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Junho de Seleções
postado em 26 de junho de 2024

CLAUDEMIR GOMES

 

Na contagem regressiva para o seu final, o mês de junho nos deixa boas recordações. Para nós pernambucanos, as lembranças dos momentos vivenciados nas festas juninas, que disputam com o carnaval a posição de número um no ranking da preferida pelo público. No cenário futebolístico fomos brindados com o início das disputas da Eurocopa e da Copa América. Os dois torneios servem para avaliarmos os trabalhos desenvolvidos por eventuais candidatos ao título da próxima edição da Copa do Mundo, a ser disputada em 2026, na América do Norte: Estados Unidos, México e Canadá.

Embora estejamos na era das apostas, existem bets em todas as esquinas do planeta terra, e o torcedor está apostando tudo, fica difícil arriscar um prognóstico, sobre quais seleções estarão credenciadas a brigarem pelo título. Quando ainda faltam dois anos para a competição. Tem muita água para correr por debaixo da ponte.

A maioria das seleções que estamos vendo em ação na Eurocopa e na Copa América, passam por um processo de renovação. Este é um trabalho que exige bastante dos treinadores. Descobrir se um jogador tem talento, ou não, é uma tarefa fácil, desde que haja honestidade no processo seletivo. O desafio maior dos "professores" é saber quando o atleta alcançou um nível de maturidade que lhe leve a suportar as cobranças que se faz a um protagonista.

A vida nos mostra que são grandes as diferenças entre homens e meninos. Tal regra não pode ser esquecida no futebol. O ufanismo da imprensa, a ansiedade dos torcedores e as pressões mercadológicas podem enterrar a carreira de profissionais talentosos, mas sem maturidade devida para carregar o excesso de responsabilidades postas em seus ombros.

Os virtuosos devem sempre fazer parte dos grupos, mas o protagonismo vem de forma natural. Se forçar a flor não brota. Desidrata e cai. O futebol brasileiro tem mil e um exemplos de promessas que não vingaram em seleção.

As disputas paralelas entre as seleções europeias e as americanas, nos possibilitam traçar um paralelo sobre o que antigamente chamávamos de escolas. A julgar pelo que vimos, até o momento, as equipes sul-americanas precisam evoluir bastante para pensarem numa conquista de Mundial.

Mas não vamos nos deixar abater pelo "Complexo de Vira-lata", tão combatido pelo mestre Nelson Rodrigues. Afinal, a fase de grupos da Eurocopa, encerrada nesta quinta-feira, nos mostrou que, em qualquer lugar do mundo o futebol guarda suas "caixinhas de surpresas".

Das 24 seleções que disputaram a fase classificatória, apenas a Espanha teve 100% de aproveitamento, ou seja, contabilizou três vitórias nas três partidas que disputou. O detalhe que chamou mais a atenção foi a pontuação final do Grupo E, onde Romênia, Bélgica, Eslováquia e Ucrania somaram 4 pontos, cada uma, produto de uma vitória, um empate e uma derrota. A classificação do grupo foi definida por critérios de desempates. O equilíbrio de forças levou três das quatros seleções para as oitavas de final: Romênia, Bélgica e Eslováquia.

A próxima fase da Eurocopa começa a ser disputada neste sábado. A partir das oitavas de final, até a final, todos os jogos serão eliminatórios. Agora, como diz o narrador, Bartolomeu Fernando, "vamos ver quem tem garrafa pra vender".

Os jogos:

Sábado, 29 de junho:

13h - Suíça x Itália

16h - Alemanha x Dinamarca

Domingo, 30 de junho:

13h - Inglaterra x Eslováquia

16h - Espanha x Geórgia

Segunda-feira, 1º de julho:

13h - França x Bélgica

16h - Portugal x Eslovênia

Terça-feira, 2 de julho:

13h - Romênia x Holanda

16h - Áustria x Turquia

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Brasileiro Série B
Equilíbrio e sofrimento
postado em 17 de junho de 2024

CLAUDEMIR GOMES

 

"O ser humano sofre mais na imaginação do que na realidade". A frase do filósofo Sêneca, explica o comportamento do torcedor quando o seu time está envolvido numa competição marcada pelo equilíbrio, tal qual a edição em curso da Série B do Campeonato Brasileiro, onde as equipes estão empacotadas, e qualquer acidente de percurso pode incorrer numa mudança de cenário.

Tomando por base o Sport, o rubro-negro pernambucano iniciou a competição com uma marcha invicta, brigou pela condição de líder, mas logo em seguida amargou três derrotas seguidas, caindo para a sétima posição. A retomada do crescimento se deu com duas vitórias consecutivas, resultados que lhes recolocaram no cobiçado G4. Como o time da Ilha do Retiro tem um jogo a menos, caso contabilize mais três pontos no confronto com o CRB, os bravos guerreiros da Nova Roma voltam a brigar pela liderança.

O equilíbrio de forças observado nas dez primeiras rodadas da Série B, onde 12 equipes aparecem com chances reais de acesso, tem deixado torcedores de diversos clubes a beira de um ataque de nervos. É o sofrimento no pressuposto, explicado pelo sábio Sêneca há milênios de anos. O torcedor se tortura imaginando que o pior venha a acontecer.

Apenas três pontos separam o atual líder da competição, o América/MG (21 pontos), do quinto colocado, o Operário (18 pontos), na tabela de classificação. A Chapecoense (14 pontos), décimo-segundo time colocado na tabela, está a quatro pontos do Sport (18 pontos), terceiro colocado. O Santos, que pela primeira na história, disputa uma Segunda Divisão, apresenta um aproveitamento de 50%, aquém do que se esperava. O clube que ganhou fama mundial por conta do Rei Pelé, somou cinco vitórias e cinco derrotas nas dez primeiras rodadas do campeonato.

O torcedor dar asas a imaginação e sofre com o que possa vir a acontecer. Os analistas de plantão discutem o sexo dos anjos nas enxurradas de mesas redondas e podcast. A nova ordem abriu espaço para análises no pressuposto. A análise dos fatos, regra a ser seguida no bom jornalismo, virou coisa do passado. A teoria do lendário Sêneca ganha força no futebol das bets, das chuteiras e cabeleiras coloridas, onde vale mais adivinhar do que aguardar a verdade dos fatos.

Fazer previsão de acesso a vinte e oito rodadas do final do campeonato é uma insanidade diante do grande equilíbrio de forças. Mas o puxa e encolhe faz parte do futebol. É o molho da gréa, como dizem os torcedores. Sendo assim, nada mais emocionante do que o sofrimento da imaginação.

 

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Artigos
ARENA PULINHO
postado em 07 de junho de 2024

CLAUDEMIR GOMES

 

Neste domingo - 9 de junho de 2024 - a cidade de Palmares, localizada na Mata Sul de Pernambuco, a uma distância de 122km do Recife, comemora 145 anos de emancipação política. Para comemorar data tão relevante para os palmarenses, o prefeito José Bartolomeu de Almeida Melo Júnior - Júnior de Beto - programou, a entrega de várias obras, que irão agregar bastante qualidade na vida dos habitantes da cidade.

No conjunto de obras que serão inauguradas, destaco o GINÁSIO POLIESPORTIVO NAPOLEÃO MACEDO DE MIRANDA, que desde o início das obras de construção apelidei de: ARENA PULINHO.

Quem é Napoleão Macedo de Miranda?

A pergunta deverá ser feita pela maioria das pessoas que doravante visitarão a praça de esportes. Afinal, para emprestar o nome a um equipamento de tamanha relevância na "Atenas Pernambucana", deve ser uma celebridade com DNA palmarense.

Apesar dos pais, Luciana Macedo de Miranda e Tadeu Miranda, terem feito incursões pela política local, Napoleão Macedo de Miranda (Pulinho), segundo dos três filhos do casal, embora carregasse consigo todos os requisitos exigidos a um político, nunca se definiu por seguir uma carreira pública.

Através do seu jeito de ser, Pulinho nos emitia sinais de que, por natureza, ele era um sujeito público e plural. Sua missão: fazer o bem, sem importar a quem. Defeitos? Claro que os tinha. Afinal, ele era mortal como todos nós. Mas aquele seu sorriso terno, atestava para nós, que a vida é bela.

Como todo jovem de vinte e poucos anos, Pulinho era torturado pela ansiedade. Queria uma Palmares melhor, com oportunidades para os pares da sua, e das futuras gerações. Sua busca era a luta pela igualdade. Afinal, desde cedo foi educado para diminuir a distância entre as classes sociais. As brincadeiras naturais com a meninada nos engenhos do pai, e do avô, colocavam ele e os irmãos em pé de igualdade com o próximo. E Pulinho sempre quis o próximo mais próximo dele.

Aos 24 anos, no fatídico dia 10 de abril de 2010, teve a vida ceifada num trágico acidente automobilístico, na BR101. Por ironia do destino, no seu caminho de casa, pedaço de chão que ele conhecia como a palma da sua mão. A vida tem propostas amargas para todos nós.

Palmares chorou! Foram 24 horas de comoção numa cidade que expressava seu sentimento pela partida prematura de um cidadão comum. De uma pessoa que pregava o amor através da gentileza e ternura expressas em suas atitudes.

Pulinho teve uma despedida digna dos grandes estadistas, personalidades e ídolos. Mas ele não era nada disso. Era simplesmente amado pelos palmarenses. Seu corpo foi transportado, da sede da Loja Maçônica Fraternidade Palmarense, local onde foi velado, até o Cemitério das Palmeiras, num carro de bombeiros. As casas comerciais fecharam as portas quando da passagem do cortejo. Perfiladas nas calçadas, as pessoas acenavam com o último adeus. Uma chuva fina caia numa tradução perfeita ao choro da cidade.

Para atenuar nossa dor, dissemos que fizemos uma festa na terra para a sua chegada no céu. Assim foi sua passagem para um outro plano.

Desde abril de 2010 que fizemos um pacto com a saudade. Afinal, quem a gente ama, não morre jamais.

Não existe equipamento que sintetize mais a energia da juventude do que o ginásio poliesportivo. Esteja onde estiver, temos absoluta certeza de que Pulinho está sorrindo, feliz por ver seu nome numa arena que irá agregar muito valor na educação de gerações.

Prefeito Júnior de Beto!

As famílias Macedo e Miranda lhes são gratas pela sensibilidade e generosidade ao tornar real o nosso sonho de perpetuar a imagem de Napoleão Macedo Miranda num equipamento de pedra cal.

A ARENA PULINHO é um autêntico gol de placa.    

 

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Copa do Nordeste
Fortaleza na vantagem
postado em 06 de junho de 2024

CLAUDEMIR GOMES

 

A vitória (2x0) sobre o CRB, no primeiro confronto da edição de 2024 da Copa do Nordeste, representa um passo gigantesco do Fortaleza na busca pelo seu terceiro título da competição regional. Embora o saudoso comentarista, José Bezerra, defendesse a tese de que, "2x0 é placar de otário", discordo do seu pensamento, e considero que, o Tricolor do Pici já colocou as duas mãos na taça que fatalmente levantará no próximo domingo.

Apesar do esforço do CRB, cuja condição de finalista da Copa do Nordeste é uma resposta ao bom trabalho que vem sendo desenvolvido pelo técnico Daniel Paulista, o time alagoano se curvou ante o feitiço do Fortaleza, que no momento é um dos poucos clubes brasileiros que tem um padrão de jogo definido, e cuja eficácia é ressaltada através dos bons resultados contabilizados nas diferentes competições que disputa simultaneamente.

A maioria dos apostadores, na enxurrada de Bets espalhadas pelo Brasil afora, está cravando suas apostas no Tricolor Cearense, que todas as vezes que chegou à condição de finalista da Copa do Nordeste se sagrou campeão. Aliás, o futebol cearense deu um salto qualitativo assustador nos últimos anos. De 2019 para cá, houve sempre um clube cearense - Fortaleza ou Ceará - como um dos protagonistas da final da CN. Os cearenses conquistaram quatro dos cinco títulos que disputaram: Ceará (2020 e 2023) e Fortaleza (2019 e 2022). O outro título levantado pelo Ceará foi o da edição de 2015. Em 2021 o Bahia interrompeu a sequência de conquistas dos cearenses, que foi retomada no ano seguinte pelo Fortaleza.

O futebol não é uma ciência exata, mas segue uma lógica. A simples condição de finalista é fator motivacional para qualquer time. Portanto, se existe motivação nos dois lados, a qualidade técnica deve funcionar como ponto de desequilíbrio. A rivalidade doméstica é um ingrediente a mais no pacote motivacional apresentado pelo técnico argentino, Juan Pablo Vojvoda, aos seus comandados. É que o arquirrival Ceará tem três títulos do torneio regional, marca a ser alcançada pelo Fortaleza, que parece voar em Céu de Brigadeiro em busca do seu sonho.

Daniel Paulista tem total conhecimento do grupo que comanda. Seu trabalho a frente do CRB é elogiável, e a condição de finalista desta edição da Copa do Nordeste é um crédito ao que vem desenvolvendo no clube alagoano. Há vários anos, acertadamente, o clube alvirrubro de Maceió trabalha para se consolidar como um time de Série B, buscando fortalecer sua musculatura para ir buscar uma vaga na elite no futebol brasileiro. O CRB foi finalista da primeira edição da Copa do Nordeste, em 1994, perdendo o título para o Sport. Agora, 30 anos depois, chega a sua segunda decisão regional, fato que consolida o trabalho que tem como meta a retomada do crescimento.

Nesta quinta-feira começa a 28ª edição do Cine Pe. Peço licença a Sandra e Alfredo Bertini para pegar uma carona no tema desta edição do festival audiovisual que é sucesso no Brasil, e no exterior.

A decisão da Copa do Nordeste entre Fortaleza e CRB é algo para se "ver, ouvir e sentir". Afinal, jogo decisivo é coisa de cinema.

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