Histórico
Futebol Pernambucano
Um corpo sem cabeça
postado em 28 de agosto de 2023

CLAUDEMIR GOMES

 

O futebol pernambucano chegou ao fundo do poço!

Eis a frase mais repetida, no final de semana, após a consolidação da fracassada campanha do Náutico, na Série C do Campeonato Brasileiro.

Bom! Deduzo que, o fundo do poço seja o fim do caminho. Santa Cruz, Retrô, Náutico e os clubes do Interior, que disputam a Primeira Divisão Estadual, estão em gozo de férias, a quatro meses do final da temporada.

É hora de reconstruir. Todos estão cientes desta realidade. Mas o sistema impede a tão sonhada, e desejada, metamorfose.

Defeito de formação é feito catinga de bosta: não acaba nunca.

O burgomestre, Rubem Moreira, que para muitos foi o maior presidente da história da Federação Pernambucana de Futebol, dentre os legados deixados, está o da cultura vitalícia no comando da entidade que rege o futebol pernambucano.

Com exceção de Dilson Cavalcante, cuja incompetência lhe rendeu uma passagem relâmpago pela presidência da FPF, todos os outros que se sentaram no trono, pós Rubão, pensaram a entidade como: "Coisa minha, pessoal e intransferível". É assim que reza a cartilha do insucesso.

Os irmãos Oliveira - Fred e Carlos Alberto - comandaram o futebol pernambucano por mais de duas décadas. Evandro Carvalho, atual presidente, foi levado para entidade por Fred Oliveira, na década de 80, do século passado, e através de um trágico acidente de percurso, a súbita morte de Carlos Alberto, em 2011, foi guindado ao cargo de presidente, status que lhe está assegurado até 2026.

Tomando por base a década de 80, do Século XX, observamos que pouca coisa mudou no futebol pernambucano: a mesma praça, o mesmo coreto, só mudam as bandas. Infelizmente, as trocas foram terríveis. As bandas atuais são desafinadas, os músicos não têm embocadura para tocas os instrumentos. Resultado: o público se afastou; os concertos de péssima qualidade desqualificaram o produto. Com tanta gente atravessando os acordes, o futebol pernambucano perdeu o rumo, tal qual a nossa Frevioca.

Mas a festa continua. Os votos das miseráveis Ligas, que se saciam com trinta dinheiros, asseguram o poder quase vitalício do burgomestre. Esse baixo clero, que tira e bota, colocou uma farda de general no sargento. A resultante foi se ter um péssimo general no comando, enquanto se perdeu um bom sargento.

O mundo é feito de comandantes e comandados. Nem todos têm a capacidade, o carisma e o entendimento que exige o cargo de comando. Mas se for eficiente como comandado, dará uma contribuição efetiva para o crescimento da máquina.

Passei minha infância em Carpina, e tal qual toda cidade do Interior, muitas são as estórias, Contos da Carochinha, que são contadas para a criançada. A da Mula sem Cabeça sempre me assustou. Mas tudo não passava de coisa do imaginário, que virava folclore.

Agora, em pleno Século XXI, me assusto ao constatar que o futebol pernambucano é um corpo sem cabeça.

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Brasileiro Série B
Equilíbrio e sofrimento
postado em 22 de agosto de 2023

CLAUDEMIR GOMES

 

Dois jogos abrem, nesta terça-feira, as disputas da vigésima quinta rodada do Brasileiro da Série B. Por coincidência, as equipes que, no momento, ocupam a quarta, a quinta e a sexta posição na tabela de classificação, respectivamente, Vila Nova, Criciúma e Juventude, estarão em ação, fato que pode provocar uma "mexida no tabuleiro", por conseguinte, uma mudança de posição de algumas peças.

A rodada será concluída na próxima segunda-feira. Até lá, torcedores de vários times estarão com as atenções voltadas para os resultados dos jogos, fazendo contas, e estudando as probabilidades de cada equipe, se levando em consideração vários fatores, principalmente a quantidade de jogos que cada uma delas fará na condição de mandante, e de visitante.

Diante do grande equilíbrio de forças, definido desde os primeiros confrontos, e consolidado ao longo da disputa, é possível afirmar que, oito equipes vivenciarão uma verdadeira via crucis, de treze paradas, na busca pelas quatro primeiras vagas na classificação final, posições que garantem o acesso, a Série A em 2024.

Uma rápida olhada na tabela de classificação, leva o torcedor a pensar que, os jogos desta vigésima quinta rodada, não são de caráter decisivo. Entretanto, ante o equilíbrio da disputa, tal pensamento é equivocado. É certo que ainda não chegamos ao ponto de abertura da contagem regressiva, mas a soma de pontos, já é uma questão de sobrevivência para os clubes que alimentam o sonho do acesso.

Com 45 pontos somados em 24 partidas, o Sport figura na segunda posição da tabela. Os leoninos, que têm um excelente aproveitamento como mandantes, até o final da disputa farão sete jogos na Ilha do Retiro, e sete partidas na condição de visitantes. Os cálculos da classificação estão sendo feitos com vinte vitórias. Neste cenário, o time da Ilha do Retiro precisa tirar nota 10 no dever de casa, ou seja, vencer todas as partidas que disputar no seu "caldeirão".

Vagner Love e companhia também farão sete jogos na condição de visitantes. Apesar da notória dificuldade de se sobrepor aos adversários em seus domínios, o Sport tem chances reais de obter sucesso em alguns jogos na casa dos adversários. Afinal, o futebol não é tão previsível assim, que se possa assegurar vitórias em todas as partidas na Ilha do Retiro, e nenhuma em outros Estados. A turma põe na conta, nas casas de apostas, mas quem define os resultados são os desempenhos dos times dentro das quatro linhas.

Há muito tempo que o artilheiro leonino - Vagner Love - não deixa sua assinatura nas redes adversárias. A expectativa da torcida rubro-negra é sobre quando ele desencantará novamente, e como o time irá reagir na ausência de Juba, que está se transferindo para o Bahia. Dois fatos que aproximam os torcedores do Leão de um ataque de nervos. Quem poderia atenuar a tensão ainda não deu o ar da graça: Diego Souza.

Coisa do futebol brasileiro!

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Acontece
Difícil percepção
postado em 14 de agosto de 2023

CLAUDEMIR GOMES

 

A emoção leva o ser humano a perda da percepção. Isto é muito comum no futebol, e serve para explicar alguns insucessos. Se enquadra perfeitamente no atual momento do Náutico. A queda do técnico, Fernando Marchiori, após a vexatória derrota - 4x2 - de virada, para o Paysandu, foi o atestado de uma morte anunciada, fato que estava tão iminente, dada a ocorrência dos fatos durante a semana, mas que os dirigentes alvirrubros não foram capazes de perceber.

Rei morto, rei posto!

A agilidade que faltou para apagar o incêndio, que deixou o Timbu chamuscado, no alçapão da Curuzu, sobrou no anúncio do novo treinador: Bruno Pivetti. O novo comandado teve passagens pelo Guarani e pela Chapecoense. Nada do que ele sabe, lhe será tão útil, nas próximas duas partidas do time da Rosa e Silva, quanto um punhado de sorte.

Em todas as explanações que assisti sobre case de sucesso no futebol, a frase - no futebol não existe sorte, e sim, trabalho e competência - foi ressaltada como um mantra. Contudo, na implantação de qualquer metodologia de trabalho, o fator tempo será imprescindível para se obter sucesso. Afinal, sabemos que, sucesso só vem antes de trabalho no dicionário. O trabalho a ser implantado por Pivetti pode vir a dar frutos no futuro. O presente pertence a sorte.

O saudoso, Napoleão Macedo, ex-diretor de futebol do Santa Cruz, costuma dizer que: "quando o time está para ser campeão, se sente o cheiro no vestuário!" Traduzindo: isto é a percepção de que as coisas estão encaixadas, que deu liga. Certa vez, perguntei a ele qual era o cheiro da derrota. Ele deu um grande gole na sua gigantesca dose de whisky, abriu um largo sorriso, e voltou a falar dos inúmeros, e agradáveis, momentos vivenciados por ele numa época em que o time do Arruda era o Terror do Nordeste.

Quando o futebol era menos profissional, e exigia uma presença mais efetiva dos dirigentes nos treinamentos, acompanhando, in loco, o trabalho de campo, a percepção dos gestores era mais aguçada. Os repórteres que cobriam o dia a dia dos clubes, tinham livre trânsito em todas as dependências, liberdade que lhes proporcionava a descoberta de obstruções que poderiam determinar o insucesso do trabalho.

Nos dias de hoje, a comunicação alcançou uma velocidade inimaginável, mas, em contrapartida, houve um bloqueio nas relações humanas devido a subtração dos espaços que eram concedidos aos profissionais das rádios, jornais e televisões. As equipes esportivas estão a funcionar como "assessorias" uma vez que, recebem materiais prontos das equipes de comunicação dos clubes.

A percepção aos fatos exige a presença física. A leitura do comportamento gestual, do grupo, e dos jogadores individualmente, só pode ser feita presencialmente. Eis a razão de tantos treinos fechados, sem a presença dos profissionais da imprensa esportiva.

O Cel. Adelson Wanderley, com passagem nos três grandes clubes pernambucanos, era um craque no trato com elencos de jogadores e comissões técnicas. Sabia logo quando o mexido não ia dar caldo. Com uma discrição que lhe era peculiar, o máximo que eu conseguia arrancar dele era uma metáfora: "Isso está mais para angu de caroço". Um mestre da percepção.

O repórter, Alfredo Augusto Martinelli, que brilhou nos maiores prefixos do rádio esportivo pernambucano, sempre anunciava suas participações nas resenhas esportivas, com o brado: "Eis-me aqui!".

Era a forma de dizer para os seus ouvintes que estava coladinho no fato.

Este tinha uma excelente percepção.

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Acontece
Difícil percepção
postado em 14 de agosto de 2023
Santa Cruz
Para lotar o Arruda
postado em 07 de agosto de 2023

CLAUDEMIR GOMES

 

SOMOS TODOS RETRÔ!

Este o lema a ser adotado pela imensa torcida do Santa Cruz, formando uma corrente de fé, em apoio irrestrito ao Retrô, para que o clube de Camaragibe consiga o almejado acesso a Série C do Campeonato Brasileiro, façanha que vai assegurar a presença do Tricolor do Arruda na edição 2024 da Série D.

Com uma campanha irretocável, o Retrô está classificado para as oitavas de final do Brasileiro da Série D, onde terá como adversário o Maranhão Atlético Clube. O projeto, SOMOS TODOS RETRÔ, idealizado pelo tricolor, Sílvio Costa, e abraçado pelos presidentes do Retrô, FPF e Santa Cruz, respectivamente, Laércio Guerra, Evandro Carvalho e Antônio Luís Neto, propõe que, os próximos jogos do representante pernambucano nas oitavas de final da competição nacional, sejam disputados no estádio do Arruda, com uma presença maciça da torcida do Santa Cruz.

"A ideia surgiu, e para nossa satisfação, foi abraçada por todos, sem nenhuma restrição. Na condição de tricolor, amante do Santa Cruz, entendo que, nossa corrente de apoio ao Retrô, para que ele consiga o acesso à Série C, tem que ir além do pensamento positivo. Vamos materializar isso, transformar em ação. No jogo do Retrô com o Maranhão, colocaremos 40 mil torcedores no Arruda. Não tenho dúvidas de que tal apoio fará a diferença", revela Sílvio Costa sem esconder sua empolgação.

O presidente da Federação, Evandro Carvalho, já conversou com o presidente do Santa Cruz, Antônio Luís Neto, e deve acertar todos os detalhes com o gestor do Retrô, Laércio Guerra, nesta segunda-feira.

"A torcida do Santa Cruz já foi protagonista de alguns episódios que mereceram destaque na mídia internacional. Agora, estamos diante de um novo desafio, e de um fato inusitado: encher o estádio para apoiar um outro time, um coirmão, pois o sucesso dele irá asfaltar o caminho para o soerguimento do Santinha%u201D, argumenta Costa ao ressaltar que, %u201Co compartilhamento e a massificação de tal pensamento tem que começar já".

A utilização das redes sociais é o primeiro passo a ser dado pelos torcedores do Santa Cruz, no sentido de conscientizar a todos da importância de se lotar o estádio do Arruda para apoiar no Retrô no confronto com o Maranhão.

"A imprensa esportiva pernambucana sempre vestiu a camisa dos nossos clubes. Estou convicto de que contaremos com o apoio irrestrito de todos os veículos de comunicação nesta cruzada do futebol pernambucano. Mas tudo deve começar já, através das redes sociais. Espero que, todo tricolor coloque no seu perfil, da forma mais criativa e convincente possível, o nosso lema: SOMOS TODOS RETRÔ!", finaliza Sílvio Costa.

Para conquistar o acesso a edição 2024 da Série C, o Retrô precisa se classificar nas oitavas e nas quartas de final da Série D, pois os quatro clubes que chegarem as semifinais, estarão com o acesso assegurado.

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