Histórico
Campeonato Pernambucano
O CLÁSSICO
postado em 31 de janeiro de 2025

CLAUDEMIR GOMES

 

Os clássicos fazem a diferença em qualquer competição do mundo. Isto é fato. No Campeonato Pernambucano, onde os alicerces têm três pilares de sustentação - Sport, Náutico e Santa Cruz - a liturgia do futebol também é respeitada e segue sendo louvada pelas grandes torcidas. Comportamento fácil de se constatar através do burburinho observado na cidade por conta do Clássico das Multidões - Santa Cruz x Sport - que será disputado na tarde deste sábado, no Estádio do Arruda.

Embora o Estadual tenha se tornado um torneio mequetrefe, os clássicos seguem agitando as torcidas. Fato que justifica o sucesso da venda antecipada dos ingressos.

Tricolores e rubro-negros chegam para o primeiro confronto entre ambos na temporada, e que pode vir a ser o único também, com números expressivos que alimentam a confiança das torcidas. O Santa Cruz é líder, enquanto o Sport é o único time que se mantém invicto após a disputa de cinco rodadas.

Não consta nos regulamentos das competições, mas sabemos que, o time que vence os clássicos fatalmente coloca a mão na taça. Até a década de 80, do século passado, o Pernambucano era recheado de clássicos. Em 1983, por exemplo, quando o Santa Cruz foi tri-supercampeão, o Estadual foi disputado em três turnos com duas fases, cada um. Com espaço para um jogo extra, para decisão do turno. Foi uma enxurrada de clássicos.

A partir dos anos 90 surgiram novas competições e os espaços dos Estaduais tiveram que ser compartilhados. Nos dias de hoje, as competições domésticas, que se tornaram apêndices indesejados pelos grandes clubes, são realizadas no curto espaço de dois meses.

Este ano, com o futebol pernambucano tendo apenas dois clubes na Copa do Nordeste - Sport e Náutico - e com o Trio de Ferro disputando o Brasileiro em séries distintas - A, C e D - os clássicos do Estadual ganharam importância. Coisa da rivalidade. Além do mais, a disputa caseira é a única onde nossos clubes têm a real chance de chegarem ao título.

Em alguns momentos é possível ouvir, de algum pseudo cronista, ou trainee de dirigente, a classificação de confrontos intermediários como sendo clássicos. Coisa de emergentes despreparados. No futebol pernambucano os clássicos se resumem aos confrontos diretos entre Náutico, Sport e Santa Cruz. Nada mais que isso.

Hoje cedo, na "resenha" diária do café da manhã da Padaria Diplomata, o assunto dominante era o Clássico das Multidões. Os tricolores, como se já estivessem degustando os "milhões" que os empresários da SAF prometeram injetar no clube, apostam no poder da superação, que por enquanto vem no grito da torcida. Os rubro-negros simplificavam o sentimento numa frase: "É preciso ter Paciência".

Como estamos na era das Bets, os novos analistas do futebol se escudam nos números como se o futebol fosse uma ciência exata. A turma das estatísticas desconhece que os clássicos transcendem, em muito, as barreiras da burocracia.

O romantismo do passado nos deixava mais embriagados com as essências dos clássicos da época. Sendo assim, acreditando que teremos um sábado especial para o futebol pernambucano, encerro com Vinícius de Moraes e seu fantástico DIA DA CRIAÇÃO:

"Porque hoje é sábado

Há um espetáculo de gala

Há um renovar-se de esperanças

E há uma tensão inusitada

O dia é sábado...".

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Campeonato Pernambucano
Por que não te calas?
postado em 27 de janeiro de 2025

CLAUDEMIR GOMES

 

Após a disputa do primeiro clássico - Náutico 2x1 Santa Cruz - no Pernambucano 2025, meu sentimento é de que retroagimos no tempo. Caso contrário, encontramos a justificativa para a desidratação do futebol pernambucano nos últimos anos. A verdade é que paramos no tempo e no espaço. Não acompanhar as mudanças impostas pela nova era é doloroso e cruel.

Ninguém de sã consciência cobrou, de alvirrubros e tricolores, um futebol de excelência. Ambos os times não estão capacitados para tal. A entrega e o esforço observado pelos profissionais dos dois lados eram suficientes para a satisfação do público presente ao estádio dos Aflitos, e os milhares de telespectadores que acompanharam a partida pela televisão.

O espetáculo foi arranhado pelos erros crassos cometidos pela árbitra Deborah Cecília e seu auxiliar, José Romão. "Pecados capitais", pois interferiram no resultado do jogo. Para tamanha lambança não existe perdão, e sim, punição, razão pela qual ambos foram suspensos pela Comissão Estadual de Arbitragem por tempo indeterminado.

Entretanto, o que aconteceu de mais grotesco, abominável até, foi um áudio do presidente da FPF que vazou nas redes sociais:

"Por que vocês não vão tomar... Vocês são uns babacas, tudo frouxo. Não têm coragem de trocar tapa, trocar tiro, ficam falando besteira no celular. Vai tomar no ...".

Fica a indagação: Qual a punição para tal destempero?

Num passado longínquo, quando o rádio dominava a comunicação do futebol, cada "tribo" tinha seu bobo da corte. Eles usavam de todos os expedientes para motivar, inflamar as torcidas, principalmente em véspera de clássicos. A ordem era instigar a rivalidade. Nada acontecia nos estádios, e nas ruas da cidade, porque não havia ainda as gangues que são chamadas de Torcidas Organizadas.

Certa vez, chegou um cidadão na Federação Pernambucana de Futebol e se apresentou ao presidente, Carlos Alberto Oliveira, como representante do Santa Cruz. Oliveira lhe deu as boas vindas e o tricolor saiu-se com essa:

"Olhe presidente, eu costumo esculhambar quando julgo que meu clube foi prejudicado. Portanto, se eu disser na resenha que aqui na FPF tem corno ou fdp, na outra resenha eu peço desculpas e fica tudo certo".

Sem querer acreditar no que estava ouvindo, o presidente Carlos Alberto Oliveira abriu a gaveta do bureau e respondeu:

"Eu lhe entendo. Mas tem um problema: no dia em que um sujeito chegar numa rádio e me chamar de corno ou fdp, eu dou um tiro na boca dele. Infelizmente não vou ter como pedir desculpas".

O cidadão arregalou os olhos, deu meia volta e nunca mais cruzou os batentes da Federação. O episódio, mais que verdadeiro, testemunhado por mim, e por outros profissionais da imprensa, foi tão cômico que entrou para o folclore do futebol pernambucano.

Mas vale lembrar que estamos em outros tempos. Chegamos a era das redes sociais e, ao que tudo indica, o presidente Evandro Carvalho, que ocupa cargos na FPF há 38 anos, não se deu conta das mudanças.

Este ano, todas as vezes que resolveu dar entrevista vomitou alguns absurdos. Neste final de semana, ultrapassou a fronteira da tolerância.

Por que não de calas?

É um show!

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Copa do Nordeste
Para perder de vista
postado em 22 de janeiro de 2025

CLAUDEMIR GOMES

 

O alagoano CSA fez valer a "lei" do mando de campo e estreou com vitória - 2x1 - sobre o Confiança, na edição 2025 da Copa do Nordeste. Hoje a noite será a vez dos pernambucanos - Sport e Náutico - irem a campo para medir forças com os cearenses - Ferroviário e Ceará - respectivamente. Os rubro-negros buscam o quarto título, enquanto os alvirrubros tentarão por a mão na taça da competição regional pela primeira vez.

Este ano o "Nordestão" conta com cinco clubes - Fortaleza, Ceará, Baia, Vitória e Sport - da primeira divisão nacional, o que fatalmente elevará o nível técnico da disputa, por conseguinte, torna mais difícil a missão do Náutico de tentar se inserir no pelotão dos campeões.

Nas últimas dez edições a supremacia dos cearenses foi inquestionável: Fortaleza e Ceará levantaram o troféu seis vezes: três títulos cada um. Apontado como um dos melhores conjuntos do futebol brasileiro, no momento, o Tricolor do Pici é o preferido entre os apostadores quando cravam seus palpites sobre quem será o campeão de 2025.

A musculatura dos cinco clubes que disputarão o Brasileiro da Série A é imperativa ante os outros participantes. Afinal, a qualidade sempre faz a diferença, desequilibra e conduz os melhores ao topo da tabela. Mas como sempre ressalta o mestre, Lenivaldo Aragão, "no futebol não existe verdade absoluta". Sendo assim, sempre haverá espaço para as surpresas. É apostando na garra inspiradora do seu "vermelho de luta", que o Náutico espera surpreender o Ceará, hoje a noite, nos Aflitos.

As disputas que se iniciam na segunda quinzena de janeiro serão finalizadas no dia 7 de setembro. Isso mesmo! É para o torcedor perder de vista. Coisas do insano calendário do futebol brasileiro. A fase de grupos será concluída no mês de março. A competição será paralisada em abril e maio; retorna no mês de junho para as disputas das quartas de final e semifinais; fica fora do ar em julho e agosto e emerge no início de setembro para as disputas das duas partidas finais. Sem dúvida, um teste de resistência e memória para os torcedores.

Nesta fase classificatória, onde as equipes se enfrentam entre si, nos seus respectivos grupos, o Sport ficou no pelotão A junto com Fortaleza e Vitória. Como apenas os quatro primeiros de cada grupo se classificam para as quartas de final, teoricamente, resta uma vaga a ser disputada por Altos, CRB, Ferroviário, Moto Clube e Sousa.

O Náutico ficou no pelotão B onde estão Bahia e Ceará, que hipoteticamente são donos de duas vagas. Portanto, os alvirrubros medirão forças com CSA, Confiança, América/RN, Juazeirense e Sampaio Correa.

Fazer prognósticos antes da disputa da primeira rodada é uma agressão a racionalidade, mas as loucuras dos torcedores permitem tudo. Eis porque as "zebras" que pastavam na Loteria Esportiva ficaram tão famosas na voz do saudoso Léo Batista.

De uma coisa temos certeza: no meio ano, precisamente no mês de junho, quando teremos as disputadas das quartas e das semifinais, o futebol a ser apresentado pelos times classificados estará em outro nível. Questão de folego, resistência e qualidade.

Bom! Vamos ao primeiro passo. O que vem pela frente não passa de suposições que alimentam o mundo das Bets.

 

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Santa Cruz
Um dia especial
postado em 13 de janeiro de 2025

CLAUDEMIR GOMES

 

O assunto dominante, nos últimos dias, nos quatro cantos do Estado, é a SAF do Santa Cruz. Nesta terça-feira - 14/01/2025 - o presidente executivo do Clube Tricolor, Bruno Rodrigues, tem encontro marcado com várias lideranças, onde fará a apresentação do grupo que se propõe a investir R$ 1 bilhão e transformar o departamento de futebol numa sociedade anônima.

As linhas de contorno desta aliança, que deverá ter uma duração de 15 anos, serão apresentadas pelos investidores. Naturalmente que, alguns detalhes serão guardados a sete chaves com o lacre de CONFIDENCIALIDADE. Aliás, esta é uma palavra bastante em voga no futebol brasileiro.

Desde a última sexta-feira, quando a notícia foi divulgada, a Nação Tricolor se encontra no maior agito. Todos, sem exceção, querem saber detalhes deste antídoto que vai livrar o "Gigante" do sono da morte.

Como diria o filósofo Sócrates: "Só sei que nada sei". A Sociedade Anônima do Futebol está sendo vista, pelos tricolores de bom senso, como a saída do caos. Quem se posicionar contra, na Assembleia do Conselho, ou na Assembleia dos Sócios será amaldiçoado por todos os poderes do Santa Cruz.

As Repúblicas Independentes do Arruda sangram há muito tempo. Tudo que foi feito, nos últimos anos, não passou de paliativos que não corresponderam as expectativas. E o "Gigante" seguiu no seu sono se mostrando, cada vez mais, debilitado, sem forças para se soerguer.

Os sangramentos são notórios e visíveis no patrimônio físico: o deprimente estado de conservação da sede social; as obras necessárias de requalificação no Estádio José do Rego Maciel e a recuperação e conclusão do Centro de Treinamentos. Enfim, todos os equipamentos do clube estão carimbados como prioridades.

O Clube das Multidões tem o futebol como seu coração. Quando ele não pulsa, não há vida. A primeira missão da SAF não será outra senão injetar "sangue" - $$$$ - para que o coração coral volte a pulsar.

Não existe clube de massa sem a marca registrada do amor, do apreço. E falar de amor, apreço e fidelidade temos que colocar a torcida do Mais Querido como exemplar. Foi isso que levou um grupo de empresários a investir no Santa Cruz:  o seu patrimônio imaterial. Sua louca e apaixonada torcida. Se de um lado a expertise do grupo investidor é um prenuncio de sucesso, do outro lado a fidelidade da torcida tricolor é o aval que ninguém questiona.

Pela primeira vez na história centenária do Santa Cruz teremos uma gestão cujo pragmatismo irá transpor o discurso. Naturalmente que houveram gestões exitosas no clube, contudo, o viés da emoção foi um obstáculo intransponível para muitos gestores.

Há décadas o futebol se posicionou entre os maiores negócios do planeta, onde as cifras alcançam escalas estratosféricas. A SAF é o primeiro passo para o Santa Cruz entrar em sintonia com a nova ordem, se tornar contemporâneo do Século XXI. A terça-feira - 14/01/2025 - será um dia histórico para as Repúblicas Independentes do Arruda.

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Campeonato Pernambucano
Protocolo da Imprensa
postado em 09 de janeiro de 2025

CLAUDEMIR GOMES

 

A dois dias do início do Campeonato Pernambucano de Futebol Série A-1, o debate no endereço eletrônico (Whatsapp) da Associação dos Cronistas Desportivos de Pernambuco - ACDP - teve como mote o PROTOCOLO DE IMPRENSA divulgado pela Federação Pernambucana de Futebol a ser cumprido durante a competição cuja primeira rodada está programada para este final de semana.  

O protocolo, que provocou uma discussão sobre o sexo dos anjos, onde não se chega a um denominador comum, deixa ressaltado duas coisas: a tirania, marca registrada da atual gestão do futebol pernambucano, e a fraqueza da entidade de classe que há muito vem sendo desrespeitada por clubes e federação.

Cronista Esportivo não é uma profissão. Isto é fato. O desporto é uma vertente a ser seguida pelo jornalista, e pelo radialista, assim como é a economia, a política... A ACDP se fortaleceria se contasse com o respaldo dos Sindicatos dos Jornalistas e dos Radialistas, o que na prática não acontece.

Quem sempre esteve atento aos sinais não se surpreende com a nova ordem. A criação das assessorias de imprensa nos clubes tinha como objetivo maior, dinamizar a divulgação dos fatos e fortalecer o canal de convivência com os profissionais que cobrem o dia a dia. Entretanto, com o passar do tempo, os profissionais tiveram seus espaços tolhidos com a proibição de fazer a cobertura de treinos. A assessoria envia para as equipes esportivas das emissoras de rádio e dos jornais, as entrevistas prontas.

Pior do que ouvir apenas o que os clubes querem que seja divulgado, é o silêncio dos diretores das rádios, dos jornais e de profissionais cujos "gritos" reverberam e ecoam. Mas nos dias de hoje todos viraram vacas de presépio.

Os mais antigos - Lenivaldo Aragão, Hélio Macedo, Pedro Silva, Paulo Morais, Amaury Veloso, Geraldo Freire, Walter Spencer - eu me incluo nesse pelotão, recordam da histórica assembleia da ACDP, nos anos 70, para uma tomada de posição sobre uma paralização total e irrestrita de cobertura. Todos os editores e chefes de equipes se fizeram presentes. As duas salas da entidade, e os corredores do sétimo andar do edifício onde era o domicílio da associação estavam lotados. Francisco José, na condição de presidente da entidade de classe, foi o protagonista de um episódio que ressaltou a gigantesca força da classe na época.

Desde que a Internet passou a ser de domínio público, com a chegada da telefonia móvel, o surgimento das redes sociais, a comunicação digital, o rádio esportivo perdeu sua força, uma vez que suas raízes eram a rádio AM. A imprensa escrita definhou com a comunicação ganhando um novo perfil.

As grandes grifes, que as vezes se tornavam maiores que os prefixos, saíram de cena e as novas gerações não dormem com os ouvidos grudados nos rádios de pilhas, estão com os olhos fixos nos smartfones, onde acompanham os jogos, em tempo real, estejam onde estiverem.

O processo de mudança é permanente. Nem tudo é positivo, mas a ACDP não soube dar seu grito de alerta. A passividade das empresas de comunicação facilitou a imposição de um modelo perverso. Mas não existe revolução sem vítimas.

Quem vivenciou os grandes momentos de tempos passados, deve se acostumar ao futebol de poltrona. Em tempo de PernambucanoBet, conseguir se credenciar para um jogo é tão difícil quanto acertar os seis números da mega sena da virada.

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