Histórico
Futebol Pernambucano
É proibido proibir
postado em 22 de janeiro de 2024

CLAUDEMIR GOMES

 

A vitória do Petrolina sobre o Retrô (1x0) e o empate, sem gols, do Náutico com o Maguary, nos Aflitos, foram os resultados que contrariaram os palpites dos apostadores na terceira rodada do Campeonato Pernambucano. Entretanto, os assuntos mais comentados foram os descabidos confrontos entre as torcidas organizadas de Santa Cruz e Sport, antes do Clássico das Multidões disputado no sábado; o inconcebível tratamento dispensado a torcida tricolor na entrada da Arena Pernambuco, uma praça de esportes padrão FIFA, e as estapafúrdias declarações do presidente da FPF, Evandro Carvalho, ao jornal O PODER.

A discussão de ideias sempre foi salutar para a sociedade. Entretanto, discutir não é sinônimo de proibir, impedir, muito menos de exterminar. O presidente da FPF se escudou num direito que não lhe foi facultado, e a nenhuma entidade do futebol brasileiro, para impor suas ideias, seu pensamento malicioso. Com um sarcasmo doentio concedeu entrevista ao PODER, tripudiando sobre profissionais que sempre trabalharam em prol do engrandecimento do futebol pernambucano.

O conceituado jornalista, e imortal, Ângelo Castelo Branco, publicou, recentemente, artigo intitulado: O mundo mudou e afetou os jornais. Embora o post estivesse direcionado para a realidade do jornalismo impresso, nos leva a uma reflexão sobre a metamorfose em curso no rádio brasileiro.

"O advento do mundo digital e, das tecnologias de informação instantânea disponibilizadas pelas redes sociais, afetaram drasticamente o modelo secular do jornalismo.

A fuga da propaganda para o mundo digital causou danos econômicos irreparáveis nas empresas jornalísticas e, também no segmento das agências de publicidade. A tecnologia digital substituiu o papel e mudou o conceito no processo de oferta da informação...", observa Ângelo Castelo Branco.

O questionamento sobre a isenção de pagamento de taxas de rádio e jornal na transmissão de jogos vem do século passado. A FIFA cobra de todos os veículos de comunicação para transmissão dos jogos dos Mundiais. As confederações continentais também passaram a cobrar espaços e direitos de transmissão nas competições promovidas por elas.

O futebol brasileiro se propagou, e fortaleceu, através das ondas do rádio. Isto é fato. Em contrapartida, as empresas de comunicação tinham a disposição, um produto para aquecer seu departamento comercial. Um produto cuja procura era maior que a oferta: o futebol.

Mas o mundo mudou. O rádio AM nem existe mais. O espaço físico, reservado no estádio para abrigar a imprensa esportiva, com a enxurrada de rádios FM e Comunitária, mais recentemente com os canais na web se tornou diminuto. O fechamento de portas e aberturas de janelas têm dificultado os ajustes, criado interrogações sobre direitos e deveres.

A única coisa que o tempo não muda são as marcas registradas no caráter de cada um. Se você nasceu com o veneno do escorpião, nunca terá a ternura da borboleta, pelo contrário, aproveitará de situações de vulnerabilidade para destilar seu veneno.  

O futebol pernambucano se apequenou na última década. Não há como contestar tal fato. Mas isto não é efeito do trabalho da mídia esportiva. É a resposta a má gestão observada nos clubes e na Federação.

Sabemos que "não há tempo que volte", mas o passado recente provoca uma saudade danada.

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Campeonato Pernambucano
Como no ano passado
postado em 15 de janeiro de 2024

CLAUDEMIR GOMES

 

A primeira rodada do Pernambucano 2024 nos deixou com a sensação de que o ano velho não acabou. Mais ainda: que o processo de deterioração do futebol pernambucano segue a passos largos. O notável, Jackson do Pandeiro, tem uma composição que serve como hino para esta competição mequetrefe: Cantiga de Perua.

"É de pior a pior, é de pior a pior

A cantiga da perua é uma só..."

O prezado leitor pode até contestar, e apresentar os números da rodada de abertura do Estadual como um forte argumento. Afinal, em cinco jogos foram marcados 14 gols, com uma média de 2,8 por partida. Pode destacar a goleada do Central - 4x1 - sobre o Afogados, como uma mutação da Patativa em Fênix; e mostrar que o Retrô, ao passar, de passagem, pelo Porto - 4x0 - se credencia a brigar pelo título mais uma vez.

Tais pinceladas não mudam o cenário devastador. Todas as vitórias foram de mandantes. Na tabela, o único visitante era o Sport, mas na prática, os leoninos foram mandantes, uma vez que, a partida com o Petrolina foi disputada na Arena Pernambuco, que é a segunda casa do rubro-negro recifense.

O destaque fica por conta do apoio inconteste, dado pelas torcidas do Santa Cruz, e do Náutico, aos seus respectivos times. Por incrível que pareça, paradoxalmente, os torcedores tricolores e alvirrubros foram maltratados no Arruda, e nos Aflitos. Uma falta de respeito imperdoável, inconcebível, que ressalta a incapacidade e incompetência dos gestores dos dois clubes.

Um jeito de fazer futebol que explica o apequenamento dos dois clubes que, no século passado, eram vistos como "gigantes" no futebol nordestino.

O modelo do futebol brasileiro é excludente. Clubes pequenos, periféricos, vivem na iminência de serem excluídos de um cenário onde não há espaço para eles. E para preencher os espaços vazios, os que eram chamados de "grandes", se apequenam ao ponto de perderam a identidade de formadores.

Inconcebível as atitudes de Santa Cruz, Náutico e Sport em relação a contratação de jogadores. E o trabalho de base, de formação de jogadores?

Pernambuco foi representado por quatro clubes na cobiçada Copinha, competição sub-20 que reúne clubes de todos os estados brasileiros, em São Paulo. Nenhuma das equipes conseguiu passar da segunda fase.

É notório que, o grande entrave ao crescimento do futebol pernambucano é o fato de termos amadores comandando profissionais. Trocando em miúdos, quero dizer que, no nosso futebol, todos são profissionais, menos os dirigentes. A falta de conhecimento dos gestores, numa matéria que exige reciclagem e qualificação permanentes, levou nossos clubes a uma estagnação corrosiva.

O pontapé inicial do Estadual foi desanimador. O torcedor segue gostando de futebol, tal realidade ficou bem clara nos exemplos dados por tricolores e alvirrubros. Vamos aguardar a Copa do Nordeste, que este ano teremos apenas Sport e Náutico representando o outrora temido, e respeitado, futebol pernambucano.

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Copa do Nordeste
UM JOGO SURREAL
postado em 07 de janeiro de 2024

CLAUDEMIR GOMES

 

SURREAL!

Eis a melhor definição encontrada para sintetizar a história do que foi o confronto entre o Altos, do Piauí, e o Santa Cruz, válido pela repescagem para a edição 2024 da Copa do Nordeste, que culminou com a eliminação do Tricolor do Arruda numa decisão por pênaltis, onde foram batidos 22 tiros livres diretos. O resultado de 11x10 levou o Jacaré a manter o tabu de nunca ter perdido um jogo para a Cobra Coral, na condição de mandante, em Teresina. No tempo normal a partida terminou empatada em 2x2.

Surreal é uma expressão bastante em voga, nos dias de hoje. Foi justamente ela que me veio em mente, quando o narrador do jogo revelou que, os vinte e dois jogadores escalados pelo Santa Cruz, e pelo Altos, estavam estreando nos seus novos clubes. Confesso que, em se tratando de clubes profissionais, estando o Tricolor do Arruda se preparando para comemorar os seus 110 anos de fundação no próximo dia 3 de fevereiro, nunca vi nada parecido: promover a estreia de um time inteiro.

A Associação Atlética de Altos tem 10 anos de fundação, mas nada justifica, além de um trabalho desastroso que vinha sendo feito no clube, a promoção da estreia de 11 jogadores - foram contratados mais de 20 - no primeiro jogo oficial da temporada.

Bom! Com 22 estreias em campo, passei a acompanhar o jogo certo de que, Santa Cruz e Altos estavam reinventando o futebol. Evoquei até a música Ivan Lins para servir como pano de fundo: Começar de novo!

A distância do Estádio Municipal Lindolfo Monteiro, local onde foi realizado o histórico confronto, para o Aeroporto Senador Petrônio Portella, é de 2 quilômetros. Mas os novos jogadores do Santa Cruz e do Altos não atentaram para o fato de que, este era o sinal mais evidente de que, alí, naquele campo de futebol, "o perigo vem do alto". Resultado: os 4 gols marcados no tempo normal do jogo, foram de cabeça.

Como estamos falando de um jogo de futebol surreal, o sobrenatural tem que fazer parte do contexto. Não foi por acaso que, todos os gols, foram oriundos de jogadas aéreas, e marcados na mesma barra. Ninguém vai me convencer de que, naquela maldita barra, não tem uma cabeça de burro enterrada.

A abertura da temporada da Copa do Nordeste não poderia ter sido em pior estilo: clubes promovendo a estreia de 22 jogadores; conjuntos sem a menor harmonia; campo ruim... com um 2x2 estampado no placar, as duas torcidas começaram a rezar por uma decisão por pênaltis. Não imaginavam que, emoção pra valer pode ser transformado em sofrimento sem fim.

Se os 90 minutos normais do jogo foram marcados por uma enxurrada de erros, cometidos pelas duas equipes, nas cobranças dos tiros livres diretos, a turma acertou o pé. Os dois times passaram pela primeira sequência - cinco pênaltis - com um aproveitamento de cem por cento. Vale lembrar que os pênaltis foram batidos na barra onde tem a cabeça de burro enterrada.

Santa Cruz e Altos desperdiçaram a nona cobrança. Gente! Isto é coisa do sobrenatural. Só não me perguntem: de quem?

Os heroicos torcedores tricolores, que encararam uma viagem de mais de mil quilômetros, para testemunharem, in loco, a primeira apresentação do Santinha na temporada, já não conseguiam segurar as lágrimas. O que começou como emoção, terminou como sofrimento. A décima-segunda cobrança do time pernambucano, o goleiro do Altos defendeu.

Não vi futebol que merecesse uma análise. Os times não tiveram tempo hábil para se prepararem para uma competição de um esporte coletivo. Este é mais um dos castigos impostos por um calendário desastroso, que pode ser visto e tratado como o holocausto do futebol brasileiro.

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Artigos
Acabou o ócio!
postado em 02 de janeiro de 2024

CLAUDEMIR GOMES

 

Acordo, no segundo dia do ano 2024, depois de Cristo, com a sensação de que estava escutando o trilar de vários apitos. Sons ensurdecedores anunciando que as fábricas reiniciaram suas produções; o comércio reabre suas portas; o futebol brasileiro é brindado com a primeira competição da temporada; que estamos em ano de olimpíadas; que o carnaval já está na porta; enfim, que teremos uma maratona de 364 dias (um já se foi), em alta rotação.

O primeiro de janeiro é tido como Dia Internacional da Paz. Particularmente o vejo como o dia do ócio. A sensação é de que, o mundo inteiro se entregou a mais preguiçosa das madornas. Embalados por sonhos, promessas e juramentos, mergulhamos em devaneios. Quando estamos vivenciando o ócio, damos asas a liberdade porque nele não existe fronteiras. No nosso imaginário vivemos até as vidas que não foram vividas. Mas o voo deste tapeta mágico acontece apenas nas primeiras 24 horas do ano, diferentemente, daquele das Mil e Uma Noites.

Acorda aruá!

Quando era possível usar a expressão, sem melindrar ninguém, era comum se ouvir: "Vamos trabalhar que hoje é dia de branco!". Do alto de sua irreverência Pedro Luís - Pedrão - retrucava: "Ôxe! De preto também".

É isso aí amigo: o primeiro texto do ano permite tergiversadas.

Ainda estou embriagado com tanta beleza produzida pelas luzes distribuídas pela cidade. O réveillon bombou! Aliás, a sensação, por tudo que nos foi mostrado pela televisão, é de que o nosso País está mais alegre. Foram dias sem perrengues: só love. Acho até que, em breve teremos o concurso para ver qual a melhor festa de réveillon promovida pelos Estados. Você poderá fazer suas apostas pelas bets. Afinal, estamos no País das apostas.

Festa de réveillon é bom porque pode tudo, como cantava o Tim Maia. E agora com a liberação de que também pode homem com homem, e mulher com mulher. Depois que aquele outro ficou cantando para o Rei Roberto Carlos - "Me lambe, me lambe..." - a lambedeira foi geral em Fortaleza, Recife, Salvador, Rio de Janeiro, onde aconteceu uma grande festa, a turma se danou a lamber.

É um show!

Mas hoje começa o verdadeiro show da vida. Nos primeiros telejornais já constatamos que, vem por aí, um pacotão de aumentos nos tributos. Dizem que a coisa vem pesada, em ritmo de frevo que o povão gosta.

Não sei onde vamos parar! Reclama o Zé Ninguém - é assim que nós, simples mortais somos vistos - ao constatar, na prática, que o aumento de R$ 100,00 no salário mínimo foi devorado antes de entrar no seu bolso.

Tenha calma seu Zé!

O Big Brother 24 vai começar daqui a pouco para a alegria geral de milhões de Macunaímas. Você separa uns centavos, faz suas apostas, e fica se deleitando com a vagabundagem da turma. Este ano promete: vai ter mais lambe, lambe; fofocas e aulas de maldade. É disso que o povo gosta.

Arrocha! Bota fogo na fogueira Tadeu.

A turma da resenha matinal da Padaria Diplomata já lançou o desafio: quem sobe este ano? Calma! Primeiro as primeiras coisas: quem será o campeão pernambucano?

O cenário não é animador.

"Os jogadores estão chegando de carrada", revelou o porteiro de um dos grandes clubes do Recife. O experiente, Alfredo Augusto Martinelli, lembra que, "foi-se o tempo que os treinadores trabalhavam com um elenco de 28 a 30 profissionais". Verdade! Mas nossos %u201Cgrandes clubes%u201D já contrataram mais de 20 candidatos a jogador.

Vejamos o que vai sobrar no balaio.

     

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