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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
Começa hoje, e vai até o dia 13 de julho, o Mundial de Clubes da FIFA. Um sonho antigo que passou por diversos tubos de ensaios até chegar à fórmula considerada ideal. Trinta e dois clubes representarão todos os continentes, fato que torna o novo modelo justo e democrático, visto que, dar oportunidade a todos, de forma igualitária, de chegar ao pódio.
Tal como na Copa do Mundo de Seleções, na primeira fase os clubes estão divididos em oito grupos com quatro equipes. Os times jogam entre si e os dois com as melhores pontuações avançam para as oitavas de final. A partir das oitavas de final até a final, quando será conhecido o campeão, os jogos serão eliminatórios.
O Mundial de Clubes da FIFA será disputado a cada quatro anos. Uma oportunidade para observarmos a evolução do futebol em alguns continentes. A expectativa é de que, através dos clubes tenhamos uma radiografia melhor do que o raio x oferecido pelas edições das Copas das Seleções. Ao mesmo tempo se pressupõe que assistiremos jogos de melhor qualidade técnica.
Futebol é um esporte coletivo. Isto é fato. Por ser um dos esportes mais populares do planeta ingressou no mundo dos negócios com uma capacidade de crescimento impressionante. ImpossÃvel mensurar os investimentos feitos no futebol em todos os continentes.
Desde que a modalidade esportiva se tornou um dos negócios mais rentáveis do mundo, alguns clubes conseguiram montar elencos que são autênticas seleções recrutando atletas em diferentes paÃses. A resultante deste processo são conjuntos milionários, bem treinados e harmônicos em busca do sucesso.
Qualidade custa caro! Esta é outra verdade incontestável no negócio futebol. A qualidade técnica do conjunto é um ponto de desequilÃbrio, razão pela qual, os grandes clubes europeus são apontados como favoritos ao tÃtulo. A primeira edição do Mundial de Clubes da FIFA, portanto, tem um grupo de equipes credenciadas a brigarem pelo tÃtulo; um grupo intermediário onde pode surgir uma surpresa e o grupo dos participantes que marcarão presença apenas na fase classificatória.
Para ser campeão um time disputará sete partidas. Na fase classificatória teremos jogos bem interessantes como o do Palmeiras com o Porto e do Atlético de Madri com o Paris Saint Germain na rodada de abertura. Mas o melhor da festa será servido a partir das oitavas de final. Entre os brasileiros - Flamengo, Palmeiras, Botafogo e Fluminense - as apostas recaem sobre o rubro-negro carioca para descrever melhor campanha.
Como diria o jornalista, José Gustavo, cronista esportivo dos bons, a classificação nesta primeira fase já está nas contas do Flamengo e do Palmeiras. Botafogo e Fluminense têm ossos mais duros para roer. Mas não fica descartada a possibilidade dos quatro times brasileiros chegarem as oitavas de final. A partir daà o caldo começa a entornar.
Bom! Ao todo serão 63 jogos para vermos no espaço de 30 dias. Certamente alguns confrontos não valerão um dólar furado, mas também teremos partidas memoráveis, como em todo o mundial.
CLAUDEMIR GOMES
Qual o dia do descanso: sábado ou domingo?
Confesso que não sei dizer com precisão. Essa pergunta vem sendo posta nas mesas desde a Idade Média, e nunca se chegou a um consenso. Bom! Desde que me entendo de gente que o domingo é um dia propÃcio ao ócio, a reflexão, e para o qual deixamos um monte de coisas que consideramos especiais.
Hoje (08/06/2025), por exemplo, procurei me inteirar sobre o projeto Vida ao Vivo, do amigo, Américo Pereira. Mergulhei no tempo. Como se fosse possÃvel, sai debulhando o passado, lembrando de fatos que ressaltam a grandeza desse ser humano com o qual tenho o privilégio de conviver por mais de quatro décadas. Não vivemos encangados, mas temos uma certeza mútua de que no laço que nos une está cravado: "Amigos de fé, irmãos, camaradas".
Sempre digo que Américo é sinônimo de gentileza. De certo que tem seus defeitos, mas são quase imperceptÃveis. A fidalguia faz parte de sua formação. Optou por ser uma pessoa do bem, embora soubesse, desde cedo, que a vida lhe apresentaria propostas desafiadoras em todas as vertentes.
O amor vence sempre! Creio que este tenha sido o lema de vida definido por Américo Pereira. E assim ele fez questão de vivenciar, e mostrar ao mundo, o seu amor incondicional por Anunciada - a mulher amada desde a juventude - pelos filhos - Americo Filho, Erica e Eduardo (Dudu) - e pelos netos. Se doou de corpo e alma ao seu Náutico; cuida dos amigos como poucos e se tornou uma referência como empresário que sempre esteve em sintonia com o sucesso.
Certa vez, sem que nem pra que, ele olhou para mim e falou: "Você é amigo da FamÃlia Pereira". Na volta pra casa, retornando de uma pelada em Enseada dos Corais, o saudoso Jorge Chacrinha ressaltou: "Ouvi o que o Américo disse pra você. Guarde com muito carinho". Assim foi feito.
"O mundo é um livro e quem não viaja lê somente uma página". Este é um dos célebres pensamentos de Santo Agostinho. Pois bem! A vida proporcionou a Américo a oportunidade de ler quase todas as páginas desse mundo. Por onde andou fez anotações. Lições da vida que estava sendo vivida. Dores e sabores.
Sintetizar as emoções vivenciadas por toda uma vida, e transformar numa música capaz de semear pelos quatro cantos do mundo sentimento tão nobre, é o desafio do projeto Vida ao Vivo. Américo convidou o maestro Eduardo Laje, que tem uma vida ao lado do Rei Roberto Carlos. A música foi gravada em quatro idiomas: Português, Espanhol, Inglês e Francês. Os vÃdeos foram gravados no Instituto Brennand. Vi todos os quatros.
Certa vez, num dos aniversários de Anunciada, Américo me liga convidando para um jantar que ele havia preparado para surpreender a mulher amada. O encontro foi num dos restaurantes do Mar Hotel. Na hora marcada estávamos lá, eu, minha mulher Ãurea Regina e todos os outros convidados. Pouco tempo depois chega Anunciada com os três filhos. Surpresa!!!!!
Sem esconder sua emoção ela saiu cumprimentando a todos, mas o melhor ainda estava por vir. De repente um vozeirão enche todo o restaurante com um "CONCEIÃÃO EU ME LEMBRO MUITO BEM...". O grande Cauby Peixoto, uma das maiores vozes da música brasileira de todos os tempos, adentra no recinto para surpresa geral. Os olhos de Anunciada brilhavam. O sorriso de Américo traduzia toda a sua felicidade.
O que tenho pra falar sobre Américo?
Ele é Vida ao Vivo. Recheada
de amor.
CLAUDEMIR GOMES
à hoje.
O tÃtulo do samba enredo da União da Ilha em 1984 - Escola de Samba da Ilha do Governador, Rio de Janeiro - traduz, com fidelidade, o momento do futebol brasileiro com a chegada do técnico Carlo Ancelotti, que atravessou o Atlântico, ancorou seu barco na Baia de Guanabara, e em meio a uma alegria contagiante renovou sonhos e esperanças de novas conquistas no PaÃs do Futebol.
Desde que aportou na sua nova casa as palavras de Ancelotti reverberam mais do que as do presidente Lula. Afinal, ele foi recebido, é visto e tratado como o novo Messias que veio salvar o futebol brasileiro pondo fim a um jejum de 24 anos. Isso mesmo: no próximo ano, quando será disputada uma nova edição da Copa do Mundo de Seleções, terão passados 24 anos da conquista do Penta.
O espaço de tempo que separou o tri do tetra foi o mesmo: 24 anos. O torcedor supersticioso já colocou isso na conta de Ancelotti. A ansiedade por ver o trem brasileiro novamente nos trilhos é tamanha que, os bochichos nas portas das Bets, onde as apostas correm soltas, são todos sobre uma goleada do Brasil sobre o Equador, hoje a noite, em Guaiaquil, na estreia do novo treinador da seleção pentacampeã do mundo.
E todos, mesmo antes de a bola rolar, estão cantarolando o velho samba da União da Ilha:
"Ã hoje o dia da alegria
E a tristeza
Nem pode pensar em chegar...".
Em 1975 cheguei ao Diário de Pernambuco para integrar a equipe de esportes comandada pelo mestre Adonias de Moura. São cinco décadas acompanhando os passos da Seleção Brasileira. Confesso que, nesse tempo - 50 anos - nunca vi tanta louvação a um técnico. Nem mesmo ao mestre Telê Santana, e os vitoriosos Carlos Alberto Parreira e Luiz Felipe Scolari. Talvez por serem frutos da terra, gente da gente. Carlo Ancelotti é um fato novo, numa nova conjuntura, num novo tempo.
O que não muda é o besteirol nas coletivas de imprensa. Naturalmente que são feitas perguntas inteligentes; colocações pertinentes, mas o batalhão dos idiotas está cada dia maior.
Ainda não vimos o trabalho do Ancelotti, e os jogos de hoje, e da próxima semana não serão suficientes para se chegar a nenhuma conclusão. No momento, o que mais observo de positivo é o fato de a Seleção Brasileira voltar a ter um técnico que os jogadores olhem de baixo da cima. Ultimamente, nosso sentimento era o de que os jogadores olhavam o comandante de cima pra baixo, como se fossem superiores. Isso tem muito a ver com os bastidores, interferência de empresários, etc.
Carlos Ancelotti chegou com a leveza do ser que já é Ãntimo do sucesso. Carrega consigo a malandragem que assimilou dos brasileiros desde a época em que era jogador. Enfim, a Seleção Brasileira passou a ter no seu técnico o grande cartão de apresentação.
Nada disso, no entanto, é garantia de sucesso, mas são sinais de que a margem de erro pode ser minimizada.
Ancelotti disse, em recente coletiva, que gosta de cantar. Como bem ressaltou em sua crônica o mestre, Lenivaldo Aragão, "as primeiras aulas de português foram boas".
Agora, é deixar o homem trabalhar e esperar para vê-lo cantar:
"Diga espelho meu
Se há na avenida
Alguém mais feliz que eu...".