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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
O mestre José Joaquim Pinto de Azevedo, que mantém sua atenção voltada para as coisas importantes do futebol, me enviou os números de uma pesquisa publicada pelo jornal O Globo. O resultado é uma prova inconteste do afastamento do torcedor com a Seleção Brasileira, que já foi uma unanimidade nacional, e hoje detém a fidelidade de apenas 33,3% dos brasileiros.
Na busca por uma resposta convincente para esse desamor me deparei com várias alternativas: Os 23 anos que separam de um tÃtulo mundial; o distanciamento dos jogadores com a torcida; o fato da maioria dos jogadores atuarem em clubes europeus; o isolamento imposto pelo profissionalismo; a série de escândalos que marcou a passagem dos últimos presidentes da CBF.
Os fatores acabaram por criar um prato indigesto. A mudança de cenário dar-se-á com a conquista de um novo tÃtulo, o sonhado hexa, no Mundial do próximo ano, que terá como novidade três paÃses sedes - Estados Unidos, México e Canada - e um aumento do número de seleções, pulando de 32 para 48.
Seleção Brasileira sempre foi o suprassumo para jogadores, mÃdia e torcedores. Segue sendo uma meta para os profissionais. Ser convocado para defender a Seleção é um plus na carreira. Disputar uma Copa do Mundo com a camisa mais vitoriosa da competição - cinco tÃtulos - é uma valorização imensurável. Para os profissionais da imprensa, seguir os passos da Seleção Brasileira é mais valoroso do que qualquer curso universitário. Ser escalado para cobrir um Mundial é o mesmo que fazer o mestrado mais concorrido de todos os paÃses.
Por duas décadas - 1977 a 1997 - fui escalado como enviado especial do Diário de Pernambuco para cobrir a Seleção Brasileira. Além de quatro edições de Copa do Mundo - 1982, 1986, 1990 e 1994 - várias de Copa América; Eliminatórias, amistosos no Brasil e no exterior e torneios internacionais. Onde a Seleção Brasileira fosse lá estávamos representando o DP.
A camisa amarela, até então com apenas três estrelas no peito, era respeitada e festejada nos quatro cantos do planeta. Um fascÃnio que levava profissionais a esforço que se confundia com "loucura", como a extraordinária aventura vivenciada pela equipe da Rádio Difusora de Limoeiro, para cobrir um jogo da Seleção Brasileira com a BolÃvia em Santa Cruz de La Sierra.
A equipe formada pelo narrador, João Jovino, o comentarista, Laureano Silva e os repórteres Napoleão de Castro e Carlos Alfeu, percorreu 14.659 km para cobrir a estreia da Seleção Brasileira nas Eliminatórias Sul-Americanas para o Mundial de 1986. Uma "louca" aventura que foi destacada pela Revista Placar na sua edição de nº 785, que chegou às bancas em 8 de junho de 1985.
Folgo em ver o esforço de profissionais como o comentarista, Maciel Júnior, hoje vinculado a equipe da CBN/Recife, para cobrir o dia a dia da Seleção sob o comando do técnico Carlos Ancelotti.
O Brasil "estrangeiro" precisa reconquistar o torcedor brasileiro. A única forma de atingir tal meta é levantar o tÃtulo mundial em disputa no próximo ano. E tudo voltará a ser como dantes no quartel de Abrantes.
Afinal, como assegura o sábio Manoel Costa - Costinha: "Vencer é o Céu".
Do tri ao tetra o Brasil amargou um jejum de 24 anos. Mesma distância que separa as Copas de 2002 e 2026. Se tornar real o sonho do hexa, Carlos Ancelotti irá se deleitar com a "dolce far niente" reservada aos grandes campeões.
CLAUDEMIR GOMES
Logo que foi definido os grupos para a próxima fase da Série C do Brasileiro, que começa a ser disputada no final da semana, o mestre Roberto Vieira, que tem uma leveza sem igual no trato com as palavras, traduziu a aflição do seu coração alvirrubro com a frase: "Náutico no grupo da morte junto com Brusque, Guarani e Ponte Preta".
Como no futebol tudo é muito relativo, principalmente quando se trata do pressuposto, as opiniões se dividem no seio da tribo alvirrubra. Ao invés de sublimar a força dos adversários, o ex-presidente do Clube dos Aflitos, Eduardo Araújo, optou por enaltecer as qualidades e a experiência do comandante Hélio dos Anjos.
- Quando o assunto é futebol as opiniões são muito divergentes. Há quem defenda a tese de que o técnico não é determinante para um time conseguir vitórias e atingir metas. Hélio dos Anjos está provando o contrário. Chegou e ajustou o grupo. O Náutico deu liga com ele. Estou confiante, revelou o ex-dirigente.
Este é o terceiro ano seguido que o Náutico disputa a Série C do Brasileiro. Quem conhece a história do Clube dos Aflitos dirá que o fato é uma coisa circunstancial, embora não deixe de ser desconfortável. No comparativo entre as três campanhas encontramos espaço para parodiar o genial LuÃs Fernando Verissimo: O futuro de hoje é melhor que os anteriores!
Evidente que nada está garantido. Afinal, a bola ainda irá rolar seis vezes: três na casa dos adversários, e três no alçapão dos Aflitos. à aà que está o ponto de desequilÃbrio a favor dos alvirrubros. O mapa do sucesso é o mesmo para os quatro times: fazer bem o dever de casa e buscar o bônus extra na condição de visitante. Hélio dos Anjos conhece essa verdade de cor e salteado. Afinal, dos treinadores em atividade no futebol brasileiro, ele é um dos que tem o maior número de acessos no seu currÃculo. Com o Náutico são dois: Série A em 2006 e Série B em 2020.
A história nos mostra que, todo grande exército se mira no exemplo do comandante. Trabalhei com Hélio e conheço seu jeito, suas crenças e a força motivacional que transfere para os seus comandados. à o comandante certo para o momento que o Náutico está vivenciando.
Dia desses nos encontramos numa caminhada, no calçadão, em Boa Viagem. Momento de alegria onde o comandante alvirrubro deu mostras de sua lealdade ao perguntar por alguns amigos que temos em comum. Sem dar bolas ao tempo, ele faz planos para voltar a Série A. Seu sonho é de que isso aconteça com ele na condição de timoneiro do barco alvirrubro. Mas primeiro, as primeiras coisas: o foco agora é no quadrangular que o Náutico disputará a partir do próximo domingo.
Roberto Moraes é um dos alvirrubros mais autênticos que conheço. Vai para padaria logo cedo fazer resenha; conhece a metade e mais um pouco dos moradores de Boa Viagem, e não esconde de ninguém sua ansiedade com relação ao quadrangular que o Náutico irá disputar. Todos os dias faz consulta ao seu xará, Roberto Nascimento. Quando sente que os nervos estão realmente a flor da pele, escuta a narração de um pênalti feita pelo espetacular Aroldo Costa, da Rádio Jornal. Emoção de arrepiar, e que lhe leva às lágrimas.
Decisão é isso.
Aposto em Hélio, o Rei do Acesso.
CLAUDEMIR GOMES
A derrota - 3x2 - do Sport para o Vasco, na noite do domingo, na Ilha do Retiro, foi um autêntico adeus as ilusões, para o torcedor rubro-negro que ainda acalentava o sonho de sobreviver na Série A do Brasileiro. Uma lição dura para quem não aprendeu o básico: "Primeiro é primeiro, e segundo é segundo" em qualquer lugar do mundo.
Quando houve o acesso da Série B para a Série A, os gestores do futebol do clube leonino se embriagaram com o sucesso passageiro. De egos inflados, não perceberam a troca das locomotivas. Resultado: em momento algum o Sport conseguiu embarcar no trem da Série A. Sem conseguir subir na cambiteira, ficou chupando cana na beira do caminho. Agora, é aproveitar o resto da temporada, juntar os bagaços e aguardar o trem da Segundona, cuja locomotiva é uma Maria Fumaça que anda no ritmo ao qual o time da Ilha do Retiro joga.
Entendo que muita coisa mudou no futebol nos últimos vinte anos, perÃodo em que o esporte mais popular do planeta se transformou em um dos negócios mais rentáveis do mundo. Entretanto, algumas peculiaridades são imutáveis. Quando não se tem conhecimento da essência, o trabalho de campo não prospera. à como se você pegasse um executivo com expertise no ramo de hotelaria e colocasse a frente de uma secretaria de educação, ou transferisse um profissional do agronegócio para a gerência de um hospital.
"Cada macaco no seu galho", reza a sabedoria popular.
Imaturos, mas extremamente vaidosos, os gestores do futebol do Sport foram facilmente ludibriados na montagem do elenco visando a edição 2025 do Brasileiro da Série A. O futebol é uma praça aonde o vai e vem de espertalhões sempre existiu. Nos dias de hoje, os lobos travestidos de cordeiros, passaram a ser mais persuasivos atuando como executivos e empresários.
O presidente, Yuri Romão, tem feito um "mea culpa" em algumas entrevistas, mas sua verbalização não irá consertar os erros cometidos pelos jogadores dentro das quatro linhas. Naturalmente que, a pÃfia campanha na qual o Sport contabilizou apenas uma vitória em vinte apresentações é a resultante de uma montagem equivocada de elenco.
Com os bolsos das calças abarrotados de dinheiro, os trainees de diretores foram as compras e encheram a prateleira de carne de pescoço achando que fosse filé. O produto apresentado pelo Sport nos jogos foi difÃcil de digerir, uma vez que não estava à altura do "banquete" que é servido na Série A. O torcedor leonino fez sua parte, mas o time não correspondeu.
Intensidade se observa em qualquer nÃvel de disputa. Harmonia e dinâmica encontramos em prateleiras mais altas. Qualidade, harmonia, dinâmica e intensidade são requisitos de quem está na elite buscando um futebol de excelência.
O trem sempre anda mais rápido. Até mesmo a velha cambiteira puxada pela Maria Fumaça. Eis porque temos que começar a correr antes de o trem chegar. Caso contrário, não vamos conseguir subir. Ver o trem passar e ficar com o bagaço da cana na mão dá uma frustação danada.
Uma sugestão: Que os dirigentes do Sport iniciem, agora, a corrida para subir nos primeiros vagões do trem da Série B em 2026.
CLAUDEMIR GOMES
Os amigos costumam dizer que escrevo sobre esportes, mas misturo tudo. Confesso que não me vejo escrevendo. Converso com o computador. Nesse monólogo tento repassar, de forma clara, o meu pensamento. Desde que ingressei no jornalismo, como integrante da excelente equipe de esportes do Diário de Pernambuco, comandada pelo mestre Adonias de Moura, aprendi que o futebol é uma fonte inesgotável de saber, e de sabedoria.
O futebol mais popular do planeta explica tudo. Nos mostra a vida como ela é. Basta ficar atento aos detalhes.
Esta semana, ao me deliciar com um texto postado nas redes sociais pelo poeta e amigo, Xico Bizerra - UM QUASE POETA - onde ele presta homenagem a alguns gigantes da literatura como Drumont, Bandeira, Neruda, Bardo, Pessoa..., pincei a frase: "Tudo a dizer-lhe, nada a falar".
As atenções do futebol pernambucano, no momento, se concentram no confronto do Santa Cruz com o América de Natal, hoje a noite, na Arena Pernambuco, primeiro jogo do mata, mata que vai definir o acesso, de um dos dois clubes, para o Brasileiro da Série C, no próximo ano. A expectativa, emoldurada por grande tensão, me induziu a enviar um vÃdeo para o amigo, José Gustavo, um dos maiores amantes do Santa Cruz que conheço na atualidade. Sua resposta foi surpreendente:
"Tô uma pilha desde domingo... kkk".
José Gustavo é um jornalista com grande conhecimento da história do Santa Cruz. Já testemunhou, e vivenciou de formas diversas, momentos memoráveis na trajetória do Clube do Arruda. Chorou de tristeza e se banhou de alegria. Aprendeu que, no futebol o que conta é o momento. E todo momento é moldado pelas circunstâncias. Eis porque Guga está com os nervos à flor da pele.
Foi-se o tempo em que, num confronto entre Santa Cruz e América/RN se apostava no Tricolor do Arruda sem medo. Nunes, Ramon, Luciano Velozo, Givanildo, Zé do Carmo, Ricardo Rocha, Luiz Neto, Birigui, Marlon, Pedrinho, Jarbas, Betinho... têm muito a contar sobre a soberania do Santa nesta queda de braço.
Hoje cedo perguntei a Val - o taxista - torcedor do Santa Cruz raiz, que comprou seu ingresso tão logo as vendas foram iniciadas: "Se você fosse fazer a preleção hoje, na Arena, o que diria aos jogadores?" O silêncio foi sua resposta.
"Tudo a dizer-lhe, nada a falar", como poetizou Xico Bizerra.
Em momentos decisivos como este que o Santa Cruz vivencia neste sábado, a ansiedade é um adversário difÃcil de se transpor. O problema é que, apesar de o jogo ser uma decisão coletiva, ela atua de forma individual, e cada jogador reage diferente. Uns não dormem direito; outros vão várias vezes ao sanitário; outros ficam taciturnos, mas também existe o grupo dos que não se abalam.
Os narradores costumam alertar: "Chegou a hora de separar os homens dos meninos". Sabemos que não é tão simples assim.
Ninguém melhor que o mestre Silvio Ferreira, amante que conhece todos os cubÃculos dos bastidores do Arruda, para falar sobre essa ansiedade que torna ainda mais tênue a linha que separa o sucesso do fracasso.
Jogadores e ex-jogadores se referem a ela como: "Um friozinho na barriga".
Meu cunhado, Luciano Macedo, que desde domingo passado anda travestido de tricolor - bermuda com escudo do Santa Cruz; chinelo com marca do clube; camisa e boné tricolor - me liga para saber o que acho do jogo.
"Tudo a dizer-lhe, nada a falar".
O futebol é arte. Tal qual a poesia.
CLAUDEMIR GOMES
Começa hoje, e vai até o dia 13 de julho, o Mundial de Clubes da FIFA. Um sonho antigo que passou por diversos tubos de ensaios até chegar à fórmula considerada ideal. Trinta e dois clubes representarão todos os continentes, fato que torna o novo modelo justo e democrático, visto que, dar oportunidade a todos, de forma igualitária, de chegar ao pódio.
Tal como na Copa do Mundo de Seleções, na primeira fase os clubes estão divididos em oito grupos com quatro equipes. Os times jogam entre si e os dois com as melhores pontuações avançam para as oitavas de final. A partir das oitavas de final até a final, quando será conhecido o campeão, os jogos serão eliminatórios.
O Mundial de Clubes da FIFA será disputado a cada quatro anos. Uma oportunidade para observarmos a evolução do futebol em alguns continentes. A expectativa é de que, através dos clubes tenhamos uma radiografia melhor do que o raio x oferecido pelas edições das Copas das Seleções. Ao mesmo tempo se pressupõe que assistiremos jogos de melhor qualidade técnica.
Futebol é um esporte coletivo. Isto é fato. Por ser um dos esportes mais populares do planeta ingressou no mundo dos negócios com uma capacidade de crescimento impressionante. ImpossÃvel mensurar os investimentos feitos no futebol em todos os continentes.
Desde que a modalidade esportiva se tornou um dos negócios mais rentáveis do mundo, alguns clubes conseguiram montar elencos que são autênticas seleções recrutando atletas em diferentes paÃses. A resultante deste processo são conjuntos milionários, bem treinados e harmônicos em busca do sucesso.
Qualidade custa caro! Esta é outra verdade incontestável no negócio futebol. A qualidade técnica do conjunto é um ponto de desequilÃbrio, razão pela qual, os grandes clubes europeus são apontados como favoritos ao tÃtulo. A primeira edição do Mundial de Clubes da FIFA, portanto, tem um grupo de equipes credenciadas a brigarem pelo tÃtulo; um grupo intermediário onde pode surgir uma surpresa e o grupo dos participantes que marcarão presença apenas na fase classificatória.
Para ser campeão um time disputará sete partidas. Na fase classificatória teremos jogos bem interessantes como o do Palmeiras com o Porto e do Atlético de Madri com o Paris Saint Germain na rodada de abertura. Mas o melhor da festa será servido a partir das oitavas de final. Entre os brasileiros - Flamengo, Palmeiras, Botafogo e Fluminense - as apostas recaem sobre o rubro-negro carioca para descrever melhor campanha.
Como diria o jornalista, José Gustavo, cronista esportivo dos bons, a classificação nesta primeira fase já está nas contas do Flamengo e do Palmeiras. Botafogo e Fluminense têm ossos mais duros para roer. Mas não fica descartada a possibilidade dos quatro times brasileiros chegarem as oitavas de final. A partir daà o caldo começa a entornar.
Bom! Ao todo serão 63 jogos para vermos no espaço de 30 dias. Certamente alguns confrontos não valerão um dólar furado, mas também teremos partidas memoráveis, como em todo o mundial.