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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
O repórter, Iranildo Silva, ex-presidente da Associação dos Cronistas Desportivos de Pernambuco - ACDP - me envia mensagem informando que, a CBF só permitia o acesso de repórteres para fazer cobertura dos jogos, se a empresa para a qual ele presta serviço tivesse adquirido os direitos de transmissão da competição.
Isto acontece em Copa do Mundo. E aqui, no "PaÃs do Futebol", tem gerado uma grande discussão. Afinal, o grande meio de comunicação que impulsionou o crescimento do futebol brasileiro, até os anos 60 do Século XX, foi o rádio. A primeira edição do Mundial de Futebol transmitida, ao vivo, via satélite, para o Brasil, foi a de 1970, no México, quando Pelé e companhia conquistaram o tricampeonato. Antes, os jogos das Copas de 58, 62 e 66 foram apresentados em VT.
Enfim, até mais da metade do Século XX, quem deu sustentação ao esporte mais popular do Brasil foi o rádio. Do Oiapoque ao Chuà clubes nasceram e cresceram nas ondas do rádio. Grandes jogadores surgiram, mas seus nomes só reverberaram através do rádio, que os transformaram em Ãdolos nacionais. Poucos tinham o privilégio de testemunhar a maestria dos gênios do futebol, mas o rádio narrava os feitos e a história. Era o suficiente para os profissionais se agigantarem no imaginário do torcedor.
Graças ao rádio o futebol se transformou num grande negócio, cobiçado por gregos e troianos. Jogadores e dirigentes se projetavam, ganhavam visibilidade, seus negócios prosperavam por conta de uma popularidade que lhe fora dada pelo veÃculo de comunicação que era a locomotiva do futebol.
Nos anos 60 do século passado, a FIFA começou a negociar os direitos de transmissão dos jogos da Copa do Mundo. Vale ressaltar que o Mundial sempre funcionou como um protótipo. O encantamento vai muito além das quatro linhas. Cada seguimento concentra as atenções nos sinais das futuras tendências que ditarão as novas ordens num ciclo de quatro anos.
Televisão, rádio e jornal passaram a pagar um preço alto para degustar o cobiçado bolo do futebol. A chegada da internet quebrou paradigmas. A partir da Copa de 94, nos Estados Unidos, quando o Brasil conquistou seu quarto tÃtulo Mundial, as emissoras de rádio, cujo número havia crescido assustadoramente, basicamente foram alijadas dos estádios. Foi criado em Dallas, o centro de transmissão. Uma grande arena, com um telão espetacular, e dezenas de cabines onde os profissionais das emissoras de rádio, do mundo inteiro, se concentravam para transmitir os jogos que lhes interessassem. Tal modelo está em voga até os dias de hoje.
Os lugares nos estádios ficaram reservados para os jornais e as emissoras de televisão. Apesar do "tubão", as rádios seguem pagando uma fábula para adquirirem os direitos de transmissão dos jogos do Mundial.
A era do smartfone baniu o radinho de pilha dos estádios de futebol. Aliás, este que já foi o acessório mais cobiçado por nove entre dez torcedores brasileiros, desapareceu até das prateleiras das lojas. Nos dias de hoje, torcedor ouvinte de rádio é espécie em extinção.
Muitos são os motivos e as razões para o apequenamento do mundo do rádio. Começa pela falta de criatividade, quem faz rádio dormiu em berço esplêndido. Seguiu abraçado com um modelo criado há mais de 50 anos, com poucas variantes e inovações. O avanço tecnológico que tirou do veÃculo de comunicação o que lhe era mais valioso: o imediatismo. Hoje, o domÃnio do aqui, agora, ao vivo e em cores, pertence ao smartfone. Detalhe: todo mundo é repórter nas redes sociais.
Para nós profissionais o rádio continua instigante. Entretanto, na vertente esportiva, ele sofre um achatamento que fatalmente lhe levará a "morte".
Existem deputados trabalhando em cima de projeto de lei, para limitar o espaço livre do rádio esportivo. Os "nobres" parlamentares estão brincando de chutar cachorro morto. Se tal iniciativa tivesse acontecido nos anos 50, 60, 70 do século passado, com certeza estes "inimigos públicos" seriam executados em praça pública.
Aqui no Brasil, cobrar do rádio a transmissão do futebol, é pior que deixar pai e mãe morrerem de fome.