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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
A empolgação do Campeonato Pernambucano está na desigualdade existente entre os clubes da Capital e do Interior. Sport, Náutico e Santa Cruz, com estruturas infinitamente superiores as dos clubes interioranos, seguem como principais aspirantes ao tÃtulo estadual. Os outros clubes participantes são meros figurantes, coadjuvantes que funcionam como complicadores. No final, sabemos que o tÃtulo irá para o Arruda, a Ilha do Retiro ou Aflitos.
à o sambinha de uma nota só que faz a festa da galera por mais de um século. Os tropeços que acontecem neste inÃcio de disputa não dizem nada. Apenas chamam a atenção para a performance daqueles que irão se classificar para a próxima fase, as quartas de final.
O Central de Estevam Soares, atual vice-campeão estadual, contabilizou duas vitórias (Náutico e Salgueiro), e, como se prognosticava desde a chegada do treinador, a Patativa tem tudo para reeditar a boa campanha do ano passado e se posicionar como a melhor equipe do Interior.
O técnico do Santa Cruz, Leston Júnior, não poupou crÃticas ao gramado do estádio Ãureo Bradley, em Arcoverde. Creditou o tropeço do tricolor a má condição do campo. Não está de todo errado, mas tem que olhar mais para o próprio rabo, ou seja, sua equipe ainda pratica um futebol muito fraco.
A forma de disputa do campeonato, com jogos apenas de ida até as semifinais, mudando apenas na decisão do tÃtulo, quando teremos jogos de ida e volta, exige mais atenção e aplicação dos tradicionais "grandes" nos confrontos com os pequenos e intermediários. à que, pontos perdidos para os "complicadores", não são recuperados, razão pela qual, o clássico de domingo entre Sport e Náutico será decisivo para as pretensões de alvirrubros e rubro-negros.
A corrida pelo tÃtulo exige planejamento, e dentre os itens a ser considerados está o mando de campo. Jogar na condição de mandante nas quartas de finais e semifinais é uma vantagem substancial. Portanto, para o Trio de Ferro da Capital, o primeiro desafio é concluir a primeira fase entre os quatro melhores pontuados na tabela de classificação, posições que asseguram a condição de mandante nas quartas.
Por enquanto a graça do campeonato está na zoeira que rola nas redes sociais, porque a qualidade do futebol é muito fraca. O Pernambucano se transformou num laboratório ruim.
CLAUDEMIR GOMES
A bola voltou a rolar nos estádios brasileiros!
Era o que estava faltando ao verão. Afinal, estamos vivenciando o "Janeiro de todos os espetáculos".
E haja gréa!
O mês de janeiro tem a cara do povo brasileiro, que nem tá ligando para o montão de contas que tem a pagar.
Não, não!
O momento é de curtição, de zoação. Começou mais uma edição do Big Brother e os Campeonatos Estaduais estão aà para a alegria da galera nas redes sociais. Os jogos são de péssima qualidade técnica, e o cenário deste inÃcio de temporada não serve de referência para nada. Logo, tudo muda radicalmente. Não esqueçam que estamos no momento de pré carnaval.
Os estádios pernambucanos ficaram quase vazios na primeira rodada do Estadual, mas as ruas da Velha Olinda estavam repletas.
Piscininha Amor!
A turma já entrou no meme que foi alimentado pelos jogadores do Cruzeiro, viralizou na internet. Esperto, o baiano Whadi Gama, de 17 anos, fez uma composição que fatalmente será o hit maior do carnaval.
Quem quiser ver, comentar e curtir o bom futebol, que acompanhe os campeonatos europeus pela TV fechada (canais pagos). Aqui no Brasil, até o carnaval, é "Piscininha Amor!".
O Sport perdeu para o Flamengo de Arcoverde (3x2), na sua estréia no Pernambucano, em plena Ilha do Retiro. Os tricolores zoaram muito nas redes sociais. O Estadual serve para isso, para os amigos zoarem uns com os outros.
O Náutico perdeu para o Central. Resultado que traduziu bem o jogo, não feriu a lógica e mostrou a dificuldade do técnico Márcio Goiano, neste inÃcio de ano onde a ordem é "Piscininha Amor".
E durante o Fantástico, programa de maior audiência da televisão brasileira na noite do domingo, o apresentador faz uma chamada para o Big Brother com a seguinte frase: "O jogo começa realmente hoje!".
Sem se desligar do seu iphone, Ãurea Regina, minha mulher, exclama: "Liga não, é janeiro".
Em seguida, a atração maior do programa: Os gols da rodada.
Mas antes, uma matéria de quase três minutos para mostrar o meme que está sacudindo o Brasil, e que foi curtido por Neymar e Gabriel Jesus, na Europa.
"Piscininha Amor!".
à o janeiro de todos os espetáculos.
O prezado leitor deve está perguntando: "Claudemir não vai escrever sobre futebol?"
Calma amigo! Amanha a gente escreve sobre isso. Hoje é segunda=feira, daqui a pouca acaba o mês de janeiro.
O momento é de "Piscininha Amor".
CLAUDEMIR GOMES
O mestre, Adonias de Moura, sempre nos chamou a atenção para a importância das entrelinhas. Nelas vamos encontrar informações, citações e afirmações que podem ser decisivas para interpretação de textos. Os desatentos seguem na mesmice que os mantém no lugar comum dos alienados.
Dois fatos me chamaram a atenção, esta semana, ao exercitar a leitura: primeiro, uma nota no blog do mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, onde ele destacou o incidente envolvendo um jovem jogador do Cruzeiro, que foi pego, numa blitz, portando maconha. Com sua visão diferenciada, José Joaquim, de imediato dispensou a vertente policial e passou a analisar o fato pela vertente social, observando a carência de uma melhor atenção dos clubes com os jovens craques que não estão preparados para mudanças sociais bruscas, que acontecem dentro da dinâmica do futebol.
Também nas entrelinhas, desta feita numa matéria publicada na edição de quarta=feita, no caderno de esportes do Jornal do Commercio, sobre a preparação do Sport para a estréia no Campeonato Pernambucano, tendo o atacante Juninho como o personagem central. A matéria tinha o enfoque no factual, que era a lesão sofrida pelo jogador, até então, tido como titular no time montado pelo novo treinador, Milton Cruz. De repente, para enriquecer o texto, ou por pura maldade, o jornalista cita o fato de Juninho responder a um processo por ter agredido a namorada (ou mulher), a época. O fato aconteceu há quase um ano, ou mais, e o rapaz paga um preço alto pelo seu destempero.
Juninho errou. Isto é fato. Que se cumpra a Lei Maria da Penha. Mas a sociedade, na sua hipocrisia doentia, mantém o jogador num tribunal aberto, júri popular permanente, lhe julgando e sentenciando, como se o jovem não tivesse direito a uma segunda oportunidade. A pena é não jogar.
Os ex=diretores do Sport foram de uma falta de habilidade lamentável no caso de Junhinho. Deixaram o jovem exposto, jogado as feras. Sacudiram ele para outros clubes, mas as tentativas foram frustradas porque houve pressão de movimentos de torcidas femininas que impediram a sua contratação. E Juninho se transformou num anticristo. E todas as portas se fecharam para ele.
Após passar meses enclausurado na Ilha do Retiro, treinando longe do foco dos holofotes, os novos dirigentes leoninos resolveram investir no rapaz. A ordem é salvar o talento. Afinal, não é marginalizando o jogador que vai se salvar o homem. O problema agora são os "paladinos da justiça", de uma sociedade que estende o tapete vermelho para dezenas de criminosos, mas tenta impedir a recuperação de um jovem.
Para vencer as maldosas entrelinhas, existe apenas um caminho para Juninho: GOLS EM PROFUSÃO.
Quando isso acontecer, ao invés de jogarem bosta na Geni, todos irão gritar: "Palmas para a Geni".
GILBERTO PRADO
Radiante, José Pereira da Silva recebeu a notÃcia. Como prêmio pela sua atuação de vendedor, ganhara uma hospedagem de 15 dias no mais luxuoso resort de Porto de Galinhas.
"E com todas as despesas pagas", detalhou o seu chefe, também feliz com o sucesso do seu funcionário.
Já no sábado seguinte, lá estava Zé Pereira, junto com a "nega véia", no praÃso turÃstico de Pernambuco.
De saÃda, um pouco de água fria na sua fervura: "Todas as despesas pagas" sobre as quais lhe falara seu patrão, tinha limites.
"O senhor e sua esposa tem direito à hospedagem e ao café da manhã. As demais despesas; almoço, jantar, lanches, refrigerantes e bebidas alcoólicas, são por sua conta", lhe explicou o simpático recepcionista do luxuoso hotel.
Sentiu, logo em seguida, "gosto de gás", quando ouviu um hóspede gritar, em um barzinho próximo à recepção, na maior intimidade com a bebida que ia consumir.
"Traz o joãozinho (John Walker) pra mim! Do "crioulo" (selo preto)"!
Ao mesmo tempo observou um cardápio onde constavam os preços "dolarizados" das bebidas.
Deduziu logo que, ali, não lhe seria possÃvel tomar a sua latinha de Pitú, como o fazia diariamente no boteco do Hélio.
Voltou ao trabalho e evitou ser "premiado" com um resort outra vez. referiu uma pousada dentro das suas condições financeiras.
Quem quiser que discorde, mas acho esta historinha fictÃcia, de quem não tem o que fazer, bem semelhante à participação dos clubes pernambucanos na Série A do Campeonato Brasileiro nos moldes atuais.
CLAUDEMIR GOMES
Em inÃcio de temporada, a Copa do Nordeste rouba a cena num mercado pouco valorizado no futebol brasileiro. A competição que achatou os campeonatos estaduais, começa nesta terça=feira com o Náutico enfrentando o Fortaleza, nos Aflitos; enquanto o Santa Cruz vai a João Pessoa medir força com o Botafogo/PB. No Rei Pelé, em Maceió, o CSA, que este ano irá disputar o Brasileiro da Série A, recebe a visita do Vitória/BA, que foi rebaixado para disputar a Série B.
A primeira edição da Copa do Nordeste aconteceu em 1994, logo após a conquista do tetra pela Seleção Brasileira, no Mundial dos Estados Unidos. O mentor de um modelo que se apresentou como revolucionário, foi o mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo. A proposta de uma competição de tiro curto, sendo disputada num único Estado, foi coroada de sucesso. Mas já na segunda edição, clubes, federações e a CBF desconsideraram o êxito e apostaram no lugar comum.
Sem nada de novo a apresentar, o torneio regional passou a concorrer diretamente com os estaduais. As competições domésticas, fieis a um modelo secular, logo começaram a perder terreno para o "novo" cujo único atrativo era a rivalidade entre os grandes clubes da região. O sucesso da Copa do Nordeste levou seus gestores a promover um inchaço na disputa, colocando clubes que nada agregaram, pelo contrario, baixaram o nÃvel técnico da competição.
As disputas simultâneas dos estaduais com a copa regional provocaram choques de datas que acabaram interferindo nos jogos finais das competições. A resultante de tal tragédia foi a perda de interesse dos torcedores pela ameixa do pudim.
A edição 2019 vem com alguns ajustes na forma de disputa, num esforço para deixar o torneio mais atrativo. Como a maioria dos clubes participantes disputam a Série C nacional, a Copa do Nordeste passa a integrar um "ciclo vicioso" que surgiu com o excesso de confrontos entre os mesmos clubes nos estaduais, no regional e no Brasileiro da Série B.
A mesmice afugenta os torcedores dos estádios.
Surge a pergunta: Quantos clássicos disputarão Náutico e Santa Cruz nesta temporada em que vão se confrontar nas disputadas da Copa do Nordeste, do Pernambucano e da Série C?
A falta de estudo e planejamento no sentido de tornar o calendário do futebol brasileiro mais racional e atrativo, nos leva a uma realidade que só enfraquece a região Nordeste. Afinal, falamos apenas de uma agenda de inÃcio de ano onde ainda teremos a Copa do Brasil; Campeonato Brasileiro, Sul=Americana e Libertadores.
Ah! Este ano também teremos Copa América.
A televisão ainda nos oferta os melhores campeonatos europeus; os jogos da Champions League...
O cardápio é vasto, mas neste inÃcio de temporada só serão servidos carne seca, tareco e mariola.