Histórico
Náutico
Os Aflitos, os carpinenses e o tempo
postado em 15 de dezembro de 2018

CLAUDEMIR GOMES

 

Nos últimos dias, o assunto dominante nos meios esportivos do nosso Estado é a reabertura do estádio dos Aflitos. A praça de esportes do Clube Náutico Capibaribe tem o nome oficial de Estádio Eládio de Barros Carvalho. Mas na boca do povo é "Estádio dos Aflitos" e priu.

Pois bem! A história dos Aflitos se confunde com a história do Náutico. Este é aquele típico estádio que não chega a ser um apêndice. É órgão vital. Afinal, as grandes conquistas alvirrubras aconteceram naquele pedaço de chão.

Lembranças de um passado glorioso se misturam as esperanças de um futuro que irá colocar o clube em sintonia com o novo tempo. Este "encontro" de passado com o futuro torna o presente excitante.

A história dos Aflitos tem sido revivida através das lembranças de fatos, de momentos inesquecíveis e marcantes. Evidente que a volta pra casa tem traços de saudosismo, até porque os laços de ternura nas narrativas são reais e emocionantes.

Revendo os feitos do Náutico na década de 60, foi inevitável lembrar da abertura de um canal que ligou o clube alvirrubro ao Santa Cruz de Carpina. Tudo começou quando o atacante Rinaldo foi defender o Náutico. O carpinense fez tanto sucesso que, pouco tempo depois, se transferiu para o Palmeiras, numa troca com o meio campista, Ivan Brondi. Rinaldo chegou a Seleção Brasileira, e quis o destino, que Brondi viesse a se tornar uma referência na história do Clube da Rosa e Silva.

Na mesma década, o juvenil do Náutico, treinado por seu Cido, foi fazer um amistoso com o Santa Cruz de Carpina. O goleiro do Tricolor Carpinense, Lula, foi o destaque do jogo. De imediato foi garimpado pelo treinador alvirrubro. Como pagamento, o Náutico se dispôs a fazer um outro jogo em Carpina, sem nenhum ônus para o Santa Cruz.

O Tricolor Carpinense vivia o melhor momento de sua história. Além de jogadores renomados como Mário de Pirulito, Humberto, Pelado, Telbaldo... havia uma nova geração de grandes talentos surgindo. O Náutico investiu pesado nos jovens carpinenses: Jairo (goleiro); Zé Leite (volante), Edvaldo(lateral esquerdo) e Wilson (ponteiro esquerdo).

A concentração do juvenil alvirrubro, que ficava sob o setor de cadeiras do estádio dos Aflitos, parecia uma república de carpinenses. O objetivo de todos era vestir a camisa do time principal. Jogar ao lado de Ivan Brondi, Bita, Nino, Fraga, substituir Lula Monstrinho...

Os jovens carpinenses copiavam os seus ídolos no jeito de vestir: calças boca sino, feitas pelo alfaiate de nome Barbosa. E todos sonhavam em ter o carro da moda: Karmanguia da Wolksvagen, com rodas largas e toca fita roadstar auto reverse. As caminhadas pelas ruas da Angustura, Espinheiro e Santo Elias, onde ficava a concentração dos profissionais, eram preenchidas por bate papo revestido de esperança. A época, os juvenis faziam as refeições junto com os profissionais, na concentração da Santo Elias.

O Santa Cruz de Carpina sempre cedeu suas revelações para o Náutico. Walmir, um apoiador de grande habilidade, também morou na concentração sob as arquibancadas dos Aflitos.

A reabertura dos Aflitos acontece num momento de recesso do futebol brasileiro, fato que oferece um espaço generoso para os alvirrubros relembrarem o passado e fazerem planos para o futuro.

"A memória do passado, o olhar do presente e a espera do futuro". Esta a trilogia do tempo que foi ensinada por Santo Agostinho e que está sendo vivenciada pelos alvirrubros ao ver o futebol novamente sendo praticado em casa.

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Artigos
A refundação do futebol de Pernambuco
postado em 13 de dezembro de 2018

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com

 

Um tema que já discutimos por várias vezes e que voltamos a abordar nesse artigo, está relacionado a necessidade de se refundar o futebol de Pernambuco.

Esse esporte é um bom negócio que precisa de demanda, e os clubes  essa necessidade, desde que possuem boas torcidas, as quais formam um valioso mercado consumidor.

Quando observamos as campanhas de nossos times, especialmente aqueles que são chamados de grandes nas diversas competições, verificamos que as gestões não estão sendo delineadas para atender as suas necessidades. O amadorismo impera.

O futebol de nosso estado, como na maioria do Brasil continua atolado no imediatismo, na insensatez das cobranças. O debates são paupérrimos e não levam a nada.

Na realidade os times de Pernambuco não entenderam a necessidade de mudar o sistema atual, que dá muita validade a um Estadual que nada representa, e que não pode, nem deve servir de parâmetro para projeções futuras.

A própria Copa do Nordeste, que poderia ser um bom torneio, a qualidade técnica é baixa, e a conquista do título não pode servir como referência para as disputas em competições maiores.

O futebol pernambucano teve bons momentos, quando cuidava de suas bases, e os elencos eram formados na maioria por jogadores produzidos internamente, ou então na própria região. Tínhamos boas participações nos eventos nacionais.

O modelo foi abandonado, dando a preferência as importações de pouco conteúdo, e os resultados são bem visíveis. Os clubes no início da temporada contratam caminhões de jogadores.

Existe uma necessidade de se refundar o futebol local, ouvindo todos os seguimentos e sobretudo especialistas do setor, para que possam debater idéias na busca das modificações necessárias. A derrocada técnica e financeira é absurda. Todos os segmentos que o envolvem tem conhecimento, mas nada fazem para a mudança do sistema.

Termina um Estadual e mesmo uma Copa do Nordeste, quais os talentos que são aproveitados? Isso demonstra que não existe trabalho de base, e quando acontece é mal feito, para atender os empresários.

O futebol brasileiro se apequenou no geral, mas o de Pernambuco está na zona do rebaixamento, em função de uma linha de procedimento e, sobretudo, de um projeto a longo prazo para que volte a ser o que já foi um dia.

O Interior foi destroçado.

Enquanto existir uma parede separando os clubes profissionais, que não conseguem conversar entre si, só irá beneficiar a Federação local, que pouco se importa com o que acontece, e em janeiro irá dirigir um Estadual destruidor para todos os participantes.

Todos são culpados pelo momento atual, inclusive a imprensa e os torcedores, que nada fazem para que o sistema seja alterado.

Lamentável.

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Acontece
O Muro da Intolerância
postado em 11 de dezembro de 2018

CLAUDEMIR GOMES

 

Sábado passado aconteceu mais uma edição do "Encontro dos Boleiros", confraternização que tem como objetivo agrupar o maior número possível de ex=jogadores. O evento faz parte do calendário esportivo pernambucano e é sempre marcado pela recordação de fatos e histórias que marcaram as carreiras cada um.

Evidente que o verbo é sempre conjugado no passado, fato que nos permite traçar um paralelo entre o praticado no século passado e o que ditado na nova ordem.

Nesta segunda=feira, no programa Bem Amigos, apresentado por Galvão Bueno, no SporTV, o comentarista, Caio Ribeiro, falou sobre o "Muro da Intolerância", que vem alimentando um apartheid entre os profissionais da imprensa e jogadores profissionais, separação que tem sido danosa para ambas as partes, principalmente para o futebol.

As observações feitas por Caio Ribeiro foram acatadas por todos os presentes, embora o assunto, de grande relevância, não tenha evoluído por não constar na pauta do programa.

Posso dizer que sou um privilegiado por ter vivenciado a época da liberdade de Circulação, que nos deixava íntimos dos fatos e das notícias. O respeito ao direito de ir e vir dos repórteres aproximava a mídia dos jogadores, técnicos e os dos outros profissionais ligados ao esporte mais popular do País. O estreitamento dos laços de amizade sempre foi visto como uma coisa salutar. E foi assim, juntos e misturados, que o futebol brasileiro viveu os seus melhores momentos.

"Por trás de um jogador, de um treinador e de um repórter, há um cidadão, um ser humano que precisa ser respeitado", enfatizou Caio Ribeiro.

Não sei de quem foi o brado, mas um dia, algum iluminado gritou que era preciso separar os dois grupos. O conceito equivocado ecoou, e foi levantado o fictício "Muro da Intolerância".

O repórter não tem mais o direito de ir e vir. Os espaços da mídia foram limitados, fato que deixou a todos sem informações precisas dos fatos. Jogadores e treinadores passaram a tratar profissionais da imprensa como inimigos numero um.

As entrevistas passaram a ser enviadas as empresas de comunicação pelas assessorias de imprensa. Enfim, o que chega ao conhecimento do público é o que os clubes acham convenientes. As coletivas de imprensa são de uma pobreza lamentável porque os profissionais da mídia não têm conhecimento dos bastidores.

O mestre, José Joaquim pinto de Azevedo, com muita propriedade afirma que estamos vivendo a "ERA DE IMBECILIDADE".

Ao proibir os repórteres de vivenciarem os bastidores, os iluminados dirigentes e incompetentes treinadores, que foram decisivos na criação deste apartheid, provocaram uma crise sem precedentes na imprensa esportiva, cada dia mais pobre de pensamento e atitude.

Pior ainda: colocaram um ponto final naquilo que somente é possível observar no encontro de jogadores do passado, a amizade sincera entre os profissionais dos dois lados.

O "Muro da Intolerância" empobreceu o futebol.    

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Artigos
Os Figurantes
postado em 10 de dezembro de 2018

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com

 

Os clubes nordestinos mais uma vez não fizeram uma boa campanha no Brasileirinho. Dos quatro participantes dois dançaram, Sport e Vitória, o Ceará escapou da Caetana na bacia das almas, e o Bahia com uma campanha de mediana para baixo.

Somos meros figurantes, sem direito à fala durante o filme. Os times jogam para a manutenção, sem nenhuma perspectiva de algo mais, e isso influência na captação de investimentos, que os deixam na linha da pobreza.

O prazer que o torcedor sente numa competição é de masoquismo, desde que vão aos jogos para torcerem contra uma queda, nunca pela conquista de um resultado maior. Além das diferenças de receitas, sofremos com péssimas gestões que ensejaram uma queda na qualidade do futebol regional.

Na verdade fingimos que temos futebol, quando somos apenas figurantes que trabalham de graça em busca de uma pontinha, para serem descobertos pelos agentes.

Quando olhamos para a parte mais alta do mapa do país, a região Norte, no período dos pontos corridos só teve três participações na maior divisão, nos anos de 2003, 2004 e 2005, que foi o último ano. São 14 temporadas sem uma única presença de um clube do Pará, que é um estado com uma boa demanda.

No Nordeste, nenhum clube da Paraíba, Alagoas, Sergipe, Piauí e Maranhão. Do Rio Grande do Norte apenas em 2007 com o América/RN, rebaixado no mesmo ano. Dai em diante o estado foi riscado do mapa maior do futebol nacional. Na Bahia, Vitória e Bahia se reversam, algumas vezes participando juntos. Nos anos de 2005, 2006 e 2007, o estado não teve representantes.

A situação pernambucana se agravou no Século XXI. Nos anos de 2003, 2004, 2005, 2010 e 2011, o estado não teve nenhum representante, fato que voltará a ocorrer na próxima temporada.

O Santa Cruz no período dos pontos corridos jogou apenas por duas vezes na Série A (2006 e 2013), sendo rebaixado nos mesmos anos. O Náutico tem apenas cinco presenças.

O Sport teve o seu melhor momento entre 2014 e 2018 quando participou na maior divisão. Em 17 temporadas (incluindo 2019), tem 9 participações na elite nacional.

O mais preocupante com relação a esse tema, é que os dirigentes dessas regiões não acordaram, e continuam sendo submissos ao atual sistema medieval implantado pelo Circo do Futebol, que não vislumbrou a demanda dessas regiões, e continua trabalhando para o Sudeste.

Norte e Nordeste não existem, e quando participam de uma festa maior é para divertimento sem maiores pretensões, resultante de uma péssima distribuição de renda e de uma cartolagem sem a menor noção do que seja uma gestão esportiva.

Quando assistimos no último domingo o sofrimento do torcedor do Sport que acreditava no impossível de que o clube iria fugir da Caetana, ficamos na certeza de chegamos ao fundo do poço.  

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Sport
Eleição só para os oposicionistas
postado em 04 de dezembro de 2018

CLAUDEMIR GOMES

 

A desistência do candidato da situação, Augusto Carrera, em disputar as eleições presidenciais do Sport, gerou um fato novo na centenária história do Clube da Ilha do Retiro: um pleito apenas com concorrentes de oposição. Mais ainda: abriu espaço para o aumento de especulações sobre a real "saúde" financeira do Leão.

Bom! Para se mensurar o tamanho do buraco negro em que se encontra o clube, não há outra alternativa senão uma auditoria fiscal e contábil. É a forma de abrir a "caixa preta" que vem sendo guardada a sete chaves.

Embora alguns integrantes da atual diretoria assegurem que, pelo fato de o Sport ter disputado o Brasileiro da Série A era obrigado a divulgar um balancete trimestralmente, as queixas de que faltou transparência na administração do presidente, Arnaldo Barros, são muitas, e acontecem há muito tempo.

Quando acontece um acirramento entre situação e oposição, em eleições de clubes, e os oposicionistas vencem o pleito, fatalmente acontece a famosa, e temida, "caça as bruxas". No cenário do momento, na Ilha do Retiro, onde a situação retirou o seu barco da raia, é possível observar uma sutil troca de farpas entre os grupos liderados por Milton Bivar, apontado como grande favorito na corrida presidencial, e Eduardo Carvalho, que desde o início procura fortalecer sua musculatura como candidato alternativo, tentando pregar o rótulo do "novo."

Os nomes das duas chapas chegam a confundir o eleitor leonino: "SPORT DE TODOS" e "SPORT DO POVO". Como não se tem uma leitura real do passivo do clube, muito menos do que ele tem a receber, a dedução lógica é de que o futuro presidente somente conseguirá êxito em sua gestão se houver um trabalho coletivo de forma efetiva. Portanto, esse apoio verbal que vem sendo hipotecado por ex=dirigentes, serve apenas para aumentar a contabilidade dos votos. O importante é que todos repassem, aos futuros gestores, um pouco de suas experiências exitosas, quando ocuparam cargos no clube.

Quem transita pelos corredores da Ilha do Retiro há muitos anos, deve ter ouvido, muitas vezes, a máxima de que: "O Sport unido jamais será vencido".

A formação de novos grupos, nas últimas duas décadas, na Ilha do Retiro, deixou o Sport dividido em frações. O discurso da modernidade, e da necessidade de adequar o clube a nova ordem, provocou um acirramento maior na disputa interna pelo poder. E nesta briga de leões contra leões, foram cometidos equívocos, que no decorrer do tempo, se mostraram danosos ao clube, como a agressiva mudança nos Estatutos, elaborada com um viés ditatorial capaz de fazer inveja a qualquer déspota.

Como não há mal que dure para sempre, nem bem que se eternize, surge um novo sol no horizonte da Ilha do Retiro.

Que venha um novo tempo.

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