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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
O Campeonato Brasileiro chegou num ponto em que a cabeça do torcedor começa a dar nó. A depender da situação em que o seu clube se encontre; das metas perseguidas, as atenções se redobram em relação aos números.Os cálculos e as projeções são feitas com um viés de emoção que se contrapõe ao pragmatismo imposto pela verdade dos fatos expostos a cada rodada.
O puxa e estica dessa gangorra, na qual os clubes têm diferentes objetivos, pode ser simplificado por um único critério: o número de vitórias. Isto é fato. Uma vitória no Campeonato Brasileiro tem o mesmo peso, e importância, de uma medalha de ouro numa olimpÃada. Eis o porque dos torcedores do Sport, e do Náutico, terem engolido atravessado, os empates dos seus clubes, respectivamente contra Chapecoense e Vitória.
Durante alguns anos participei, de um debate na Rádio Clube com o jornalista, José Gustavo. Ele sempre usava uma expressão de efeito, que me vem a memória quando os clubes pernambucanos são apontados como favoritos e fracassam em suas missões: "Esse jogo tava na conta". Exclamava o amigo Guga, para externar sua indignação pelo fiasco do time em questão.
Empatar em casa, com o lanterna da competição, time que, em dezoito partidas não contabilizou nenhuma vitória, é a "avacalhação da guerra", como diria o mestre, Adonias de Moura. Ano passado o Sport se livrou do rebaixamento porque contabilizou 12 vitórias. Nas 20 partidas que lhes restam a cumprir, o Leão da Ilha do Retiro precisa somar 9 vitórias para escapar da degola. A julgar pelo que o time produziu no primeiro turno, e pelo desempenho do grupo, a missão de sobreviver na Série A é quase impossÃvel. Ao observar o norte que os números apontam, no momento, podemos afirmar que, o empate com a Chape, foi o carimbo do passaporte do Sport para a Série B em 2022.
A atual edição da Série B está sendo considerada a mais equilibrada, desde que a disputa passou a ser realizada obedecendo os critérios de pontos corridos. Tal fato aumentou a importância das vitórias. Após a disputa de 21 rodadas, observamos que seis clubes, do quinto ao décimo colocado, estão com 9 vitórias em suas campanhas. O lÃder tem 11 vitórias e do segundo ao quarto colocado, todos têm 10 vitórias, cada um. Se o Náutico tivesse ganho do Vitória, teria na sua contabilidade 10 vitórias e chegaria a um montante de pontos que lhe levaria ao G4. Enfim, quando chegar a hora de passar a régua e fechar a conta, o amargo empate com o time baiano, nos Aflitos, pode vir a significar a frustração de um sonho para a torcida alvirrubra.
Futebol é momento e nossa análise é fundamentada nos fatos atuais. Ainda teremos muitas rodadas pela frente, e possivelmente algumas mudanças de cenário, entretanto, o caminho para alcanças as metas traçadas, das ousadas as mais simples, é um só: a soma de vitórias.
Em 13 jogos disputados na Série C, o Santa Cruz somou apenas uma vitória. Nada melhor para traduzir o insucesso do Tricolor do Arruda.
CLAUDEMIR GOMES
O primeiro turno da Série B será concluÃdo, hoje a noite, com a disputa de dois jogos: Brusque x Goiás e Brasil de Pelotas x CSA. Quando for passada a régua, a conta pode ser fechada com um clube com 10 vitórias; três com 9 e oito com 8 vitórias. Nada mais preciso para revelar o equilÃbrio da disputa do que a força dos números. Afinal, apenas uma vitória separa o décimo colocado - Vasco - do cobiçado G4.
As pessoas insistem em tratar o futebol como uma ciência exata, criam "regras" com base em algumas coincidências, mas se perdem na leitura dos detalhes, das peculiaridades existentes em cada competição. O fato de, nas edições de 2019 e 2020, ao final do primeiro turno, os quatro clubes que formavam o G4 foram os mesmos que conseguiram o acesso à Série A, no final do campeonato, não quer dizer que tudo venha a se repetir.
O equilÃbrio estabelecido nos jogos de ida, e que só tende a aumentar no returno, levará as comissões técnicas a estudos mais aprofundados, considerando detalhes observados a cada rodada. Por exemplo: nesta décima-nona rodada, em oito partidas disputadas, tivemos o registro de apenas uma vitória de clube mandante, que foi a do Coritiba (2x0) sobre a Ponte Preta. A supremacia dos visitantes foi notória. Vale lembrar também que, a maioria dos times que estão lutando pelo acesso fracassou. Esta gangorra deve prevalecer até o final da disputa.
Coisa de um equilÃbrio nunca visto.
Neste cenário inusitado da Segunda Divisão, que nesta edição reúne cinco campeões de Primeira, podemos afirmar que o Náutico segue inserido no contexto do acesso. A retomada do crescimento será o desafio do novo técnico alvirrubro, Marcelo Chamusca. Sua missão começa com dispensas e reposição de peças, que é sempre um tiro no escuro quando as competições estão em curso, e quando os clubes não têm dinheiro para investir em profissionais com boa margem de acerto, e menor percentual de risco.
O amigo, Edson Nogueira, sempre nos ensinou que: "manter peças ruins no elenco é terrÃvel porque um dia você se ver obrigado a utilizá-las". Verdade. Na maioria das vezes o treinador se fecha tanto com o grupo que não consegue separar o joio do trigo. Se mexer numa peça vai desmontar o tabuleiro. Creio que foi isto que aconteceu com o Hélio dos Anjos, que jogou a toalha, mas não subtraiu nenhuma peça do grupo, embora reconhecesse que, no momento, tal atitude era imperativa.
A disputa acirrada por posições, a evolução de times de regiões menos favorecidas economicamente, a entrega dos jogadores apostando na superação, são alguns dos fatores que tornaram esta edição da Série B bastante atraente. Tendência, por enquanto, só de queda, uma vez que, Brasil de Pelotas e Confiança, não conseguiram esboçar nenhuma reação durante todo o primeiro turno.
A turma que briga pelo acesso segue na busca de uma marca infalÃvel: 19 vitórias e 8 empates, alcançando um total de 65 pontos.
Meta atingida é só soltar o grito: PRIMEIRA DIVISÃO!
CLAUDEMIR GOMES
O poeta, Vinicius de Morais, através do - Dia da Criação - nos ensina que, "Porque hoje é sábado... Não há nada como o tempo para passar"...
E porque hoje é sábado, estava deitado na rede, absorto numa leitura, quando o jardineiro do vizinho se aproximou com o seu celular e colocou uma gravação para eu ouvir, no que indagou: "Quem é esse?"
- Roberto Jefferson, ex-deputado que foi preso pela PolÃcia Federal. Respondi.
Minhas palavras chegaram aos seus ouvidos como aprovação para um desabafo. Ao seu jeito, com um vocabulário restrito, mas cheio de verdades, ele falou por quase cinco minutos, sem dar trégua. Não quis ouvir minha opinião, e encerrou o monólogo com uma exclamação forte:
"Eita polÃtica do cranco!"
Cranco é uma interjeição muito usada no Agreste Pernambucano, uma derivação da doença Cancro Venéria. Normalmente a palavra é usada em expressões negativas.
De imediato lembrei da advertência feita por Dom Helder Câmara: "Você pensa que o povo não pensa, o povo pensa!".
E após ler os brilhantes artigos de José Nivaldo Junior - Democracia Já - e de Edgar Moury Fernandes - STF normaliza o absurdo - publicados na última edição do jornal, O Poder, que tem feito o jornalismo com verdade e imparcialidade, como se espera de um veÃculo de comunicação sério, chegamos a conclusão de que esticaram a corda demais, e o risco de ela se romper é iminente.
De um lado, um presidente que peca por palavras, atos e omissão, que parece fazer mais estragos que um macaco solto numa loja de decoração, mas que soube utilizar as redes sociais para devolver a força da Direita que se vestiu de verde e amarelo, tomou as ruas e transformou um polÃtico, até então perdido na sua mediocridade, num fenômeno. Mito!
Do outro lado, um ex-presidente que parece mais um discÃpulo de "Ali Babá", mesmo sem discurso convincente, desperta o seu exército vermelho, fiel e ensandecido por uma crença ideológica cega.
Aliás, do lado de lá, e do lado de cá, direita ou esquerda, como queiram, a alienação é uma plataforma inquebrantável, fato que não deixa de ser surpreendente quando se vivencia a era da comunicação, onde se recebe um montante absurdo de informações, de forma constante e permanente.
O STF, que seria o fiel da balança, guardião da Democracia, passou os pés pelas mãos, como nos mostram os mestres da ciência polÃtica, e da ciência do Direito. Os ministros do Supremo Tribunal Federal "rasgaram" a Constituição, chutaram todos os direitos, só não deram socos e pontapés, como os antigos coronéis, mas mandam prender os que se contrapõem as suas verdades.
Pelo andar da carruagem, a julgar pela reação popular que se expressa nas ruas, o STF acabará se transformando no maior cabo eleitoral do governo nas próximas eleições.
As dificuldades do momento foram acentuadas por todos os transtornos trazidos pela pandemia do CoronavÃrus. O Brasil, que sempre foi colorido e alegre, de repente ficou cinza e triste, marcado pela radicalização e intolerância de um povo cujo DNA tem as marcas do bom humor e da gentileza.
Ao ex-presidente francês, Charles de Gaulle, que nos anos 60 amargou revolta e protestos das classes estudantil e trabalhadora, e que, surpreendentemente, logo após os movimentos que despertaram a atenção do mundo foi reconduzido ao cargo, é atribuÃda a frase: "O Brasil não é um paÃs sério".
Diante desta zorra estou quase me rendendo a "verdade" do General.
Afinal, como diria Sasá Mutema (personagem de novela da Globo): "Meninos eu vi!".
Nada é deletado quando se é testemunha da história.
Porque hoje é sábado - Dia da Criação - fico com o desabafo e a irreverência de um jardineiro fiel as suas convicções.
Eita cenário do cranco!
CLAUDEMIR GOMES
A sequência de um empate e três derrotas, por conseguinte, a perda de uma liderança que ostentou em dezesseis rodadas, levou a torcida do Náutico ao desespero. Logo apareceram os profetas do apocalipse cuspindo a arrogância de suas verdades. Hoje cedo, na agradável resenha da padaria, o que mais se ouviu foi frases do tipo: "Eu não disse"; "Eu sabia que isto ia acontecer"; "Gente lá de dentro me falou que as coisas não estão muito boa"...
O tricolor, Marco Antônio Maciel, mestre da paciência e tolerância, com sabedoria nos ensinou que, "os pessimistas já começam errando".
Ora! Nada dura para sempre, principalmente num campeonato longo, composto por 38 rodadas. As oscilações nas campanhas dos times são previstas, naturais e compreensÃveis. E o desafio daqueles que têm propostas ousadas é superá-las.
A simples definição dos clubes que iriam disputar a edição 2021 do Brasileiro da Série B, com a presença de cinco campeões brasileiros - Vasco, Botafogo, Coritiba, Cruzeiro e Guarani - sinalizou que a competição seria marcada por um grande equilÃbrio. Para melhor entendimento de um campeonato de 38 rodadas, os analistas fazem uma divisão por ciclos compostos por 5 partidas, cada um. Portanto, o Náutico surpreendeu nos dois primeiros ciclos, alcançou uma marca recorde de invencibilidade, e após uma quebra de ritmo, pela ausência de peças que desfizeram o quarteto fantástico - Erick, Kieza, Jean Carlo e VinÃcius - apresentou uma queda de produção no terceiro, e não conseguiu reagir nas duas primeiras rodadas do quarto ciclo.
A décima-sétima rodada será concluÃda hoje (quinta-feira), com possibilidades de mexidas significativas na tabela de classificação: CRB tem a chance de chegar a vice-liderança, caso contabilize os três pontos que disputará com o Brusque, e o Botafogo que terá o Operário como adversário, pode chegar a sua oitava vitória, e ao montante de 28 pontos, se colocando de vez na briga pelo acesso a Série A. A evolução de algumas equipes no terceiro ciclo, ratificou o equilÃbrio previsto nesta edição da segundona.
Ano passado o Náutico lutou contra o rebaixamento. Isto é fato. Hélio dos Anjos desenvolveu um trabalho que recuperou a auto-estima do grupo, conquistou o Campeonato Pernambucano e levou o time dos Aflitos a uma campanha digna de aplausos neste primeiro turno, a exemplo de outros clubes nordestinos como Sampaio Correa e CRB. Afinal, a depender dos resultados dos jogos que serão disputados hoje a noite, a rodada será fechada com três clubes da região no G4: Náutico, Sampaio e CRB.
O desafio do alvirrubro pernambucano é a retomada do crescimento. Teoricamente, a sequência dos 4 jogos que terá pela frente, lhe permitirá tal façanha, Mas nem sempre a prática é fiel às propostas. No jogo de ontem, com o Sampaio Correa, o time de Hélio dos Anjos vivenciou bons momentos, criou oportunidades para abrir o placar, finalizou mais que o adversário, mas teve contra si a gigantesca atuação do goleiro maranhense, e a falta de uma melhor percepção do seu atacante no momento de tomar a decisão na conclusão de dois lances.
Os clubes que vivem um bom momento merecem uma atenção especial, assim como, os de camisa, de tradição, como Vasco e Botafogo, que estão subindo a ladeira na ânsia de chegar ao G4, e lá fixar permanência.
Ao final do quinto ciclo as tendências começam a serem formadas. Neste equilÃbrio de forças, com cinco clubes com 8 vitórias, podendo ao final da rodada ter duas equipes com 9 vitórias, a ordem é explorar ao máximo os bons momentos, como o Náutico fez até a metade do terceiro ciclo.
Detalhe: desespero e desequilÃbrio são sinônimos de derrota. Muita calma nesta hora. Coisa que não acontece na agradável resenha matinal da padaria.
CLAUDEMIR GOMES
Entre a noite do Oriente, e o dia do Ocidente, existirá sempre a barreira do sono. São linhas paralelas que nunca se cruzam. Eis a razão pela qual não foi fácil acompanhar, em tempo real, as OlimpÃadas de Tóquio, cuja cerimônia de encerramento aconteceu na manhã deste domingo (do lado de cá), e a noite (do lado de lá).
A abertura, e o epÃlogo, de todas as edições dos Jogos OlÃmpicos são sempre marcantes, mas as OlimpÃadas de Tóquio entra para a história com as marcas da inclusão, da igualdade, fato que as tornou mais humana. Nada mais real, e efetivo, para traduzir a proposta dos Jogos realizados durante uma travessia pandêmica, do que o pódio das duas maratonas, feminina e masculina, formado no capÃtulo final. A maratona é o ponto alto dos Jogos OlÃmpicos da Era Moderna. No pódio feminino, duas atletas negras do Quênia e uma branca, dos Estados Unidos. No pódio masculino, três atletas negros, mas dois com passaportes de imigrantes, representando a Bélgica e a Holanda. O medalha de ouro foi do Quênia.
A pira olÃmpica foi acesa por uma mulher; o percentual de mulheres atletas em Tóquio foi fantástico; as saudações a França, próximo paÃs a sediar os Jogos, foram marcadas pela presença feminina, cantora, regente de orquestra, enfim, as OlimpÃadas deixam Tóquio mais humanizada, menos preconceituosa.
Os atletas olÃmpicos são gigantes, mas até entre eles existem os "deuses" como Usain Bolt e Maicon Phelps, que não competiram no Japão e deixaram todos os outros atletas com a certeza da igualdade. Os "extraterrestres", como Simone Biles, atleta que desembarcou em Tóquio sob pressão para conquistar seis medalhas de ouro, também são humanos, são iguais. E o mundo foi solidário ao grito de "basta", dado pela atleta que adoeceu por ter sido tratada como máquina programada para bater recordes.
O contraditório foi a marca mais expressiva registrada nos Jogos de Tóquio. Nas disputas, os atletas numa busca incessante pela superação, que podia ser através da marca pessoal; da conquista de medalhas até a quebra de recordes olÃmpico ou mundial. Para um atleta olÃmpico não existe limites. Por outro lado, na esfera comportamental, a competição foi marcada pela imposição de limites. Não ao preconceito, a discriminação, e a tudo que vai de encontro a igualdade das raças, dos seres humanos.
E sem a integração dos povos nas ruas, sem a alegria das arquibancadas nas arenas e nos estádios, o mundo ouviu melhor o brado dos atletas. Uma Cuba abraçada por várias bandeiras; a solidariedade das nações adotando imigrantes; uma gigante venezuelana batendo recorde olÃmpico e mundial na conquista do ouro no salto triplo; o charme da mulata Rebeca no seu baile sedutor com o brilho da prata; uma israelita quebrando a hegemonia russa na ginástica rÃtmica; as pequenas japoneses conquistando medalha de prata no basquete feminino; assistiram a chegada do skate, que deixa as ruas para receber o referendo de esporte olÃmpico; viram a natureza mudar o curso da história nas disputas do surf.
As OlimpÃadas de Tóquio foram realmente humanas.
Elas até nos levaram a descobrir um Brasil Caboclo, que luta como gigante nas comunidades, superando as dificuldades do dia a dia, mas que vale prata, ouro ou bronze. Afinal, nosso PaÃs sempre foi rico em minérios.
O anoitecer em Tóquio brindará os japoneses com o sono dos justos. Oxalá, o despertar no Brasil leve nossos polÃticos a enxergarem que, nosso PaÃs clama por uma polÃtica desportiva. Não podemos viver eternamente esperando a magia de uma fadinha e os milagres da periferia.