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O preconceito de sempre
postado em 23 de maio de 2023

CLAUDEMIR GOMES

 

Os ataques racistas sofrido pelo atacante, Vinícius Júnior, do Real Madrid e da Seleção Brasileira, domingo, na Espanha, ecoou em todos os continentes, e provocou uma comoção internacional. A indignação externada por todos os povos, e em todos os idiomas, alimenta nossas esperanças de que, o mundo está, finalmente, mergulhando num novo tempo. Apesar dos pesares.

Sabemos que, tudo acontece a seu tempo, mas este "gol" está demorando muito a acontecer. Talvez, porque até então, o assunto, apesar de exigir um tratamento sério e urgente, sempre foi tratado como coisa banal. Esta é a sensação que temos ante a passividade daqueles que têm poder, e ferramentas para mudar o rumo da história.

O futebol nasceu com a marca registrada do preconceito. Foi criado como entretenimento para uma elite branca. A história do esporte, que se tornou, ao longo do tempo, o mais popular do planeta, é rica em registros de fatos que atestam a luta dos negros para quebrar as barreiras da segregação.

As primeiras edições da Copa do Mundo foram disputadas sem jogadores negros; no Brasil, o presidente, Epitácio Pessôa, baixou um decreto proibindo jogadores negros de vestirem a camisa da Seleção Brasileira; o Náutico passou anos para adotar jogadores negros no seu elenco...

O preconceito está dentro de cada cidadão. Ele é implantado ainda na infância, nos primeiros passos da educação doméstica. E é alimentado por uma sociedade injusta e hipócrita, craque em transferir responsabilidades.

Na década de 70, quando o atacante Dario - O Peito de Aço - veio defender o Sport, o presidente do clube leonino, a época, Jarbas Guimarães, pediu a uma conselheira do clube, que era odontóloga, para atender o jogador e suas filhas. Anos depois a preconceituosa revelou: "Foi um sacrifício, mas pelo Sport, tudo!".

A indignação mundial com os fatos ocorridos domingo, no estádio do Valência, na Espanha, parece ter levado a população a refletir sobre o problema milenar. Como estamos na era digital, e as redes sociais são tribunas livres, vimos postagens de todos os tipos: racionais, irracionais, pessoas misturando alhos com bugalhos, e como estamos na era da imbecilidade, apareceram os doutores que logo politizaram o fato, apontando o Q da questão.

O fotógrafo, José Otávio de Souza, com o qual tive o privilégio de trabalhar no Diário de Pernambuco, aproveitou o fato, e chamou a atenção para direcionarmos nosso olhar para a infinidade de jovens negros que, diariamente, sofrem todo tipo de maltrato, e não têm a sorte do Vinícius Júnior, de atuar num dos maiores, e mais ricos, clubes do futebol mundial.

A postagem de Otávio me provocou. Busquei resenhas em tudo quanto era emissora de rádio, até nas comunitárias. E todos os cronistas e analistas de futebol se concentravam nos fatos que tinham Vini Jr. como protagonista.

O preconceito também sobrevive, e é alimentado, pela falta de um mea culpa.

Nada deixa uma família mais desconfortável do que, a Patricinha branca levar o namorado negro para jantar em casa. Constrangimento geral!

Talvez o pai da moça, para quebrar o gelo, apresente o novo genro com a frase mais infame que já criaram: "Este é o namorado de Patricinha, um negro de alma branca".   

Fatos isolados que revelam racismo em alto grau, aconteceram aos montões. Todos foram tratados como uma mera bola nas costas.

Domingo, a ação foi coletiva: assustou.

E ninguém sabe como caçar o fantasma. Afinal, o sujeito é oculto.

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Artigos
Boi & Bomba
postado em 21 de maio de 2023

CLAUDEMIR GOMES

 

Diariamente recebemos, a toda hora, notícias de violência. Violência de todos os tipos, fato que leva a sociedade a considerar, comportamentos e cenas absurdas e chocantes, coisas banais. Mas, entre o ver e o sentir, vivenciar, existe uma distância abissal. Esta foi a experiência vivenciada por dezenas de famílias que, no início da tarde, deste domingo, se encontravam nas dependências da Churrascaria Boi & Brasa, recém-inaugurada na sede social do Sport Club do Recife, na Ilha do Retiro.

A ideia do rubro-negro, Francisco Medeiros, de juntarmos a família, e ir conhecer o novo equipamento, foi abraçada de imediato. Afinal, há tempo não batia um bom papo com Chico, um paraibano de Princesa Isabel, que veio para o Recife na década de 50, do século passado, e logo se apaixonou pelo Sport. Mais ainda: conseguiu a façanha de fazer com que, filhos e netos, seguissem o mesmo rumo do cazá, cazá.

O encontro familiar seguia perfeito, regado a boas risadas que ressaltavam a harmonia e alegria contagiante do momento. De repente, um estampido ensurdecedor assustou a toda população presente no restaurante. Todos os presentes tentavam adivinhar o que provocara aquela explosão. Uma sequência de novos estampidos acontecera a seguir. E todos entraram em pânico.

Gritos, correria, crianças chorando, mulheres passando mal, idosos tendo piques de pressão; um caos. As pessoas corriam em busca de uma saída de emergência no salão anexo; a maioria mergulhava no chão procurando abrigo embaixo das mesas...

Em fração de segundos o "céu" havia se transformado no "inferno". Um horror!

Pedras eram atiradas em direção as vidraças do restaurante. Os estampidos das bombas não cessavam. Aos poucos os ataques bélicos foram diminuindo, fato que deu para perceber que aquele pânico era a resultante de um confronto entre torcidas organizadas do Santa Cruz; do Sport e do Campinense, time que iria enfrentar o Tricolor Pernambucano no estádio do Arruda.

O exército de vândalos vestidos com a camisa da facção criminosa do Santa Cruz era bastante numeroso. A também criminosa, Torcida Jovem do Sport estava em menor número, mas reagia a altura, respaldada pela participação dos vândalos, arruaceiros e criminosos que se diziam torcedores do Campinense.

O tratamento de "criminosos" é o mais adequado para qualquer grupo que adote comportamento tão violento contra pessoas vulneráveis e indefesas.

A pergunta que todos fizeram: "Por que um confronto de torcidas tão distante do estádio onde iria acontecer o jogo Santa Cruz x Campinense?".

Torcidas organizadas existem em todos os Estados brasileiros. Algumas formaram parcerias, e recebem seus pares, dão todo o respaldo possível, sempre que acontecem "visitas" por conta de jogos.

Vale salientar que, tal acolhimento, em sua maioria, acontece com a anuência dos dirigentes dos clubes. No Recife, em algumas oportunidades, vimos torcidas organizadas de clubes visitantes, hospedadas nas dependências das agremiações pernambucanas.

Ontem, a torcida do Campinense programou como ponto de encontro, a Ilha do Retiro, fato que motivou a amostragem de guerra civil, que foi reprimida pelo Batalhão de Choque da Polícia Militar.

O futebol pernambucano perdeu a "disputa" para a violência. Isto é fato. O que é incompreensível é a falta de capacidade da PM em detectar a articulação de determinados movimentos, e o apoio que gestores do Sport, Náutico e Santa Cruz dão a essas facções criminosas.

Uma hora após o confronto das torcidas, quem passasse pela Abdias de Carvalho, um dos maiores corredores de trânsito da Capital Pernambucana, se deparava com uma calmaria, que parecia jogar ao vento a explosão de violência que ali acontecera.

E tudo segue como dantes, sem punição para os culpados.

"Coisa do futebol brasileiro!".

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Copa do Brasil
FLA x FLU na abertura
postado em 16 de maio de 2023

CLAUDEMIR GOMES

 

Um FLA x FLU é aperitivo para qualquer competição. O clássico de maior tradição do futebol brasileiro, o mais charmoso, o que mais desperta a atenção do torcedor brasileiro, do Oiapoque ao Chuí, desde a época em que o Rio de Janeiro era a Capital Federal, vai abrir, nesta terça-feira, as disputadas das oitavas de final da Copa do Brasil.

Sempre que a disputa alcança esta fase, onde teoricamente foram filtradas as melhores equipes envolvidas na edição em curso, vem à tona, a discussão sobre a preferência do torcedor sobre torneios de pontos corridos, ou de mata, mata, onde todos os jogos passam a ser de caráter decisivo. Este ano, com exceção do Spor, que está na Série B, todos os outros quinze clubes envolvidos nas oitavas de final, disputam a Primeira Divisão Nacional, fato que deve contribuir para a melhora da qualidade das partidas.

Tudo conspira para que, doravante, tenhamos casa cheia em todos os jogos da Copa do Brasil. Mas vale lembrar que, a média de público nas cinco primeiras rodadas da Série A foi a melhor dos últimos anos. Um dado que atesta o início da retomada de crescimento do futebol brasileiro. Vários fatores têm contribuído para esta reação, e que servirão de tema para outras análises.

O futebol nordestino está representado por Fortaleza e Sport, nas oitavas de final da CB. Por coincidência, os dois terão como adversários times paulistas, e em ambos os confrontos, os bandeirantes são creditados como favoritos para avançarem às quartas de final: o Fortaleza medirá forças com o Palmeiras, que é, indiscutivelmente, um dos melhores times do futebol brasileiro na atualidade. O Sport terá como adversário o São Paulo, que mesmo ainda buscando um maior acerto sob o comando do técnico Dorival Júnior, tem um elenco mais qualificado que a equipe rubro-negra pernambucana.

O caráter decisivo dos jogos da Copa do Brasil pode proporcionar as surpresas das quais os torcedores tanto gostam. Ou, simplesmente, consolidar o favoritismo imposto pela melhor qualidade técnica do conjunto. Partidas decisivas são muito susceptíveis ao imponderável, como diria o mestre, Nelson Rodrigues.

Momentos como este exigem muito das qualidades motivacionais do treinador. Sabemos que, a filosofia do "querer é poder", não vai, simplesmente, definir o resultado do jogo, mas a entrega, a superação, a garra, podem vir a ser o ponto de desequilíbrio. Eis porque nem sempre vence o jogo o time de melhor qualidade técnica. Em decisão tem que ter aquilo roxo. Caso contrário, vai amofinar.

Os rubro-negros estão conscientes de que, o Sport precisa assegurar sua classificação no primeiro jogo, ou seja, a Ilha do Retiro, com 26 mil leoninos gritando o cazá, cazá, nas arquibancadas, faz a diferença. O técnico são-paulino, Dorival Júnior, tem conhecimento de tal realidade, pois já tirou vantagem de tal reforço quando de sua passagem pelo rubro-negro pernambucano. Evidentemente que, toda análise parte de um raciocínio lógico, mas no futebol a lógica nem sempre prevalece.

O FLA x FLU é tão diferente dos outros confrontos que, até os dois jogos, válidos pelas oitavas de final da Copa do Brasil, serão disputados no mesmo estádio: o Maracanã. Pena que não exista mais a antiga geral neste grande templo do futebol mundial. A figura do geraldino era um espetáculo à parte no lendário clássico.

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Artigos
O futebol das apostas
postado em 12 de maio de 2023

CLAUDEMIR GOMES

 

O assunto dominante no futebol brasileiro, no momento, não é o bom, e surpreendente, futebol praticado pelo Botafogo/RJ, líder da Série A, com 100% de aproveitamento, neste início de competição. Nos últimos dias, as manchetes dos jornais, sites, e resenhas esportivas, são sobre os irregulares sites de apostas, e as fraudes detectadas dentro e fora das quatro linhas.

Ah! Eu já sabia.

Bradam os torcedores como se estivessem assistindo o tape de uma infinidade de irregularidades, registradas em páginas sombrias, da história do futebol pentacampeão do mundo. Está provado que, desde a chegada do futebol por aqui, nos campos brasileiros, tudo prospera, de craques a corruptos. Uma terra fértil onde a impunidade funciona como uma venda sobre os olhos da Justiça.

A proliferação dos sites de apostas aguçou meu faro de repórter. Numa rápida incursão por essas bancas de apostas, todas irregulares, mas bem expostas, fiquei sabendo que, a única coisa que não estava se apostando era flatu de jogador. Isso porque, segundo a ex-presidente, "não se estoca vento".

O brasileiro é tarado por uma aposta. O negócio é fazer uma fezinha sempre. Basta observar os números das inúmeras loterias da CAIXA, todas oficiais, evidentemente. Aliás, o Governo Federal quer regular os sites de apostas.

É um show!

No nosso futebol já tivemos a Máfia da Loteria Esportiva; Máfia do Apito; CPI pra isso; CPI para aquilo; a CBF montou a Casa do Futebol, em Brasília, para administrar a Bancada da Bola; uma meia dúzia de presidentes da CBF se envolveram em falcatruas das mais diversas. Enfim, o futebol cinco vezes campeão do mundo é de fazer inveja a qualquer paraíso fiscal.

Vale tudo! Como cantaria o Tim Maia.

Fico rindo, cá com meus botões, quando vejo cronistas experientes se mostrarem surpresos diante dos fatos.

Está com amnésia? Só se for!

O que mais existe no futebol brasileiro são antecedentes que terminaram em pizza. Bola pra frente que atrás vem um novo batalhão de sabidos. De uma coisa temos certeza: a turma da safadeza é de um profissionalismo de fazer inveja aos dirigentes do nosso futebol.

Mestre Chico Buarque! Vós que recebestes, recentemente, mais um prêmio na Europa, por favor, convoque os pigmeus do bulevar para verem as torcidas aplaudirem o "Bloco dos Inocentes".

Confesso que nunca vi falar de uma morte anunciada tão clara e transparente quanto as falcatruas nos sites de apostas.

Desde que me entendo de gente, acredito que, no universo dos sorteios, bingos, apostas, o único que não foi levantado suspeita de tramoia, foi o Bonus BS, criado pelo Govenador Cid Sampaio, nos anos 60 do século passado. O cidadão apresentava notas de compras e recebia bônus. Cartelas eram distribuídas gratuitamente para se colar os bônus. E haja goma-arábica! Por fim, se trocava os bônus por bilhetes premiados para concorrer aos sorteios que aconteciam no final do mês.

O Bônus BS era uma festa no Recife.

Voltemos ao futebol!

Acho que tem gente apostando que esta "zoada" não vai dar em nada.

Façam suas apostas.

 

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SILÊNCIO SALUTAR
postado em 08 de maio de 2023

CLAUDEMIR GOMES

 

"Há males que vem para o bem!".

Não poderia haver melhor interpretação para a convincente vitória (2x0) do Sport sobre o Guarani, na noite do domingo, em jogo válido pela quinta rodada do Brasileiro da Série B. A partida foi disputada, sem público, na Ilha do Retiro. Os portões do estádio estavam fechados para os torcedores, como pena pelas arruaças registradas num confronto com o Vasco, ano passado.

Em condições normais, a justa penalidade imposta pela CBF, seria motivo para grandes lamentações. Contudo, como o Sport vinha de uma frustrante perda de título - Copa do Nordeste - para o Ceará, o silêncio vindo das arquibancadas neste domingo, levou o time a navegar num suave ruído que levou o conjunto leonino a não perder a harmonia.

Como bem afirma o rubro-negro, Manoel Costa - Costinha: "Vencer é o céu".

Normalmente, a presença do torcedor leonino, na Ilha do Retiro, funciona como um ponto de desequilíbrio. O Estádio Adelmar da Costa Carvalho cheio é desconfortável para qualquer adversário. Isto é fato. Mas, pontualmente, neste confronto com o Guarani, o que mais Luciano Juba e seus companheiros necessitavam era de calmaria. Ficar longe de qualquer tipo de cobrança. Sendo assim, as arquibancadas desertas conspiraram para que o Leão não errasse o passo, e mantivesse o compasso.

O ufanismo tem tomado conta de alguns cronistas esportivos, que passaram a se comportar como autênticos mestres de futurologia. Esta edição da Série B tem como marca registrada o equilíbrio de forças. No final das disputas do primeiro turno é que começarão a se desenhar as tendências. Começar bem é sempre positivo, mas o desafio é manter a pegada ao longo de trinta e oito rodadas.

O Sport disputou duas partidas, contabilizou dois resultados positivos, e a julgar pelo bom futebol que apresentou diante do Guarani, principalmente no primeiro tempo do jogo, está creditado a dar sequência ao ritmo da boa largada. Mas é preciso olhar para o time e ter ciência do seu tamanho. A mesma advertência serve para o Vitória, Criciúma, Vila Nova, e outros clubes que também largaram de forma positiva. Muitos times ainda estão sendo ajustados, e devem render bem mais no transcorrer das disputas. Ou não, afinal, no futebol tudo é muito relativo.

Nas Séries B, C, e D, as vitórias como mandante asseguram uma manutenção, mas o clube que tem pretensões mais ousadas, também precisa vencer na condição de visitante. O jornalista, José Gustavo, que sempre faz boas leituras do desempenho dos clubes nas competições nacionais, tem por hábito dizer que, "jogo em casa tem que estar na conta do mandante". Esta regra criada por ele é imprescindível para o sucesso.

Existem coisas que sabemos de cór. Quanto mais baixo o nível técnico da competição, piores são as condições de jogo. Portanto, não concordo com reclamações sobre o estado do gramado em determinado estádio da Série C, da Série D... Primeiro é primeiro, segundo é segundo e terceiro é terceiro em qualquer lugar do mundo. E olha que a regra vale desde que o mundo é mundo. Portanto, algumas queixas não passam de mi, mi, mi.

Se o jogo é em casa, "põe na conta", como aconselha José Gustavo.

Vale lembrar que o "lucro" está lá fora, na casa dos outros. É preciso ter competência para ir buscar.

O bom é que agora, todas as atenções estão voltadas só para o Brasileiro.

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