Histórico
Brasileiro Série B
Vão me levando
postado em 31 de outubro de 2023

CLAUDEMIR GOMES

 

A quatro rodadas do final, e com seis clubes disputando três vagas de acesso, visto que, o Vitória/BA, teoricamente, com 65 pontos, já carimbou o seu passaporte para a Série A, a reta final do Brasileiro da Série B ganha contornos dramáticos. Agora, como costumava dizer o mestre, Adonias de Moura, "é calcinha de veludo, ou bundinha de fora".

"Vejamos quem tem garrafa pra vender!", brada o espetacular, Bartolomeu Fernando, um dos melhores narradores da atualidade, do rádio esportivo pernambucano. O site, Chance de Gol, cujos estudos de probabilidades sempre apresentam expressiva margem de acerto, credita ao Sport um percentual de 75% de chances, para conquistar o sonhado acesso.

Com 59 pontos ganhos, o rubro-negro pernambucano, que nas últimas rodadas, se beneficiou da combinação de resultados, para se manter na vice-liderança da competição, tem dois jogos a cumprir como mandante, e dois como visitante. A matemática do sucesso indica que, com 65 pontos se tem acesso a elite nacional.

A linha que separa o céu do inferno, nesta equilibrada edição da Série B, é tão tênue, que, apesar dos números expressivos, ninguém arrisca cravar o SIM, ou o NÃO, puro e simplesmente. É que o comportamento dos times dentro das quatro linhas, não inspira confiança.

Na Ilha do Retiro, os jogadores do Sport cantam a marchinha carnavalesca, de autoria de Dosinho: "Vão me levando", sucesso nacional no século passado. Isto porque, mesmo perdendo, ou empatando, algumas partidas, os comandados de Enderson Moreira se mantiveram imexíveis na posição, na tabela de classificação, em virtude dos tropeços dos concorrentes.

O mês de novembro chega com prenúncios de sonhos e pesadelos para várias torcidas. Quem tiver competência, evidentemente que, irá colorir a chegada do verão. Por outro lado, quem não tiver fôlego nos cem metros finais, ficará a ver navios.

A esta altura dos acontecimentos, ninguém tem mais cartas na manga para apresentar como surpresa. O mote será o mesmo utilizado por todos os treinadores envolvidos nestes jogos decisivos: superação. Experiência, juventude, harmonia de conjunto, condicionamento físico, identificação com proposta de jogo e talento individual. Qualquer um dos quesitos pode funcionar como ponto de desequilíbrio, entretanto, o que irá mover o fiel da balança é a entrega do time.

Ansiedade, tensão e nervosismo são inevitáveis em qualquer decisão. Sendo assim, nestas últimas quatro rodadas que acontecerão no mês de novembro, veremos quem faz acontecer, ou quem irá a campo a espera do milagre.

A partir de agora não vale mais cantar:

"Eu não vou, vão me levando

Vão me empurrando

Desse jeito eu tenho que ir,

Se bato em um, se piso em outro,

Vocês vão me desculpando

Eu não vou, vão me levando".

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Artigos
Os sons da guerra
postado em 10 de outubro de 2023

CLAUDEMIR GOMES

 

Ensurdecedor e torturante este barulho da guerra. A guerra que, sem pedir licença, a qualquer hora, do dia, ou da noite, invade nossas casas, nos tira o sono e nos enche de medo. Sinais dos tempos. É a força da comunicação num mundo sem barreiras.

Antes, tudo parecia coisa de cinema, do imaginário. Afinal, foi a indústria cinematográfica que, a sua maneira, nos repassou os horrores da Primeira, e da Segunda Guerra Mundial. Criou seus heróis, nem sempre condizente com as verdades repassadas pelos livros de história.

As notícias da guerra chegavam através do rádio e dos jornais. Privilégio para quem tinha acesso aos meios de comunicação de massa. Os horrores da guerra nos foram repassados até em forma de poema. Poesia de protesto, evidentemente. Em 1946, Vinícius de Moraes, fez o poema:  A Rosa de Hiroshima. Os versos foram musicados em 1973, tendo sido um dos grandes sucessos do grupo Secos e Molhados.

Nos anos 60, mais precisamente em 1967, o conjunto, Os Incríveis, fez o maior sucesso com a versão de: Era um garoto, que como eu, amava os Beatles e os Rolling Stones. Os jovens da época, enchiam os salões de dança fazendo coreografia como se estivessem atirando com uma metralhadora. A falta de informação, e conhecimento dos fatos dos conflitos no Vietnam, fez com que, o protesto existente na letra da música italiana, passasse despercebido.

A informação era pouca, mas a indignação com os horrores da guerra era grande. Quem assistia o Repórter Esso, ou tinha acesso aos jornais, ficava consternado com o que estava acontecendo do outro lado do mundo.

A comunicação evoluiu e o mundo mudou. Conceitos foram revistos; quebras de paradigmas provocaram mudanças de hábitos e o planeta ficou minado. Guerras e conflitos estouram de forma orquestrada e contínua. Detalhe: não observamos indignação nas pessoas. A lamentação é passageira, mas o grande volume de informações, imagens em tempo real e tudo o mais, torna os horrores dos conflitos, uma coisa banal.

O Século XXI tem nos mostrado que a guerra é um produto exposto no mundo todo. Ela é apresentada no grosso, e no varejo. Em grosso são os grandes conflitos como este, da ordem do dia, entre os terroristas do Hamas e Israel, onde morrem dezenas, centenas e milhares de pessoas. No varejo é a guerra urbana existente nas grandes cidades, tomadas por traficantes e milicianos, onde se mata no varejo.

Foi-se o tempo em que a arte imitava a vida com os Canhões de Navarone; Rambo; Braddock; 1917; A hora mais escura; Esquecido em Belfast; Dunkirk... Agora, a vida está copiando a arte. Temos guerra na nossa sala 24h por dia.

Fecho os olhos e viajo no tempo. Logo me vem na lembrança a imagem dos grupos de jovens, dançando, bebendo e cantando: "Era um garoto que como eu, amava os Beatles e os Rolling Stones... tatá, tata, tá... tatá, tata, tá...".

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Brasileiro Série B
Empate com gosto de vitória
postado em 10 de outubro de 2023

CLAUDEMIR GOMES

 

O confronto entre Sport e Ponte Preta fechou a trigésima-primeira rodada do Brasileiro da Série B.  Por ter sido programado para a Ilha do Retiro, a torcida do rubro-negro pernambucano chegou a pensar que, a vitória já estava na conta do time da casa, antes mesmo de a bola rolar. Afinal, a matemática do acesso reza que, o sucesso está na soma de todos os pontos que se disputa como mandante.

Mas como diziam os velhos bruxos das arquibancadas: "Futebol é uma caixinha de surpresas". Verdade. Surpreendentemente, a Ponte Preta marcou três gols no curto espaço de nove minutos, obrigando os leoninos a sentirem o gosto amargo de fel.

A explicação do vexame temporário estava na dinâmica do jogo. Enquanto a Ponte Preta, bem posicionada no seu esquema de jogo defensivo, contra-atacava em alta velocidade, o Sport atacava num ritmo de quem joga xadrez. Atônitos, após sofrerem o primeiro gol, os leoninos ficaram de boca aberta, esperando a morte chegar. E sofreram mais dois gols rapidamente.

O técnico Enderson Moreira foi rápido no pensamento, e na ação. Buscou um fato novo para evitar a avacalhação da guerra, que parecia em curso. Encontrou a saída no protagonismo do ídolo, Diego Souza, que foi acionado, ainda no primeiro tempo. Diego não marcou nenhum gol, mas por tudo que representou sua presença dentro das quatro linhas, foi apontado como o Messias.

O gol de Vagner Love, ainda no primeiro tempo, diminuindo a vantagem do adversário, reanimou a torcida, que passou a acreditar numa mudança de cenário.

O Sport aumentou a rotação na etapa final da partida, chegou ao empate - 3x3 - que pela contextualização da partida, teve sabor de mel. Afinal, manteve o time isolado na vice-liderança da competição. Diego Souza deixou o campo cobrando mais empenho dos seus companheiros. Segundo ele, "com um pouco mais de aplicação, nos minutos finais, teriamos alcançado à vitória".

Ao observar os resultados da rodada, o torcedor fica com a impressão de que, nesta edição da Série B, os clubes não andam com as próprias pernas. Eles vão sendo empurrados pelos tropeços dos outros. O equilíbrio, estabelecido na disputa pelas quatro vagas de acesso, fará com que as equipes sigam empacotadas até a última rodada.

Eis a razão pela qual a conquista de um ponto, no confronto com a Ponte Preta, foi vital para as pretensões do Sport. O próximo jogo dos Leões será com o Juventude, na próxima segunda-feira. O time comandado por Enderson Moreira não tem bom retrospecto como visitante, mas o futebol é uma caixinha de surpresa, como asseguravam os velhos bruxos.

O mestre, Paulo Coelho, no seu título - O Alquimista - que vendeu mais de 65 milhões de cópias, observa que é preciso estar atento aos sinais.

Sendo assim, esperamos que o técnico Enderson Moreira tenha observado que, o protagonismo de Diego Souza é o ponto de desequilíbrio que pode levar o fiel da balança, a pender, para o lado do Sport.

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Brasileiro Série B
Os oito passos finais
postado em 02 de outubro de 2023

CLAUDEMIR GOMES

 

A oito rodadas do final do Brasileiro da Série B, cada ponto contabilizado, ou que deixou de ser somado, pode representar uma sentença para os clubes que brigam pelo acesso, ou lutam contra o descenso. A contagem regressiva tem como pontos de desequilíbrio, os confrontos diretos e o mando de campo.

A 30ª rodada, concluída neste domingo, teve apenas uma partida com vitória do visitante - Ceará 0x1 Atlético/GO - resultado que deu uma sobrevida ao time goiano, na luta pelo acesso, e frustrou qualquer reação do alvinegro cearense. A combinação dos resultados, basicamente, adiou o sonho de acesso de Criciúma, CRB e Vila Nova.

Segundo o site - CHANCE DE GOL - que estuda as probabilidades dos clubes em vários cenários, o Vitória, que segue na liderança isolada da competição, tem 84,2% de chances para consolidar o acesso à Série A. O Sport, que contabilizou um ponto no empate - 2x2 - com o Avaí, passou a ter 82,6% de chances de ser promovido para a elite do futebol nacional.

O rubro-negro pernambucano, nas oito partidas que lhes restam, fará quatro apresentações como mandante, recebendo na Ilha do Retiro, pela ordem: Ponte Preta; Chapecoense; Atlético/GO e Sampaio Corrêa. Na condição de visitante medirá forças com: Juventude, Ceará, Mirassol e Vitória.

A cada rodada desta edição da Série B, cujo empacotamento das equipes que aparecem na parte da cima da tabela, estabelece um equilíbrio de forças acima dos padrões apresentados em edições anteriores, fica mais evidente que, entre a probabilidade e a realidade, existe um espaço imensurável, fato que torna imprevisível o destino das equipes. Na equação da sobrevivência, só a soma interessa.

As chances de reação são inversamente proporcionais ao avanço da disputa, ou seja, quanto mais próximo o final da competição, menos possibilidade o time tem de reagir. Pelo desempenho apresentado até a trigésima rodada, o Sport tem, como receita de sucesso, a obrigação de contabilizar os 12 pontos que disputará na Ilha do Retiro. Naturalmente que futebol não é uma ciência exata, contudo, este nos parece ser o único caminho que levará o rubro-negro pernambucano à glória.

O futebol está cheio de donos da verdade. Nas redes sociais são formados verdadeiros exércitos de "doutores sabe tudo". É impossível dar ouvidos a todos os comentários. As palavras ganham força através de quem as proferem. Os novos analistas não se detêm aos fatos. A maioria fala no pressuposto, razão pela qual tem muita gente queimando a língua por conta de análises equivocadas.

No atual cenário, para não se perder em discussão sobre o sexo dos anjos, o mais sensato é seguir o norte dos números. Hoje, o clube que alcançar à soma de 65 pontos, terá 50% de chances de festejar o acesso. Uma equipe com 68 pontos terá 95% de probabilidade de passar para a Série A.

Simplificando: o acesso do Sport passa por quatro vitórias e dois empates, nos oito jogos restantes, coisa bastante factível por não extrapolar seu percentual de aproveitamento, que é de 60% ao longo da competição.

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