Histórico
Libertadores
É muito tempo!
postado em 31 de outubro de 2025

CLAUDEMIR GOMES

 

A mágica goleada (4x0) que o Palmeiras impôs a LDU do Equador, na noite da quinta-feira (30/10/25), foi de difícil adjetivação, até porque magia não se explica. Magia a gente se encanta com ela. E o encantamento foi traduzido nas reações dos torcedores palmeirenses, no choro do técnico Abel Ferreira, e no afago dos comandados no comandante, um expresso ato de gratidão por ter regido a "orquestra" tão divinamente na maior sinfonia já executada no Allianz Parque.

Mais que um treinador, Abel Ferreira, que justamente naquela data estava comemorando o quinto aniversário no comando do Palmeiras, é um bruxo que preconizou, ao final da derrota (3x0), sofrida há oito dias no Estádio Casa Blanca, em Quito, no Equador: "90 minutos no Allianz Parque é muito tempo".

A frase virou mantra! E aquele time que parecia arder no mármore do inferno, após humilhante derrota, que não foi digerida, na altitude da capital equatoriana, subiu ao céu por acreditar na profecia do treinador.

"Vencer é o céu!", assegura o rubro-negro, Manoel Costa - Costinha.

Por coincidência, na manhã da quinta-feira (30/10/25), encontrei o ex-jogador Jarbas, que na década de 80, no século passado, defendeu o Santa Cruz e o Náutico. Hoje o próspero comerciante segue dando uma contribuição efetiva ao futebol pernambucano como cronista esportivo. Falamos sobre a heroica apresentação do Flamengo na Argentina, resistindo a pressão, em dose cavalar, imposta pelo Racing. Comungamos do mesmo pensamento de que seria pouco provável o Palmeiras golear a LDU. Afinal, equipe equatoriana, que na sua trajetória havia eliminado Botafogo/RJ e São Paulo, construiu uma vantagem absurda - três gols - no jogo de ida.

Está escrito nos Dez Mandamentos do Futebol: "Nunca duvide de um grande time comandado por um grande técnico". Eis porque o futebol é o esporte mais encantador do Planeta Terra.

Os torcedores mais velhos, aqueles que ainda chamam o Palmeiras de: Palestra Itália, por tudo que viram durante os noventa minutos da partida, tiveram a impressão de que estavam revendo um dos "concertos" da inesquecível "Academia" com solos do Divino Ademir da Guia. Era o porco voando como o lendário periquito.

Atônico, o técnico da LDU, Tiago Nunes, não acreditava no que estava testemunhando. Como pode, um conjunto que, há oito dias não conseguia acertar um falsete, exibir tamanha harmonia em noite de rara inspiração?

Nunes gesticulava pedindo aos seus atordoados comandados que marcassem um gol, façanha que levria a decisão para os pênaltis. Impossível! Afinal, eles estavam enfrentando os demônios da garoa.

Palmeiras e Flamengo decidirão o título da edição 2025 da Libertadores no dia 29 de novembro, em um único jogo programado para a cidade de Lima, no Peru. O vencedor passará a ter no seu acervo, quatro títulos da competição continental. Há sete anos o futebol brasileiro detém a hegemonia do futebol sul-americano: 2019 - Flamengo; 2020 - Palmeiras; 2021 - Palmeiras; 2022 - Flamengo; 2023 - Fluminense; 2024 - Botafogo; 2025 (Palmeiras ou Flamengo).

O Palmeiras nos mostrou que, 90 minutos é o tempo necessário para o encantamento do futebol. Surreal!


leia mais ...

Futebol Brasileiro
A regra não é clara
postado em 29 de outubro de 2025

CLAUDEMIR GOMES

 

"A REGRA É CLARA!"

A frase de autoria do ex-árbitro e comentarista, Arnaldo Cezar Coelho, virou um jargão no futebol brasileiro, e tem sido repetida intensamente como forma de se questionar as decisões tomadas pelos árbitros, e pelo VAR, que diante da vulnerabilidade de ambos, transformou a arbitragem na grande vilã da maior competição do futebol nacional.

A regra é clara, mas as múltiplas interpretações as tornam de difícil entendimento. Eis o Q da questão transformado num gatilho utilizado por jogadores, técnicos e dirigentes como arma de ataque, e de defesa, que serve apenas para empanar o brilho do espetáculo. O comportamento do jogador brasileiro é atípico, em comparação ao que assistimos nas competições internacionais repassadas diariamente pela televisão.

Ao longo do tempo foram criadas "regras" que não constam nos manuais e regulamentos das competições, mas que foram anunciadas, em um vestiário qualquer, não se sabe onde, nem quando, e todos passaram a seguir. Foram postas em prática a partir do "ouvi dizer". Se tornou praxe: "o árbitro nunca expulsa na primeira falta". Ora, se for uma falta cuja penalidade merecida é o cartão vermelho, aplique-se o mesmo.

Um dos lances mais polêmicos da última rodada do Brasileiro, disputada no final de semana, foi o carrinho dado pelo zagueiro do Palmeiras, Gustavo Gómez, que acertou a canela do jogador, Wanderson, do Cruzeiro.

A comissão de arbitragem da CBF não viu erro na interpretação do árbitro, Rafael Rodrigo Klein, que não expulsou o jogador palmeirense. Entretanto, a regra é clara: "Carrinho só não é passivo de cartão vermelho se o jogador atingir, única e exclusivamente a bola", o que não foi o caso. O  defensor do time paulista atingiu a bola e o adversário.

Até os anos 80, do século passado, o carrinho que levava o jogador a ser expulso era dado por tráz. O volante Lourival, do Náutico, símbolo da garra alvirrubra para uma geração, era mestre em dar carrinhos. Louro utilizava tal recurso com uma maestria invejável. Entretanto, nos dias de hoje, se a regra fosse aplicada com clareza, ele fatalmente seria advertido com o cartão vermelho na maioria dos jogos que disputasse.

A interpretação de regra no futebol brasileiro é mais complicada do que a interpretação de texto na língua portuguesa. Problema dos vícios de comportamento, e dos vícios de linguagem. A malandragem faz parte do aprendizado do jogador brasileiro. O talento vem de berço, evidentemente, mas as manhas, as simulações e a desfaçatez fazem parte das matérias repassadas nas categorias de base.

Cursos e seminários são anunciados com frequência para árbitros nacionais, mas a tão desejada padronização da arbitragem, na prática, não é observada, fato que nos deixa com a certeza de que a regra não é tão clara, como nos assegurava Arnaldo Cezar Coelho.


leia mais ...

Futebol Pernambucano
2026 já começou!
postado em 27 de outubro de 2025

CLAUDEMIR GOMES

 

Com a consolidação do rebaixamento do Sport para a Série B, é possível afirmar que, a temporada 2026 já começou para os três grandes clubes pernambucanos: Sport, Náutico e Santa Cruz. Pelo menos este é o desejo, ou pensamento, de todas as torcidas. Afinal, dispor de dois ou três meses para se preparar visando os futuros desafios, chega a ser um privilégio no calendário do futebol brasileiro.

De uma coisa, rubro-negros, alvirrubros e tricolores estão convictos: é preciso reestruturar os elencos, mesmo levando-se em consideração as metas alcançadas por Náutico e Santa Cruz, os respectivos acessos às Séries B e C.

Embora ainda tenha dez jogos a cumprir no Brasileiro da Série A, o Sport amarga um rebaixamento prematuro. Não é fácil descer de um trem em movimento, mas não resta alternativa para o Leão da Ilha do Retiro. Procrastinar o planejamento de 2026 é seguir colocando o pescoço na guilhotina. Ser campeão pernambucano; brigar pelo título da Copa do Nordeste e voltar para a Série A é o sonho de uma torcida que acumulou frustrações em 2025. Detalhe: com a ascensão de Náutico e Santa Cruz, o título estadual será bem mais concorrido.

Após a derrota(2x1) para o Mirassol, o técnico Daniel Paulista ensaiou uma despedida, mas que ainda não foi confirmada pelos dirigentes do Sport. A permanência do treinador divide opiniões entre os torcedores leoninos, mas é preciso pesar dois fatores: ele conhece o grupo que comanda, por conseguinte, tem mais chance de diminuir a margem de erros quando for fazer a seleção dos que servem, e dos que não servem para a próxima temporada. Além disso, é um profissional que tem grande conhecimento da Série B.

O Náutico vive um momento político. As eleições para a escolha do futuro presidente executivo estão programadas para o mês de novembro. A última partida dos alvirrubros em 2025 foi no dia 11 de outubro. Até a estreia no Pernambucano, primeira competição a ser encarada em 2026, serão três meses de pernas pro ar. Se reeleitos, os atuais dirigentes devem seguir com o técnico Hélio dos Anjos, a quem se deve creditar o maior percentual do acesso conquistado para a Série B. Hélio tem uma conexão extraordinária com o clube, conhece as necessidades do momento, haja vista a reivindicação feita para um investimento urgente no Centro de Treinamentos.

A oposição apresenta o nome do técnico Lisca Doido como um four de reis para ganhar a disputa. A identificação de Lisca com o Náutico é incontestável, assim como a boa relação que mantém com os torcedores que lhes tratam como ídolo.

No compasso de espera, os adversários do Náutico são os próprios alvirrubros, que inclusive, podem desperdiçar um tempo precioso que têm à disposição para reformular o elenco visando a temporada 2026.

Nas Repúblicas Independentes do Arruda, quem se arvorar a ser contra a SAF, é melhor se mudar de Pernambuco, ou procurar outro clube para torcer. Com tal certeza, o projeto de reestruturação do futebol do Santa Cruz, com a criação de uma Sociedade Anonima, caminha a passos largos. Apesar do caminho livre, existem entraves burocráticos que devem demandar alguns meses até que tudo seja posto em preto e branco.

A última partida que o Santa Cruz disputou este ano foi no dia 4 de outubro, quando se despediu da indesejada Série D. A meta foi alcançada: o acesso para disputar a Série C em 2026. Com a classificação veio a certeza de que, a maioria dos jogadores não tem qualidade técnica para os futuros desafios. Os tricolores dispõem de três meses para realizarem dispensas e investirem em novas contratações. O dinheiro? A turma da SAF sabe que precisa prospectar e correr atrás de cem milhões de reais para arcar com as despesas da temporada, e dar início a retrofit que se faz necessária no Estádio José do Rego Maciel.

Bom! Tricolores, alvirrubros e rubro-negros têm tempo para se prepararem para os futuros desafios. Entretanto, como "o tempo urge", vale lembrar que 2026 já começou.  


leia mais ...

Acontece
Os alertas de Romerinho
postado em 24 de outubro de 2025

CLAUDEMIR GOMES

 

O vereador, Romerinho Jatobá - PSB, tem dado alguns gritos de alerta sobre a imperiosa necessidade de se buscar um antídoto para salvar o futebol pernambucano. Aos poucos sua verbalização, que tem como alvo principal o presidente da Federação Pernambucana de Futebol, Evandro Carvalho, vai encontrando eco no Estado, levando todos a vislumbrarem com dias melhores para um futebol que caiu em desgraça na última década.

Evandro ocupa a presidência da FPF desde agosto de 2011, quando aconteceu a morte súbita do então presidente, Carlos Alberto Oliveira. Seu atual mandato se encerra no próximo ano, quando estará completando 15 anos no comando do futebol pernambucano, período no qual houve uma incontestável desidratação da entidade junto com seus filiados. Como o estatuto não permite mais uma reeleição, o burgomestre se aposentará sem deixar saudades, mas dispõe de meios para fazer o seu sucessor.

O modelo eleitoral em vigor no futebol brasileiro é imoral, antidemocrático e draconiano, fato que explica a longevidade de alguns mandatários no comando das entidades. Sempre foi assim, e assim será. A história registra alguns pontos fora da curva, como foi a eleição ganha por Fred Oliveira em 1985.

No final dos anos 70, quando repórter esportivo do Diário de Pernambuco, fui escalado pelo nosso editor, Adonias de Moura, para fazer uma matéria com João Caixero de Vasconcelos, grande mentor do colegiado que administrou o Santa Cruz por um período de dez anos. Caixero era um crítico contumaz do presidente da FPF, Rubem Moreira. Após fazer uma exposição de fatos, ele me revelou um pouco da sabedoria de Rubão:

"O futebol pernambucano é sustentado por três pilares: Santa Cruz, Sport e Náutico. Rubem Moreira nunca briga com os três de uma só vez. Ele sempre traz um ou dois clubes como seu aliado, pois quando ele tiver os três grandes clubes do Recife do outro lado, perderá a legitimidade", argumentou João Caixero.

Sabemos que, os votos das Ligas do Interior asseguram a vitória de um candidato numa eleição para presidente da FPF. O voto do clientelismo, com a marca registrada do favor. Mas se os três grandes clubes - Sport, Náutico e Santa Cruz - donos das maiores torcidas do Estado, não votarem a favor, o presidente não terá legitimidade. Simples assim, como nos ensinou Caixero.

Na última eleição para se escolher o presidente da Federação Pernambucana de Futebol, Alexandre Moreira - Mirinda - se candidatou para bater chapa com Evandro. Do seu trono o presidente sabia que tinha a vitória nas mãos, e os inúmeros erros cometidos pelo opositor facilitaram sua marcha triunfal.

Conheço Romerinho desde a época em que ele usava calça curta e dava seus primeiros passos como amante do Santa Cruz. Cresceu dentro das Repúblicas Independentes do Arruda, onde experimentou o doce, e o amargo, que são servidos nos banquetes do futebol. Por indicação do saudoso governador, Eduardo Campos, ingressou na política como promessa, e se transformou numa grata surpresa. Ao colocar em prática um jeito novo de exercer o mandato de vereador, revelou uma força de trabalho que lhe rendeu a conquista de liderança entre os seus pares e a credibilidade das comunidades que lhes sufragaram mais de vinte mil votos.

O brado de Romerinho é a tradução de uma insatisfação coletiva, e não apenas um protesto individual de um torcedor. De uma entidade cheia de vida, povoada, onde se discutia e buscava soluções para os problemas do futebol pernambucano, a FPF, no seu luxuoso prédio da Rua Dom Bosco, foi transformada num cartório frio, quase desabitado, assombrado pelos zumbidos emitidos por fantasmas da Inteligência Artificial. Futebol não se faz Home Office.

O desportista Romerinho Jatobá ressaltou a necessidade de se criar um grupo para buscar uma saída do caos.

Torço para que encontrem.


leia mais ...

Acontece
Internacionalização deslumbrante
postado em 22 de outubro de 2025

CLAUDEMIR GOMES

 

O futebol internacional invadiu os nossos lares, preencheu nosso tempo e provocou um choque de realidade ao escancarar a distância que separa o Continente Europeu do resto do mundo. Os investimentos feitos nos grandes  clubes do Velho Continente criaram um abismo econômico e estabeleceram uma diferença entre classes, fato que transformou os clubes de outros continentes em meros formadores.

Nesta quarta-feira (22/10) aconteceu o fechamento da terceira rodada da temporada 2025/2026 da Champions League. Nas 18 partidas realizadas foram registradas 9 goleadas; mais de 70 gols marcados, com média de 4 por jogo. Para que o leitor tenha ideia do que representam os números, na 29ª rodada do Brasileiro da Série A, disputada no final de semana, tivemos o registro de 22 gols nas 10 partidas disputadas, e apenas uma goleada - 4x0 - na vitória do Bahia sobre o Grêmio.

O projeto da FIFA de realizar uma Copa do Mundo de Clubes a cada quatro anos, intercalando com as Olimpíadas e a Copa do Mundo de Seleções, consolida a internacionalização, uma vez que impacta nas competições continentais. Flamengo e Palmeiras estão disputando as semifinais da Libertadores e, simultaneamente, brigando pelo título do Brasileiro 2025. Evidente que, a prioridade de ambos passa a ser a competição sul-americana visto que, o campeão tem presença assegurada na próxima edição do Mundial de Clubes, previsto para 2029.

Em recente viagem ao Rio de Janeiro, ao me apresentar para o check-in no hotel, me foi oferecido um "combo" - ingresso traslado guia - para o jogo Flamengo x Cruzeiro, no Maracanã, por R$ 600,00. O argumento de segurança, conforto e comodidade, uma vez que a van lhe apanha e lhe deixa no hotel é tentador. Mas quem se deter ao custo verá que a diversão sai por quase meio salário-mínimo por pessoa. Enfim, o povão não pode mais ir aos estádios.

Enquanto assistia ao bom jogo Real Madrid 1x0 Juventus, válido pela terceira rodada da Champions, fiquei a imaginar qual seria o custo para ver, das cadeiras do Santiago Bernabeu, este clássico do futebol europeu? Vale lembrar que, um tour pelas dependências do estádio do Real Madri custa 35 euros por pessoa. O equipamento recebe, em média, três mil visitantes por dia.

Os números explicam, e até justificam, como os grandes clubes europeus investem na formação de verdadeiras seleções mundiais, fato que torna pouco provável que algum clube sul-americano, em uma futura edição, venha conquistar o título de uma Copa do Mundo.

No Mundial de Seleções a realidade é outra, pois todos os países classificados têm em seus elencos, jogadores que atuam em clubes da Europa. Eis a razão pela qual quem conquistou títulos no Século XXI chega com crédito na competição.

Estamos vivenciando o melhor momento do futebol nacional e internacional pós pandemia. Os estádios estão cheios lá e cá. Mas com um público diferente, mais abastado. As atuais arenas não possuem as românticas gerais, abrigo do povão. Até as rádios transmitem os jogos dos seus respectivos estúdios. Sinais dos tempos.

O torcedor raiz, sem grana no bolso, assisti tudo pela televisão e arrisca uma fezinha na Bet. Hoje (22/10) até no Bernabeu tinha propaganda de Bet. É um show!

E viva a internacionalização!


leia mais ...