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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
O torcedor do Sport ainda comemora o tÃtulo de Campeão Pernambucano, conquistado pelo time rubro-negro, na tarde do último sábado (22/04/2023), sendo esta, a 43ª conquista doméstica que o Leão adiciona ao seu acervo. Evidentemente, no registro histórico não constará, mas este foi, sem dúvidas, um dos tÃtulos estaduais mais fáceis a ser levantado pelo Clube da Ilha do Retiro.
O Retrô, adversário da decisão, foi brioso. Nada mais que isso. Costumo dizer que: clube sem torcida é um ser mutilado. Sem garganta. O que ele faz não provoca eco. Os números explicam o meu pensamento: no primeiro confronto decisivo, na arena Pernambuco, o público foi de 7.090 pagantes. Na segunda partida, na Ilha do Retiro, casa do Sport, o público ultrapassou a casa dos 26 mil torcedores. Todos os ingressos colocados à disposição dos rubro-negros foram adquiridos.
O rubro-negro, Humberto Araújo, que normalmente assiste aos jogos das cadeiras cativas, ou dos camarotes, optou pela arquibancada. Queria estar lado a lado com o povão, sentir a força daquele movimento popular. Quando o time do Sport entrou em campo, e aquele coro unÃssono de mais de 26 mil pessoas, sob o comando do locutor oficial do clube, fez ecoar o gripo de "Cazá, cazá, pelo Sport tudo!", ele suspirou: "Isto é o Sport!".
O espetáculo rubro-negro, protagonizado pela torcida, sábado, na Ilha do Retiro, estava mais para uma festa privada, do que para uma decisão de tÃtulos. à como se todos já soubessem o desfecho final. Só faltava o placar. O Retrô não estava capacitado para suportar a pressão que seria imposta pelo dono da casa, que possui um conjunto, reconhecidamente, de melhor qualidade técnica. Vale ressaltar que, Sport e Retrô se enfrentaram três vezes no Estadual, com três vitórias da equipe leonina. Para facilitar as coisas para Love e companhia, o treinador, e o melhor jogador do Retrô, foram expulsos.
Diferentemente do que se viu na partida anterior, disputada na arena Pernambuco, no jogo de sábado, a Ilha do Retiro tinha corpo e alma, fato observado na presença de torcedores de várias gerações. Era o Sport de todas e de todos, sem barreiras, sem preconceitos, sem confrontos. Uma autêntica casa de festejos com portas fechadas para uma festa privada.
Faltou o molho da rivalidade na decisão do Pernambucano 2023. Náutico e Santa Cruz, os outros clubes de massa da Capital Pernambucana, ficaram no meio do caminho, na corrida pelo tÃtulo estadual. Não resta dúvidas de que, com alvirrubros, ou tricolores, envolvidos numa decisão com os rubro-negros, a banda toca de outro jeito. Coisa da rivalidade que alimenta e dá sustentação ao futebol.
Os pequenos, Davi e Gabriel Miranda, 7 anos, vieram de Palmares, com o pai, Bebel Miranda. A julgar pelo comportamento dos dois, jamais vão esquecer a emoção de testemunhar, pela primeira vez, no estádio, seu time do coração conquistar um tÃtulo. Davi tirou a camisa, seguiu todo o ritual da galera, e ainda disse ao pai: "No próximo jogo a gente vai para o meio da Torcida Jovem".
Mais adiante, Guilherme Medeiros, 12 anos, experimentava ao lado do avô, Francisco Medeiros, 82 anos, a alegria de comemorar, pela primeira vez, uma conquista do Sport na Ilha do Retiro. Com a faixa de campeão no peito, o adolescente se deliciava com a felicidade estampada no sorriso mais alegre do avô.
Mães com crianças no colo, casais enamorados trocando beijos brindando a conquista da forma mais terna possÃvel.
Com certeza não foi a mais emocionante das 43 conquistas estaduais do Sport, mas por ter sido de forma invicta, sem nenhum arranhão, fechada com um adversário de pouca resistência, se pode afirmar que foi a festa que toda a famÃlia rubro-negra desejava.
CLAUDEMIR GOMES
A torcida do Sport, cega pela paixão, e embalada por uma sequência de bons resultados, contabilizados, a maioria, em cima de adversários de baixa qualidade técnica, chegou a pensar que o grupo capitaneado pelo experiente, Vágner Love, fosse imbatÃvel. Eis a razão pela qual os leoninos acordaram, nesta quinta-feira, com aquele sentimento de "meu mundo caiu", após amargar a derrota (2x1) para o Ceará, na noite da quarta-feira, em Fortaleza, no primeiro jogo válido pela decisão do tÃtulo da Copa do Nordeste, edição 2023.
Até um desavisado comentarista afirmou, com toda empolgação, que "o Sport tem o melhor ataque do Brasil". O jovem ufanista esqueceu de avaliar o nÃvel dos adversários com os quais o Leão mediu forças no Pernambucano; o mesmo acontecendo com algumas equipes que enfrentou na fase de grupos da Copa do Nordeste.
Houve uma época em que os grandes clubes do Recife - Sport, Náutico e Santa Cruz - massacravam seus adversários, no Campeonato Pernambucano, com goleadas acima de dez gols, e ninguém, em sã consciência, dizia que eles possuÃam os melhores ataques do futebol brasileiro.
à sempre bom esclarecer e lembrar: o Sport está envolvido em três decisões simultaneas, fato que provoca um desgaste em qualquer grupo. Decisões com adversários de nÃveis diferentes: Retrô (Série D); Ceará (Série B) e Coritiba, com quem mede forças na Copa do Brasil, disputa a Série A do Brasileiro. Bom! Com nÃveis de dificuldades diferentes, é pouco provável que o Leão apresente o mesmo desempenho em todas as apresentações. Afinal, primeiro é primeiro, e segundo é segundo, em qualquer lugar do mundo.
Como bem diria o mestre, Nelson Rodrigues, o "Sobrenatural de Almeida" entrou em campo várias vezes, na "estranha" noite de quarta-feira, no Castelão. Fez acontecer um gol relâmpago, a favor do Ceará, aos 30 segundos de jogo. Na história do futebol, nunca se ouviu dizer que, um time estava pronto para sofrer, e assimilar, de forma natural, um gol no primeiro minuto da partida. O golaço de Guilherme Castillo fez cair o véu da noiva, e o Leão ficou atordoado em campo, facilitando o segundo gol do time cearense.
Mas o "Sobrenatural de Almeida" foi justo, e atuou para os dois lados. Como praga vinda do além, no último lance da partida, Luciano Juba chuta forte para a defesa parcial do goleiro Richard. A bola foi cair no meio do amontoado de jogadores, na "confusão", como se diz no popular, e David Ricardo acabou marcando contra, um gol que os torcedores do Sport estão afirmando ser "o gol do tÃtulo", plagiando o "vidente", Carlinhos Bala, quando da decisão do tÃtulo da Copa do Brasil, em 2008.
E o jovem ufanista bradou no seu comentário: "Na Ilha do Retiro o Sport sempre venceu seus adversários com uma diferença de dois gols ou mais".
"Vou consultar o Pai Zé!", disse o rubro-negro Humberto Araújo, como se estivesse se precavendo contra o sopro de algum fantasma. Pois, nem com um bom conhecimento da vida como ela é, se aceita, de forma natural, que um atacante com a experiência de Love, vivendo um bom momento em sua carreira, desperdice, num jogo decisivo, uma chance de gol como aconteceu na aziaga noite da quarta-feira.
Maio é mês de aniversário do Sport.
Que o Ceará não venha com nenhum presente de grego.
CLAUDEMIR GOMES
à CAMPEÃO!
Para o torcedor, seja lá de qual time for, independente de qualquer competição, liberar este grito preso em sua garganta, não tem preço. O mestre, Nelson Rodrigues, diria que, só quem acha o contrário são os "idiotas da objetividade". E é apostando na força da emoção, que Sport e Retrô dão inÃcio, neste sábado, a decisão do Campeonato Pernambucano de 2023.
Um tÃtulo cujo registro histórico será o maior legado.
Motivo: O sucesso da Copa do Nordeste, competição que é disputada simultaneamente com os Estaduais, ganhou a preferência de oito dos nove estados nordestinos. O presidente da FPF, Evandro Carvalho, é o único defensor da disputa doméstica. Como dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço, a tendência natural é que o Pernambucano seja dragado pela copa regional, o mesmo acontecendo com os demais campeonatos dos estados nordestinos.
Diria que tal cenário é uma espécie de morte anunciada. Aliás, a inclusão desenfreada de disputas no calendário do futebol brasileiro, foi um tema bastante analisado, e criticado, pelo mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, que nos mostrava, através de incontestáveis números, que o "ano só tem 365 dias, e o calendário do futebol vai ultrapassar esta marca".
O inchaço trouxe como resultado 16 datas para as realizações da Copa do Nordeste e dos Estaduais. A medida não satisfaz nem a gregos, nem a troianos. A saÃda não é outra senão, deletar do calendário uma das duas competições. Tal realidade nos deixa com a quase certeza de que, o Campeonato Pernambucano está com o prazo de validade estabelecido.
O amigo, Amaury Veloso, o maior caçador de notÃcias da história do jornalismo esportivo pernambucano, gosta de usar a expressão: "Estamos vivendo os últimos dias de Pompéia".
O Pernambucano é o único estadual do Nordeste bancado pela televisão. O fato é um atestado de que as disputas domésticas dão prejuÃzo.
A primeira edição do Campeonato Pernambucano foi disputada em 1915, tendo o Flamengo como campeão invicto. Em 1916 o Sport conquistou o seu primeiro tÃtulo. A partir daÃ, o clube leonino passou a ter sua grandeza traduzida através de conquistas. Em 1944, o América levantou a taça do estadual pela sexta vez. Em 1943 o Sport já havia contabilizado 11 tÃtulos. Em 1945 o Náutico comemorou sua terceira conquista do Estadual. No ano seguinte, 1946, o Santa Cruz se igualava ao América com 6 tÃtulos.
A edição de 1975 do Pernambucano, foi um marco de crescimento para o Sport. O clube da Ilha do Retiro alcançou a marca de 20 conquistas, contra 15 do Náutico e 14 do Santa Cruz. Os rubro-negros fecharam o Século XX com um total de 33 tÃtulos estaduais. O Santa Cruz com 23 e o Náutico com 18. Em 25 anos de disputa, ou seja, de 1976 a 2000, o Náutico conquistou apenas 3 tÃtulos estaduais.
A chegada do Século XXI estabeleceu um equilÃbrio de forças entre os tradicionais clubes recifenses. Em 22 edições do Pernambucano, o Sport conquistou 9 tÃtulos, contra 6 do Santa Cruz e 6 do Náutico. O fato novo foi o Salgueiro que, pela primeira vez na história, levou o tÃtulo estadual para o Interior, fato ocorrido na edição de 2020.
Por serem finalistas da edição 2023 do Pernambucano, Sport e Salgueiro têm vagas asseguradas nas Copas do Nordeste e do Brasil, em 2024.
Portanto, o grande legado do campeão estadual será escrever seu nome nesta página de uma história, cujo ponto final, está na iminência de ser colocado.
O Retrô busca o seu primeiro tÃtulo. O Sport, o quadragésimo-terceiro.
CLAUDEMIR GOMES
A expressão - "Virada de Chave" - tem sido bastante usual, nos programas esportivos, para viabilizar o entendimento do torcedor do Sport, a maratona de jogos que o time rubro-negro enfrentará até o dia 3 de maio, cumprindo tabela em quatro competições: Campeonato Pernambucano; Copa do Nordeste; Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro Série B.
Detalhe: com exceção do Brasileiro, onde a equipe leonina da Ilha do Retiro, ficará de fora das duas primeiras rodadas - os jogos serão remanejados Deus sabe pra quando - todas as outras partidas, num total de seis, são de caráter decisivo. Dentro deste contexto, o empate com o Coritiba (3x3), no Couto Pereira, que marcou a estreia do Sport na Copa do Brasil, ficou de bom tamanho.
Se para o torcedor, a "Virada de Chave", não é uma coisa de fácil entendimento, para o grupo de jogadores é tão desafiador quanto resolver o Teorema de Pitágoras. Afinal, embora as partidas sejam de caráter decisivo, cada competição tem suas peculiaridades. O desafio do treinador consiste em posicionar todas num mesmo patamar, mesmo existindo a imposição natural, oriunda da diferença técnica dos adversários.
O Sport disputou a semifinal do Pernambucano na Sexta-feira Santa. Depois encarou uma viagem até o Paraná para enfrentar o Coritiba. No retorno do Sul do PaÃs vai enfrentar o Retrô, sábado, no primeiro jogo da final do Estadual. Em seguida viaja até Fortaleza para medir forças com o Ceará no primeiro confronto válido pela decisão do tÃtulo da Copa do Nordeste. Quando regressar ao Recife, fará o jogo final do Pernambucano com o Retrô, dia 22 de abril, na Ilha do Retiro. Na quarta-feira, dia 26, recebe o Coritiba no jogo de volta da terceira fase da Copa do Brasil. Em seguida viaja para São Paulo, onde no domingo 30, enfrenta o Novorizontino, em partida válida pela terceira rodada da Série B. De volta pra casa, no dia 3 de maio, recebe o Ceará na Ilha do Retiro, no jogo final da edição de 2023 da Copa do Nordeste. Doravante, não haverá mais "Virada de Chave", e o leão concentrará toda a sua atenção na Série B.
Na receita deste angu de caroço existem pitadas e doses cavalares de ansiedade, cansaço, otimismo, pessimismo, amargura, nervosismo, stress..., enfim, um conjunto de fatores atuando simultaneamente no grupo onde as reações diferem de indivÃduo para indivÃduo. Eis a razão pela qual, o comandante que tem bom conhecimento da disciplina motivacional agrega bastante numa decisão. Fome de bola todos têm. Fome de vitória poucos demonstram ter.
As constantes "Viradas de Chave", dão nó na cabeça de muita gente, mas no futebol existem coisas que são imutáveis, como a qualidade técnica individual dos jogadores, e a harmonia do conjunto. A capacidade de superação de toda equipe tem seu limite.
O primeiro confronto do Sport
com o Coritiba, deixou evidente que, nos momentos em que a equipe pernambucana
alinhou qualidade com fome de vitória, envolveu o adversário. Quando não conseguiu
tal conjunção, se viu obrigada a "chupar" uma manga azeda.
CLAUDEMIR GOMES
Alvirrubros e tricolores estão vivenciando uma autêntica via crucis nesta Semana Santa. A ressureição de ambos está sendo esperada no Campeonato Brasileiro. Vejamos o que acontecerá com o Sport no jogo com o Petrolina, programado para a Sexta-feira Santa.
Segundo os preceitos da Igreja Católica Apostólica Roma, a Sexta-feira Santa é um dia santo de guarda, ou seja, tem que ser respeitado. Aliás, a julgar pelos ensinamentos que me foram repassados, se trata do momento mais sublime. O Papa Francisco sabe disso. O que ele desconhece é que, quando milhões de fiéis estiverem, nesta sexta-feira - 7/4/2023 - acompanhando a procissão do Senhor Morto, a bola vai estar rolando na Ilha do Retiro.
Coisa de fariseu!
Por conta de um calendário maluco, e até desumano, os dirigentes do futebol acham que pode tudo. Antigamente, um jogo de futebol profissional na Sexta-feira Santa seria classificado como "pecado mortal. Mas, como os tempos mudaram, o que antes era, um grave desrespeito a religião, hoje não passa de um pecadinho esportivo.
Aliás, a FPF abriu um precedente em 2016, quando na Sexta-feira Santa daquele ano, a Seleção Brasileira, comandada pelo técnico Dunga, enfrentou o Uruguaio, na Arena Pernambuco, em jogo válido pelas Eliminatórias da Copa da Rússia. O castigo foi imediato: o Brasil construiu uma vantagem de 2x0, com relativa facilidade, mas o Uruguai empatou o jogo que terminou em 2x2. Por cometer o pecado de jogar num dia santo de guarda, a Seleção Brasileira ainda não acertou o pé. Os dirigentes não sabem o que fazer para a remissão de tal pecado.
Padre Petronilo; Padre Leitão; Padre Genaro e Padre Rolim foram os párocos que me repassaram muitos ensinamentos religiosos em Carpina. Após a Missa do Lava Pés, que é celebrada na quinta-feira, e representa a última ceia de Cristo com os apóstolos, era decretado o feriado santo que se estendia até a sexta-feira. Neste espaço de tempo os padres diziam que, nem pelada a gente podia jogar. Acredito que era por conta dos palavrões que afloram de forma natural num "rasga".
Estava conversando cá, com meus botões, traçando um paralelo de suas situações que serão vivenciadas no mesmo horário, no Recife, nesta Sexta-feira Santa: enquanto milhares de católicos praticantes acompanham a procissão pelas ruas do centro da Capital Pernambucana cantando, "Avé, Avé, Avé Maria..."; a alguns quilômetros, no estádio da Ilha do Retiro, milhares de leoninos estarão gritando: "Juiz fdp; VAR de merda; vai tomar... Pelo Sport tudo!".
Sinais dos tempos!
Não podemos parar no tempo. A própria Igreja Católica se moderniza para entrar em sintonia com a nova ordem, contudo, algumas coisas deveriam ser imexÃveis por conta de uma coisa fundamental a toda famÃlia, a toda sociedade: o respeito.
A Páscoa representa a passagem de uma vida, para outra melhor. Através dela passamos a entender os ensinamentos da Igreja Católica de que não existe um ponto final em nossas vidas.
Promover jogo na Sexta-feira Santa é um pecado cabeludo. Não sei quem vai carregar este fardo para o outro "lado".