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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
"Qual a cor do cavalo branco de São Jorge?"
A resposta está embutida na pergunta, mas a indagação sempre foi feita para observar se a pessoa tinha raciocÃnio rápido; se estava focada na sabatina... Apesar da clareza do óbvio, havia sempre alguém que escurregava na brincadeira de criança.
No Brasil brasileiro, terra do futebol, samba e pandeiro, nÃnguém, do Oiapoque ao ChuÃ, mas ninguém mesmo, é capaz de errar as cores dos uniformes da Seleção Brasileira: amarelo e azul.
Pois bem! Algum marqueteiro dormiu com a bunda pra lua, acordou com o fiofó virado e bradou para um bando de idiotas: "Vamos trocar a cor do segundo uniforme da Seleção Brasileira. Sai o azul e entra o vermelho!".
Seus pares, um bando de idiotas, num coro unÃssono aplaudiu.
Apesar do sol escaldante, o som dos trovões foi assustador. Fenômeno sobrenatural. Descobriu-se que o estrondos foram oriundos dos supapos dados por Pelé, Garrincha, Nilton Santos, Vavá..., e outros deuses do futebol em seus respectivos túmulos. Ao testemunhar aquele protesto que quebrou o silêncio do além, o mestre Nelson Rodrigues lembrou sua profecia: "Os idiotas ainda vão tomar conta do mundo. Eles são muitos".
Se cá estivesse entre nós, o mestre Adonias de Moura seria taxativo na sua coluna - Dentro e Fora das Quatro Linhas: "Isto é a avacalhação da guerra".
Confesso que, ao tomar conhecimento do deboche, que chega a praça escudado no mote do "futebol é negócio", fiquei roxo de raiva. Consultei amigos, pesquisei em jornais, sites, blogs... nenhum formador de opinião abraçou tal idiotice.
Lembrei que, ao ler o bom artigo do amigo, Alfredo Bertini, na Folha de Pernambuco, ele ressaltava o histórico alerta: "No creo em brujas, pero que las hay, las hay".
Numa rápida conversa cá com meus botões, deduzi que isso só podia ser catimbó. De imediato liguei para Bernardino Magalhães, meu guro para assuntos de umbanda. Do alto do seu conhecimento o Berna explicou:
"A seleção continua com o amarelo de Oxum. Está trocando o azul de Ogun pelo vermelho de Xangô. Ogun é um orixá guerreiro, representa força, coragem e justiça, marcas da conquista do primeiro tÃtulo que o Brasil conquistou com a camisa azul. A troca não deixa de ser um insulto", comentou o mÃstico sertanejo.
O disparate é tão grande que, o festival de memes superou todos os outros que aconteceram até então. à a força do futebol.
Bom! Xangô é o orixá da justiça. Certamente ele não vai deixar que se cometa esse crime com a Seleção Brasileira.
CLAUDEMIR GOMES
"O ELEITOR DO RECIFE Ã A FAVOR DO CONTRA!".
O autor da frase é o Coronel Chico Heráclio, lendário chefe polÃtico de Limoeiro e região. Pois bem! Nos dias de hoje ela cai como uma luva para definir grupos de pessoas que se opõem à s mudanças em curso no futebol. As imposições do novo tempo enterram, de uma vez por todas, a filosofia de capitanias hereditárias que, por décadas marcou gestões de clubes centenários como Náutico, Santa Cruz e Sport.
Apesar da agenda cheia de jogos dos clubes pernambucanos, neste final de semana, no Campeonato Brasileiro - Séries A, C e D - o assunto mais comentado no dia de ontem (sexta-feira - 25/04/2025), foi uma nota distribuÃda nos veÃculos de comunicação da Capital Pernambucana com o tÃtulo: O GRANDE GOLPE - Denúncia sobre SAF.
Embora na apresentação do "documento" - Nota de Desportistas - ser visÃvel os escudos dos três grandes clubes recifenses - Sport, Náutico e Santa Cruz - todos com projetos de SAF em curso, é notório que foi elaborado em computador rubro-negro, e por mãos rubro-negras. Algumas virgulas tentam colocar Náutico e Santa Cruz num BO que tem DNA do Sport.
A nota busca um sentido coletivo, foi assinada por um monte de gente, muito mais para atender a um pedido de amigo, do que pela preocupação pessoal, individual de cada um em relação ao futuro do Sport. O ranço polÃtico transborda nas entrelinhas.
O futebol virou um grande negócio e isto não afeta apenas aos pernambucanos, Náutico, Sport e Santa Cruz. à um efeito da internacionalização. Acabou o tempo dos cardeais que davam as cartas nas eleições dos clubes.
A nota faz alusão até as manobras que aconteceram nas eleições do Sport. Ora, estamos falando de clubes centenários. Nos últimos 50 anos, as eleições, nos três grandes clubes recifenses, que não tiveram manobras sombrias, foram porque tinham candidato único. Quando as disputas foram parelhas, aconteceu até o milagre da ressurreição dos mortos. Isto não é regra, mas foi prática.
Vale salientar que, em qualquer lugar do planeta terra, nos intramuros do poder não existe saneamento, fato que expõe muitas poças de lama. Em toda briga por poder existe o jogo sujo, até no conclave do Vaticano para escolher o novo papa.
Sempre defendi mais transparência na implantação das SAFs. Até porque, os presidentes de plantão não escondem o desejo de se tornarem CEO da SAF de seus respectivos clubes. A Sociedade Anônima do Futebol é um negócio lucrativo. Pra quem ninguém sabe. O boato na praça é de que o novo modelo de gestão é a única rota de fuga dos clubes para se livrarem da falência.
Há controvérsias, evidentemente.
As clausulas de confidencialidade são o Q da questão. Ninguém sabe se são danosas, ou boas para os clubes. Afinal, "segredo é pra quatro paredes", como cantou a diva do rádio, Dalva de Oliveira.
à notório que, o presidente do Sport, Yuri Romão, e os seus pares, não entendem bulhufas de futebol. São incompetentes até na administração dos BOs que ocorrem nos bastidores, mas têm expertises no mundo dos negócios.
Interpretação de texto é um dos maiores desafios da lÃngua portuguesa. A nota publicada pelo coletivo denominado "Desportistas", pode ser interpretada como um grito de alerta; revanchismo polÃtico; dor de cotovelo... O documento abre o leque para inúmeras possibilidades.
Mais difÃcil do que interpretar o texto é entender algumas assinaturas.
Pelos amigos, tudo! Até ser a favor do contra.
O tempo dirá se a nota, que foi assinada até pelo assessor de imprensa, se transformará numa super onda, daquelas que assustam surfistas mares de Nazaré, em Portugal, ou se desmanchará na areia como uma reles marola.
Coisas do futebol.
CLAUDEMIR GOMES
Em tempo de memes, tão logo acabou o jogo - Sport 0x1 Bragantino - apareceu no celular:
"O Sport perdeu foi?"
Em seguida, outra postagem: "Silêncio da P....".
Calma! Estamos vivenciando a Semana Santa. Mas na nova ordem a bola rola normalmente. Tem jogo pra tudo quanto é lado. E quando a bola rola a gréa anda solta paralelamente. Coisa da rivalidade.
Val, o taxista torcedor raiz do Santa Cruz, quando me viu logo cedo exclamou: "Ontem foi o dia de serrar velho. Serraram o Leão". Em seguida deu um trago de fazer inveja no seu cigarro, e liberou aquela risada maldosa, digna do Muttley, cachorro do Dick Vigarista, na sua implacável perseguição a Penélope Charmosa, na interminável Corrida Maluca.
Se ontem foi o Dia do Serra Velho, hoje tem a cerimônia do Lava Pés.
O presidente do Sport, Yuri Romão, avisou no vestiário, pós derrota para o Bragantino, a terceira seguida do time leonino neste inÃcio de Série A, que irá lavar os pés dos onze titulares e do técnico Pepa.
Alguém sapecou no seu pé do ouvido: "à melhor lavar a cabeça do Pepa para ele pensar melhor".
Após a quarta queda, a esperança da torcida é que, após o lava pés a pontaria dos jogadores rubro-negros melhore, pois nem a promessa de dinheiro resolveu até agora.
Isso mesmo! No intervalo do jogo com o Bragantino, com o Sport inferiorizado no placar, o boato na Ilha do Retiro era de que, um representante da Bet que patrocina o clube chegou no vestiário de bradou: "Trinta moedas de ouro para quem fizer o gol da vitória!". Ninguém aceitou. Não houve candidato a Judas.
Sobrou para o técnico Pepa. No final do jogo, a torcida pedia a cabeça do careca. Por sorte não era o dia de malhar o Judas.
O clima estava pesadÃssimo no vestiário. Todos cabisbaixos sem saber o que dizer. De repente um otimista lembrou:
"Calma gente! O dia da ressureição é o sábado".
Espantado, o craque do time que não gosta de chutar a gol afirmou: "Vencer o Corinthians na Neo QuÃmica Arena é o mesmo que subir ao céu".
Ao tomar conhecimento dos fatos, Val, o tricolor raiz, ligou o secador e disparou: "O Leão não vai gritar aleluia não. Quem vai vigiar o sepulcro dele é a turma do VAR, que não dorme em serviço".
Bom! Como o Leão da Ilha não morre de véspera, a via crucis leonina pode ter dois finais: um com a malhação do judas (Pepa), ou um outro com uma festa de micarême.
CLAUDEMIR GOMES
A segunda rodada do Brasileiro Série A, disputada no final de semana, foi marcada por uma série de erros de arbitragem. A ocorrência de equÃvocos dos apitadores, e dos que estavam respondendo pelo VAR, assustou e causou turbulência com as contestações que ecoaram nos quatro cantos do PaÃs.
Erros de arbitragem no futebol brasileiro é uma redundância. O árbitro de futebol é um elemento imprescindÃvel, mas é contestado desde a mais modesta pelada a decisão de Copa do Mundo. Eis a razão pela qual aguardei o "day after" para me posicionar sobre o festival de lambanças que ocorreu no domingo.
Não podemos esquecer o viés da emoção que emoldura o futebol. Ele induz, com frequência, crÃticos e analistas a misturar alhos com bugalhos. Foi justamente isso que observamos em vários programas; lives e podcasts realizados na noite do domingo. E durante todo o dia de ontem (segunda-feira). Em tempo de quaresma a turma aproveitou para malhar o(s) judas(s).
Os três jornais do Recife - DP, Folha e JC - foram os únicos no PaÃs que deram ao pênalti que levou o Palmeiras a contabilizar uma vitória sobre o Sport, a conotação de "duvidoso". As punições que foram aplicadas aos apitadores envolvidos no episódio deveriam ser estendidas aos jornalistas que escreveram tamanho absurdo. Só eles que não enxergaram o erro crasso.
Os jornais da terra aplicaram a "Lei do Caranguejo Pernambucano". Quando um está subindo os outros puxam para baixo. E assim o nosso futebol segue capenga.
Medidas foram tomadas com base no efeito. O que falta são iniciativas para combater as causas, ou seja, assegurar um melhor preparo, uma melhor formação e treinamentos ao quadro de árbitros.
O técnico Rogério Ceni, do Bahia, ressaltou em entrevista recente, a conduta equivocada do jogador brasileiro, a falta de educação e a pressão exagerada que eles fazem em cima dos árbitros. Um comportamento que leva os apitadores a errarem mais.
Concordo com Ceni, entretanto, sem compactuar com nenhuma teoria da conspiração, é importante analisar o comportamento individual de cada árbitro, assim como as escalas que os colocam, por coincidência, ou não, lado a lado com determinados clubes. Afinal, estamos em tempos de Bet.
Desnecessário e desgastante o bate boca do presidente do Sport, Yuri Romão com o jornalista Paulo VinÃcius Coelho - o PVC - onde misturaram alhos com bugalhos e o dirigente leonino acabou saindo chamuscado.
à mais fácil discutir o sexo dos anjos do que o modelo de gestão do futebol brasileiro. Nem mesmo o britânico, George Orwell, que teve a brilhante inspiração de escrever - A Revolução dos Bichos - conseguiria entender o intrincado jogo de poder, que tem levado ao trono personagens de fazer inveja aos históricos gângsteres italianos.
Todos querem ser amigos do rei!
Verdade inquestionável.
Vamos a próxima rodada porque o volume da resenha baixou.
CLAUDEMIR GOMES
As palavras têm força. Isto é fato. A depender de quem as proferem, elas irão reverberar, ou não. Recentemente o empresário Ronaldo Nazário - conhecido quando jogador como Ronaldo Fenômeno - tentou ser candidato de oposição nas eleições da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), e foi surpreendido por um unÃssono NÃO dos 40 clubes que disputam as Séries A e B, e das 27 Federações Estaduais que têm direito a voto. O Fenômeno cuspiu fogo e colocou a boca no trombone.
Por se tratar de uma celebridade no futebol mundial, as palavras de Ronaldo ecoaram, ganharam as redes sociais e viraram pautas, embora muitos jornalistas e formadores de opinião surfem no mar de lama da CBF. Neste final de semana, um dos assuntos dominantes do jornalismo nacional é a matéria publicada pela Revista PiauÃ, edição 223, de autoria do jornalista, Allan de Abreu, com o tÃtulo: "COISAS EXTRAVAGANTES" - Uma radiografia da gestão de Ednaldo Rodrigues na CBF.
A matéria é uma mostra generosa de como funciona a máquina do futebol brasileiro. Mas nada disso é por acaso. Afinal, na última eleição da entidade, o baiano Ednaldo Rodrigues foi eleito por unanimidade sob aplausos dos clubes e das federações estaduais. Um show!
A expressão - "à praxe" - utilizada pelo presidente da CBF para explicar o "Trem da Alegria" que a entidade levou para assistir a Copa do Catar, abrigando 49 convidados sem nenhuma relação direta com a entidade, é uma prova cabal da inversão de valôres que norteia o nosso paÃs, uma nação que se embriaga facilmente com a mordomia. Criticas? Isso é coisa de um jornalismo ultrapassado.
Recentemente fui convidado pelo jornalista e amigo, Beto Lago, para participar de um podcast onde o protagonista central era o vice-presidente executivo do Sport, Rafhael Campos, executivo de primeira linha, CEO de um dos maiores grupos empresariais do Estado. Em dado momento da entrevista, fiz uma critica a CBF, da qual Rafhael discordou fazendo rasgados elogios a entidade que rege o futebol brasileiro.
Trocando em miudos, o vice-presidente leonino, ressaltou o bireaux de negócios no qual foi transformada a entidade. Segundo a revista PiauÃ, o faturamento da CBF é em torno de um bilhão por ano. O presidente tem um ganho de um milhão por mês. Os presidentes de federações passaram a receber R$ 250 mil. Antes recebiam R$ 50 mil.
E o futebol?
Quem pensa nele como a arte que os brasileiros dominavam como ninguém?
Virou detalhe.
Estamos em tempo de futebol bet. Dinheiro no bolso e voto garantido.
E a Seleção?
Seleção serve para a formação do Trem da Alegria. A bordo senadores, deputados, jornalistas, cantores, influencer... "à praxe".
Sempre foi assim.
"Pra frente Brasil, salve a Seleção!"
E o pau cantando.
Por medo, ou por dinheiro.
Mudam as tintas e os pintores, mas o cenário é o mesmo.
O mestre Nelson Rodrigues disse certa vez que, "toda unanimidade é burra".
A unanimidade de clubes e federações na eleição da CBF não tem nada de burra. à sabida demais.