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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
Os representantes pernambucanos na Série B - Náutico e Sport - tropeçaram na largada do returno do Brasileiro. As derrotas sofridas por ambos fizeram os leoninos despencarem na tabela de classificação, e os alvirrubros se consolidarem como candidatos ao descenso. A vigésima rodada teve apenas um clube vencedor na condição de visitante: o Londrina, que se superou diante do Náutico, nos Aflitos, pelo placar de 2x1.
A tendência natural, fato observado em edições anteriores, é que os jogos do returno venham a ser mais difÃceis, em virtude do equilÃbrio de forças, uma vez que a maioria dos clubes investiram em reforços na tentativa de alcançarem seus objetivos. O empate sem gols entre Chapecoense e Grêmio, na abertura da vigésima-primeira rodada, fortalece a tese da elevação do nÃvel de dificuldades nas partidas de volta.
O mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, com sua generosidade me repassa muitos conhecimentos e ensinamentos. Com ele aprendi a simplificar algumas leituras, tomando por base que, as avaliações são feitas retrospectivamente. Nos primeiros vinte jogos dos trinta e oito que compõem o campeonato, o time dos Aflitos contabilizou dez derrotas, ou seja, perdeu a metade das partidas disputadas. Portanto, o farol de alerta foi ligado para os alvirrubros, que necessitam, para se livrarem da guilhotina, contabilizar oito vitórias nos dezoitos jogos que irão disputar. Tarefa nada fácil para quem, em vinte partidas venceu apenas quatro vezes. Os números dão o norte para as análises prospectivas.
Pegando uma carona no slogan da Rádio Clube - "Sem Clube não há futebol" - podemos afirmar que: sem gols não há vitórias. Eis a razão pela qual os rubro-negros viram o sonho do acesso se transformar em pesadelo. O clube da Ilha do Retiro cometeu uma série de equÃvocos na montagem do elenco - contratações de técnicos e jogadores - e o resultado foi um desequilÃbrio que parece insolúvel: defesa ajustada e ataque inoperante. Com tal equação o sucesso jamais irá acontecer. Na tentativa de provar que todos estão errados, e que figurar na décima posição na tabela de classificação nada define sobre o futuro, os "sábios" dirigentes leoninos anunciaram a contratação do atacante Vagner Love, 39 anos. Como diria o saudoso comentarista, José Bezerra, "trata-se de um ex-jogador em atividade".
Bom! Depois das aventuras de Lisca Doido, tudo é possÃvel na "Ilha da Fantasia". Até chuva de gols.
Só Love, só Love...
CLAUDEMIR GOMES
ConcluÃda a última rodada do primeiro turno do Brasileiro da Série B, é hora de se passar a régua e fechar o balanço da fase inicial. Vale lembrar que, as equipes que têm como meta o acesso à Série A, tomam por base a soma de 19 vitórias e 8 empates como sendo o coeficiente que assegura a conquista do objetivo. Em 2021 o Avaà conquistou a quarta vaga de acesso com 64 pontos e 18 vitórias. Na parte de baixo da tabela, o ponto de corte ficou com o Londrina que contabilizou 44 pontos e somou 11 vitórias.
Se fizermos uma projeção tomando por base os números da competição passada, e observamos que, Sport e Náutico precisam rever seus objetivos, e terão que traçar novos focos na disputa do returno, que já começa nesta sexta-feira.
Não é regra, mas, observamos que, nas edições anteriores, os quatro clubes que fecharam o primeiro turno no G4, a maioria conquistou o acesso no final do campeonato. Dentro desta lógica, Cruzeiro, Vasco, Bahia e Grêmio, que ocupam os primeiros lugares na tabela de classificação, após a disputa da última rodada do turno, estão creditados para voltarem à Primeira Divisão Nacional.
O clube mineiro fechou o turno com 42 pontos e 13 vitórias. Em 2021 o Cruzeiro terminou o campeonato com 48 pontos, tendo somado apenas 10 vitórias nos 38 jogos disputados. O Vasco, que atualmente está na vice-liderança do campeonato com 35 pontos e 9 vitórias, também fez uma campanha de manutenção em 2021, tendo contabilizado 49 pontos e 13 vitórias em 38 partidas disputadas.
Grêmio e Bahia, a exemplo do Sport, disputaram a Série A na temporada passada. Gaúchos e baianos têm grandes chances de concretizarem o projeto de um bate e volta, ou seja, cair em um ano e subir na temporada seguinte.
O Sport cometeu muitos erros na montagem do grupo para a temporada 2022. Os treinadores que estiveram no comando do time leonino conseguiram estabilizar o setor defensivo, mas não conseguiram acabar com a inoperância do ataque. Na realidade, as opções ofensivas não têm qualidade, razão pela qual time leonino fechou o turno com 27 pontos e apenas 6 vitórias. Para alimentar o sonho do acesso, os rubro-negros teriam que, no returno, contabilizar mais 37 pontos e somar mais 12 vitórias. Para um time que marcou apenas 12 gols em 19 partidas, a missão é quase impossÃvel.
O Náutico fechou turno no indesejado Z4, ou seja, no grupo formado pelos que estão creditados ao descenso. Os alvirrubros contabilizaram 18 pontos e venceram apenas 4 jogos em 19 disputados. Para se livrar do rebaixamento, tomando por base os números da edição de 2021, o Timbu vai precisar somar 26 pontos no returno. Não chega ser um desafio gigantesco, uma vez que irá disputar 57 pontos, contudo, o futebol apresentado nas últimas partidas não leva o torcedor a bons sentimentos.
CLAUDEMIR GOMES
O futebol pernambucano está na pindaÃba!
Isto é fato. Uma realidade da qual tomei conhecimento nos anos 70, do século passado, e que perdura até os dias de hoje. Vez por outra o mestre, Adonias de Moura, me escalava para fazer matéria com João Caixero de Vasconcelos Neto. O objetivo era fazer um comparativo dos balanços financeiros dos clubes com o da Federação. Joca era um alto executivo de empresa financeira, tinha uma habilidade fantástica no manuseio dos números, fato que deixava ressaltada as dificuldades dos clubes e o quanto a entidade lucrava com o Campeonato Pernambucano.
A "rixa" de Caixero com o então presidente da FPF, Rubem Moreira, era fundamentada nos números. E contra números não há argumentos.
Passado meio século, o cenário segue o mesmo: clubes em fase pré-falimentar e entidade abarrotada de grana. Todos os movimentos feitos pelos clubes ao longo dos últimos cinquenta anos foram de rotação, nenhuma translação. à como a rotina do dia e da noite. Os lampejos de clarões logo são substituÃdos pelas sombras. A rotina inviabiliza o crescimento sustentável.
No segundo governo de Miguel Arras foi lançado o Programa Todos com a Nota, através do qual o Estado subsidiava o ingresso do torcedor. Era o antÃdoto contra a falência do futebol pernambucano. Com o passar tempo o TCN foi transformado num grande guarda-chuva servindo de "abrigo financeiro" para uma infinidade de afilhados polÃticos.
Quando eleito Governador de Pernambuco, Paulo Câmara se assustou com o grande número de pessoas que estava "mamando nas tetas do Estado", através do TCN, sem nenhuma contrapartida. Aconselhado, suspendeu o Programa sob protesto dos clubes, torcedores etc.
Agora, passados sete anos, para surpresa geral de todas as tribos, na reta final do seu governo, Paulo Câmara anuncia o retorno do TCN, que vai injetar, nos últimos seis meses da temporada, milhões de reais no futebol pernambucano. O "pacote de bondades", de cunho meramente eleitoreiro, não vai tirar os clubes do vermelho. Isto é um problema de gestão. à como se o Governo estivesse querendo tapar o sol com uma urupema.
Existe um dito popular que diz o seguinte: "Negócio bom é aquele em que todos ganham".
Bom! A partir de agosto começa a nova "farra" do TCN.
Como diz aquele outro: "Ã UM SHOW!"
CLAUDEMIR GOMES
O acervo de troféus da CBF é um atestado de que o futebol brasileiro é um dos mais - ou o mais - ricos em conquistas mundiais. Mas esta história também é pontuada por tragédias que parecem ser superiores ao tempo, pois seus "fantasmas" provocam pesadelos por décadas. Dentre elas, as mais famosas, sem sombras de dúvidas, são:
- Maracanaço: Derrota do Brasil (2x1) para o Uruguai na final do Mundial de 1950.
- Tragédia do Sarriá: Derrota do Brasil (3x2) para a Itália no Mundial de 1982, na Espanha.
- Humilhação: Goleada sofrida pelo Brasil (7x1) para a Alemanha nas semifinais do Mundial de 2014, no Mineirão, em Belo Horizonte.
São tristes recordações que nos chegam junto com o mês de julho. à que as edições da Copa do Mundo, com exceção da de 2022 que será disputada no final do ano, novembro/dezembro, foram programadas para os meses de junho e julho.
Quando testemunhamos grandes acontecimentos da história, eles ficam arquivados na nossa caixa preta. Não há como deletá-los. Há 40 anos o 5 de julho me leva a recordar um dos momentos mais desconfortáveis vivenciados como jornalista esportivo e torcedor. à como se eu fosse acordado pelo estridente som de uma bigorna. Infelizmente não tem como moldar o passado.
Ser escalado para cobrir uma Copa do Mundo me fez sentir como um ator que ganha o Oscar. O mestre, Adonias de Moura, editor de esportes do Diário de Pernambuco, formou uma equipe com seis profissionais para fazer a cobertura do Mundial da Espanha. Um fato inédito na história do jornalismo brasileiro, e que colocou o DP entre os maiores veÃculos de imprensa escrita que estavam cobrindo o evento esportivo promovido pela FIFA.
O Mundial da Espanha foi disputado por 24 seleções. Na primeira fase os times foram divididos em seis grupos com quatro equipes. Na segunda fase, as doze seleções foram distribuÃdas em quatro grupos de três times. O vencedor de cada grupo se classificava para as semifinais. Eu, junto com o fotógrafo, Edvaldo Rodrigues, recebemos a missão de acompanhar os passos da Argentina, atual campeã do mundo, a época.
A Argentina chegou a Espanha com a quase certeza de que não conseguiria o sonhado bi. Afinal, as atenções do grupo de jogadores comandados por César Menotti estavam divididas com a Guerra das Malvinas, conflito pela soberania de terras na América do Sul protagonizado por soldados ingleses e argentinos.
O adversário a ser vencido na segunda fase era a Itália. O Brasil de Telê Santana encantava o mundo com um grupo de virtuosos que a cada exibição transformava o jogo jogado numa inebriante obra de arte. A Itália não correspondeu as expectativas na primeira fase. Foi alvo de muitas crÃticas. Os jogadores fizeram "greve de silêncio". O clima estava pesado para o lado da Azurra. Teoricamente, a chegada do Brasil as semifinais seria fácil.
O grupo formado por Telê Santana só tinha dois jogadores que dividiam opiniões: o goleiro Valdir Perez e o atacante Serginho Chulapa. Mas aquele time espetacular tinha um defeito: não sabia se defender. Uma triste realidade que ficou escancarada logo aos 5 minutos de jogo, quando o "carrasco", Paolo Rossi, marcou o primeiro gol italiano. O Brasil jogava pelo empate, e as esperanças brasileiras foram renovadas quando Sócrates empatou aos 12 minutos. Aos 25 minutos, novamente Rossi cala a torcida verde e amarela.
Assisti ao jogo na tribuna de imprensa ao lado do mestre, Fernando Menezes. No intervalo, era notória a tensão dos brasileiros. Tensão que foi aliviada com o gol de Falcão empatando o jogo. Aquele resultado (2x2), estava pra lá de bom. Mas a tarde erra de Paolo Rossi. Os deuses do futebol não queriam aquele "exército" brasileiro no limbo da bola. Em seu momento de imperador, Rossi marcou o gol da vitória, seu terceiro, o que selou a inesquecÃvel Tragédia do Sarriá.
Ao lado de Fernando Menezes, busquei abrigo na sua sabedoria e experiência. Ficamos um bom tempo observando aquela "onda" verde amarela deixar o estádio debaixo de lágrimas. O "imponderável", o "sobrenatural de Almeida!". Nem mesmo a genialidade do mestre, Nelson Rodrigues, nos dava a resposta. Aquele inacreditável placar estampado no estádio já vazio, a tristeza daquela tarde-noite, parecia cortar nossa carne.
Fernando sugeriu que voltássemos andando para o hotel. Sábia decisão. Estávamos sem norte. Seguimos a multidão. Não marcamos tempo, tampouco nos preocupamos com a distância. Nunca tinha visto Menezes ficar em silêncio por tanto tempo. Vez por outra trocávamos um olhar e seguÃamos mudos, lado a lado. Naquela noite, não fomos nos divertir na Ramblas, a rua mais famosa de Barcelona. Naquele 5 de julho de 1982 não havia espaço para o samba.
A "opera" imposta pelos italianos no Sarriá foi trágica demais.
CLAUDEMIR GOMES
Nas cinco últimas rodadas do Brasileiro da Série B, Sport e Náutico não contabilizaram nenhuma vitória. Dos quinze pontos disputados, por cada um, somaram apenas três. O time alvirrubro marcou cinco gols e sofreu oito, ficando com um saldo negativo de três gols. Por outro lado, a equipe rubro-negra marcou dois gols e sofreu quatro, o que lhe deu um saldo de dois gols negativos. Com tais números fica difÃcil alimentar bons sentimentos em relação ao sucesso dos times pernambucanos nesta edição da segundona nacional.
A conta é simples: para obter um acesso tranquilo a Série A, um clube tem que, na sua campanha geral, ter contabilizado 19 vitórias e 8 empates. Como existe uma margem de erros para mais, ou para menos, existe a possibilidade de um time vir a se classificar na quarta vaga com 17, ou até, com 16 vitórias, a depender do número de empates contabilizados.
Com cinco vitórias somadas em quinze jogos, o Sport, com os seis empates que contabilizou, tem um aproveitamento de 46,7%. Até o final da disputa os leoninos farão 23 jogos, ou seja, disputam 69 pontos. Para alimentar o sonho da classificação, o time que a partir de domingo terá Lisca Doido no comando técnico, terá que ter um aproveitamento de 64%. Resumindo: para figurar no G4, ao final da competição, o Sport terá que vencer 14 das 23 partidas que lhes restam. Para quem contabilizou 5 vitórias em 15 jogos disputados até o momento, a missão é quase impossÃvel.
Com apenas 3 vitórias na fraca campanha que descreveu em quinze vezes que foi a campo, o acesso para a Série A, este ano, para o Náutico, não passa de um sonho numa noite de verão. A equipe comandada por Roberto Fernandes vai lutar por uma campanha de manutenção. Vale lembrar que, 19, ou até 17 derrotas podem representar a queda do clube para a Série C.
Evidentemente que, este é o cenário do momento. Estamos a quatro rodadas do final do primeiro turno (jogos de ida), fato que serve de alerta para mostrar que o cenário pode ser alterado várias vezes. Entretanto, vale salientar que, na maioria das edições da Série B, desde que o campeonato passou a ser disputado pelo sistema de pontos corridos, dois ou três dos quatro clubes que encerram o primeiro turno no G4, ao final da competição concretizam o acesso.
Este ano, a briga para escapar da degola parece mais acirrada, visto que, apenas uma vitória separa o décimo-quinto colocado do lanterna, fato que abre a possibilidade de alguma equipe vir a ser rebaixada através dos critérios de desempate. Eis a grande importância do número de vitórias.
Regra de arquibancada: Na Série B o torcedor não cobra do time um futebol de qualidade. Ele exige apenas bons resultados. Razão pela qual as torcidas do Cruzeiro e do Vasco terem abraçado os seus times.