Histórico
Náutico
Desilusão alvirrubra
postado em 31 de agosto de 2022

CLAUDEMIR GOMES

 

- Quais as chances do Náutico?

A pergunta me foi feita de bate pronto, fato que provocou uma resposta na mesma intensidade, mas em sentido contrário:

Nenhuma! Já está rebaixado.

- Mas ainda faltam onze jogos para o final do campeonato? Insistiu o inocente torcedor como se estivesse buscando a ilusão perdida.

Recorri a ironia para lhe dar um choque de realidade:

Se nos próximos jogos o Dado escalar Cumade Fulozinha, Saci Pererê e Papai Noel é possível que aconteça alguma coisa.

- Você tem razão!

Como se estivesse acordado de um sonho, ou pesadelo, o torcedor alvirrubro esboça um sorriso, e se despede dando sua receita para um futuro melhor:

- Renúncia já!

Nunca aprovei caça as bruxas. Sabemos que os erros existem e eles foram cometidos por alguém. Mas quem não erra quando tem o poder nas mãos? A luta contra o próprio ego é uma das mais difíceis para qualquer ser humano. A pitada de vaidade que o homem carrega com ele se transforma em toneladas quando ele está com o cetro em suas mãos. No futebol tudo se agiganta por conta do componente emoção.

E o presidente chama o clube de MEU.

Mas o futebol é um esporte coletivo. E o coletivo tem que funcionar em todos os quadrantes do clube. Afinal, ele é quem determina as vitórias. E sem vitórias o poder se torna volátil. Eis o castigo para quem exerce a tirania no futebol.

Certa vez, o mestre Gustavo Krause, um dos maiores alvirrubros que conheço num bate papo informal, me disse que: "futebol não aguenta desaforos".

Não existe desaforo maior do que se eleger a incompetência para um cargo que exige inteligência. Este é o típico exemplo do erro coletivo,  

E toda a corte, do rei aos vassalos, sofre com os efeitos do erro coletivo. Como em toda corte tem um bobo, ele é apontado como o grande culpado. Afinal, é inadmissível fazer graça com tal cenário.

A ordem é jogar bosta no técnico, o bobo da corte sempre que o andor se torna inviável de ser carregado num clube de futebol. E lá se vai um, dois, três, quatro, cinco... até que um dia descobrem que não existe mais bobo na corte. E o rei está nu.

Hora de deitar as armas. O exército não tem forças para conquistar nada, sequer tem capacidade de assegurar o espaço que havia transformado em seu com honrosas e inesquecíveis vitórias.

Desculpem a metáfora. Mas depois de assistir as últimas apresentações do time do Náutico é impossível falar em esquema de jogo, intensidade, transição de jogadas, dribles, bola parada...

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Copa do Brasil
Rivalidade em campo
postado em 24 de agosto de 2022

CLAUDEMIR GOMES

 

Com o início das disputas das semifinais da Copa do Brasil 2022, hoje à noite, envolvendo dois clubes do Rio de Janeiro, e dois clubes de São Paulo - Flamengo, Fluminense, São Paulo e Corinthians -, teremos a oportunidade de testemunhar mais um capítulo da maior rivalidade do futebol brasileiro: cariocas x paulistas.

Tudo começou no início do século passado, quando o Brasil se preparava para disputar a primeira edição da Copa do Mundo, em 1930, no Uruguai. A época, a Associação Paulista de Esportes Atléticos - Apae - fez uma reivindicação a Confederação Brasileira de Desportos - CBD - para que um de seus membros fosse nomeado para integrar a comissão da entidade nacional. Como não teve seu pleito atendido, a entidade paulista tomou a decisão de não ceder jogadores para formar o selecionado brasileiro que iria disputar o Mundial em Montevidéu.

A guerra, que em alguns momentos atingiu temperaturas altíssimas dentro de campo, segue até os dias de hoje camuflada nos bastidores, bem ao estilo "guerra fria", protagonizada pelos Estados Unidos e União Soviética. O fato é que, apesar de estarmos no Século XXI, sempre que temos times cariocas e paulistas envolvidos numa decisão, o caldo entorna.

Assim, Fluminense x Corinthians e São Paulo x Flamengo, têm todos os ingredientes para serem jogos apimentados, daqueles que, nem sempre o melhor conjunto, o mais técnico, leva vantagem. Nestes confrontos, pegando uma carona em recente declaração do atacante Gabigol (Gabriel Barbosa), podemos afirmar que: "Os estádios viram um inferno".

A rivalidade que nasceu na época em que dirigente de futebol era chamado de "paredro" (protetor), já fez muitas vítimas ao longo dos quase cem anos. Tudo com a anuência e respaldo das mídias carioca e paulista, principais responsáveis pela alimentação do bairrismo que teve seus momentos de extremismo.

O fato de a CBD, hoje CBF, ser sediada no Rio de Janeiro, proporcionou alguns privilégios aos clubes cariocas, principalmente quando o foco era a Seleção Brasileira, que, pelo sim, ou pelo não, foi o estopim da primeira crise da história do selecionado verde e amarelo, quando aconteceu o não dos paulistas.

Apesar de Rio de Janeiro e São Paulo serem estados vizinhos, as "escolas" carioca e paulista adotaram estilos diferentes, fato que serviu para alimentar a grande rivalidade existente entre ambos.

Qual dos dois Estados tem o melhor futebol?

A pergunta em voga há quase cem anos sempre dividiu opiniões, e num dos melhores momentos da história da Seleção Brasileira, dois times - Santos e Botafogo - um paulista, e outro carioca, serviam de base para o escrete nacional.

Nos dias de hoje, fato reconhecido por todos os treinadores, o Flamengo tem o melhor elenco do futebol brasileiro, mas isto não lhe assegura a conquista de nenhum título, principalmente numa decisão mata, mata, como a da Copa do Brasil. Ao jovem elenco do São Paulo resta a missão de buscar a surpresa nos dois confrontos.

Fluminense e Corinthians serão protagonistas de uma queda de braço onde as forças são parelhas. Neste caso, a participação efetiva da torcida pode funcionar como ponto de desequilíbrio.

Quem passa?

Pouco importa. Vejamos o que a rivalidade tem a nos oferecer como "prato do dia". Afinal, decisão entre cariocas e paulistas é igual a gol de placa.

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Santa Cruz
Sem atirar pedras
postado em 16 de agosto de 2022

CLAUDEMIR GOMES

 

Nome/apelido: Val

Sobrenome: Torcedor do Santa Cruz

Profissão: Taxista

Isto é tudo que sei a respeito de um cidadão comum, amante fiel e anônimo do Santa Cruz Futebol Clube. Todos os dias ele para o seu taxi na rua Henrique Capitulino, esquina com a Av. Conselheiro Aguiar, em Boa Viagem, onde passa a maior parte do tempo papeando com os amigos de sempre, pessoas simples como ele, de sonhos palpáveis, que se contentam com o pouco. Um pouco que mais das vezes não chega.

Pois bem! Na minha rotineira ida à padaria, mais das vezes, encontro Val. Se estiver ao celular, navegando pelas redes sociais, faz uma pausa para me cumprimentar. Quando está embalado numa prosa com os amigos, dá um trago daqueles que embriaga até a alma, e logo arremessa uma frase que tem como mote o seu querido Santa Cruz.

Hoje foi o primeiro dia que encontrei Val pós desclassificação do Santa Cruz na Série D. Sua frase parece que foi tirada daquele livrinho de bolso - Minutos de Sabedoria - tamanha lição de resignação, sabedoria e resiliência:

"Ano que vem tem mais!", exclamou.

Não atirou pedras em ninguém. Não buscou culpados. Claro que dentro do seu peito tem um coração magoado, choroso, mas que não perde a esperança por dias melhores.

Como isso vai acontecer?

Naturalmente que Val não tem a resposta. Acredito que aqueles mais de quarenta mil torcedores que há dez dias estiveram no Arruda, dando uma demonstração inconteste de que o Tricolor do Arruda é um dos clubes mais queridos do futebol brasileiro, também não saibam qual o caminho para colocar o Santinha em sintonia com o novo tempo.

Neste Século XXI, o Santa Cruz, passou de passagem, três vezes pela Série A: 2001; 2006 e 2016. Disputou quatro edições da Série B: 2007; 2014; 2015 e 2017. Esteve presente seis anos na Série C: 2012; 2013; 2018; 2019; 2020; 2021, e no próximo ano vai para sua quinta passagem na Série D: 2009; 2010; 2011; 2022 e 2023.

Sintetizando: tudo o que foi construído nas décadas de 70 e 80 do Século XX, quando o Clube do Arruda chegou a ser apontado como referência de crescimento no futebol brasileiro, foi enterrado com a chegada da nova ordem. O "Gigante" não percebeu que estamos na era do smartfone, e seus dirigentes seguem com um fax em cima da mesa.

Ontem - segunda-feira - o amigo e publicitário, Antônio Batista, me enviou, via WhatsApp, alguns memes sobre o atual momento do Santa Cruz. Hoje, quando busquei as mensagens, do mesmo Toinho, recebi a canção - Smile - do inesquecível Nat King Cole.

Não me perguntem os culpados pela derrocada do Santa Cruz no Século XXI. Todos pecaram por pensamentos, palavras, atos ou omissão.

Parodiando Nat King Cole, no icônico Smile, podemos afirmar que: "Quando há nuvens no céu o Santa Cruz sobreviverá".

Assim pensa Val.

Assim pensa uma multidão de amantes do Tricolor do Arruda.

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Libertadores
Favoritismo brasileiro
postado em 12 de agosto de 2022

CLAUDEMIR GOMES

 

Não gosto de ufanismo. Aliás, este é um defeito que a maioria dos radialistas e jornalistas esportivos brasileiros carrega consigo. Isso de achar que o futebol brasileiro é o mais, mais, é uma herança dos anos 50, 60 e 70, do século passado, quando os craques brotavam nos nossos campos feito banana, de cacho. Mas os tempos mudaram, e não é mais assim que a banda toca.

Apesar da cautela, e partindo do princípio de que o "futebol também segue uma lógica", podemos nos arvorar, e afirmar, diante da formatação das semifinais, que o título em disputa da Libertadores da América é coisa nossa. O desempenho dos times nas quartas de final nos leva a tal sentimento.

O argentino, Vélez Sarsfield, o estranho no ninho entre os brasileiros, Flamengo, Palmeiras e Atlético Paranaense, está pronto para roubar a cena. A equipe do técnico, Alexander Medina, que começou a temporada dirigindo o Internacional, de Porto Alegre, segue a "velha" receita da Escola Portenha, que tem a garra como elemento primordial para alcançar o sucesso. Seu time em campo parece ter sangue nos olhos. O time de Buenos Aires será o adversário do Flamengo nas semifinais. Se passar dará um salto gigantesco para pôr as mãos na taça.

O Flamengo de Dorival Júnior, dentre os quatro semifinalistas, é o que vive o melhor momento. Detalhe: possui o grupo mais homogêneo, e de melhor qualidade no futebol sul-americano. Depois de um semestre inteiro de desencontros, o rubro-negro carioca voltou a dar liga nas mãos de um treinador que parecia pouco provável a levar o time a se reencontrar dentro das quatro linhas. Pode-se dizer que o acerto veio por linhas tortas. O fato é que o Flamengo está nas quartas de final da Copa do Brasil; contabilizou cinco vitórias nas últimas rodadas do Brasileiro, e passou com moral (duas vitórias), pelo Corínthians, para chegas as semifinais da competição continental. Pelo elenco que possui, e a harmonia que tem apresentado em campo, é o time mais credenciado para levantar o título.

Palmeiras e Atlético Paranaense medirão forças no outro duelo das semifinais da Libertadores. O time paulista foi o único dos semifinalistas que não venceu nas quartas de final. Empatou os dois jogos com o Atlético Mineiro e avançou na competição numa disputa por pênaltis onde venceu por 6x5. É notória a saturação no elenco do Palmeiras. Diria que são os efeitos de um calendário maluco, e até desumano. Apesar da fadiga, o time paulista está mais credenciado para ir a uma final com o Flamengo. Evidentemente que, isto acontecerá se a "lógica" não for contrariada.

O Atlético Paranaense, do técnico Felipão, corre por fora como um grande "azarão". No confronto com o Estudiantes de La Plata, nas quartas de final, marcou o gol da vitória nos acréscimos do segundo tempo. O Atlético/PR está disputando as quartas de final da Copa do Brasil com o Flamengo; luta para se manter entre os quatro primeiros colocados na tabela do Brasileirão e se classificou para as semifinais da Libertadores. Pode se perder pelo caminho por conta da carência de um maior, e melhor, elenco. O time de Felipão tem como marca registrada uma pegada forte, mas precisa ser mais eficiente nas finalizações.

"O futebol tem certa lógica", como nos ensina o mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, mas não aguenta desaforos provocados pelo ufanismo.

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Acontece
Sem Jô, mas com piada
postado em 05 de agosto de 2022

CLAUDEMIR GOMES

 

O dia começou chato.

A notícia sobre a morte do espetacular Jô Soares, enviada por um amigo pelo WhatsApp, soou como uma piada de mau gosto. Mas, segundo a Lei de Murphy, "o que começa ruim pode piorar". De Brasília vem a notícia: a "Comissão do Esporte na Câmara dos Deputados aprovou a criação de um grupo de trabalho para acompanhar a preparação da Seleção Brasileira que vai disputar a Copa do Catar".

De imediato me veio a lembrança de uma das frases geniais do Jô:

"Nunca faça graça de graça. Você é humorista, não político".

A proposta de tal deboche foi de autoria do baiano, José Rocha, deputado federal vinculado ao partido União Brasil. Acredito que, com esta podemos afirmar: o Brasil deixou de ser o País do Futebol, e passou a ser o País da Piada Pronta.

O pior é que os caras não estão fazendo nada de graça. Tudo é com o meu, o seu, o nosso dinheiro. E viva a Pátria Amada.

Mas na proposta diz que ninguém viajará para ver treinos e jogos no Catar.

"Me engana que eu gosto".

Sebe aquela estória da cabecinha?

Pois é! Quando passa, passa tudo. Estão mostrando linha e anzol para pescar piaba, mas no final todos exibirão um robalo.

Acho até que o José Rocha deu uma passada na Baixa do Sapateiro, em Salvador, para comprar um par de chuteiras. Não sei qual a cor que escolheu. Bom! Com ele, e seus pares, respaldando o trabalho de Tite, podemos fazer fé no sucesso de Neymar e seus coadjuvantes.

Como o futebol é um esporte coletivo, no grupo, ou grupos a serem formados, haverá representantes de todos os partidos políticos. Só assim os jogadores vão aprender a compartilhar a bola.

É um show!

Já tem gente solfejando aquela modinha: "Todos juntos vamos, pra frente Brasil, Brasil, salve a seleção".

Como a discussão do momento, no futebol brasileiro, é sobre a capacidade dos nossos treinadores, acredito que, no futuro, não se tocará neste assunto. Estou convicto de que, deste grupo de parlamentares surgirão vários "professores". Afinal, a sementinha foi plantada no Planalto Central.

Impossível não lembrar o personagem criado pelo Jô Soares - Sebastião codinome Pierre - no programa Viva o Gordo: "Você não quer que eu volte!".

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