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OBITUÁRIO
postado em 12 de maio de 2021

CLAUDEMIR GOMES

 

A internet impôs uma dinâmica de mudanças impressionante: mudança de comportamento, mudança de hábito... E, recentemente, com a chegada no mercado deste novo profissional chamado digitador influencer, as pessoas mudam de opinião num piscar de olhos. Entretanto, para os homens de algumas gerações (os mais velhos e experientes), a fidelidade ao barbeiro é uma coisa imexível.

Após um hiato de três meses sem ir ao salão do amigo Arnaldo, fui surpreendido na chegada. Bom de conversa, quando me viu entrar, parou momentaneamente de cortar o cabelo do rapaz que estava sentado na cadeira, e disparou com a sinceridade de uma criança: "Bom lhe ver! Pensei que havia recebido a visita do Covid".

Em tempo de pandemia não podemos nem classificar sua frase como humor negro. Sinais dos tempos. Enquanto aguardava minha vez para cortar o cabelo, tentei contabilizar quantos amigos o Covid subtraiu de minha vida em pouco mais de um ano. Confesso que, se fosse escrever o obituário de todos editaria um livro.

Quando comecei a trabalhar no Diário de Pernambuco, em 1975, havia uma coluna de obituário. Sem falar no grande número de anúncios fúnebres que eram publicados diariamente. Quem não tinha dinheiro para bancar o anúncio de forma destacada, em página ímpar de preferência, solicitava para que a "perda" fosse anunciada na coluna obituária. A coluna de obituário do New York Time é tão famosa que inspirou "O livro das Vidas", que reúne vários textos publicados na coluna contanto a vida de pessoas comuns.

Recentemente a amiga, Teresa Maria Cisneiros Ramos, ao se referir à morte de um amigo comum, escreveu: "O inesperado tem sido muito doloroso".

Em conversa com o mestre, Arthur Carvalho, que anda muito recluso, falávamos sobre a subtração de amigos e ele simplificou tudo com uma frase do grande Manoel Bandeira: "A gente começa a morrer quando os amigos começam a morrer". A finitude é real, verdadeira, mas é difícil lhe aceitar.

Fábio Gondim, que na busca de uma melhor qualidade de vida foi morar em Gravatá, fez uma lista dos amigos que já morreram, selecionou outro tanto tomando por base a idade, e criou uma ordem cronológica de despedida. Resultado: ninguém quer figurar no seu caderninho de obituário.

O comunicador, Geraldo Freire, um dos campeões de audiência do rádio pernambucano, bate o ponto em todos os velórios de amigos. E tem por hábito fazer a previsão sobre de quem será o próximo enterro. Ele fica abalado com algumas despedidas, mas encontrou uma forma de encarar as perdas com naturalidade.

A pandemia tem ensinado a cada família escrever o seu obituário.

Neste tempo onde o inesperado nos maltrata, o certo é evocar a grande compositora chilena, Violeta Parra:

"Gratidão à vida, que tanto tem me dado

Deu-me o riso e deu-me o pranto".

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Campeonato Pernambucano
De volta ao normal
postado em 11 de maio de 2021

CLAUDEMIR GOMES

 

Não podemos afirmar que, a final do Pernambucano 2021, tendo Náutico e Sport como protagonistas, estava escrita nas estrelas, embora os números da primeira fase da competição mostrassem as probabilidades para tal desfecho. Mas como futebol não é ciência, Santa Cruz e Salgueiro, sempre tidos como coadjuvantes, poderiam roubar a cena nas semifinais, fato que não ocorreu. Sendo assim, tudo segue o seu curso normal.

E tudo volta a ser como dantes no quartel de Abrantes.

A rivalidade é sempre um molho especial nas decisões envolvendo alvirrubros e rubro-negros. Entretanto, com a ausência de público nos estádios,imposta pela pandemia, e o futebol de baixa qualidade técnica exibido pelas duas equipes, nos leva a crer que, teremos mais uma festa triste do futebol, dentre as tantas que testemunhamos desde que o mundo começou a ser atormentado pelo Covid.

O futebol pernambucano não vive um bom momento. Isto é fato. E a competição doméstica, que já foi a ameixa do pudim, hoje não passa de um daqueles ingredientes que nós tratamos como "embuchante", serve apenas para o bucho crescer e mais nada.

Náutico e Sport já velam suas armar visando a conquista do único título viável para ambos nesta temporada. O campeão vai enriquecer seu currículo caseiro que servirá de mote para a farra nas redes sociais. Em tempo de confinamento social a gréia vem em forma de memes.

Acho que agora vocês entendem quando digo que o campeão terá uma festa triste. No momento, só quem causa frisson é a turma do Big Brother. O pernambucano Gil do Vigor foi recebido com um festão no Janga (Paulista/PE), desfilou em carro aberto e recebeu a maior honraria do município da Região Metropolitana do Recife. Dizem até que será recebido pelo governador, Paulo Câmara. Um show!

Enquanto isso, só quem viu a vitória do Sport (1x0) sobre o Salgueiro, um verdadeiro "festival de horrores do time leonino", foi quem pagou caro pela assinatura do "Premier". Os pobres mortais se contentaram com o radinho de pilha. O esforço dos profissionais da latinha em tentar repassar uma beleza que não existiu foi louvável. Para os privilegiados que têm "Premier", restou o apelo angustiante: "Uma jogada boa pelo amor de Deus!".

Bom! Vamos a Grande Final porque oito dias depois começa a via crucis do Brasileiro.

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