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A cadeira do mestre
postado em 26 de novembro de 2021

CLAUDEMIR GOMES

 

O jurista e escritor pernambucano, José Paulo Cavalcanti Filho, é o mais novo imortal da Academia Brasileira de Letras - ABL. Ele vai ocupar a cadeira 39, genuinamente pernambucana: foi criada por Oliveira Lima e recentemente acolhia Marco Maciel.

Quando tomei conhecimento de que o mestre José Paulo concorria a uma vaga na ABL, junto com outros cinco candidatos, disse cá pros meus botões: "Esta vitória já está na conta". Lógica pura. Afinal, um homem que garimpa conversas de 1/2 minuto, para o encantamento dos seus leitores, é merecedor de mil e uma homenagens.

Tão logo tomei conhecimento da vitória, explodi de alegria como o mais fiel geraldino se comporta na hora do gol marcado pelo seu ídolo.

Ah! Eu já sabia.

O grito foi inevitável. O que não sabia era que o óbvio me causaria tanta alegria.

Aqui, na nossa aldeia, José Paulo Cavalcanti Filho (José Paulinho - como costuma chamar os amigos), já é imortal há muito tempo. É que na Academia Popular de Letras, aquela que o povo entende a linguagem dos intelectuais, ele ocupa a cadeira de número um.

Fácil entender: Os textos que publica nos jornais são verdadeiras pérolas caçadas e devoradas com avidez pelos leitores; suas participações em programas de rádio enriquece os debates porque ele sabe chegar aos ouvintes de todas as classes e todos os níveis culturais com uma linguagem direta, simples, elucidativa.

Certa vez, estive no seu escritório na companhia der Humberto Araújo, um dos maiores cartunistas do País. Araújo estava para lançar um livro e gostaria de um texto do mestre José Paulo para enriquecer sua obra. Com a simplicidade que talha os grandes personagens da história, José Paulinho se colocou a disposição com uma humildade que só foi descortinada quando revelou a "leitura" que havia feito do autor. Não precisou de cópias do trabalho para definir seu pensamento.

No final do encontro fui sincero: "O Brasil precisa de mais pensadores como o senhor!"

Conversar com José Paulo Cavalcanti Filho é somar conhecimentos sempre. Até as baforadas que ele dá, quando acende o puro (charuto), parecem mais puras, podem ser tragadas como incenso de sabedoria.

Agora, na escalação do time dos imortais da Academia Brasileira de Letras, é possível ver dois craques alvirrubros: Marcos Vinícius Villaça e José Paulo Cavalcanti filho.

Bom! Se formos seguir o pensamento dos intelectuais, chegaremos à conclusão de que torcer pelo Náutico é, antes de tudo, uma demonstração de inteligência.

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Futebol sem graça
postado em 17 de novembro de 2021

CLAUDEMIR GOMES

 

No jogo em que o Flamengo goleou o São Paulo - 4x0 - válido pela Série A do Brasileiro, um lance chamou a atenção dos torcedores presentes ao estádio, e de milhões de telespectadores que acompanhavam a partida pela televisão: uma matada de bola do atacante flamenguista, Michael. Não havia nenhum marcador no seu encalço. Foi justamente a ausência de marcação que lhe permitiu exibir a técnica apurada e o fino trato que dispensou a bola, ressaltando uma habilidade inexistente na maioria dos jogadores brasileiros. De imediato foi reprimido, quase agredido por um defensor são-paulino.

Logo a seguir recebo um zap do mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo: "O futebol brasileiro está ficando chato de se ver. Estão tolhendo a liberdade criativa dos jogadores. Garrincha não jogaria nos dias hoje".

Verdade.

A liberdade criativa foi que levou o Brasil a ser a maior referência na arte de jogar futebol. Futebol é pura arte, e mesmo sendo um esporte coletivo, a genialidade individual é que serve como ponto de desequilíbrio. O drible, a firula, o passe milimétrico, a bicicleta, a lambreta, a saia, o elástico, o drible da vaca, o lençol, o banho-de-cuia... são recursos que fazem parte do repertório dos jogadores diferenciados.

Paulo Roberto Falcão, quando esteve no comando técnico do Sport, numa partida em Salgueiro, deu uma matada de bola, na área técnica reservada aos treinadores, que arrancou aplausos de quem estava presente no estádio. A televisão passou vários dias exibindo o lance que ressaltou a intimidade que ele tinha com a bola quando era jogador. Diga-se de passagem, um dos melhores do futebol mundial na posição que atuava.

No Santa Cruz de Carpina havia um ponteiro - Arlindo - que tinha uma variedade de dribles impressionante. Deixava qualquer marcador em polvorosa.

Certa vez o Sport foi com um time misto jogar em Carpina. Na ponta esquerda estava escalado, Ivanildo Arara. Pois bem! Em determinado momento do jogo ele deu um drible no seu marcador que ele caiu de bunda, torceu o joelho e nunca mais jogou bola. Acredito que, dentro desta nova %u201Clei%u201D que querem implantar no futebol brasileiro, Ivanildo teria sido expulso de campo.

O Sport investiu, as pressas, na contratação de um lateral em Alagoas, para parar os passos do ponteiro Marlon, no clássico que ia disputar com o Santa Cruz, na Ilha do Retiro. Marlon deitou e rolou em cima do reforço leonino, que não ficou em campo até o final da partida.

Quem viu Miruca, Nado, Heider, Mário Tilico, Robertinho, Ribamar, Vadinho, Fernando Lima, Fumanchu, Joãozinho, Henágio, e tantos outros dribladores que passaram no futebol pernambucano sabe que eles davam um colorido especial ao espetáculo.

Não discordo da prioridade do coletivo que tanto se defende no futebol, mas a individualidade é a ameixa do pudim. Caso contrário não se exaltaria os talentos de Romário, Bebeto, Rivaldo, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Neymar, Messi, Cristiano Ronaldo e dos mais novos que começam a atrair os holofotes para si.

O que se deve coibir no futebol brasileiro é essa vocação para ator de terceira categoria que os jogadores insistem, cada vez mais, de exibir em campo, num flagrante falta de respeito ao torcedor. Um comportamento que compromete uma arbitragem que há muito clama por uma reciclagem.

O excesso de malandragem dos jogadores, a falta de respeito e de educação são os itens que mais comprometem a qualidade do espetáculo que se oferece nos campos brasileiros.

O mestre, José Joaquim, tem toda razão: a coisa tá ficando chata, insuportável.

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Seleção Brasileira
Aprovação sem empolgação
postado em 12 de novembro de 2021

CLAUDEMIR GOMES

 

Com uma magra vitória - 1x0 - sobre uma limitada Colômbia, e exibindo um futebol burocrático, a Seleção Brasileira carimbou seu passaporte para a Copa do Mundo de 2022, que será disputada no Catar. O time do técnico Tite, que venceu 11 dos 12 jogos disputados até o momento, e se mantém invicto nas Eliminatórias Sul-Americanas, nos lembra aquele aluno cujo boletim é recheado de nota 10, mas não empolga a turma para ser escolhido como seu representante e orador na festa de encerramento e colação de grau do curso.

O Brasil vai para a sua vigésima-segunda Copa. É o único selecionado do mundo a participar de todas as edições deste que é um dos maiores espetáculos midiáticos do planeta.

No próximo ano comemoraremos 20 anos da última conquista brasileira. A Canarinha (era assim que se chamava a Seleção Brasileira nos anos 60 e 70 do século passado), é a única a exibir cinco títulos mundiais no seu currículo. Alemanha e Itália têm quatro conquistas, cada. As três seleções detêm 13 dos 21 títulos disputados. Uruguai, Argentina e França, com dois títulos cada um; e Espanha e Inglaterra, com uma conquista, cada, fecham o pelotão dos campeões.

Apesar da campanha pra lá de exitosa nas Eliminatórias, a Seleção de Tite não chega a empolgar o torcedor brasileiro. O que está acontecendo com o nosso povo? Será que voltamos a ser dominados pelo famoso "complexo de vira latas", tão combatido pelo mestre, Nelson Rodrigues?                                

Afinal, este ano o Brasil conquistou sua segunda medalha de ouro no futebol olímpico e o feito não reverberou. Acredito que, como estamos numa travessia pandêmica, a alegria que é marca registrada do povo brasileiro tenha sido empanada pela tristeza decorrente do registro de milhares de mortes.

O momento difícil que atravessa o País, um dos mais assustadores da nossa história, resultado da degradação da classe política, e de magistrados que ora respondem pelo norte da Nação, também deixou o nosso povo sem graça, a ponto de colocar os jogos da seleção numa vala comum

Não é fácil acreditar num novo tempo quando observamos que as nossas piscinas continuam "cheias de ratos", como diria o grande Cazuza.

O futebol brasileiro é rico em contrastes. Telê Santana era uma unanimidade, disputou duas Copas do Mundo e não conquistou nada. Carlos Alberto Parreira e Luiz Felipe Scolari, que foram questionados por muitos, têm títulos mundiais em seus currículos.

O ufanismo que tomou conta dos "analistas" também é responsável pela forma equivocada das leituras que são feitas. Atualmente, o corporativismo faz com que os comentaristas, ao invés de analisarem os fatos, busquem explicações para os erros cometidos pelos jogadores. Sinais dos tempos.

As competições clubísticas da Europa se tornaram mais interessantes, e com melhor nível técnico, do que as Copas do Mundo. Eis a razão pela qual o mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, acredita que, os futuros campeões do mundo sejam do Velho Continente.

Se o fracasso começa pelo sentimento, torço para que, até novembro do próximo ano, o sentimento do torcedor brasileiro mude em relação a Seleção de Tite. É que a turma tira nota 10 e não empolga.

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Doce de Guabiraba
postado em 05 de novembro de 2021

CLAUDEMIR GOMES

 

Mês passado aconteceu mais um ENCONTRO DOS TAMARINEIROS. Trata-se de uma confraternização criada pelos carpinenses, com mais de meio século de estrada. A primeira edição foi em 2017. A confra, regada a um saudosismo salutar, nos proporciona o encontro com amigos que não vemos há décadas. As histórias dos senhores barrigudos, de cabelos brancos ou carecas são divertidas. Ausências são sentidas, mas a ordem do dia é curtir à felicidade proporcionada por momento tão especial.

Após ouvir tantas recordações, narrativas de fatos que já escapavam de nossas memórias, é inevitável não olhar no retrovisor. É como se buscássemos um tempo bom que não volta mais.

No caminho de volta pra casa, enquanto Minervino (Mineco) Rodrigues e Márcio Adonso "discutiam" sobre assuntos diversos, eu me sentia, cada vez mais, absorto em meus pensamentos, contemplando uma paisagem que fora alterada ao longo do tempo. As mudanças na geografia levam a traçar um paralelo entre o ontem, e o hoje.

Ao passar por Paudalho senti, no cenário atual, a falta de uma preciosidade chamada: DOCE DE GUABIRABA.

Quem nos anos 60, 70, 80 e 90 - as últimas quatro décadas do século passado - em viagens de idas e vindas ao Interior, passou por Paudalho, conheceu o irresistível doce de Guabiraba, que era oferecido pelos vendedores ambulantes. Os que experimentaram a iguaria podem ter a certeza de que se deliciaram com um manjar dos céus.

Na minha infância e adolescência, meu pai (Jaime Gomes), que diariamente fazia duas viagens -  Carpina/Recife x Recife/Carpina - dirigindo o seu próprio ônibus - Expresso São Judas Tadeu - frequentemente me presenteava com aquele mimo de sabor inigualável.

Embrulhado, um a um, com papel seda, aquela porção de doce parecia mágica, na medida certa para atender o desejo de todos aqueles que se sentiam seduzidos por iguaria tão especial.

No novo século, minhas idas a Carpina se tornaram escassas. Das poucas vezes que passei por Paudalho não consegui comprar o inesquecível doce de guabiraba. Certa vez, quando trabalhava na Rádio Clube, um ouvinte que sempre ligava para participar do debate esportivo, me levou uma barra de doce de guabiraba. De tanto me ouvir falar na iguaria, que parecia ter desaparecido do mapa, resolveu me presentear.

Ao narrar tal fato para o amigo/irmão, Diljesse Vasconcelos, companheiro de classe durante todo o curso ginasial no Colégio Salesiano Padre Rinaldi, em Carpina, ele me relatou todo o processo de extinção da Guabiraba, por conseguinte, do seu doce encantador.

Diljesse é proprietário de uma granja em Paudalho, onde tem plantado cinco pés de jaboticaba. Uma maravilha.

Confesso que fiz vários questionamentos sobre o descaso e a falta de sensibilidade dos vários gestores da cidade de Paudalho, e dos habitantes de forma geral, que deixaram de potencializar as plantações de Guabiraba, assim como a fabricação de um doce que era exclusivo da cidade. Nada mais nobre e genuíno para representar a culinária do município do que o doce de guabiraba.

Relatório dos dias atuais: Escassez de pés de guabiraba e a morte das tradicionais doceiras. Acrescente-se: falta de visão de todo o povo de uma cidade.  Lamentável.

Confesso que, as lembranças daquele manjar dos céus me deixam com água na boca.

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Náutico
Sonho arquivado
postado em 03 de novembro de 2021

CLAUDEMIR GOMES

 

Arquivar sonhos não é tarefa fácil! Principalmente para o torcedor de futebol que facilmente se deixa cegar pela paixão. Eis a razão do desabafo, quase coletivo, dos alvirrubros nas redes sociais, uma tribuna livre, sem regras e sem leis, que abre espaço para xingamentos e agressões traduzindo a violenta emoção provocada pela frustração de ver o Náutico não conseguir o acesso a Série A do Campeonato Brasileiro.

A tarefa pareceu exequível ante o bom desempenho do time comandado por Hélio dos Anjos, no início da competição, quando ostentou uma invencibilidade por dezesseis partidas. Chegou a ser tratado, por alguns "especialistas", como sendo "uma equipe de Série A disputando a Série B". Esqueceram apenas de um detalhe crucial: numa competição de tiro longo, tal qual o Brasileiro, a mudança de cenário é corriqueira.

E a essas mudanças sobrevivem os clubes que montam bons elencos, ou seja, vão mais além da formação de um bom time. Hélio dos Anjos tinha em mãos um bom time, que se identificou e harmonizou dentro de uma filosofia de jogo onde as qualidades individuais dos profissionais eram exploradas da forma mais positiva possível, fato retratado através da sequência de bons resultados.

A perda de alguns titulares desfigurou o time porque no elenco não havia peças de reposição a altura. A causa da queda de rendimento era bastante notória. Buscar culpados aquela altura do campeonato foi um erro crasso. Um equívoco que depois se tentou corrigir, mas o tecido havia se esgarçado. Quando isto acontece o conserto se torna muito difícil.

Os erros fizeram com que o Náutico perdesse terreno, e o fôlego para chegar ao G4, grupo em que habitou por um bom tempo. Resultado: O Timbu foi o "coelho" da "Maratona 2021" em busca do acesso a Série A do Brasileiro.

Nas redes sociais o halloween alvirrubro é imenso. Não são poucos os que entraram nesta cruzada de caça as bruxas. As derrotas para o Brasil de Pelotas e o Brusque, nas últimas apresentações, são tomadas como parâmetros para julgar e sentenciar pretensos culpados de o Náutico não ter atingido sua meta na competição nacional.

Hoje, na resenha matinal da Padaria Diplomata, um torcedor alvirrubro, como um autêntico profeta do apocalipse, esbravejou logo que me viu chegar: "Eu não disse que não classificava".

Premonições fazem sucesso no cinema. Aliás, o tema tem sido bem explorado durante esta travessia pandêmica, mas no futebol não passa de fantasia de torcedor apaixonado e pessimista.

Os bastidores dos Aflitos, tal qual os de todos os clubes do futebol brasileiro, não são transparentes como deveriam ser. Isto é fato. E talvez venha a ser o maior dos obstáculos para se fazer um planejamento.

Ano passado o Náutico lutou para escapar do rebaixamento para a Série C. Este ano, foi campeão pernambucano, fez uma campanha razoável na Série B, não alcançando o objetivo traçado por conta de um erro de percurso. Enfim, o trabalho desenvolvido apresenta uma margem de acerto muito grande. Com alguns ajustes no planejamento é possível vislumbrar uma temporada 2022 muito auspiciosa.

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