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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
O taxista Val é um tricolor fervoroso. Não perde um jogo do Santa Cruz no Arruda; arranja tempo para ir ver treino; acompanha as resenhas esportivas em diferentes rádios, enfim, se entrega ao seu clube do coração, de corpo e alma. Sempre que passo pelo local onde faz ponto, ele puxa conversa sobre o futebol. Adora revelar seus conhecimentos sobre o futebol local, brasileiro e internacional. Se enche de informação, e forma opinião sobre tudo.
Val é o tÃpico torcedor raiz, aquele que se alimenta do amor, mas saboreia o veneno da rivalidade. Hoje cedo, logo que me avistou bradou: "Acho que o Sport não passa para a Série A".
- Só Love pode lhe responder! Disse em tom de provocação, e fiquei no aguardo da reação.
"O jogo com o Vila Nova disse tudo. O cara, com 38 anos, a bola vem, bate nele, e entra. A sorte não vai durar até o final. Os outros times vão se reforçar". Virou as costas e saiu como se tivesse sentenciado o futuro do time rubro-negro, único representante pernambucano na Série B.
Em nenhum momento Val falou sobre a campanha do seu amado Santa Cruz. Não fez previsões sobre o futuro. A ordem do dia é secar o Leão, fato que me levou ao questionamento: o que lhe deixará mais feliz, o acesso do Tricolor do Arruda, ou a frustração dos leoninos de verem o Sport permanecer mais um ano na Segunda Divisão Nacional?
Coisa da rivalidade!
Por outro lado, o rubro-negro Carlos, porteiro do edifÃcio Joaquim Cardoso, desfila diariamente, lépido e fagueiro, com a camisa do Sport. Qualquer comentário que se faça, a resposta é a mesma: "Quinta-feira serei lÃder", prognóstica colocando a vitória do conjunto leonino, sobre o Juventude, como certa. Afinal, os números alimentam o seu otimismo.
Com um aproveitamento de 100% como mandante, o Sport ainda irá disputar quatro jogos na Ilha do Retiro, neste primeiro turno da Série B, e mais quatro partidas na condição de visitante. Em onze jogos disputados, até o momento, o rubro-negro pernambucano contabilizou 7 vitórias, sendo 6 em casa, e uma em campo do adversário. Chegar ao final do turno com dez vitórias, ou mais, representa um paço gigantesco na caminhada em busca do acesso.
Vale lembrar que a matemática da classificação segue a mesma: 19 vitórias e 8 empates. Naturalmente que, o sarrafo pode subir ou descer mais um pouco, tudo vai depender do desempenho dos times, mas 65 pontos é uma marca que deixa qualquer clube tranquilo em relação ao acesso.
- A diretoria precisa investir nuns dois reforços! Alerta o leonino Raul Henry, observando que a manutenção da boa campanha passa por um grupo forte.
Um pensamento com o qual comunga o ex-presidente, Homero Lacerda, que é apontado como um dos dirigentes com maior conhecimento de futebol na vitoriosa história do Sport Club do Recife.
- O time do Sport está bem encaixado em todos os setores, mas em time que está vencendo também se mexe. Se a ordem é elevar o padrão, agregar valores se torna indispensável, comenta Homero liberando a receita do sucesso que fora utilizada por ele em várias ocasiões.
"A alegria de Val acaba quando chegar o mata, mata. A partir daà acaba a autonomia de voo do Santinha", diz Carlos em voz alta para provocar o amigo.
"O Leão vai morrer na praia", rebate o tricolor Val com a segurança de um vidente.
Fico a pensar, cá com meus botões: o que seria do futebol sem o doce ranço da rivalidade?
CLAUDEMIR GOMES
A décima-primeira rodada do Brasileiro da Série B, disputada no meio da semana, nos apresentou um balanço atÃpico com cinco vitórias de times visitantes; quatro vitórias de equipes mandantes, e um empate. A combinação dos resultados foi benéfica para o Sport que chegou ao cobiçado G4. Detalhe: o rubro-negro pernambucano tem dois jogos a menos que os demais concorrentes, fato que referenda o seu poder de fogo, e o coloca entre os clubes cotados para conseguirem uma vaga de acesso para a Série A, em 2024.
Neste final de semana a competição atinge a marca de um terço dos jogos já disputados. Os analistas começam a apontar tendências, e a selecionar os clubes que irão até o final brigando por uma vaga. Naturalmente que, nem todas as previsões se concretizam. Os cálculos nem sempre são exatos por conta do achismo que é contrariado pelo imponderável do jogo jogado.
Segundo as análises do mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, que respeita muito o norte apontado pelos números, a briga pelo acesso ficará restrita a sete, no máximo, oito clubes. No momento, por tudo que foi construÃdo até agora, o Sport tem 92,8% de chances de ascender à Primeira Divisão Nacional.
Temos assistido a muitos confrontos da Série B. Apesar de não ser um ponto fora da curva, o Sport possui um dos conjuntos mais harmoniosos da disputa. A manutenção sempre foi o desafio maior dos times que têm o acesso como meta. Normalmente, dos quatro clubes que fecham o primeiro turno da competição no G4, dois, ou mais, conseguem assegurar o acesso ao final da disputa.
Deu liga!
Eis a melhor definição para o grupo dirigido por Enderson Moreira, treinador com grande conhecimento da Série B, e com campanhas exitosas na categoria. O técnico leonino colocou as peças em seus devidos lugares, e tem extraÃdo o melhor de cada um de seus comandados. Com exceção de Vagner Love, que funciona como cartão de apresentação do time rubro-negro, sendo o ponto de desequilÃbrio, os demais assumiram a condição de coadjuvantes de forma natural. A resultante de tal conscientização foi o fortalecimento do coletivo, onde se observa um setor defensivo consistente; armadores que alimentam bem um ataque cuja movimentação tem sido das mais efetivas e eficientes do Brasileiro.
O acesso está ligado diretamente a manutenção do padrão de jogo que os leoninos estão apresentando. Num campeonato de trinta e oito rodadas, todos os times oscilam. à natural que, os que erram menos, oscilam menos, avançam mais na direção do topo da tabela de classificação.
A matemática do sucesso segue a mesma: 19 vitórias e 8 empates, números que levam um clube ao montante de 65 pontos. O desafio é grande, principalmente quando a disputa é marcada pelo equilÃbrio de forças, como está ocorrendo nesta edição, onde 8 times se mostram com chances de acabar o campeonato no G4. Fazer bem o dever de casa é uma obrigação para quem tem metas ousadas, mas os pontos do acesso terão que ser conquistados na condição de visitante.
Outras rodadas com o mesmo histórico do da décima-primeira, podem tornar a disputa ainda mais imprevisÃvel.
CLAUDEMIR GOMES
O último dia de maio, e o primeiro do mês de junho, foram de "emoçãos pra valer", como diria o bom marqueteiro, colocando pilha na eterna discussão sobre o que o torcedor gosta mais: uma disputa de pontos corridos, ou uma competição ao estilo mata, mata? Dos oito confrontos que definiram os vencedores das oitavas de final da Copa do Brasil, cinco foram decididos nos pênaltis. Como bonificação neste pacote de adrenalina, a decisão da Liga Europa, entre Sevilla e Roma, também foi para os pênaltis, com a equipe espanhola levando a melhor.
O torcedor gosta de fortes emoções. Coisa da paixão! Razão pela qual essa estória de: "à certo, mas não é justo; é justo, mas não é certo", é uma discussão sem fim. Certo ou justo, a verdade é que, as decisões por pênaltis, no meio da semana, levaram multidões a loucura, deixando torcidas a beira de um ataque de nervos.
Treinadores se equivocaram na definição do plano de jogo; jogadores não assimilaram o caráter decisivo das partidas, e se comportaram como se estivessem disputando uma competição de pontos corridos; Ãdolos "falharam" na passagem do coletivo para o individual. Enfim, o %u201CSobrenatural de Almeida%u201D, como diria o mestre, Nelson Rodrigues, foi a campo em várias praças. E, mais uma vez, o futebol nos mostrou que, o jogo jogado é tão imprevisÃvel quanto bumbum de bebê. Quem não respeitou a máxima, se deu mal.
Todos os jogos se mostravam interessantÃssimos, mas, por motivos óbvios, as dezesseis torcidas envolvidas nas disputas, tinham suas predileções. As vantagens construÃdas por alguns times, nos jogos de ida; o mando de campo; retrospectos, tabus; e uma série de outros fatores eram citados como "gatilhos" para se creditar favoritismo ao time A, ou ao time B. Mas o futebol é tão imprevisÃvel quanto a rota dos bolões que vemos no ar, neste mês de São João.
Vale lembrar a antológica frase que virou mantra: "Futebol é uma caixinha de surpresa".
Isso mesmo meu senhor!
E por não levar a sério tamanha advertência é que o técnico, Dorival Júnior, e sua tropa, foi surpreendido pelo Sport, que desdenhou do favoritismo do São Paulo, pôs fim a uma invencibilidade de 12 partidas do time paulista; quebrou um tabu de décadas, pois nunca havia vencido o respeitado adversário no Morumbi, e deixou milhares de tricolores com o coração nas mãos, ao levar a decisão para os pênaltis.
De quebra, os rubro-negros, que jogaram como verdadeiros leões, "quebraram" milhares de apostadores nas bolsas de apostas.
Disputa de pênaltis, ou tiros livres diretos, como cobram os leitores mais exigentes, é uma covardia. Sair do coletivo, onde as responsabilidades estão compartilhadas, para o individual, mexe com a beça de qualquer ser humano: não tem bom nessa parada.
O goleiro preso feito um passarinho numa gaiola, sem saber para qual lado irá se jogar; o batedor sentido o peso de uma "nação" sobre seus ombros naquela corridinha até a bola; o momento final do chute...
Frio na barriga; ânsia de vômito; sensação de que a caganeira está por vir; tremedeira, alta de pressão...
Explosão nas arquibancadas!
Milhares comemoram. Outra multidão chora.
Pênalti é isso: emoção pra valer.
Conselho: Não busque culpados.