fato de a equipe comandada por Milton Mendes, disputar cinco dos nove jogos restantes na Ilha do Retiro.
Emerson Leão, ex=goleiro e ex=técnico do Sport, me ligou para conversarmos sobre o momento do clube, e do futebol pernambucano. Uma boa prosa, onde recordamos passagens vitórias do ontem; as dificuldades do hoje e as perspectivas para o amanhã.
"Os números são assustadores = reconhece Leão = mas se existe uma possibilidade para evitar a queda, vamos a ela. O grande trunfo tem que ser a Ilha do Retiro. O Sport sempre intimidou seus adversários quando jogou em casa. Sabemos que não é fácil, o desafio é gigantesco, mas é possÃvel vencer as cinco partidas que restam como mandante. Este meu pensamento é reforçado pela forma como o time se portou diante do Internacional e a forma como chegou a uma vitória alentadora. O Inter está disputando o tÃtulo, ou seja, é um adversário qualificado e o Sport o encarou de frente, como sempre fez nos seus melhores momentos. A Ilha do Retiro pertence ao Leão, e todos têm que se transformarem em feras".
"A queda do Sport = prosseguiu Emerson Leão = não será ruim apenas para o Sport. Ela vai apequenar ainda mais o futebol pernambucano que está com Náutico e Santa Cruz na Série C. Tenho ressaltado isso nos programas que participo. O nÃvel técnico da maioria dos clubes que disputam esta edição da Série A é muito baixo, o que serve para estimular o Sport. O contexto do cenário não permite fazer contas. à vencer e vencer. O negócio é somar os 15 pontos que vai disputar em casa e ver o que acontece. A briga está muito nivelada na parte de baixo da tabela, fato que cria a possibilidade de contrariar a lógica dos números".
"Lamentei muito a contusão de Magrão = finalizou Leão = porque ele é a referência maior do grupo. à um profissional muito consciente e, apesar da idade (41 anos), ainda joga muito. As vezes tudo parece conspirar para o insucesso, mas é preciso reagir. Me identifico muito com o Sport, tenho um apreço muito grande pelo clube e um carinho especial pela torcida que sempre me acolheu muito bem. Torno a repetir: se existe uma alternativa para escapar do rebaixamento, vamos a ela".