Histórico
Sport
Guerra leonina
postado em 13 de novembro de 2025

CLAUDEMIR GOMES

 

Nuvens negras e traiçoeiras pairam sobre a Ilha do Retiro. A tribo leonina está em pé de guerra. Tudo por conta do jogo - Sport x Flamengo - que será disputado no próximo sábado, na Arena Pernambuco. A partida, que inicialmente havia sido programada para a Ilha do Retiro, foi transferida porque os gestores do Sport negociaram o mando de campo, presenteando o clube que ainda luta para tirar do rubro-negro pernambucano o título mais valioso de sua história.

Ao testemunhar tamanho desastre, Luciano - O Grande - na condição de maior conquistar de títulos na história do clube leonino, convocou o exército bivariano para uma batalha cuja finalidade é depor o rei que está de plantão na ilha mais cobiçada do Recife.

"Vamos tomar a Ilha como o exército otomano tomou Constantinopla!", bradou Luciano - O Grande - com a autoridade de quem conhece cada palmo daquele chão que tem a marca registrada dos seus antepassados.  

No alto do romântico sapotizeiro, um pombo-correio leva a mensagem: "A mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta".

Recado dado, o Rei Romão, que já havia pedido desculpas aos seus súditos por ter "vendido" a dignidade do clube, numa ação que beneficiará um adversário fidagal, reuniu seus cavaleiros conhecidos como CEOs, numa távola retangular, e desabafou:

"Já estou careca de dizer que, por mais que aquele velho escriba me chame de paraquedista, daqui não saiu, daqui ninguém me tira".

O Urubu da Gávea, que causou todo esse rebuliço, ao sobrevoar a Ilha do Retiro observou que o teto da majestosa sede havia sido posto abaixo. Sem saber por qual razão, mandou um recado para animar seus milhares de seguidores que aportarão na Arena Pernambuco, no próximo sábado:

"A fortaleza do Leão já começou a ruir!". Maldade. 

A Torcida Jovem conhecida como o "Exército Amarelo", PHD em plantar o terror pelas ruas da cidade, em dias de jogos acalorados, deitou suas armas e se posicionou como público para assistir a elite se digladiar. "Não vamos ser aliado de ninguém", ecoou a voz de comando dos amarelinhos.

Nas redes sociais, tribuna livre dos tempos modernos, os boatos, hoje tratados como Fake News, alcançam uma velocidade absurda.

"Luciano - O Grande - tá virado num mói de coentro!", posta um agitador sem esconder sua simpatia pelo exército bivariano.

"Calma! Os alquimistas estão chegando. Eles têm a fórmula da salvação. Nossa fortaleza seguirá em pé", assegura o estafeta do Rei Romão.

Um carro preto decorado com luzes azuis e amarelas estaciona na frente da sede do Sport, na Ilha do Retiro. Lá do alto, onde se planta a cumieira, dois urubus com camisas do Flamengo confabulam em animada azaração:

"Se não for a Federal é a funerária", diz o urubu um deixando escorrer pelo canto do bico sua baba de veneno. "Ainda bem que essa briga por poder não é igual a que estamos acostumados a testemunhar no Rio de Janeiro. Aqui ninguém vai morrer", pondera o urubu dois.

O carro preto nem era da PF, nem da funerária. Era a turma do Ministério Público que, após receber um manifesto contendo graves denúncias, foi se certificar da veracidade dos fatos. Ao cruzar o portão da Ilha do Retiro, a turma do MP foi surpreendida com a faixa:

"Sport: Ame-o ou Deixe-o!".

E ninguém soube dizer se a mensagem foi para Luciano - O Grande - ou se foi para o Rei Romão.

Interrogações como essa são comuns em "tempos de guerra".


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Arbitragem
Mudanças em curso
postado em 11 de novembro de 2025

CLAUDEMIR GOMES

 

Entra ano, sai ano; treinamentos são feitos; cursos são oferecidos; a tecnologia é inserida no contexto através de uma ferramenta chamada VAR, e a arbitragem brasileira segue na berlinda como sendo a vilã das competições realizadas no País pentacampeão do mundo.

Como diria o implacável, Aderval Barros: "Existe algo errada no que é certo!".

Onde está o erro?

- Na falta de educação dos jogadores, que são mestres da desfaçatez, da pantomima?

- No paternalismo e conivência de técnicos e dirigentes?

- Na discutível qualidade do quadro de árbitros?

- Na invasão das Bets que pôs tudo, e todos, sob suspeição?

O sábio responderia: de tudo um pouco. Enfim, todos têm culpa no cartório, uma vez que o futebol brasileiro é regido pela famosa %u201CLei do Gerson%u201D, cujo princípio é "levar vantagem em tudo". E assim, a sequência de cenas hilárias transformam bons jogos em espetáculos toscos.

Confesso que, algumas cenas protagonizadas por jogadores/atores me fazem levantar para dar uma olhada no nariz de palhaço que fora colocado em mim, e em milhões de telespectadores.

Na condição de amante do futebol, não desisto. O amigo, Wilson Souza, que já integrou o quadro de árbitros da FIFA, e sabe das coisas, me envia informativo sobe a iminente inclusão da LEY WENGER no novo regulamento do futebol.

A IFAB é o órgão regulador das regras do futebol, e está analisando a proposta de mudança que foi testada em competições de categorias de base na Europa. As respostas foram consideradas positivas em face do aumento considerável da quantidade de gols feitos nas partidas.

A nova regra diz que: "Um atacante somente estará em impedimento - OFFSIDE - se nenhuma parte do seu corpo coincide com a do marcador".

O único inconveniente para aprovação da nova regra, de imediato, é que, em caso de aprovação, ela entrará em vigor a partir do Mundial de 2026. Tal fato divide opiniões entre os dirigentes da FIFA.

Não tenho a menor dúvida de que, a nova regra dará uma contribuição substancial para melhorar a dinâmica do jogo; aumentará o número de gols marcados e acabará com aquelas paralizações para se discutir impedimentos provocados por "cabelinho de sapo", como diz o versátil cronista esportivo, Roberto Nascimento.

É comum, no futebol brasileiro, o VAR, passar mais de três minutos sobrepondo linhas para definir se o atacante estava, ou não, em impedimento. O dedo mindinho na frente; cadarço da chuteira esvoaçante; nariz de papagaio, joanete, cotovelo, estão passando a régua até para medir a ferramenta dos jogadores.

Vai melhorar com a nova regra! Penso assim. Até porque não estamos falando da Lei de Murphy, onde "o que está ruim pode piorar".



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Sport
Leão Ferido
postado em 08 de novembro de 2025

CLAUDEMIR GOMES

 

O futebol é movido a paixão. Isto é fato. E nada é mais torturante para o torcedor do que perceber que seu time não está correspondendo ao seu amor. Este é o sentimento da torcida do Sport ao ver o rubro-negro pernambucano amargar a 19ª derrota no Brasileiro da Série A. O carrasco da vez foi o Atlético Mineiro, e o palco, a Ilha do Retiro, que se transformou na casa dos festejos para os adversários que nela enfrentam o dono da casa.

Enquanto aguardava o jogo - Sport x Atlético/MG - sintonizo o rádio na Tribuna FM e me delicio com a música - Leão Ferido - de Biafra.

"A verdade dói demais em mim / Tenho que ser bandido / Tenho que ser cruel / Um leão ferido, feroz...".

O Atlético Mineiro iniciou a partida com uma equipe alternativa. O Sport encaixou um contra-ataque e abriu o placar: 1x0. Apesar da desvantagem, o Galo se movimentava melhor, e tinha o controle do jogo. Mas o Leão segurava a vantagem e chegou ao segundo gol. Tudo conspirava para que a torcida rubro-negra saboreasse a terceira vitória do time na competição.

Mas o alvinegro mineiro tinha no banco o que falta ao rubro-negro pernambucano: jogadores de qualidade, com potencial para mudarem o rumo da história. Foi justamente que aconteceu. Quando o técnico Jorge Sampaoli promoveu as mudanças necessárias no Atlético/MG, os gols saíram de forma natural.  Estático, o treinador interino do Sport, César Lucena, com seu comportamento traduzia a impotência do grupo que comanda. No final, o placar de 4x2 a favor dos visitantes foi mais uma frustração imposta aos amantes do Sport.

Um outro trecho da música do Biafra - Leão Ferido - ocupa meu pensamento enquanto observo a torcida leonina deixar o estádio da Ilha do Retiro cabisbaixa, como se estivesse carregando o peso do mundo nos seus ombros.

"Sou um herói vencido / Anjo que fere o céu / Grito de amor, sumido / Na voz, que voz...".

O Brasileiro da Série A é composto de 38 rodadas, divididas em dois turnos com 19 jogos de ida, e 19 jogos de volta. Ao alcançar a marca de 19 derrotas é possível afirmar que o quantitativo é igual ao número de partidas de um turno.

Ligo para um amigo rubro-negro que é bem-informado sobre as coisas que acontecem nos bastidores, e pergunto se existe a possibilidade da diretoria do Sport renunciar. Ele me respondeu com uma metáfora:

"Quando Lampião foi visitar o Padre Cícero, em Juazeiro do Norte, no Ceará, andou livre pela cidade. Um repórter foi entrevistá-lo e perguntou se após o encontro com o Padim Ciço ele deixaria a vida de bandido. Lampião respondeu com outra pergunta: Se você tem  um negócio rentável, você se desfaz dele?".

C'est la vie!


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Acontece
MUDA SPORT!
postado em 06 de novembro de 2025

CLAUDEMIR GOMES

 

Ontem à noite (05/11/2025), na Ilha do Retiro, ao perder para o Juventude por 2x0, o Sport alcançou a marca de 18 derrotas em 31 partidas disputadas no Brasileiro da Série A. A indignação é o sentimento dominante em toda a torcida rubro-negra que se expressa através de protestos. Os leoninos se dividiram em dois grupos: um adotou a célebre frase, "não vou desistir de você", e segue indo aos jogos externando o descontentamento através de vaias e xingamentos. O outro pelotão optou pelo silêncio e a ausência, por entender que, o abandono é mais doloroso e eficaz.

Não se trata de um - ame-o ou deixe-o - até porque as vaias e os xingamentos são tão expressivos quanto a conjugação do verbo ignorar através de ações. O rubro-negro não vai deixar de amar o Sport por conta de uma crise. Os protestos têm como objetivo uma virada de página. Mas os dirigentes trapalhões, por não terem vivenciado o clube, antes de serem guindados aos cargos que ocupam, fazem ouvido de mercador ao clamor das arquibancadas.

O poder embriaga!

Ao testemunhar capítulo tão nefasto da história do clube mais vencedor do futebol pernambucano, foi inevitável não recordar do movimento - MUDA SPORT - surgido no ano de 2001, e que culminou com a renúncia do então presidente, Luciano Bivar.

Na época, um grupo de jovens capitaneado por Milton Coelho - hoje deputado - Honorato Leitão, Júlio César Soares, Carlos Pastor, Pedro Leonardo Lacerda, Rodolfo Albuquerque... buscou uma forma de expressar o descontentamento com os erros cometidos pela diretoria de futebol. Numa reunião na UPE foi criado o grupo Muda Sport. Nas arquibancadas começaram a ecoar os gritos: "Fora Bivar". As adesões aconteciam a cada jogo e o coro uníssono se tornou ensurdecedor. A voz do povo mudou o curso da história. O presidente Luciano Bivar renunciou e o Conselho Deliberativo elegeu Fernando Pessoa.

A geração que criou o movimento Muda Sport já passou dos 50 anos. Creio que foi a última a vivenciar o clube, conhecer a sua história, andar pelos corredores da Ilha do Retiro e aprender como funciona aquele engenho de entretenimentos e emoções.

Nos dias de hoje, a relação clube-torcedor se restringe a presença física nos estádios em dias de jogos. Toda conexão é feita através da telefonia móvel e das redes sociais. A tribuna livre, sem porteiras e sem fronteiras não surte o efeito desejado pela torcida, mas atende ao marketing que manipula, direciona. Como autênticos rolando lero, os dirigentes chegam a debochar, com declarações e explicações estapafúrdias, daqueles que são levados pela emoção. É como se todos fossem tratados como memes.

O ex-presidente, Luciano Bivar, do topo dos seus 80 anos, com a experiência e propriedade de ser o maior colecionador de títulos na história do Sport, tem dado seus gritos de protesto e alerta, mas não foi seguido, de forma efetiva, por outros ex-gestores. Evidente que, cada um tem o seu tempo, razão pela qual os demais ex-presidentes devem ter optado por não confrontarem os atuais gestores leoninos.

Gritos na Internet não ecoam.

Saudade do tempo do MUDA SPORT.


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Futebol Brasileiro
A força da rivalidade
postado em 04 de novembro de 2025

CLAUDEMIR GOMES

 

Numa rápida olhada na tabela de classificação do Brasileiro da Série A, observamos que, dos dez clubes atualmente no Top 10, oito pertencem ao eixo Rio-São Paulo. Os estranhos no ninho são o Cruzeiro e o Bahia. O fato referenda os dois estados como sendo os maiores centros do futebol nacional, e alimenta a maior rivalidade existente no País do Futebol.

Dizem que, quem inventou a rivalidade foram cariocas e paulistas. Uma rixa que começou no Século XIX e segue nos dias de hoje com a certeza de que nunca haverá um ponto final. Funciona como mola propulsora. A decisão da Libertadores 2025, entre Flamengo e Palmeiras, que também brigam pelo título do Brasileiro, é o maior atestado desta queda de braço sem fim.

Os relatos da história são controversos. Há registros de que, no final do Século XIX aconteceram várias disputas de futebol amador no Rio de Janeiro. Mas ninguém contesta o fato de que foi o paulista Charles Miller quem trouxe a primeira bola de futebol para o Brasil. Os primeiros jogos oficiais foram disputados em São Paulo. Uma outra versão assegura que os ingleses trouxeram o futebol e fizeram de Curitiba a porta de entrada do esporte mais popular do País.

Bom! Os paranaenses não quiseram entrar na disputa pela "paternidade" e deixaram paulistas e cariocas se engalfinharem. Dessa forma se tornaram os precursores de uma rivalidade antológica, que ao longo do tempo trouxe benefícios, mas também causou muitos danos.

A rivalidade entre as duas maiores escolas do futebol brasileiro ficou bem explicita através da Seleção Brasileira. Apenas um jogador de São Paulo - Araken Patusca - foi convocado para disputar a Copa de 1930. A Federação Paulista de Esportes Atléticos (FPEA), se recusou a ceder jogadores. Araken foi inscrito pelo Flamengo.

Durante duas décadas - 1978 a 1998 - acompanhei os passos da Seleção Brasileira em competições oficiais e amistosos, no Brasil e no exterior como enviado especial do Diário de Pernambuco. O perrengue entre cariocas e paulistas chegava a ser cômico. Mas em algumas situações era trágico. A imprensa carioca ressaltava os feitos dos jogadores que defendiam os clubes do Rio de Janeiro. Por sua vez, a imprensa paulista só tinha olhos para os profissionais dos clubes bandeirantes. A CBD, que depois passou a ser CBF, não adotava técnico de São Paulo. O primeiro treinador paulista a dirigir a Seleção Brasileira na era da CBF foi Emerson Leão.

O fato de a cidade do Rio de Janeiro ter sido a Capital Federal até 1960, levou o pêndulo da balança a se mover para o lado do futebol carioca. A CBD tinha seu domicílio na Rua da Alfandega, ou seja, estava lado a lado de todos os poderes. O Maracanã, um dos templos do futebol mundial fora construído na Cidade Maravilhosa, onde tudo pulsava com uma energia contagiante.

A primeira edição do Mundial de Clubes promovido pela FIFA reuniu 32 equipes. O Brasil esteve representado por Palmeiras, Flamengo, Fluminense e Botafogo (um paulista e três cariocas).

Desde a época em que o futebol era um esporte praticado por uma elite social, que não aceitava negros, a rivalidade entre cariocas e paulistas é utilizada como vetor de crescimento.

Futebol sem rivalidade é igual a sanduíche de pão recheado com pão.


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