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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
As atenções estavam voltadas para o jogo do Brasil com o Chile, válido pelas Eliminatórias Sul-americanas para o Mundial de 2026. Entretanto, após ver a postagem do mestre, Roberto Vieira - O adeus do gênio - optei por assistir ao confronto da Argentina com a Venezuela. Afinal, se tratava da primeira despedida, dentre muitas que estão por vir, de um dos deuses do futebol, que por tudo que fez, será eterno. Assim é Messi.
O torcedor argentino abraçou o momento. O Estádio Monumental de Núñez transbordou de calor humano, ternura, afeto e gratidão. E o homenageado da noite não se fez de rogado. Com um esforço sobre humano para domar a emoção perceptÃvel em seus olhos marejados, foi fiel ao script da festa fazendo, ao seu jeito, um "recital", que deixou súditos e admiradores com saudades do gênio que começa a dar adeus.
Enquanto assistia ao jogo liberei as asas do meu pensamento. Falei cá com meus botões: o futebol - clubes e entidades - ficou a dever muitas despedidas.
Sonhei com uma festa de despedida para os meus primeiros Ãdolos - Humberto e Mário de Pirulito - referências maiores do Santa Cruz de Carpina nos anos 60 e 70 do século passado. Quando o mundo não era interligado, era analógico e em preto e branco, o colorido do futebol era pincelado pelos "craques" de cada cidade. Basta perguntar ao poeta Xico Bizerra, que ele irá lembrar de Chico Curto, o maior goleador que o Interior Cearense já viu. O comunicador Waldir Bezerra jura, com os pés juntos, que "Chico Curto era melhor que Zico".
Passei a selecionar qual dos jogadores, que vi como torcedor, e acompanhei como jornalista, que merecia uma despedida. A lista não tem ponto final. Comecei a lembrar do encantamento provocado pelas imagens do Canal 100 nas salas de cinema por este Brasil afora. Eu ficava boquiaberto com aquele balé em preto e branco. Imagens rápidas e sedutoras como o arco Ãris.
As lembranças são para sempre. Mas a despedida é a forma de materializar a gratidão. Tará, Traçaia, Detinho, Lula Monstrinho, Ivanildo Espingardinha, Manoelzinho, Lula, Caiçara, Gena, Alemão, Manga, PaÃs, Baixa, Mazinho, Luciano Velozo, Givanildo, Bita, Nado, Vasconcelos, Beliato, Marlon, Zé do Carmo, Henágio, Ricardo Rocha, PaÃs, Edson Ratinho, Nunes, Joãozinho, Betão, Ribamar, Ailton, Durval, Magrão, Kuki, Leonardo...
O jogo acabou! Messi marcou dois gols. Um toque sutil, produto de sua genialidade, abriu o placar que poderia ter sido fechado com outra obra de arte não fosse mÃseros centÃmetros que lhes deixaram em impedimento. A jogada foi tão espetacular que se o árbitro auxiliar tivesse fechado os olhos ninguém iria reclamar. Afinal, estávamos vivenciando o inÃcio da finitude de uma das carreiras mais fantásticas do mundo da bola.
As lembranças têm prazo de validade sim. Elas se vão junto com as gerações que testemunharam os fatos. O primeiro jogo de futebol que assiste no Recife foi no inÃcio da década de 60, na Ilha do Retiro, um Sport x Santos. Meu pai - Jaime Gomes - me levou para ver o Rei Pelé. Como era especial ver os jogos dos Náutico na Copa do Brasil. Desfile de craques do Santos, Palmeiras, Botafogo, Cruzeiro...
O mundo está plano e interligado. Assistimos, em tempo real, jogos de todos os continentes. Nos campos por esse mundo afora brotam craques todas os dias. Mas é como você se sentar debaixo de um pé de manga e começar a chupar as frutas. Todas são doces, mas cada uma tem seu sabor próprio.
Messi é único, assim como foram Pelé, Maradona, Zico, Tostão, Garrinha, Ronaldo, Rivaldo, Zidane, Dirceu Lopes, Ronaldinho Gaúcho, Rivelino, Falcão, Ademir da Guia, Humberto, Pelado, Mario de Pirulito, Chico Curto, LuÃs Doidinho...
CLAUDEMIR GOMES
O mestre José Joaquim Pinto de Azevedo, que mantém sua atenção voltada para as coisas importantes do futebol, me enviou os números de uma pesquisa publicada pelo jornal O Globo. O resultado é uma prova inconteste do afastamento do torcedor com a Seleção Brasileira, que já foi uma unanimidade nacional, e hoje detém a fidelidade de apenas 33,3% dos brasileiros.
Na busca por uma resposta convincente para esse desamor me deparei com várias alternativas: Os 23 anos que separam de um tÃtulo mundial; o distanciamento dos jogadores com a torcida; o fato da maioria dos jogadores atuarem em clubes europeus; o isolamento imposto pelo profissionalismo; a série de escândalos que marcou a passagem dos últimos presidentes da CBF.
Os fatores acabaram por criar um prato indigesto. A mudança de cenário dar-se-á com a conquista de um novo tÃtulo, o sonhado hexa, no Mundial do próximo ano, que terá como novidade três paÃses sedes - Estados Unidos, México e Canada - e um aumento do número de seleções, pulando de 32 para 48.
Seleção Brasileira sempre foi o suprassumo para jogadores, mÃdia e torcedores. Segue sendo uma meta para os profissionais. Ser convocado para defender a Seleção é um plus na carreira. Disputar uma Copa do Mundo com a camisa mais vitoriosa da competição - cinco tÃtulos - é uma valorização imensurável. Para os profissionais da imprensa, seguir os passos da Seleção Brasileira é mais valoroso do que qualquer curso universitário. Ser escalado para cobrir um Mundial é o mesmo que fazer o mestrado mais concorrido de todos os paÃses.
Por duas décadas - 1977 a 1997 - fui escalado como enviado especial do Diário de Pernambuco para cobrir a Seleção Brasileira. Além de quatro edições de Copa do Mundo - 1982, 1986, 1990 e 1994 - várias de Copa América; Eliminatórias, amistosos no Brasil e no exterior e torneios internacionais. Onde a Seleção Brasileira fosse lá estávamos representando o DP.
A camisa amarela, até então com apenas três estrelas no peito, era respeitada e festejada nos quatro cantos do planeta. Um fascÃnio que levava profissionais a esforço que se confundia com "loucura", como a extraordinária aventura vivenciada pela equipe da Rádio Difusora de Limoeiro, para cobrir um jogo da Seleção Brasileira com a BolÃvia em Santa Cruz de La Sierra.
A equipe formada pelo narrador, João Jovino, o comentarista, Laureano Silva e os repórteres Napoleão de Castro e Carlos Alfeu, percorreu 14.659 km para cobrir a estreia da Seleção Brasileira nas Eliminatórias Sul-Americanas para o Mundial de 1986. Uma "louca" aventura que foi destacada pela Revista Placar na sua edição de nº 785, que chegou às bancas em 8 de junho de 1985.
Folgo em ver o esforço de profissionais como o comentarista, Maciel Júnior, hoje vinculado a equipe da CBN/Recife, para cobrir o dia a dia da Seleção sob o comando do técnico Carlos Ancelotti.
O Brasil "estrangeiro" precisa reconquistar o torcedor brasileiro. A única forma de atingir tal meta é levantar o tÃtulo mundial em disputa no próximo ano. E tudo voltará a ser como dantes no quartel de Abrantes.
Afinal, como assegura o sábio Manoel Costa - Costinha: "Vencer é o Céu".
Do tri ao tetra o Brasil amargou um jejum de 24 anos. Mesma distância que separa as Copas de 2002 e 2026. Se tornar real o sonho do hexa, Carlos Ancelotti irá se deleitar com a "dolce far niente" reservada aos grandes campeões.
CLAUDEMIR GOMES
Logo que foi definido os grupos para a próxima fase da Série C do Brasileiro, que começa a ser disputada no final da semana, o mestre Roberto Vieira, que tem uma leveza sem igual no trato com as palavras, traduziu a aflição do seu coração alvirrubro com a frase: "Náutico no grupo da morte junto com Brusque, Guarani e Ponte Preta".
Como no futebol tudo é muito relativo, principalmente quando se trata do pressuposto, as opiniões se dividem no seio da tribo alvirrubra. Ao invés de sublimar a força dos adversários, o ex-presidente do Clube dos Aflitos, Eduardo Araújo, optou por enaltecer as qualidades e a experiência do comandante Hélio dos Anjos.
- Quando o assunto é futebol as opiniões são muito divergentes. Há quem defenda a tese de que o técnico não é determinante para um time conseguir vitórias e atingir metas. Hélio dos Anjos está provando o contrário. Chegou e ajustou o grupo. O Náutico deu liga com ele. Estou confiante, revelou o ex-dirigente.
Este é o terceiro ano seguido que o Náutico disputa a Série C do Brasileiro. Quem conhece a história do Clube dos Aflitos dirá que o fato é uma coisa circunstancial, embora não deixe de ser desconfortável. No comparativo entre as três campanhas encontramos espaço para parodiar o genial LuÃs Fernando Verissimo: O futuro de hoje é melhor que os anteriores!
Evidente que nada está garantido. Afinal, a bola ainda irá rolar seis vezes: três na casa dos adversários, e três no alçapão dos Aflitos. à aà que está o ponto de desequilÃbrio a favor dos alvirrubros. O mapa do sucesso é o mesmo para os quatro times: fazer bem o dever de casa e buscar o bônus extra na condição de visitante. Hélio dos Anjos conhece essa verdade de cor e salteado. Afinal, dos treinadores em atividade no futebol brasileiro, ele é um dos que tem o maior número de acessos no seu currÃculo. Com o Náutico são dois: Série A em 2006 e Série B em 2020.
A história nos mostra que, todo grande exército se mira no exemplo do comandante. Trabalhei com Hélio e conheço seu jeito, suas crenças e a força motivacional que transfere para os seus comandados. à o comandante certo para o momento que o Náutico está vivenciando.
Dia desses nos encontramos numa caminhada, no calçadão, em Boa Viagem. Momento de alegria onde o comandante alvirrubro deu mostras de sua lealdade ao perguntar por alguns amigos que temos em comum. Sem dar bolas ao tempo, ele faz planos para voltar a Série A. Seu sonho é de que isso aconteça com ele na condição de timoneiro do barco alvirrubro. Mas primeiro, as primeiras coisas: o foco agora é no quadrangular que o Náutico disputará a partir do próximo domingo.
Roberto Moraes é um dos alvirrubros mais autênticos que conheço. Vai para padaria logo cedo fazer resenha; conhece a metade e mais um pouco dos moradores de Boa Viagem, e não esconde de ninguém sua ansiedade com relação ao quadrangular que o Náutico irá disputar. Todos os dias faz consulta ao seu xará, Roberto Nascimento. Quando sente que os nervos estão realmente a flor da pele, escuta a narração de um pênalti feita pelo espetacular Aroldo Costa, da Rádio Jornal. Emoção de arrepiar, e que lhe leva às lágrimas.
Decisão é isso.
Aposto em Hélio, o Rei do Acesso.
CLAUDEMIR GOMES
A derrota - 3x2 - do Sport para o Vasco, na noite do domingo, na Ilha do Retiro, foi um autêntico adeus as ilusões, para o torcedor rubro-negro que ainda acalentava o sonho de sobreviver na Série A do Brasileiro. Uma lição dura para quem não aprendeu o básico: "Primeiro é primeiro, e segundo é segundo" em qualquer lugar do mundo.
Quando houve o acesso da Série B para a Série A, os gestores do futebol do clube leonino se embriagaram com o sucesso passageiro. De egos inflados, não perceberam a troca das locomotivas. Resultado: em momento algum o Sport conseguiu embarcar no trem da Série A. Sem conseguir subir na cambiteira, ficou chupando cana na beira do caminho. Agora, é aproveitar o resto da temporada, juntar os bagaços e aguardar o trem da Segundona, cuja locomotiva é uma Maria Fumaça que anda no ritmo ao qual o time da Ilha do Retiro joga.
Entendo que muita coisa mudou no futebol nos últimos vinte anos, perÃodo em que o esporte mais popular do planeta se transformou em um dos negócios mais rentáveis do mundo. Entretanto, algumas peculiaridades são imutáveis. Quando não se tem conhecimento da essência, o trabalho de campo não prospera. à como se você pegasse um executivo com expertise no ramo de hotelaria e colocasse a frente de uma secretaria de educação, ou transferisse um profissional do agronegócio para a gerência de um hospital.
"Cada macaco no seu galho", reza a sabedoria popular.
Imaturos, mas extremamente vaidosos, os gestores do futebol do Sport foram facilmente ludibriados na montagem do elenco visando a edição 2025 do Brasileiro da Série A. O futebol é uma praça aonde o vai e vem de espertalhões sempre existiu. Nos dias de hoje, os lobos travestidos de cordeiros, passaram a ser mais persuasivos atuando como executivos e empresários.
O presidente, Yuri Romão, tem feito um "mea culpa" em algumas entrevistas, mas sua verbalização não irá consertar os erros cometidos pelos jogadores dentro das quatro linhas. Naturalmente que, a pÃfia campanha na qual o Sport contabilizou apenas uma vitória em vinte apresentações é a resultante de uma montagem equivocada de elenco.
Com os bolsos das calças abarrotados de dinheiro, os trainees de diretores foram as compras e encheram a prateleira de carne de pescoço achando que fosse filé. O produto apresentado pelo Sport nos jogos foi difÃcil de digerir, uma vez que não estava à altura do "banquete" que é servido na Série A. O torcedor leonino fez sua parte, mas o time não correspondeu.
Intensidade se observa em qualquer nÃvel de disputa. Harmonia e dinâmica encontramos em prateleiras mais altas. Qualidade, harmonia, dinâmica e intensidade são requisitos de quem está na elite buscando um futebol de excelência.
O trem sempre anda mais rápido. Até mesmo a velha cambiteira puxada pela Maria Fumaça. Eis porque temos que começar a correr antes de o trem chegar. Caso contrário, não vamos conseguir subir. Ver o trem passar e ficar com o bagaço da cana na mão dá uma frustação danada.
Uma sugestão: Que os dirigentes do Sport iniciem, agora, a corrida para subir nos primeiros vagões do trem da Série B em 2026.