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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
Pra começo de conversa, uma agremiação socio esportiva, que tem o codinome de "CLUBE DAS MULTIDÃES", não pode abdicar de um regime de governo republicano, em detrimento de uma tirania. Sendo assim, as Repúblicas Independentes do Arruda, tem muito o que comemorar com a renúncia do presidente executivo do Santa Cruz, Antônio Luiz Neto.
Milhares de tricolores receberam a notÃcia com surpresa, contudo, outro tanto de torcedores, a acatou como sendo a crônica de uma morte anunciada.
O ex-presidente do Clube do Arruda, um polÃtico de carreira, trocou os pés pelas mãos, na sua segunda passagem pelo poder executivo, e acabou manchando sua própria biografia, até então, escrita com letras garrafais, na rica história do Santa Cruz, um clube cuja dimensão exige a harmonia entre os três poderes: Executivo, Deliberativo e Patrimonial.
Acredito que, o ex-presidente, Antônio Luiz Neto, equivocadamente, se mirou no exemplo republicano, onde um poder invade o espaço do outro, desrespeita a constituição, e dita normas tal qual se percebe nas grandes tiranias.
Em - Como uma Onda - o grande Lulu Santos nos adverte: "Nada do que foi será; De novo do jeito que já foi um dia; Tudo passa, tudo sempre passará...".
Pois é! A vida vem em ondas. E não existem ondas uniformes, previsÃveis, principalmente no futebol, onde a dinâmica impõe, a quem deseja ser um gestor de sucesso, uma adequação ao novo tempo.
Ninguém, ninguém mesmo, pode se autoproclamar de dono, e chamar o "CLUBE DAS MULTIDÃES" de meu. O famoso - "Pode tudo!" - só pega bem na música do Tim Maia. Nas Repúblicas Independentes do Arruda o que tem passe livre é um trabalho coletivo visando o bem comum.
Quem conhece um pouco da história do clube, observou que, os maiores fluxos de crescimento aconteceram quando os três poderes caminharam juntos, de forma harmoniosa.
Os bastidores nos revelavam que, o grupo capitaneado pelo ex-presidente, Antônio Luiz Neto, minou a gestão do seu antecessor, Joaquim Bezerra, cujo projeto era fraco, não tinha consistência, nem força para soerguer o "gigante" Santa Cruz.
E assim a Lei de Murphy foi aplicada no Arruda: "Se uma coisa está ruim, pode piorar". Piorou. E apesar da saÃda daquele que, para muitos era o grande entrave para o soerguimento do clube, o cenário não é nada animador.
Sejamos pragmáticos como a situação exige. O romantismo que nos embevece deixa para a literatura. Voltamos a lembrar o Lulu Santos: "Nada do que foi será...".
Até o momento, e isso vem desde que o Santa Cruz encerrou sua participação na Série D do Campeonato Brasileiro, nada de concreto, e confiável, foi apresentado, por nenhum grupo, no sentido de recolocar o clube no caminho do crescimento. As picuinhas invadiram, e tomaram conta, dos bastidores. Todos falam em SAF, mas os verdadeiros "donos" do Santa Cruz, os sócios e torcedores, não são informados de nada.
As eleições para escolha dos novos presidentes - Executivo, Deliberativo e Patrimonial - devem ser antecipadas.
Vamos aguarda a fumaça branca nas chaminés do Mundão do Arruda para ouvir o brado do povão: "Temos Presidente!".
E que ele venha consciente de que não pode chamar o clube de "MEU".
CLAUDEMIR GOMES
Gosto de futebol!
Milhões de brasileiros gostam de futebol. Um dos sonhos, de nove entre dez garotos do nosso PaÃs, é ser jogador de futebol. Vivemos na "Pátria de Chuteiras", como bem falou o mestre, Nelson Rodrigues.
Não é à toa que o futebol é considerado o esporte mais popular do planeta. Dizem que ele explica o Brasil; explica o mundo, e até mesmo a própria vida. Bom! Isto é mote para reflexões dos seguidores das teorias do mestre, Freud. Como não passo de um escriba enxerido, vou por pra fora, aquilo que está enchendo o meu saco.
O fato de nunca ter tido intimidade com a bola, no máximo fui candidato a beque de usina, daqueles que davam chutões na bola, pra onde o nariz estivesse apontando, não arrefeceu, em momento algum, minha paixão pelo futebol. Até porque tive o privilégio, de ver centenas de craques em ação. Virtuosos que, hoje em dia, já não se "fabrica" mais.
O mundo está interligado, e isto nos oportuniza ver jogos de tudo quanto é canto. Imagine que, a televisão colocou na sua grade, até o Campeonato Saudita. Sinais dos tempos. Antes, a turma de lá, gostava de ver os craques que coloriam os campos de cá. Hoje, rezamos para que a turma de cá se eduque com os profissionais de lá.
Pois é! O excesso de malandragem do jogador brasileiro, a má educação, que atingiu um patamar altÃssimo, está tirando a graça do jogo jogado no PaÃs da Bola. Anexe a este contexto, a morosidade do VAR, que prejudica toda a dinâmica da partida, com interrupções que duram até oito, nove minutos, para definir um impedimento provocado por um "cabelinho de sapo".
Você deixa a sala, vai no sanitário, faz todas as necessidades, e quando volta a equipe do VAR ainda está discutindo o sexo dos anjos. Acho que o problema está nas cores das linhas: vermelho e azul. Não podemos esquecer que o Brasil está rasgado no meio. De um lado a turma do cordão encarnado, do outro, a galera do cordão azul. As cores não podem se misturar. E quem disser que uma, ou outra, está errada, terá a cabeça posta a prêmio. O tira teima do VAR segue esta linha.
A irreverência, o deboche, coisas desse tipo, que antes eram expressas na ginga do jogo, deixou o campo para dar lugar a simulação, a fakes grosseiros emoldurados por um gestual bizarro. O que antes era posto na latrina, onde se praticava o melhor futebol do mundo, virou marca registrada da pátria das mentiras.
Minha mulher, Ãurea Regina, é noveleira de carteirinha. Ultimamente ela tem dado audiência a seção: Vale a Perna ver de Novo. Ela faz um comparativo entre o antes e o agora. Tece crÃticas aos autores atuais, mas não deixa de assistir nenhum dos tÃtulos ora em exibição.
Acho que estou assimilando um pouco do jeito de ser de Ãurea Regina. Assisto a um montão de jogos de times e seleções europeias. Também vejo um punhado de jogos, de várias competições brasileiras. A diferença entre o comportamento dos profissionais de lá, e dos profissionais de cá, é gritante. Resumo da ópera: o jogador brasileiro precisa se educar.
Afinal, a má educação atravanca a evolução.
CLAUDEMIR GOMES
Com o fechamento da vigésima-sexta rodada, observamos que, o empacotamento dos clubes, no Brasileiro da Série B, está consolidado. Fato que desperta a atenção do público para a competição. à importante diferenciar nÃvel técnico de competitividade. O nivelamento observado nesta edição da Segundona Nacional, não pode ser atribuÃdo a um bom nÃvel técnico. à produto único da competitividade expressa pelas equipes.
O Sport está há cinco rodadas sem saborear uma vitória, entretanto, tal oscilação não desbancou o time da expressiva condição de vice-lÃder. O Vitória não vence há três jogos, e na sua última apresentação foi goleado - 6x0 - pelo CRB, que, neste returno, vem descrevendo uma das campanhas mais vitoriosas. Apesar do hiato, o rubro-negro baiano segue como lÃder isolado.
As reações apresentadas por Atlético de Goiás, e CRB, nas últimas cinco rodadas, onde ambos os times contabilizaram 13 dos 15 pontos disputados, lhes colocam na condição de protagonistas na briga pelo acesso, visto que, ambos estão, respectivamente, a um e a quatro pontos do Novo Horizontino, que, no momento, ocupa a quarta posição do G4.
O notório empacotamento da Série B, que leva nove clubes a sonharem com o céu, faz com que, o sucesso seja separado do insucesso por uma linha muito tênue. Tal fato foi observado no confronto do Novo Horizontino com o AvaÃ, que fechou a última rodada. Uma vitória levaria o clube paulista a vice-liderança, entretanto, como perdeu um jogo onde era tido como favorito, permaneceu na quarta posição, na tabela de classificação, com 45 pontos. Mesma pontuação de Vila Nova e Criciúma, seus seguidores mais próximos.
O empate do Sport (3x3), com o Criciúma, na Ilha do Retiro, provocou muitos ruÃdos na comunicação do clube leonino. Tudo começou com a falta de habilidade da diretoria de futebol, e a falta de agilidade do departamento de comunicação do clube, na divulgação equivocada sobre a participação, ou não, do jogador, Diego Souza, na partida.
No final do encontro, o técnico, Enderson Moreira, deu um chá de espera de uma hora e meia, nos repórteres que lhes aguardavam para a coletiva de imprensa, e destilou toda sua insegurança, com o momento que atravessa o time leonino, no veneno que cuspiu na mÃdia, a quem, de forma generalizada, fez acusações injustas. Na segunda-feira, primeiro dia útil da semana, quando era esperado um clima mais ameno, foi a vez dos jogadores. Capitaneados por Vágner Love, tentaram adoçar a limonada, mas sem habilidade no trato com as palavras, fizeram o ponche amargar que nem fel.
De desabafo de Love se pinça a infeliz citação: "Quem não quiser apoiar fique em casa". Lamentável.
Primeiro que o torcedor do Sport é de uma fidelidade incontestável. Segundo: a exemplo de todos os outros torcedores existentes no mundo inteiro, o amante do Leão da Ilha do Retiro é movido pela emoção. Alguma reação de descontentamento, expressa ao final do doloroso resultado (3x3) do confronto com o Criciúma, é fruto da paixão. O torcedor se sente traÃdo ao ter seus sonhos frustrados. Isto faz parte da liturgia do futebol, o esporte que mais mexe com a emoção dos humanos.
Não é fácil para um torcedor observar, e achar que está tudo normal, a queda de rendimento da equipe, num momento de definições, quando começa a contagem regressiva para o encerramento do campeonato. Afinal, nos últimos cinco jogos, o Sport sofreu 9 gols, uma média de 1,8 gol por partida. Nas 22 rodadas anteriores, a equipe havia sofrido 17 gols, média de 0,77 por jogo.
Entendo que, alguns cronistas, gostam, de forma equivocada, de analisar os jogos falando no pressuposto. Ora, quem faz suposições é pai de santo ou futurólogo. Cronista tem de analisar os fatos. Mas é injusto generalizar toda a crônica esportiva pernambucana, taxando os profissionais de negacionistas.
Os próximos confrontos do Sport serão com o lanterna ABC, e o vice lanterna Londrina. Como bem coloca o jornalista, José Gustavo, são jogos que o torcedor coloca como vitórias na conta do Leão.
Que os jogadores se comportem como prometeram.
Até lá, esperamos que diminuam os ruÃdos na comunicação, do Clube da Ilha do Retiro.
CLAUDEMIR GOMES
O nÃvel técnico desta edição do Brasileiro da Série B é terrÃvel! Acredito ser o mais baixo, desde que a competição passou a ser disputada no atual modelo de pontos corridos. Tal fato explica o nivelamento que, no momento, expõe o vice-lÃder Sport, ao risco de cair para a sexta posição, na tabela de classificação, na próxima rodada. Por outro lado, o oitavo e nono colocados, respectivamente, Atlético Goianiense e CRB, que apresentaram as melhores performances nas cinco últimas rodadas, passaram a alimentar o sonho do acesso.
Respeito o pragmatismo dos números, mas sou aquele amante a moda antiga: prefiro as análises por desempenho.
Sabemos que, numa competição de tiro longo, como o Campeonato Brasileiro, composto de 38 rodadas, é impossÃvel os times não oscilarem. Portanto, o desafio é manter uma regularidade para prolongar os bons momentos, e se mostrar resiliente para superar a má fase.
O Sport fez um primeiro turno - jogos de ida - excelente. Acumulou uma gordura que lhe mantém no G4. Mas, seu desempenho no returno tem sido sofrÃvel: o rubro-negro pernambucano, dentre os clubes que almejam o acesso, é o que contabiliza os piores resultados. A mudança de comportamento do time dentro das quatro linhas lhe levou a gastar toda a reserva. Enquanto Vagner Love e companhia amargavam a subtração, de forma inversa, os concorrentes comemoravam as somas, e viram diminuir uma distância que era confortável para o time da Ilha do Retiro.
O jogo com o Criciúma, programado para sábado a noite, na Ilha do Retiro, é um autêntico divisor de águas para o time comandado pelo técnico, Enderson Moreira: a depender da combinação dos resultados, pode permanecer na condição de vice-lÃder, ou pode deixar o G4, descendo até a sexta posição.
Evidente que, tal pressão é vivenciada por todos aqueles que estão no privilegiado grupo de acesso, ou em condições de chegar a ele. Mas o caso do Sport se torna mais assustador, e dramático, por conta do baixo desempenho da equipe no returno.
O pragmatismo dos números reza que, devemos seguir o norte apresentado por eles. Portanto, para aqueles que consultam os sites que, estudam as probabilidades de cada um, é fundamental traçar um paralelo entre o que foi produzido no primeiro turno, e o que está sendo contabilizado no returno. Afinal, ainda não é chegada a hora de passar a régua e fechar a conta.
Estamos a doze rodadas do final da competição, e como esta edição da Série B, nos faz lembrar, um balaio de jaboticaba, onde todas as frutas são parecidas, a bola da vez pode ser definida na última rodada.
Nas últimas cinco rodadas o Atlético Goianiense apresentou o melhor desempenho dentre os 20 times que disputam a Série B: quatro vitórias e um empate. Neste mesmo perÃodo o Sport somou apenas uma vitória. O CRB, do técnico Daniel Paulista, contabilizou 11, dos 15 pontos disputados, passando a ser visto pelo retrovisor dos times que estão a sua frente, na disputa por uma vaga de acesso.
O baixo nÃvel técnico tornou a disputa angustiante para os torcedores dos vários clubes, que ao invés de vivenciarem emoção, vivenciam sofrimento.