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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
"O Sport tem um por cento de chance de acesso e noventa e nove por cento de esperança".
Desconheço o autor da frase que ouvi durante um almoço com os rubro-negros, Severino Otário (ex-presidente do Sport); Ricardo Brito e Humberto Araújo, na última quinta-feira. A advertência aos incrédulos soava como uma convocação àqueles que nunca perderam a esperança. Afinal, "sonho que se sonha junto se torna realidade". E a força do pensamento coletivo foi a chancela do passarás numa combinação de resultados que poderia resultar no tudo, ou no nada.
A caminho da Ilha do Retiro, o sertanejo Bernardino Magalhães, fiel as suas crenças, sentencia com a confiança que lhe fora repassada pelo "jogo" aberto na mesa da casa da "Madrinha": "O Sport classifica!". Mais um sinal de que a força do pensamento seria o grande instrumento do "passarás".
Sobreviver a combinação de resultados é um dos maiores desafios do futebol. Afinal, o sucesso não depende apenas do jogo jogado dentro das quatro linhas. Uma série de fatores conspira a favor, ou contra. E nos bastidores, onde nada se ver, tudo pode acontecer. Só não pode fazer churrasco com bois e cabritos que são sacrificados para assegurar o passarás. Em tempos de Bets o misticismo segue vivo nos corredores por onde desfilam os "gladiadores".
Quatro torcidas esperançosas; quatro clubes com chances de acesso, mas apenas um com noventa e nove por cento de esperança: o Sport. Motivo: era o único dos esquadrões que iria a campo escudado no talento do jogador mais virtuoso da competição: Lucas Lima. E o time da Ilha do Retiro não mediu esforços para bancar sua presença em campo. Afinal, no "Jogo da Esperança", quem tem um ponto de desequilÃbrio tem o máximo.
Isso mesmo! Lucas Lima quando entrou em campo foi saudado como os romanos saudavam Maximus, o maior dos gladiadores. E ele capitou a mensagem. Jogou o máximo do seu futebol. Fez acontecer e colocou seu nome na história de um dos maiores clubes do Nordeste brasileiro. Marcou dois gols, e só não anotou um "hat-trick" porque, equivocadamente, abriu mão de bater um pênalti que ficou sob a responsabilidade de Barletta, e o goleiro do Santos, Gabriel Brazão, defendeu.
Mas com o placar de 2x1 a favor, o passarás se concretizava para o Sport. O encantamento tomou conta da torcida rubro-negra que fez um carnaval particular na sede do clube, seguindo a liturgia das grandes conquistas. O Carnaval da Esperança fez surgir na chaminé da Ilha do Retiro uma fumaça branca, prenuncio de dias melhores.
Sabemos que, em clube de futebol a paz, total e irrestrita, nunca reinará por conta do componente emoção, mas uma conquista acalma os ânimos. Antes de assegurar sua passagem para a elite do futebol brasileiro, o Sport caminha sobre uma linha tênue que separava o céu do inferno. Se sobe: palmas para o presidente Yuri Romão. Se não conseguisse o acesso: joguem bosta no Yuri!
O presidente dormiu o sono dos justos.
O sol brilha intensamente na manhã recifense onde um barulho ensurdecedor toma conta da cidade com a indagação:
"O SPORT SUBIU FOI?"
CLAUDEMIR GOMES
O último ato do drama - Brasileiro Série B 2024 - acontece no próximo domingo com quatro torcidas - Sport, Novorizontino, Ceará e Mirassol - vivenciando fortes emoções, fato que as deixam sob risco de um ataque de nervos. O Santos, já classificado para disputar a Série A em 2025, com a chancela de campeão, irá a campo enfrentar o rubro-negro pernambucano num jogo que para ele representa o epÃlogo de uma jornada exitosa.
O turbilhão de emoções previsto para o próximo domingo tem levado muita gente a cometer equÃvocos em suas análises sobre esta edição da Série B. Emoção e competitividade se tem em todos os nÃveis: das peladas de várzea aos clássicos de Copa do Mundo. O diferencial entre as competições é o nÃvel técnico. Eis a razão pela qual primeiro é primeiro, e segundo é segundo, em qualquer lugar do mundo. O Brasileiro 2024 foi marcado por um nÃvel técnico baixÃssimo. A maioria dos jogos foi de doer na vista.
Foi doloroso testemunhar a aflição da torcida do Sport antes do jogo com a Ponte Preta, confronto que findou com a goleada dos leoninos por 4x0. Quem tem conhecimento da desidratação dos clubes de Campinas/SP - Ponte Preta e Guarani - sabia que a "travessia" do Sport sobre uma ponte em ruÃnas não seria uma tarefa assustadora. Vale lembrar que, nos anos 80 do século passado, os dois clubes de Campinas estavam sempre nas agendas dos treinadores quando iam convocar jogadores para a Seleção Brasileira. Hoje, são caricatos em comparação ao passado glorioso.
Sport, Novorizontino, Ceará e Mirassol jogam por um único resultado: a vitória. Não existirá confronto direto entre os quatro times que pleiteiam uma das três vagas a serem preenchidas. Um detalhe que pode facilitar a missão de cada um. Se todos vencerem seus respectivos jogos, o Sport sobra por conta do critério de desempate: número de vitórias. O Ceará tem uma a mais.
O drama dos rubro-negros pernambucanos é justamente este: Sport e Ceará podem encerrar suas participações na competição com o mesmo número de pontos, mas quem sobe é o Vovô cearense. Já tem narrador com a frase pronta para o fechamento da jornada:
"O Sport não subiu por conta de um cabelinho de sapo!". Seria cômico, caso não fosse tão trágico para o clube apontado como um dos favoritos ao acesso, numa edição, cujo nÃvel técnico foi dos mais baixos da história da Série B.
Vou pegar uma carona na antológica frase do rubro-negro Costinha e afirmar que: "Classificar é o céu". Sendo assim, os clubes que assegurarem o acesso não precisam justificar os motivos das comemorações. O que sobrar fatalmente se deterá aos últimos atos da "ópera".
Numa peça de 38 atos as análises devem ser sobre o conjunto da obra.
CLAUDEMIR GOMES
O tÃtulo acima - Ao mestre com carinho - é de um filme lançado em 1967, com a assinatura do diretor, James Clavell, tendo como protagonista o extraordinário Sidney Poitier. Mais que um simples tÃtulo de filme, sempre interpretei a "chamada" como uma advertência ao que sempre deveria acontecer: oferecermos carinho e gentileza aos nossos mestres como forma de gratidão.
Hoje, dia 10 de novembro, estamos comemorando o aniversário do jornalista Lenivaldo Aragão, que faço questão de lhe tratar carinhosamente de mestre Leni. Reconheço que as vezes ele fica encabulado, e para disfarçar, brinca repetindo uma frase que carrega pronta: "Minha parte dos elogios quero em dinheiro".
Costumo dizer que fui um privilegiado. Quando cheguei para me incorporar a equipe de esportes do Diário de Pernambuco, em 1975, o editor era o jornalista Adonias de Moura, um dos maiores cronistas esportivos do PaÃs. No seu time, só craques: Lenivaldo Aragão, Silvio Oliveira, Júlio José, Valdi Coutinho, Amaury Veloso e Robson Sampaio.
Adonias se comportava como se fosse o paizão de todos eles. Ninguém se atrevia a dizer nada sobre os "meninos de Adonias". O velho Bubu nos dava essa segurança. Mas eu cheguei justamente para ocupar a vaga daquele que escalei como meu grande mestre: Lenivaldo Aragão. Leni estava se transferindo para a revista Placar.
A mudança de endereço em nada alterou a empatia existente entre nós. Digamos que impossibilitou uns encontros na Portuguesa, no Piquenique, no Dom Pedro ou no Savoy, mesmo assim tomamos bons tragos pela vida afora. Quando ele começava a cantarolar os frevos de Capiba, Nelson Ferreira, Antônio Maria, o Hino do Cisne Branco, e tantos outros, sabÃamos que a alegria do mestre estava em alta.
Tive o prazer de participar de uma homenagem que o comandante do Navio Escola Cisne Branco fez pra ele, uma recepção informal, mas de um significado tamanho para quem, na juventude, sonhou em ser marinheiro e conhecer o mundo através dos mares. Um momento de emoção para Lenivaldo durante uma das edições da Refeno, em Fernando de Noronha.
O mestre Leni, sem dizer nada, apenas como referência, me ensinou a pôr vários pontos nos Is. Me deu a oportunidade de escreve para a Revista Placar, me chamou para ser sócio e lançar o semanário Tablóide; me convidou para escrever na revista Campeão...
Gratidão sempre mestre Leni!
Todas as louvações que forem feitas a você são justas e merecidas. Ãs um ponto fora da curva. Nossa lenda, nossa enciclopédia, sabes mais que o google. Isso eu garanto.
Eita! Se os elogios forem transformados em dinheiro valerão uma grana. Risos!
Abraço fraterno neste dia tão especial para os seus amigos.
De uma coisa você pode ter certeza: você será sempre minha referência maior como cronista esportivo.
Um brinde ao maestro do Cisne Branco!
CLAUDEMIR GOMES
No fechamento da última rodada do Brasileiro da Série B, o narrador da Rádio Clube, Bartolomeu Fernando, bradou: "Agora vamos ver quem tem garrafa pra vender". Sua analogia fazia referência a briga pelo acesso, que a três jogos do final do campeonato ficou restrita a cinco clubes: Santos, Novohorizontino, Mirassol, Sport e Ceará.
Obviamente as três equipes paulistas levam vantagem por somarem maior número de pontos. A última vaga, teoricamente, será a resultante do vencedor da "briga" entre os nordestinos Sport e Ceará.
ImpossÃvel mensurar o aumento do número de promessas feitas a Nossa Senhora da Conceição e ao Padre CÃcero Romão. Mas o Papa Francisco, na sua mais recente homilia, mandou um recado: "Deixem os santos em paz. Eles estrão fora dessa briga".
E no cenário onde existe mais medos do que esperanças, surgem as "verdades" de cada um, que nem sempre condiz com a verdade dos fatos.
O torcedor do Sport anda vendo chifre em cabeça de cavalo e arrancando cabelo em ovo de galinha.
"Esse narrador da Globo é do Ceará e fica secando o Sport o tempo todo", diz exaltado o amigo leonino em mensagem do whatsapp. Em seguida recebo nova mensagem de um outro torcedor rubro-negro: "Não gosto desse goleiro: ele falha em bolas fáceis e é um chamariz de gol". Antes de a partida com o Operário ser concluÃda, o telefone toca. Do outro lado, com indisfarçável irritação, mas com voz firme e pausada, o desabafo de mais um torcedor do Sport: "O time é fraco. O presidente faz uma boa gestão, entretanto, os diretores do futebol são inocentes".
O clima da noite ficou pesado. Ã como se estivesse vendo MaÃsa Matarazzo cantar: "Meu mundo caiu".
De Palmares, recebo a ligação de Bebel Miranda, que acabara de ver o jogo em companhia dos "Leões da Mata", e não segurava sua aflição: "Tio! Será que vai?".
O taxista Val, tricolor confesso, passa o tempo todo secando o Leão, abriu um sorriso, deu um trago no seu inseparável cigarro, e sentenciou: "O Sport não sobe!".
"Deixa quieto!", rebateu o mestre Humberto Araújo, como se quisesse avisar que o sofrimento faz parte da liturgia de todas as conquistas do Sport. Araújo, assim como todo torcedor do Sport, está aflito. Sempre que isso acontece, opta por ver o jogo no seu bar - O PURGATÃRIO - degustando uma Pitú Golden com alguma fruta da época.
Dentre os times que brigam pelo acesso, o Sport foi o único que não venceu na última rodada. Aliás, o rubro-negro é o único que acumulou duas derrotas nas últimas apresentações. Todos os outros candidatos a dar um salto para a Série A contabilizaram vitórias.
A tribo vermelha e preta está em polvorosa. Vale um trago na cannabis.
"Quem tem garrafa pra vender?"
Para com isso cidadão!
Chegou a hora da onça beber água.