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A Bela do Leite Moça
postado em 28 de janeiro de 2021

CLAUDEMIR GOMES

 

Em tempos de pandemia é comum sentir saudade das coisas boas que fazíamos, rotineiramente, e que não será possível reviver quando tudo voltar ao normal. Sinto falta do encontro com os amigos no Prá Vocês, tradicional reduto gastronômico do Recife situado no Pina. A Cidade Imaginária, lá existente, era coisa para turista. Para nós da terrinha, o que não tinha preço era o papo com os amigos.

De domingo a domingo, lá estava Wallace, figura icônica do recinto. Seu lugar era tão cativo que havia até uma mancha da sua cabeça no painel desenhado pelo espetacular, Humberto Araújo, um dos frequentadores assíduos do lugar, e que não abria mão de levar para casa a famosa sopa de cabeça de peixe.

Pois bem! Nosso ponto de encontro, "O Escritório", como chamava o jornalista, José Neves Cabral, foi um dos tantos estabelecimentos comercial a fechar por conta do coronavírus. Nos restaram as lembranças.

Se funcionando estivesse, o mote da semana nas inúmeras prosas do Prá Vocês seria o Leite Moça. Iguaria que seduziu gerações. Afinal, o conhecidíssimo leite condensado faz sucesso desde 1921. São cem anos liderando um mercado. E que recentemente deu uma demonstração de força ao ser o preferido das Forças Armadas. E nós que estávamos com medo de que fosse criada a geração dos saldadinhos nutella.

Nada disso. A turma é raiz, fiel ao Leite Moça.

Voltemos à mesa do Prá Vocês! Wallace, cuja cota diária era três cervejas naturais, ou seja, daqueles que saiam direto da grade para a mesa, sem passar pelo freezer, é um sujeito letrado, que gosta de conduzir a prosa e eleva o nível da conversa tendo a sensibilidade como termômetro.

Por muitos anos, uma das filhas de Wallace serviu como modelo do Leite Moça. Um rosto belíssimo que emoldurava e dava um brilho especial ao rótulo do tradicional leite condensado, o tornando ainda mais doce. Sempre na comemoração do seu aniversário, Wallace reunia as filhas, os netos e amigos para uma comemoração quase fechada no Prá Vocês. Num desses encontros tive a oportunidade de ser apresentado ao "famoso rótulo" do Leite Moça. Continuava linda! Nem parecia ser filha de Wallace, que é fraco de feição.

Após a divulgação do alto investimento do Governo Federal na compra de Leite Moça para as nossas Forças Armadas, choveu memes nas redes sociais. Um deles traz o presidente Bolsonaro como a garota do rótulo do Leite Moça.

Alô Humberto, Zé Neves Cabral e Samuel! Não podemos deixar passar este mote.

Wallaaace!!!!

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Pandemia Tricolor
postado em 18 de janeiro de 2021

CLAUDEMIR GOMES

 

No domingo em que a população brasileira comemorava o simbolismo da primeira vacina aplicada no País, como antídoto capaz de interromper a marcha galopante, e mortífera, do coronavírus, a torcida do Santa Cruz Futebol Clube vivenciou mais um capítulo do drama Adeus as Ilusões.

A República Independente do Arruda foi banhada pelo choro de Maria, Clarice, José, Anacleto, Geraldo, Napoleão... A Pandemia Tricolor segue sem cura. O coralvírus é um mal que se instalou no clube coral no final da primeira década do novo século, precisamente em 2008, quando o clube, numa queda sem precedentes na época, chegou à Terceira Divisão do Brasileiro: Série C.

O coralvírus tem um efeito devastador. Corrói o intelecto do cidadão, lhe deixa dotado de uma incompetência absurda e com uma soberba que lhe leva a pensar que é o mais inteligente dos mortais. Apesar da centenária história do clube, os doutores do Arruda não conseguiram debelar o mal que levou a agremiação mais popular do futebol pernambucano ao fundo do poço:  a Série D.

Mas a República Independente do Arruda tem um povo varonil. Apesar da confirmação da pandemia do coralvírus, consolidada em três anos de Série D, seguia fiel à bandeira do Santinha, dando provas de um amor que chamou a atenção do mundo do futebol. O fogo da paixão dos tricolores também servia para alimentar o vírus letal, que seguia corroendo a gestão de um clube que no século passado se posicionou entre os gigantes do futebol brasileiro.

Era o Santa Cruz do Colosso do Arruda, maior estádio particular do futebol verde e amarelo; de jogadores como Givanildo, Mazinho, Luciano, Detinho, Levir, Fernando Santana, Nunes, Ramon, Cuíca, Zito, Mirobaldo, Henágio, Luís, Neto, Birigui, Zé do Carmo... Um clube que tinha o orgulho de ostentar que, pagava o mais alto salário de um técnico no nosso País: Evaristo de Macedo.

No quadro diretivo, em todos os poderes, um elenco de dirigentes que se posicionava com destaque na sociedade civil pernambucana.

O Gigante do Arruda está enfermo. O coralvírus é um mutante devastador. De 2008 para cá o Santa Cruz desfila por sete temporadas na Série C. Patinou por três anos na Série D e quando todos pensavam que o mal havia passado, com a velocidade de um meteoro, visita a Série A em 2016, passa três temporadas na Série B, mas em seguida retorna ao martírio da C, onde criou raízes há quatro anos.

Insanos e incompetentes, os dirigentes corais, verdadeiros Narcisos dos Século XXI, se iludem ao se verem como grandes gestores através de um espelho sem luz. A claridade dos fatos nos mostra uma realidade inversa. Mas continuam tratando a fiel torcida como massa de manobra.

A pandemia do coralvírus já dura 14 anos. Neste período, o Santa Cruz esteve, por dez temporadas, nas Séries C e D.

Numa República, o poder emana do povo, que escolhe os seus representantes. Creio que este é o caminho para se encontrar um antídoto que venha combater o coralvírus. Em fevereiro haverá eleição na República Independente do Arruda.

Não é fácil erradicar a pandemia da incompetência, mas quando se conhece as causas é possível. Os males do Santinha tem nome, sobrenome, RG e domicílio.

Mudança Já! O brado se tornou imperativo.

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Times reativos
postado em 06 de janeiro de 2021

CLAUDEMIR GOMES

 

Vanderlei Luxemburgo é daqueles personagens do futebol que rende sempre uma boa entrevista. No início da semana, por ter aceito o desafio de comandar o Vasco da Gama, na reta final do Campeonato Brasileiro, com a missão de evitar o rebaixamento do clube carioca, foi o convidado do Programa Bem Amigos, no canal por assinatura, SporTV.

Sete profissionais, de diferentes idades, mas todos experientes, crivavam o professor de perguntas, fato que levou a entrevista por diferentes caminhos. Uma das coisas que me chamou a atenção foi a questão da semântica no futebol, levantada por Galvão Bueno, quando, com muita ironia, falou da expressão "time reativo", que tem sido bastante usada pelos treinadores.

Sentindo-se o próprio catedrático, Luxemburgo se aprofundou na explicação, e chegou a revelar que, "ao criar algumas situações digo para os jogadores que eles têm 10 segundos para retomar a posse de bola. Caso não consiga, o time tem que se reagrupar, e ser reativo". Fantástico.

A tecnologia tem dado uma contribuição efetiva para o crescimento e a evolução do futebol. O treinador hoje conta com o respaldo de um analista de desempenho e outros profissionais que, em décadas passadas, não existia. Mas a essência da arte não pode ser mexida.

Dias atrás estava me deliciando com alguns textos do uruguaio, Eduardo Galeano, sobre Pelé, Garrincha, Maradona, Zidane... e outros foras de série que encantaram o futebol mundial.

Fiquei a imaginar um treinador chegando para Garrincha e determinando: "Se em cinco segundos você não passar a bola...".

Garrincha era proativo ou reativo?

E o Rei Pelé, qual seria a melhor definição para ele? Com a estupenda capacidade agressiva de desmanchar sistemas defensivos, Maradona e Ronaldo Fenômeno iriam dispor de quantos segundos para suas proezas?

Insisto em dizer que, muitas vezes o problema do futebol está na semântica.

Quando iniciou a carreira de técnico, em 1987, no Sport, Emerson Leão se preparava para comandar um coletivo e disse para o massagista: "Entregue os coletes azul-turquesa para os titulares". O rapaz ficou imóvel sem entender a ordem que lhe fora repassada. Leão repetiu mais uma vez. Observando a dificuldade de entendimento naquele diálogo, me aproximei e disse para o rapaz: "o colete azul-marinho". A ordem foi cumprida à risca.

Durante o treino, o novo técnico marcou um ponto na lateral do campo e disse para determinado jogador: "Quando chegar neste ponto, você investe em diagonal na direção do gol". Bola rolando, Leão insistia aos gritos  - "entra em diagonal" - mas a jogada não saia correta. Lhe pedi licença, e fui ao seu encontro dizer: "mande ele, quando chegar naquele ponto, correr enviesado na direção do gol". A jogada passou a ser repetida com sucesso.

Quando chegou a Seleção Brasileira, em 2000, o mesmo Emerson Leão, na sua primeira coletiva, disse que buscava "bailarinos" para o time brasileiro.

Em 2002 o Brasil foi pentacampeão mundial com a genialidade de Rivaldo; o fenomenal Ronaldo, e um "bailarino" de nome Ronaldinho Gaúcho, que levou o time a se tornar imbatível após o técnico Luiz Felipe Scolari lhe efetivar como titular.

Na década de 60, no século passado, os extraordinários times do Santos e do Botafogo/RJ, bases da Seleção Brasileira, levaram os treinadores, cronistas e torcedores a defenderem a tese de que, "a melhor defesa era um grande ataque". Os adversários não conseguiam ser reativos diante daqueles esquadrões de ouro.

Até hoje os torcedores brasileiros perguntam: por quê a Seleção Brasileira de 82, jogando um futebol tão espetacular, não foi campeã do mundo?

Hoje temos a resposta: "Ela não foi reativa".

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A vez dos meninos
postado em 02 de janeiro de 2021

CLAUDEMIR GOMES

 

Os meninos chegaram!

O primeiro dia do ano - 2021 - foi marcado pelas posses do novo prefeito do Recife, João Campos, e do vereador, Romerinho Jatobá, na presidência da Câmara Municipal do Recife. Nada melhor para anunciar o início de um novo tempo. Apesar do castigo imposto pela pandemia do coronavírus, a esperança se renova através da juventude.

Campos é o prefeito mais jovem dentre os eleitos em todas as capitais brasileiras. Por outro lado, Romerinho é o presidente com menos idade na história da Casa de José Mariano.

Além do caderno de desafios que encontrarão na administração pública, os "meninos" terão que lidar com a desconfiança dos que são resistentes às mudanças; daqueles que acham que os jovens nunca estão prontos para ocuparem determinados cargos.

As mudanças sempre assustam porque o novo tira muita gente da zona de conforto, principalmente quando se fala em gestão pública, que no nosso Brasil brasileiro, virou sinônimo de cabide de empregos. O medo de deixar a sombra do guarda-sol é aterrorizante, fato que provoca uma onda de boatos, fuxicos e fake news absurda. Tal cenário não é novidade na "Capital da Inveja".

Deixem os meninos trabalhar!

Este é o conselho. Nada mais sensato e honesto. Torcemos pelo acerto. E que o Recife volte a ser prateado como na música de J. Michiles (Recife Manhã de Sol).

Sabemos que, todo projeto quando sai do papal, e entra em execução, necessita de ajustes. Com os meninos não será diferente. Entretanto, apesar da pouca idade para assumirem cargos relevantes na gestão pública, ambos são ricos em conhecimento.

Romerinho asfaltou sua própria estrada de forma irretocável nos dois primeiros mandatos, fato que lhe rendeu a votação mais expressiva dentro do seu partido (PSB), nas últimas eleições. A chegada à presidência da Câmara, com votação por demais expressiva, foi um reconhecimento dos próprios companheiros de bancada.

João Campos não tem a experiência que se cobra de um gestor, mas tem conhecimento suficiente para diminuir a margem de erros, fato já observado na escolha do seu secretariado, bastante coerente com o que apregoou durante a campanha.

Os meninos têm vontade, têm força de trabalho e determinação para mudar.

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