Histórico
Acontece
Um épico clássico inglês
postado em 03 de janeiro de 2019

CLAUDEMIR GOMES

 

A internacionalização do futebol nos brindou, neste terceiro dia do novo ano, com um jogo antológico do Campeonato Inglês: Manchester City 2x1 Liverpool. Confronto que aqueceu a briga pelo título da Premier League. Com a vitória o Manchester pôs fim a uma invencibilidade de 21 partidas do adversário e diminuiu para quatro pontos a distância que o separa do líder. Agora, é aguardar para ver como o time de Jürgen Klopp vai reagir ao fato novo.

A briga de gigantes não tem nada a ver com o que acontece na nossa aldeia, que já foi chamada de País do Futebol, e apresentava uma arte que era cobiçada por todos. Vale lembrar que o talento do jogador brasileiro segue em alta. Afinal, neste clássico internacional, em determinado momento, haviam seis jogadores brasileiros em campo e mais um no banco de reservas: Alisson, Ederson, Danilo, Fabinho, Firmino, Fernandinho e Gabriel Jesus.

A matéria prima existe, e é de boa qualidade. Isto é fato. Assim como é real a distância que separa o nosso futebol do europeu no quesito organização.

Tudo o que estamos testemunhando não aconteceu num piscar de olhos. O processo de internacionalização começou há quatro décadas, mas os dirigentes da CBF, com a conivência dos clubes, que nunca se insurgiram contra as desastrosas gestões da entidade maior, e das federações, nunca se importaram em entrar em sintonia com a nova ordem do futebol mundial.

Só para o prezado leitor se situar, o primeiro jogador brasileiro a disputar uma edição do Campeonato Inglês foi Mirandinha, que atuou no Náutico e depois se transferiu para o Palmeiras. Isto aconteceu na década de 80.

Quando a internet passou a ser de domínio público, as distâncias foram vencidas e o mercado internacional abriu as suas portas. A Europa estava pronta para a transformação que pegou os países da América do Sul de calça curta. Citamos a América do Sul porque até então, o futebol mundial era alicerçado em duas escolas: a européia e a sul=americana. A Europa se restabelecendo de duas guerras mundiais, enquanto a América do Sul lutava por uma soberania através do futebol arte, que ressaltava o talento do jogador brasileiro.

O cochilo dado pelos dirigentes da CBF nos deixou a reboque da evolução apresentada por vários países da Europa.

Quem assistiu ao épico (Manchester City 2x1 Liverpool), hoje a tarde, chegou a conclusão de que, tal como acontecia há cinco séculos, nossas "riquezas" estão indo todas para a Europa. Nos nossos campos apenas o futebol tupiniquim.

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Futebol Pernambucano
Cenário de pouco otimismo
postado em 02 de janeiro de 2019

CLAUDEMIR GOMES

 

No futebol pernambucano não se planeja acontecimentos. A sensação é de que ninguém enxerga fora da caixa. Mudanças exigem ousadia. Para ser ousado é necessário enfrentar os próprios medos. A falta de atitude mantém uma falsa zona de conforto que a cada ano se torna menor neste retrato em preto e branco. O fim e o começo de temporadas representam uma rotina que não empolga.

Ligo o rádio em busca de notícias que nos inspirem uma crônica, e me deparo com um modelo de resenha esportiva que vejo há 50 anos, com o agravante de que, os repórteres de hoje não correm atrás da informação como os que lhes antecederam. Por medo ou conivência, o fato é que ninguém se insurge, procura sair do quadrado que cada dia se torna mais restrito por imposição dos clubes e dos podres poderes do futebol nacional.

Um comportamento abjeto, que tem transformado programas esportivos em revistas de humor. Uma mudança tosca, sórdida, que nada acrescenta ao desporto, até porque só revela a falta de conhecimento e o despreparo de profissionais que são colocados em frente das câmeras de televisão.

O primeiro dia útil do ano tem como principal fato a posse de Milton Bivar na presidência executiva do Sport Club do Recife. A expressiva vitória nas urnas lhe dá legitimidade. A exitosa passagem no cargo (2007/2008), lhe colocou na preferência de 8 entre 10 leoninos. O presidente tem consciência de que, os desafios de hoje são maiores que os desafios de 11 anos atrás. A partir daí surge a pergunta: Qual a proposta do novo presidente para a reconstrução do Sport?

Até o momento, tudo o que foi anunciado não passa de medidas emergenciais para estancar sangramentos. Algumas ações a serem desenvolvidas darão a impressão de uma volta ao passado. Esperamos que sejam necessárias, e que este recuo represente o impulso para um avanço mais na frente. O desafio de Milton, e seus pares, é implementar no clube uma nova filosofia que o recoloque no caminho do crescimento.

O momento do Sport exige adequações. Os gestores que hoje se despedem dos cargos, não tiveram a sensibilidade necessária para enxergar tal necessidade, e foram ceifados pelo veneno da soberba.

Estamos começando um novo ano. Não é fácil renovar as esperanças diante de um medo coletivo que impede as pessoas de pensarem de forma diferente.

 

Apesar de tudo: Feliz Ano Novo.   

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Santa Cruz
O dia que o Tricolor goleou o Al Ain
postado em 20 de dezembro de 2018

Por ROBERTO VIEIRA

 

O Twitter do Arquivo Coral foi sensacional na sua lembrança. No dia 18 de março de 2979 virou parte importante na história do Terror do Nordeste...

O ano de 1979 foi inusitado para o Santa Cruz e o Náutico. As duas equipes fizeram as malas e saíram pelo mundo árabe, América Central e Europa atrás de dinheiro. Por incrível que pareça, o negócio deu muito certo, principalmente para o Santa Cruz que naqueles tempos tinha uma das melhores equipes do Brasil.

Sob o comando técnico de Evaristo de Macedo, que naqueles tempos tinha o maior salário entre os treinadores brasileiros, o Tricolor saiu ganhando de tudo e de todos, primeiro nas terras das mil e uma noites. Mas um jogo em especial acaba de entrar para a história do clube. O encontro diante do Selecionado de Al Ain, no dia 18 de março de 1979.

Citado erroneamente nos jornais pernambucanos como selecionado de Al Halin, o encontro do Santa Cruz ocorreu diante da equipe do Al Ain, cidade distante cento e poucos quilômetros de Dubai.

O Al Ain naqueles tempos tinha onze anos de idade e ainda não era a equipe onde iriam atuar Sheik, Dodô e Michel Bastos. Provavelmente, a equipe do Al Ain foi reforçada por alguns jogadores locais, daí a receber o nome de selecionado. O fato também ocorria no Brasil nos anos 30 e 40.

Como já vinha acontecendo na excursão comandada pelo empresário Elias Zacour, o Santa Cruz não se fez de rogado. Partiu para cima, perdeu duas chances de cara com Deinha e após chute despretensioso do ataque árabe, que não assustou o goleiro Joel Mendes, Neinha (sim tinha Neinha e Deinha), balançou as redes duas vezes antes dos 20 minutos de jogo.

A defesa com Vassil, Paranhos, Lula e Alfredo Santos não deu espaço pra nenhuma surpresa local. Tanto que o jogo ficou morno como o calor do deserto e só foi despertar na segunda etapa quando cruzamento de Betinho encontrou Volnei livre para decretar os definitivos 3x0.

Corre=corre. Malas enviadas previamente do Hotel Excelsior para o avião da Gulf Air. Delegação chega em Riad ainda de chuteiras e segue ganhando de todo mundo. Na equipe ainda brilhavam os ponteiros Zé Roberto, o endiabrado Joãozinho que chegou a atuar no Corinthians e no Sport, o lateral Carlos Alberto Barbosa, falecido precocemente no auge da sua carreira, além de Givanildo, que atuou na Seleção Brasileiro em 1976.

Para quem imagina que aquela equipe é história das mil e uma noites, uma lembrança:

Antes da excursão de 1979, que terminou de forma invicta com doze jogos e dez vitórias, sendo a despedida um 2x2 diante do PSG, em Paris. O Santa Cruz goleou a seleção da Tchecoslováquia em Recife por 4x0.

E a Tchecoslováquia era a campeã européia de seleções, bicho!

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Sport
Vitória avassaladora de Milton Bivar
postado em 18 de dezembro de 2018

CLAUDEMIR GOMES

 

Mesmo antes das inscrições das duas chapas, a candidatura de Milton Bivar, à presidência executiva do Sport, se apresentava emoldurada com a faixa da vitória. O advogado, Eduardo Carvalho, sem nenhuma base política na Ilha do Retiro, funcionou como um contraponto que serviu para dar a conotação de uma disputa, visto que, o sentimento que nos foi repassado ontem, pela maioria das pessoas presentes na sede do clube, durante o pleito, era de confraternização pela "REDENÇÃO" do clube leonino.

A vitória de Milton era certa. Faltava apenas os números: 2.447 votos, contra 329 votos do seu opositor.

O novo presidente chega ao cargo pela segunda vez. O título da Copa do Brasil, conquistado pelo Sport em 2008, sob o seu comando, lhe credenciou ao sucesso na disputa pelo voto dos rubro=negros. E de forma avassaladora, fato que ressalta a credibilidade do sócio na sua capacidade de gerir o clube num dos momentos mais desafiadores de sua centenária história.

Por ironia, no final da manhã, quando um expressivo número de sócios marcava presença na sede do clube, na Ilha do Retiro, uma pane elétrica tornou inviável a frequência no restaurante, que sempre funciona como ponto de encontro nas eleições. Era como se o Sport estivesse devastado. Por ali tivesse passado um furação.

E passou.

Há seis anos que o clube leonino sofre um desgaste lento. Os equívocos administrativos foram corroendo todos os setores. O patrimônio está dilapidado. Qualquer parecer contábil dirá que o Sport é um clube insolvente. O caos no futebol, que é considerado o coração da agremiação da Ilha do Retiro, foi instaurado, e as soluções para tantos problemas não parecem fáceis.

Nas suas primeiras palavras como presidente eleito, Milton Bivar destacou que, a quantidade expressiva de votos a seu favor dá "legitimidade" a sua vitória.

Verdade. Os números são incontestáveis.

Tão incontestáveis quanto a expressa vontade dos eleitores de, nos próximos dois anos, ter uma administração transparente no clube. Aliás, este foi um dos desejos mais revelados por aqueles que transitaram pela Ilha do Retiro neste dia de eleição.

Vencer é o céu presidente! Que o diga seu amigo, Costinha, que fez questão de lhe dar um abraço após votar na sua chapa.

Mas não é preciso ser um administrador de empresa para saber que, o momento do Sport vai exigir que o senhor cobre o escanteio e corra para fazer o gol de cabeça. Sem falar nos pênaltis que também serão de sua responsabilidade.

Sucesso!

É o que lhe deseja milhares de leoninos.

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Artigos
Um cliente mal atendido
postado em 18 de dezembro de 2018

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com

 

Nunca na história das corporações de mídia no Brasil tivemos tanto enxugamento nos seus quadros jornalísticos, em especial na imprensa escrita, que é a que vem sofrendo mais abalo na sua competição com as redes sociais.

Procedemos diariamente com a leitura de vários jornais brasileiros e internacionais, e não entendemos que o nosso jornalismo ainda não percebeu que para continuar ativo precisa acompanhar as tendências e os sinais do seu próprio público.

Os jornais europeus foram os que mais evoluíram na busca de alternativas para os seus leitores, enquanto no Brasil poucos mudaram nas suas editorias, publicando matérias por todos lidas um dia antes pela internet.

Não somos jornalistas, mas temos a percepção de um leitor que não deseja a repetição da notícia, e sim o aprofundamento sobre a sua repercussão na sociedade. O que vale repetir que João de Deus foi preso no domingo, ou seja um dia após o fato?

Na verdade esse ponto, que chamamos de mote, deveria servir para um debate maior na imprensa em geral e sobretudo na escrita, com uma análise de que existem vários personagens como esse.

Um tema que sempre temos destacado em algumas postagens é o da necessidade de um maior número de colunistas formadores de opinião, com a capacidade de observarem que além das notícias existe um algo maior a ser discutido. São essas interpretações que motivam o debate e prendem o leitor.

O futebol é um setor que sofre mais, desde que os bons articulistas desapareceram e não foram substituídos a altura. Não foi por acaso que os jornais e as revistas esportivas sumiram do Brasil, por conta da ausência do novo em suas matérias que se reportavam a fatos que aconteceram por muito tempo atrás, quando na verdade essas poderiam ser enaltecidas e sobretudo discutindo temas importantes sobre os diversos segmentos do setor.

A Sports Ilustrated é um com exemplo nos Estados Unidos. Um outro exemplo existe em Lisboa. Portugal, com três jornais diários sobre esportes, com grande aceitação. Os veículos lusos são procurados nas bancas, e logo cedo estão esgotados. O metrô nos dá uma amostragem com os passageiros lendo as notícias do dia.

Obvio que os jornais não irão morrer, porque existem há muitos séculos, mas a necessidade de mudanças é viável, desde que não poderão continuar com uma linha editorial do repetindo o repetido por muitas vezes, um dia após a sua edição.

A era digital chegou e esse é o caminho que será tomado.

O bom colunismo será a peça de resistência dos veículos impressos brasileiros.

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