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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
A renúncia do presidente do Barcelona, Josep Maria Bartomeu, nesta terça-feira, foi o assunto mais comentado no mundo do futebol. Ele que, um dia antes, havia assegurado, não figurar nos seus planos, o afastamento do cargo, não resistiu às pressões, vindas por todos os lados, no clube catalão.
Também ontem, me chamou a atenção o artigo do professor da UFPE, Flávio Brayner, publicado no Jornal do Commercio, com o tÃtulo: ELES SABEM O QUE FAZEM. O alvo do mestre era os polÃticos e suas promessas vãs em tempos de campanha. Um cinismo com o qual aprendemos a conviver. As figuras eleitas atestam a pecaminosa cumplicidade da sociedade com este deboche cultural. No artigo do professor, uma frase lapidar: "Nenhuma instituição subsistiria sem uma dose cavalar de autoengano e de engano mútuo".
Me perco em pensamentos sobre o mundo do futebol, onde a transparência nos parece ser o maior de todos os pecados mortais. Após a criação das causas de "confidencialidade", tudo pode nos intramuros de clubes, federações e confederações. E o cinismo é apadrinhado por conselheiros e sócios. E assim, grupos polÃticos se perpetuam dentro das agremiações, mesmo sem a capacidade de entrar em sintonia com a nova ordem.
A perpetuação no poder é um desejo de quem chega ao trono. São poucos os pontos fora da curva. Administrações desastrosas, que deixam os clubes a beira da insolvência, não têm suas análises e estudos levados ao conhecimento do sócio-torcedor. A caixa preta é sempre mantida em segredo, trancada a sete chaves. à mais fácil revelar o segredo da SantÃssima Trindade do que os descalabros promovidos por dirigentes dos clubes.
Não é fácil entender o apego a cargos quando os balanços dos clubes indicam caminhos de falência.
Como diria os mestre, Flávio Brayner: "A Esperança se alimenta de adiamentos".
Vamos torcer para que os futuros dirigentes mudem o curso da história do futebol brasileiro. Afinal, "ELES SABEM O FAZEM".
CLAUDEMIR GOMES
80 anos!
O tempo passou rápido. Apesar das transformações ocorridas ao longo dessas oito décadas, muitas coisas parecem imutáveis. No mÃnimo, se mantém vivas na lembrança. Eis porque Pelé é eterno. As lembranças farão com que sua história jamais tenha um fim.
Tudo começou quando o apelido se sobrepôs ao nome. Muito, ou quase tudo, já se falou de Pelé. Pouco se sabe de Edson Arantes do Nascimento, um cidadão comum, um mortal igual aos milhões de súditos do Rei Pelé, autoridade máxima do maior paÃs do mundo: O PaÃs do Futebol.
A noite do dia 12 de janeiro de 1963 foi inesquecÃvel para mim. Meu pai me levou, pela primeira vez, para assistir a um jogo de futebol no Recife. Com apenas 10 anos, eu menino, me sentia como se estivesse descobrindo o mundo do futebol. A Ilha do Retiro, a época, o maior estádio de Pernambuco, estava superlotada. O confronto entre Sport e Santos, válido pela Copa do Brasil, estava superlotada. Acomodamos-nos na arquibancada que ficava por trás do gol próximo a sede social do Sport.
Nunca soube contar muito sobre aquele jogo. O placar foi 1x1. Mas o importante é que eu tinha visto Pelé, em preto e branco, com a camisa do Santos, mas sua aura era colorida, diferente dos demais jogadores. Passei a seguir o Rei. Ficava encantado com as imagens que o Canal 100 exibia dos jogos do Santos. A ginga, o jogo, a elegância, a eficiência no conjunto de fundamentos. Suas marcas registradas foram conquistando o mundo. Celebridades internacionais passaram a reverenciá-lo. O Rei era cantado em verso e prosa em todos os idiomas. Passou a ser adjetivo de grandeza.
Vinte anos se passaram quando se deu o nosso segundo encontro: Mundial de 82, na Espanha. Estava cobrindo a seleção da Argentina, atual campeã do mundo, que, paralelamente à disputa do Mundial, vivia o drama da Guerra das Malvinas. Pelé estava hospedado em um hotel na praia de San Antonio, próximo a cidade de Alicante. Sua companhia: Xuxa, uma exuberante jovem com menos de 18 anos.
Em 1994, na Copa dos Estados Unidos, quando o Brasil conquistou o tetra, vi o Rei chorar de emoção. A poucos metros, também chorava junto com todos os companheiros do Estado de Minas e do Correio Brasiliense. O choro chorado do Rei parecia uma sequência daquela imagem icônica de 1958, quando o menino Pelé foi protagonista da conquista do primeiro tÃtulo.
Quantas estórias ouvi sobre Pelé: Joan Perez, Valdemar Carabina, Telê Santana, João Saldanha, NÃlton Santos, Oldemário Toguinhó, Ney Bianche, Solange Bibas, Geraldo Romualdo, Carlos Alberto Parreira e Emerson Leão, todos, sem exceção, me falaram sobre lembranças de passagens marcantes e inesquecÃveis de fatos que vivenciaram com a presença do Rei.
Vida longa ao Rei!
Enquanto cultivarmos as lembranças, sua história não terá fim.
Certa vez, ouvi do ex-governador, Gustavo Krause, amante do Náutico e louco por futebol a definição: "Pelé é uma entidade".
Traduzindo: é eterno, imortal.
CLAUDEMIR GOMES
O ufanismo é um mal que nunca foi combatido no futebol brasileiro. Todos os segmentos envolvidos no esporte mais popular do paÃs exageram nas tintas. à como se estivéssemos confinados numa bolha, em pleno carnaval, ouvindo músicas eletrônicas, enquanto na avenida desfilam os blocos e suas orquestras recheadas de músicos virtuosos. Enfim, perdemos o jeito de fazer espetáculo, de jogar futebol.
Nossos grandes "bailarinos", como costumava dizer o ex-técnico, Emerson Leão, estão todos vinculados a clubes europeus. Evidente que o Brasil segue sendo um grande celeiro, mas os nossos clubes não sabem trabalhar e preservar os grandes talentos.
No futebol brasileiro ainda se credita o sucesso, ou fracasso, aos treinadores. Se o momento é de colheita de bons resultados, palmas para o professor. Se a fase é marcada por resultados negativos, a culpa é do professor. Depois de abrirem as portas para jogadores estrangeiros, os grandes clubes nacionais passaram a apostar todas as fichas em treinadores que falam outro idioma.
Nossa escola não acompanhou a evolução. Estamos fora de sintonia em todos os setores. A crônica esportiva passou a ser povoada por ex-jogadores. Alguns merecem a aprovação, enquanto a maioria não leva o menor jeito como formador de opinião. O fato de terem sido bons jogadores não lhes assegura o protagonismo como comentarista.
O ufanismo leva ao equivoco nas análises. A sequência de três bons jogos é o suficiente para um jogador ser elevado ao patamar de craque no futebol brasileiro. Muitas vezes, num piscar de olhos, vemos o "craque" penando para se manter como titular.
O aprendizado do futebol tem que ser presencial. A Europa, a partir dos anos 90, passou a importar, em massa, os bons jogadores brasileiros não por acaso. Hoje, o continente é a maior referência de futebol excelência. A evolução de jogadores e treinadores acontece através de intercâmbio. A internet facilita a comunicação, mas no futebol o presencial é imprescindÃvel.
Sport, Palmeiras e Vasco somaram quatro derrotas nas quatro últimas apresentações. Outros clubes, nos últimos cinco jogos somaram apenas uma vitória. Pergunto: a culpa é exclusiva dos técnicos?
O oba, oba, das resenhas esportivas está insuportável. A nova metodologia de trabalho, os novos conceitos, provocaram uma distância absurda entre os repórteres e os profissionais que trabalham em campo. O repórter se distanciou do nascedouro da notÃcia. Os mais experientes hão de concordar comigo.
O futebol brasileiro precisa ser reinventado.
CLAUDEMIR GOMES
O saudoso jornalista, Júlio José, costumava dizer que, "o ruim do futebol é o jogo". E apresentava mil e um argumentos para justificar sua predileção pelo antes, e pelo depois. Neste Brasileiro da Pandemia, a ordem é viver o momento mais que de costume. à como se não houvesse mais tempo para nada. Eis a razão pela qual a torcida do Sport está fazendo tanta zoada.
Afinal, após treze jogos disputados, o time que, na quinta rodada estava sendo apontado como um candidato a queda, aparece na parte de cima da tabela, entre os que vão brigar por uma vaga na Libertadores.
"Isto é nuvem passageira!". Diriam tricolores e alvirrubros para provocar os leoninos que retrucam: "Futebol é momento".
Hoje, na "resenha" matinal, na Padaria Diplomata da Conselheiro Aguiar, um pessimista argumentou: "Ver o Sport jogar é teste para cardÃaco". O comentário teve o efeito de uma piada: todos que estavam em volta riram. Sem perder o humor, o otimista soltou essa: "Verdade. Nos últimos cinco jogos foram três vitórias, um empate e uma derrota. Quase morro do coração com tanta alegria".
Entenderam porque Júlio José gostava tanto do antes e do depois?
Pré e pós são espaços onde a gréia rola. Ninguém discute táticas, posicionamentos, funções de determinados jogadores em campo, nem se perde em elucubrações. Na gréia o que vale é o resultado do jogo e a posição na tabela de classificação.
Até a próxima rodada o leão do Sport estará rugindo alto. Numa rápida olhada na tabela de classificação observamos que o rubro-negro da Ilha do Retiro só está atrás de Atlético Mineiro, Internacional, Palmeiras e Flamengo. A reboque do time de Jair Ventura estão São Paulo, Santos, Vasco, Bahia, Fortaleza, Ceará, Botafogo, Grêmio, Atlético Paranaense, Fluminense, Corinthians...
Até quando? Não sei dizer. O futuro é incerto. O passado, passou. O certo é viver o presente. Afinal, amanhã o mote da gréia pode ser outro.