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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
O amigo, Ildefonso Fonseca, alvirrubro dos melhores, daqueles cujo encarnado não desbota nunca, me presenteou com um vÃdeo da Canção de Natal, de Chico Buarque de Holanda. Uma pérola! Assim como foi o cartum do mestre Humberto Araújo. Os dois amigos usaram a arte para lembrar que estamos em tempo de reflexão. Acredito que essa seja uma das propostas do Natal: ressaltar para a humanidade a necessidade de rever conceitos e valores.
Tudo começou há mais de dois mil anos, quando Jesus de Nazaré, nascido na Palestina, criou o Cristianismo, que vende a vida eterna e tem o sÃmbolo mais forte do planeta: a cruz. Tempos depois, precisamente 280 anos após o nascimento de Cristo, nasce na Turquia, São Nicolau de Mira, que foi canonizado pela Igreja Católica, por ter feito vários milagres. Em seguida foi adotado como padroeiro na Rússia, na Grécia e na Noruega. Inspirado em São Nicolau se criou a figura de Papai Noel - O bom velhinho - que presenteava os menos favorecidos.
Bom! Como as mudanças são permanentes e constantes, é impossÃvel falar das metamorfoses e evoluções de todas as espécies. Apenas duas coisas parecem imutáveis: o Natal e a desigualdade social.
A extinta Varig, companhia de aviação, fez sucesso com uma peça publicitária onde destacava: "Papai Noel voando a jato pelo céu, trazendo um Natal de felicidade, e um ano novo cheio de prosperidade". E ninguém conseguiu segurar mais o velhinho que passou a ser a figura mais midiática do planeta, um influencer que toma Coca-Cola, anda de helicóptero, visita todos os shopping Center e segue encantando as novas gerações. Enfim, "segue plantando flores onde não tem jardim", como cantou o mestre Chico Buarque.
E o Menino Jesus não é o verdadeiro dono do Natal?
Bom! Isso é inquestionável. Mas tudo indica que, o marqueteiro que criou a cruz como sÃmbolo maior, e foi convincente o suficiente para vender a vida eterna, tirou férias e saiu do mapa. A Igreja Católica tem uma dificuldade enorme para entrar em sintonia com o novo tempo.
Assistindo a edição do Jornal Nacional, no Dia de Natal, constatei que, em várias partes do mundo, inclusive em Israel, onde nasceu Jesus de Nazaré, a dada foi ofuscada pela guerra.
Vale lembrar que as guerras são "brincadeiras dos homens maus". Não tem nada a ver dos brinquedos que Papai Noel faz propaganda.
Na noite de Natal - eu e Ãurea Regina - paramos num sinal e contamos: três mulheres com nove crianças. O cenário nos incomodou. Fez-se o silêncio.
De imediato lembrei de outra pérola que me foi enviada pelo amigo Fábio Gondim: "Véspera de Natal", de autoria do grande Adoniran Barbosa.
"A criançada chorando, mesa vazia, não tinha nada...".
à isso aÃ!
Mesmo os que nasceram há dois mil anos atrás, como o Raul Seixas, sabem que para uns o orifÃcio da chaminé é pequeno, Papai fica engasgado e não passa de jeito nenhum.
CLAUDEMIR GOMES
A torcida rubro-negra tinha certeza da vitória de Yuri Romão nas eleições presidenciais do Sport. Só não sabia o placar: 1770 votos contra 317 votos dados ao opositor Rafael Arruda. O percentual de 82,6% dos votos válidos, é o aval que o presidente buscava para encarar o seu terceiro mandato consecutivo a frente do executivo de um dos maiores clubes do Nordeste.
No futebol existe uma máxima que nasceu nos vestiários vitoriosos: "Em time que está ganhando não se mexe". Entretanto, desde que o esporte mais popular do planeta se tornou um dos negócios mais rentáveis do mundo, apareceu um contraponto: "Se for para melhorar, evoluir, as mexidas são bem vindas".
Os números da eleição são imperativos como aprovação ao trabalho desenvolvido pelo presidente ao longo dos últimos quatro anos. E ninguém melhor que ele para ter o entendimento de que, o Sport precisa dar um salto qualitativo maior para seguir no pelotão dos grandes clubes brasileiros. A julgar pelo número de sócios aptos a votar - 13.535 - fica evidenciada a necessidade de desenvolver um trabalho para triplicar ou quadruplicar tal marca.
A palavra de ordem nos grandes clubes de Pernambuco é profissionalização. Não tem como negar que passamos anos luz discutindo o sexo dos anjos vendo a banda passar. Resultado: montados em carroças, nossos clubes sofrem horrores para acompanhar os passos dos que já estão a postos em carros elétricos.
E todos passaram a falar em SAF sem ter um conhecimento profundo sobre os tipos de gestões que deram certos em alguns paÃses da Europa, e em outros não. Tudo é mantido em segredo, guardado a sete chaves protegido pelo argumento de "Acordo de Confidencialidade".
Sabemos que o mundo é movido por mudanças. Elas acontecem permanentemente em todos os setores. No futebol não poderia ser diferente. Entendemos que é um grande desafio entrar em sintonia com o novo tempo, principalmente quando é notória e cultural a reação, contrária ao novo, existente no seio de cada agremiação.
O fator emoção sempre alimenta aquela turma que é a favor do contra. Mas vale lembrar que, em se tratando de profissionalismo, a vitória da emoção é o fracasso do bom senso, ou a derrota da lucidez.
Yuri Romão passou quatro anos azeitando a máquina leonina. Agora, com o Sport na Série A, vitrine de grande visibilidade para o clube, projeta o pulo do gato, ou melhor, o salto do leão: ampliação e modernização do Estádio Adelmar da Costa Carvalho e implantação da SAF.
Os primeiros passos da profissionalização no futebol pernambucano foram dados na década de 70, no século passado, quando o Sport importou, do Rio de Janeiro, o supervisor Edgar Campos, profissional de alto gabarito que fez escola no Recife.
A "febre" do clube empresa não passou de uma boataria no nosso Estado, não afetou o trio de ferro do Recife: Sport, Náutico e Santa Cruz.
Que venha a SAF!
CLAUDEMIR GOMES
Sábado passado - 07/12/2024 - li no Blog Dantas Barreto, que a Prefeitura do Recife estaria abrindo processo licitatório para a privatização do Ginásio de Esportes Geraldo Magalhães (Geraldão). Confesso que, de imediato incorporei a notÃcia ao poema - O dia da criação - de VinÃcius de Moraes:
"Porque hoje é sábado...".
Não me considero saudosista, pelo contrário, sigo o pensamento do grande filósofo Heráclito de Ãfeso: "Nada é permanente exceto a mudança". Mas para quem assistiu a pomposa inauguração do ginásio multiuso, no final de 1970, com a Taça Jules Rimet, recém conquistada para sempre pelos craques do futebol brasileiro servindo de atração, embarca numa viagem de grandes lembranças.
O equipamento foi, durante muitos anos, o destino dos grandes espetáculos esportivos, culturais e religiosos realizados na Capital Pernambucano. Colocou o Nordeste na rota das grandes produções nacionais e internacionais. O que de melhor havia pelo mundo afora era trazido para se apresentar no Geraldão. Em recente livro, o jornalista Beto Lago conta, e ilustra com um espetacular acervo fotográfico, a história do ginásio que já fez o Recife pulsar.
Mas as mudanças são constantes. Com mais de meio século de existência, o Geraldão começou a sofrer concorrências: sinais dos tempos. Equipamentos como o Centro de Convenções de Pernambuco; Classic Hall... Aliado ao surgimento de novas alternativas para promoção de grandes espetáculos, temos de considerar as mudanças de hábitos e comportamentos.
Reformas foram feitas no sentido de colocar o "gigante" em sintonia com o novo tempo. O equipamento ficou fechado por mais de sete anos, numa prova inconteste das dificuldades encontrada pela Prefeitura do Recife de administrá-lo.
Exceto como cabide de emprego, o Ginásio de Esportes Geraldo Magalhães perdeu o seu encanto. O alto custo de manutenção de um equipamento que atualmente abriga raros espetáculos colocou em xeque as últimas gestões.
O repasse para a iniciativa privada, com previsão de investimentos na ordem de R$ 228 milhões, num perÃodo de 35 anos é a saÃda encontrada pela Prefeitura do Recife, que de forma honesta e transparente, reconhece sua incapacidade de gerir equipamento tão especÃfico.
Dentro da sugestão de repasse, a Prefeitura do Recife ficaria com direito ao uso das quadras externas e piscinas, dando sequência ao trabalho das escolinhas existentes, assim como, ao uso da quadra interna por uma quantidade de dias a cada ano. Mas isso são detalhes a serem discutidos.
A privatização do Geraldão vem sendo anunciada desde o ano passado. A primeira proposta - março de 2023 - dava conta de um contrato de 20 anos de duração com previsão de R$ 175 milhões de investimentos. Em abril de 2024 foi publicada a notÃcia onde o contrato teria uma duração de 35 anos com investimentos na ordem de R$ 312 milhões. Por último, em matéria vinculada no Diário Oficial, o contrato terá uma duração de 35 anos com investimentos na ordem de R$ 228 milhões.
O Geradão cumpriu bem sua missão. Com um passado memorável, reconhecemos que é inviável o equipamento seguir sendo administrado pela iniciativa pública.
à torcer para que o palco de tantas manifestações multirreligiosas encontre o caminho da salvação.
Mudanças são necessárias e inevitáveis! Isto é fato.
CLAUDEMIR GOMES
Botafogo campeão!
Estava escrito na estrela solitária. Os números da campanha do alvinegro carioca atestam o que todos haviam previsto: 38 jogos; 23 vitórias; 10 empates; 5 derrotas e um saldo de 30 gols. O novo campeão brasileiro teve um aproveitamento de 69%. Portanto, nada a contestar.
Vai vencer o melhor! Profetizou o mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, durante um bate papo que tivemos pela manhã. Lhe falei sobre uma "teoria da conspiração" que rolava nas redes sociais dando conta de que o São Paulo faria corpo mole para evitar o tÃtulo do arquirrival Palmeiras. Azevedo descartou tal possibilidade, mas após analisar os fatos me enviou uma mensagem dizendo:
"O São Paulo vai jogar normalmente, entretanto, ao mandar a campo um time misto deixou a porta aberta", enfatizou para em seguida enaltecer a campanha superlativa do Botafogo.
Numa competição de pontos corridos, com trinta e oito rodadas, o campeão vir a ser conhecido somente na última partida é pouco provável, fato que enaltece a conquista do tÃtulo que a torcida aguardava por 29 anos. Para tornar o enredo mais dramático, o gol da vitória aconteceu no minuto final. Gregore foi o herói improvável, ele que foi protagonista de uma lambança histórica, na decisão do tÃtulo da Libertadores, o que lhe custou uma expulsão no primeiro minuto da partida.
E o herói será sempre lembrado como "o homem do primeiro e do último minuto". O que dá pra rir, dá pra chorar, principalmente no futebol onde nenhuma verdade chega a ser absoluta. Coisa de um movimento constante, onde tudo muda o tempo todo.
Mas este tÃtulo do Botafogo parecia real desde o inÃcio. Os deuses do futebol resolveram abençoar o futebol arte. O time que durante todo o campeonato mostrou a verdadeira essência do futebol brasileiro. Essência essa que fora derramada, em outras épocas, por um batalhão de craques tão bem representado por Luiz Henrique, que recebeu o prêmio de melhor jogador da competição.
Na prática, o tÃtulo foi assegurado na 36ª rodada, com a vitória - 3x1 - sobre o Palmeiras, na casa do adversário. Vitória com assinatura de campeão. O que estava por vir era apenas manutenção de uma supremacia que consolidaria a conquista. Foi isso que testemunhamos nas vitórias sobre o Internacional (1x0) e sobre o São Paulo (2x1).
A três partidas do final do campeonato, Botafogo e Palmeiras estavam com a mesma soma de pontos. O time carioca contabilizou 3 vitórias e somou 9 pontos no cumprimento da sua agenda de jogos. Por outro lado, o Palmeiras somou apenas 3 pontos, produto de uma vitória obtida em 3 partidas. Contra números não existem argumentos.
O choro do técnico Artur Jorge se confundiu com o do torcedor na arquibancada do Estádio Nilton Santos. No centro do campo, os jogadores se abraçavam embalados por gritos roucos que traduziam as inúmeras histórias de superação que emolduram a conquista do novo campeão brasileiro. E todos os fantasmas foram exorcizados.
"Vencer é o céu!".
De braços abertos o Cristo Redentor contempla o BRILHO DA ESTRELA SOLITÃRIA.
CLAUDEMIR GOMES
Não existe nada mais utópico do que união em clube de futebol. Isto é fato. O viés da emoção leva o homem a confundir valores e cometer os pecados da inveja, e da cobiça. Vale tudo para se chamar o clube de MEU. Até a insensatez. Eis a razão pela qual todo sucesso é comemorado com a frase: "Este clube unido jamais será vencido". Frase universal que se perde como pluma ao vento.
As eleições do Sport batem a porta. Na próxima sexta-feira - 06/12/2024 - termina o prazo para as inscrições e anúncio oficial das chapas que irão concorrer ao pleito. Acredita-se que a disputa será emoldurada por três candidatos, mas o boato na praça sugere um nome de consenso. Como se trata de boato, a cautela é sempre importante para evitar escorregões nas fake News.
O grande protagonista desta eleição no Clube Rubro-negro da Ilha do Retiro é o presidente Yuri Romão. Há poucos dias foi festejado como herói por ter recolocado o clube na elite do futebol brasileiro: "Palmas para Yuri!". Tão logo o som da sirene deixou de ecoar anunciando o feito que mudou o rumo da história do Sport, o presidente externou seu desejo de seguir no cargo, fato que lhe leva a enfrentar uma segunda reeleição, que na maioria dos entendedores, fere os estatutos do clube. Sendo assim: "Joguem bosta no Yuri!".
Como todo presidente de clube de massa, Yuri é forte como vencedor, mas se torna frágil e vulnerável quando pensa em se perpetuar no cargo e chamar o clube de "MEU".
Até a década de 80, do século passado, o presidente do Sport era indicado por um grupo de conselheiros apelidados de "Cardeais". Coube ao ex-presidente Homero Lacerda por um ponto final nessa ditadura. Com o apoio da torcida ele se insurgiu contra o modelo em voga na época e venceu a eleição.
Os tempos mudaram, e assim como o mundo, os clubes de futebol também giram com as mudanças. O ex-presidente leonino, Severino Otávio - Branquinho - sempre questionou o rótulo de "liderança" que se costumava colocar em todos que ocupavam a presidência executiva do clube rubro-negro. "A liderança pertence ao presidente em exercÃcio que faz uma administração exitosa", ressalta Branquinho.
Yuri Romão amorteceu uma dÃvida milionária que herdou no Sport; recuperou o patrimônio; recolocou o clube na Série A do Brasileiro; tem um projeto de reforma e ampliação do Estádio Adelmar da Costa Carvalho definido e está com propostas em estudo, para implantação de uma SAF. Enfim, seu olhar como gestor e executivo é imperativo e merece crédito.
Unanimidade onde está envolvida uma louca paixão por um clube de futebol é surreal.
O Yuri é de causar inveja!
"Vamos tirá-lo da presidência!" Grita um conselheiro movido pela cobiça e inveja, com a postura dos velhos senadores romanos.
"A Yuri o que é de Yuri!" Rebate o lÃder do presidente no Conselho.
E completa:
"Lembrem-se! Não basta aplaudir o presidente, tem que votar no presidente".
Vamos a eleição. Até o dia 16 tudo pode acontecer na Ilha do Retiro. Afinal, o rubro-negro adora uma confusão, principalmente quando o assunto é eleição.