Histórico
Brasileiro da Série C
Clima de Decisão
postado em 11 de outubro de 2025

CLAUDEMIR GOMES

 

Nada mais fascinante no futebol do que o clima de decisão. A batalha - Sim x Não - se agiganta no imaginário do torcedor, e todos os profissionais que estão vivenciando o momento mágico caminham sobre a linha da incerteza numa travessia cuja duração é de noventa minutos. Um ponto de interrogação funciona como o marco da chegada. Por mais óbvio que pareça, ninguém sabe o que vai acontecer.

Até os jogadores mais experientes simplificam o momento, cujos sentimentos e ações nem Freud conseguiria explicar, com o clichê: "um friozinho na barriga".

- O que você acha?

A indagação me foi feita pelo alvirrubro Roberto Moraes, torcedor raiz do Náutico que durante toda a semana foi torturado pela aflição de ver seu clube do coração envolvido numa decisão, onde a concretização do sonho do acesso depende de uma combinação de resultados.

Ponte Preta (10 pontos); Guarani (7); Brusque (6) e Náutico (5). Essa a pontuação que os times que formam o Grupo C chegam na última rodada do quadrangular que classificará os dois primeiros colocados para a Série B do brasileiro em 2026.

Os números dimensionam o desafio de cada um. A Ponte Preta é o único clube que atingiu uma pontuação que lhe assegura uma vaga de acesso, independente de qualquer resultado que venha ser registrado no clássico que disputará com o arquirrival Guarani. A histórica rivalidade entre os dois clubes de Campinas/SP pode ser atenuada pelo interesse da Federação Paulista, uma das mais fortes do futebol brasileiro, em promover o acesso de dois filiados.

A tensão aumenta na proporção das incertezas quando a decisão extrapola os limites das quatro linhas, e alcança os corredores e gabinetes do poder. O que não é visto pelo torcedor, como o jogo jogado no campo, é conduzido por manobras que não são capitadas, tampouco reveladas pelo VAR. Neste cenário obscuro tudo acontece, inclusive nada.

Ao Náutico não resta outra coisa senão fazer sua parte, ou seja, vencer o Brusque, seu adversário da vez. Uma vitória alvirrubra não só coloca o time de Hélio dos Anjos numa disputa direta com o Guarani, como frustra o sonho da equipe de Santa Catarina.

Os dois jogos - Guarani x Ponte Preta e Náutico x Brusque - estão programados para o mesmo horário: 17 horas. O pacote de emoções está sendo "vendido" como três em um: são três clubes brigando por uma vaga. Todos acalentam o sonho do sucesso, mas se veem atormentados pelo fantasma do insucesso. Coisa de decisão!

Discordo da tese de que o ufanismo é um mal necessário ao futebol, mas respeito quem age no sentido de agradar a torcida. Entendo que, quem parte para a luta com autoconhecimento dos seus limites e potenciais, o mesmo acontecendo em relação ao adversário, tem maiores chances de sucesso.

Bom! Até as 17h cada qual vai conviver com o seu qual. Domar medos e explorar os limites da adrenalina é a liturgia das decisões. Quem não cumpre paga a penitência que cabe aos fracassados.


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Sport
A picada do Galo
postado em 08 de outubro de 2025

CLAUDEMIR GOMES

 

O Sport contabilizou mais uma derrota (3x1) na edição 2025 do Campeonato Brasileiro. Desta feita o Leão se curvou ao Atlético Mineiro, num jogo válido pela décima-quarta rodada. Como se tratou de uma partida em atraso, e o time leonino só contabilizou sua primeira vitória na décima-nona rodada, este tropeço não alterou o script.

O rótulo de lanterna que o Sport carrega desde sempre, funciona como uma chancela para que os adversários se sintam confiantes de que somarão os pontos em disputa. Foi justamente isso que ocorreu com o Atlético Mineiro, que  atravessava um momento de instabilidade na competição, e encarou o confronto com o último time colocado na tabela de classificação como a oportunidade de virar a chave.

Não faltou vontade aos comandados de Daniel Paulista, entretanto, mais uma vez ficou claro que o conjunto não tem qualidade para sobreviver na Série A. Empenho e entrega não basta, visto que, em algum momento, a falta de qualidade leva a equipe a cometer erros que são explorados pelos oponentes.

Quando vi o Sport entrar em campo com o padrão amarelo, falei cá com meus botões: isso é um tremendo agouro. Creio que tal superstição se deve ao fato de ter testemunhado muitos protestos da saudosa, Dulce Mousinho, uma das maiores amantes do Sport. Ela tinha horror ao padrão amarelo. Desde aquela época, já se passaram três décadas, que olho para a camisa amarela de forma atravessada, embora siga hipnotizado com a beleza do girassol.

Nos dias de hoje o que o Sport menos veste é o manto rubro-negro. O Leão tem roupa azul, rosa, preta, amarela, branca, laranja... Apesar desse universo colorido, que vai das chuteiras as transas dos jogadores, o time não deixa a lanterna que aponta para um futuro preto e branco.

Deixemos as tergiversadas e voltemos ao jogo: o Sport fez uma apresentação no limite do que pode produzir. O questionamento de Lucas Lima no banco pode ser explicado pelo seu esgotamento físico, isso porque nenhum outro armador tem um potencial técnico igual ao seu. Mas a Série A exige dos jogadores uma dinâmica muito grande, coisa que o craque leonino não tem mais a oferecer. O tempo impõe limites a todo ser humano.

Sempre que o Sport vai jogar em Belo Horizonte recordo a inesquecível tarde do mês de novembro do ano 2000. O Leão, a época comandado por Emerson Leão, que acumulava os cargos de técnico do Sport e da Seleção Brasileira, fazia uma campanha brilhante na Copa João Havelange. Por outro lado, o Atlético Mineiro não aspirava mais nada na competição. Leonardo foi a campo abençoado pelos deuses do futebol e protagonizou um momento histórico ao marcar cinco gols na goleada de 6x0 que o Leão aplicou no Galo. O outro gol foi de Tailson.

De lá pra cá o Campeonato Brasileiro mudou a forma de disputa, passou a ser disputado pelo sistema de pontos corridos, e o Sport nunca mais conseguiu vencer o Galo das Alterosas em Minas Gerais.

Quando um time é rotulado como LANTERNA, não há como ter bons sentimentos. É assim que o Sport avança na sua marcha regresso.  


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Santa Cruz
O sonho do bilhão
postado em 07 de outubro de 2025

CLAUDEMIR GOMES

 

O futebol brasileiro sempre foi um território explorado por sabidos. As traquinagens acontecem em todo lugar, e o tempo todo. Dentro da nova ordem existem duas vertentes que andam a galope: as Bets e as SAFs.  

Quem quer ser milionário?

A pergunta que ecoa como mote de programa de televisão, mexe como universo do futebol, onde a conjugação de dois verbos leva multidões a loucura: vencer e somar. O Brasil é o país da jogatina. Isto é fato. Ninguém discute. E tudo começa pelo Governo Federal que administra um grande número jogos com a chancela da CAIXA. Antigamente se sonhava com as botijas, hoje, com as Loterias da CAIXA. Afinal, todo brasileiro quer ser milionário. E ninguém resiste ao apelo para fazer uma fezinha.

Da poltrona de sua casa você recebe o convite dos seus ídolos para mergulhar no dourado mundo das bets. Trata-se de um universo onde todos ganham, ninguém perde. Não sei como acontece tal mágica. Perguntei aos ilusionistas, Henry & Klauss, quando passaram pelo Recife, mas nem eles, que são mestres na arte de levitar, souberam juntar as pontas.

Para os clubes que estão na pindaíba, onde a recuperação financeira não resolve, o caminho da salvação é a SAF. O futebol está cheio de exemplos exitosos de Sociedade Anônima do Futebol, mas existe um outro tanto que não deu certo. Tudo vai depender do acerto de grandes e pequenos detalhes.

Há um ano que o torcedor do Santa Cruz acalenta o sonho de ver seu clube do coração se transformar numa agremiação bilionária. Chega de migalhas! E o tapete vermelho foi estendido aos investidores.

Ciente de todas as dificuldades que foram postas no tabuleiro, o presidente Bruno Rodrigues revelou a habilidade dos grandes mestres. Aparou muitas arestas, mas chegou o momento de equacionar o resto dos problemas. O Conselho Fiscal e a Comissão Patrimonial, que não têm poder de veto, apresentaram seus relatórios com algumas ressalvas.

Os relatórios serão apresentados aos conselheiros, em primeiro momento, para discutir os pontos divergentes; e numa segunda reunião para aprovação da criação da SAF. Existe um grupo que é a favor do contra, vem trabalhando para obstacular a assinatura do contrato. Entretanto, todos têm o mesmo pensamento: a SAF é a saída do caos.

Evidentemente que, toda sociedade é cercada de riscos. Principalmente depois que foi criado um tal de "item de confidencialidade".

Recordo que, em 1993, quando o Santa Cruz tinha como gestor o presidente, Alexandre Moreira - Mirinda - surgiu no mercado do futebol brasileiro, surfando nas ondas da Seleção Brasileira, um empresário - Glauco Timoteo - com planos mirabolantes para os clubes de massa. Tomou como protótipo o Paysandu, de Belém do Pará e apresentou um projeto deslumbrante para o Santa Cruz. O clube passaria a ser dotado de três sedes: a do Arruda, uma sede campestre e uma outra na praia. A proposta era mais encantadora do que as Mil e Uma Noites. A época, João Caixero de Vasconcelos deu seu grito de alerta e trabalhou no sentido de desconstruir o sonho que podia ter sido um pesadelo.

O primeiro encontro do presidente Bruno Rodrigues e dos administradores da SAF acontece neste terça-feira, oportunidade para se por os pontos nos Is. O Conselho Deliberativo tem poder de veto, o mesmo acontecendo com a Assembleia dos Sócios, órgão máximo que baterá o martelo

Aposto na aprovação, pois tudo está bem mastigado para que ninguém se engasgue com os pequenos caroços.

Que venha o Santa Cruz bilionário!   


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Brasileiro da Série C
Tensão e Decisão
postado em 03 de outubro de 2025

CLAUDEMIR GOMES

 

Os dois quadrangulares da Série C, que irão definir os clubes que terão acesso à Série B na próxima temporada, estão ratificando o equilíbrio de forças entre os participantes dos grupos B e C. Após quatro rodadas apenas um clube - Ponte Preta - entre os oitos participantes das disputas, assegurou sua passagem para a Segunda Divisão do Brasileiro em 2026.

O empate do Náutico - 1x1 - com a Ponte Preta (Grupo C), no último final de semana, recolocou o time pernambucano na disputada e transformou a rodada deste sábado num obstáculo de vida ou morte. Vencer, vencer e vencer é a palavra de ordem para o Brusque, que vai medir forças com a Ponte, e para Guarani e Náutico que devem protagonizar uma queda de braço histórica no Brinco de Ouro, em Campinas.

"Chegou a hora de ver quem tem garrafa pra vender", como diz o espetacular Bartolomeu Fernando, narrador da Rádio Cultura de Caruaru. Tem que diga que, "é nessa hora que se separa os homens dos meninos". Bom! De uma coisa temos certeza: o maior desafio dos treinadores é fazer com que a ansiedade não derrote seus exércitos antes das batalhas. Afinal, em partidas como essas, pode acontecer de tudo, inclusive nada. O esforço para não dar um branco na tropa é sobrenatural.

São 22 jogadores em campo, afora os que são acionados durante o jogo. E como cada cabeça é um mundo, podemos afirmar que o árbitro do encontro vai ter que lidar com vinte e dois mundos diferentes. Em meio século labutando na crônica esportiva, testemunhei inúmeras decisões. Em alguns episódios parecia até que éramos um integrante efetivo do grupo, dada nossa convivência diária com o clube que estávamos cobrindo. Tal ligação nos levou a ver jogadores amofinando, dando cagaço; outros nem estavam aí para o caráter decisivo da partida, enquanto tinham aqueles que se agigantavam. Enfim, cada qual com o seu qual.

Em decisões todos os árbitros carregam consigo uma interrogação maior que eles. Coisas do futebol. Nos dias de hoje, mesmo não entrando em campo, existe um elemento oculto que pode definir o destino dos clubes: o VAR. Trata-se de um instrumento tecnológico, mas que é manuseado pelo homem. E ninguém está livre dos efeitos psicológicos que sondam uma decisão. A turma do VAR também pode tremer.

Os fatores emocionais, em uma decisão, são mais determinantes do que os técnicos e físicos, uma vez que, as equipes que chegam aos estágios finais estão bem condicionadas física e tecnicamente.

Gosto muito do trabalho motivacional desenvolvido pelo técnico Hélio dos Anjos, mas existem pontos nevrálgicos que fogem ao seu domínio. Espero que os gestores alvirrubros de plantão estejam em boa conexão com o grupo (jogadores e comissão técnica), e tenham assimilado as imperiosas necessidades do momento. Nesta empreitada final rumo a Série B, do contra já bastam Brusque, Guarani e Ponte.

No Grupo B, onde estão - Floresta, Londrina, São Bernardo e Caxias - o equilíbrio é maior, mas Londrina e Floresta estão na vantagem.

Algumas definições podem acontecer através da combinação dos resultados, fato que aumenta a tensão da disputa. Embora esteja na terceira posição na tabela de classificação do seu grupo, o Náutico depende apenas dos seus resultados.

Força Timbu!

 


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Futebol Brasileiro
Mudanças no Calendário
postado em 02 de outubro de 2025

CLAUDEMIR GOMES

 

O mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, há mais de dez anos dá gritos de alerta sobre a necessidade de mudanças no calendário do futebol brasileiro. A criação desenfreada de competições provocou um inchaço, e o "monstro", que assombra a todos, se tornou desumano, um desafio para a medicina, e o pior, não cabe mais no calendário gregoriano, onde um ano é composto por 365 dias.

Ontem, a CBF anunciou mudanças que serão implantadas no calendário nacional a partir da próxima temporada. Subtraiu datas dos falidos campeonatos estaduais, transformando-os em meros torneios; diminuiu os espaços das competições regionais e aumentou o número de participantes na Copa do Brasil, cuja forma de disputa foi alterada.

Tudo chega definido e não adianta reclamações, choros nem lágrimas. Cumpra-se! Para entender o processo de mudança é necessário se conscientizar de que, o futebol internacionalizou-se e segue uma escala de importância: Na primeira prateleira estão as competições da FIFA; na segunda as disputas continentais; na terceira as nacionais; na quarta as regionais, e assim sucessivamente.

A mudança de cenário pode parecer abrupta, mas segue a velocidade da nova ordem imposta pela internet, que derrubou barreiras e tornou o mundo plano com as novas tecnologias. As mudanças de hábitos e conceitos também impactaram no esporte mais popular do planeta, o que era bastante previsível de acontecer.

Os que querem seguir presos ao passado irão dizer que, na década de 80, no Século XX, o Campeonato Pernambucano era disputado em três turnos com jogos de ida e volta cada um. O mundo gira com as mudanças, e o futebol segue essa lei imutável na história.

Apesar das transformações, tudo se adapta. Evidente que algumas coisas não cabem em novos cenários, onde os valores são outros. O Q da questão é dispensar atenção para a base. Trabalhar com as raízes é o mesmo que executar obras de saneamento, ninguém ver, por isso não recebe atenção, nem o valor devido.

Há muito o futebol pernambucano precisa de pensadores. Vez por outra a FPF faz um jogo de cena, convida profissionais da imprensa para opinar sobre a forma de disputa do Estadual. No final dos encontros apresenta um prato feito e diz que tudo é imposto pela CBF.

Um Estadual tem que envolver equipes de todo o Estado. Tem que ter princípio, meio e fim. Regionaliza, faz a seleção e a reta final ocupa as dez datas definidas pela CBF. Assim se tem um lençol que cobre o corpo da cabeça aos pés.

É preciso resgatar a rivalidade existente entre as cidades, não através dessa competição mequetrefe entre seleções, como acontece no momento, que serve apenas para fidelizar Ligas a um processo imoral de uma política que eterniza presidentes em federações e outras entidades.

Encontrar jardineiros que cuides das raízes não é fácil, mas todos querem tirar fotos com as flores.

Bom! As mudanças foram apresentadas. Quem parou para fazer uma análise deve ter se frustrado, mas elas tentam adaptar o futebol brasileiro a uma realidade internacional. Daqui pra frente a pisada é essa!


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